Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Cicatrizes de Amor e Vingança

Cicatrizes de Amor e Vingança

Liana, uma herbalista devota, usou seus dons para elevar o poder de Inácio, seu grande amor. Grávida, ela o flagra com Sílvia, iniciando uma sequência de tragédias: perde o filho, suas terras e a fertilidade por traição. Acusada de bruxaria pelo próprio amado, Liana é condenada à fogueira. Contudo, um segredo ancestral a salva da morte. Entre cinzas e cicatrizes, ela abandona o passado para buscar justiça contra o homem que jurou amá-la, mas tentou destruí-la.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

O Coronel Inácio pediu a minha mão em casamento por três meses seguidos.

Todos os dias, ele vinha até a pequena casa da minha família na beira do sertão, trazendo presentes, prometendo mundos e fundos.

Eu era Liana, uma simples herbalista, e ele, o filho do mais poderoso latifundiário da região.

"Liana, casa comigo," ele dizia, os olhos brilhando. "Eu juro te amar para sempre. Vou te dar tudo."

Para provar o meu valor, usei o meu segredo, o bornal de couro que herdei da minha avó.

Com ele, produzi ervas raras que curaram os homens de Inácio, feridos em disputas de terra.

Com a minha ajuda, ele venceu todos os rivais, consolidando seu poder.

Finalmente, eu disse sim.

Depois do casamento, Inácio era a personificação do homem apaixonado.

Ele me carregava pela casa, me cobria de beijos e presentes, e não passava uma noite longe de mim.

Eu me sentia a mulher mais feliz do mundo.

Até que, um dia, tudo mudou.

Ele chegou em casa com o rosto sério.

"Liana, preciso que entenda. Minha mãe... ela está me pressionando."

Senti um calafrio.

"Pressionando sobre o quê?"

"Sílvia. A noiva do meu primo que morreu. Minha mãe diz que é meu dever cuidar dela, honrar a promessa da nossa família."

Eu não gostei do tom dele, mas tentei ser compreensiva.

"Cuidar dela como, Inácio?"

"Ela vai ficar na casa de hóspedes. É só por um tempo."

Naquela noite, ele não dormiu comigo.

Na noite seguinte, também não.

Uma semana se passou, e a cama ao meu lado continuava fria. Grávida de quatro meses, a minha ansiedade crescia.

Uma noite, não aguentei. Fui até a casa de hóspedes.

A luz estava acesa.

Pela janela, vi a cena que quebrou meu coração.

Inácio e Sílvia, juntos na cama.

Não era cuidado. Era traição.

Fiquei paralisada, o som dos meus soluços abafado pela minha própria mão na boca.

De repente, ouvi um barulho alto, um estalo de madeira quebrando, seguido de risadas.

A cama deles tinha quebrado.

A imagem era tão suja, tão humilhante, que senti o meu estômago revirar.

Voltei para a casa principal, tropeçando no escuro.

Naquela mesma noite, uma chuva forte desabou sobre o sertão.

Eu estava com sete meses de gravidez. Uma dor aguda me atingiu.

Gritei por ajuda, mas a casa estava vazia. Os empregados tinham sido dispensados mais cedo por Dona Matilde.

Inácio estava com Sílvia.

Tentei me levantar para buscar água, mas o chão estava molhado. Escorreguei e caí.

A dor se intensificou. O parto estava começando, muito antes da hora.

Sílvia apareceu na porta, com um olhar que não era de preocupação.

"Precisa de ajuda, Liana?"

Ela chamou a parteira, uma mulher que eu nunca tinha visto antes.

O parto foi um pesadelo.

Quando finalmente acabou, o silêncio no quarto era mortal.

A parteira, com o rosto impassível, anunciou:

"Nasceu morto. Fraqueza da mãe."

Meu mundo desabou.

Inácio chegou muito depois. Ele não olhou para mim. Não olhou para o pequeno corpo enrolado em panos.

Ele foi direto para Sílvia, que choramingava no canto.

"O que foi, meu bem?"

"Eu me arranhei na porta, tentando chamar a parteira mais rápido," ela disse, mostrando um arranhão minúsculo na mão.

Ele beijou a mão dela, preocupado.

Meu filho estava morto, e ele se preocupava com um arranhão.

Desmaiei.

Quando acordei, dias depois, o quarto estava silencioso.

Ouvi vozes do lado de fora. Inácio e Sílvia.

"Não se preocupe, meu amor," ele dizia a ela. "Nós teremos os nossos próprios filhos. Muitos filhos."

Aquelas palavras foram como facas no meu peito.

Dias depois, Sílvia começou a passar mal, vomitando e tremendo.

O médico da família, chamado às pressas, diagnosticou envenenamento.

Por uma erva rara, uma que só eu conhecia e usava.

"Foi ela!" gritou Dona Matilde, apontando para mim. "Essa sertaneja invejosa tentou matar a Sílvia!"

Inácio me olhou, o rosto uma máscara de decepção.

"Liana, como pôde?"

"Eu não fiz isso," eu disse, a voz fraca.

"Para te salvar da prisão," ele disse, me apresentando um papel, "assine isso. É uma confissão de que usou a erva por engano. Eu direi que foi um acidente."

Eu estava tão quebrada, tão confusa, que acreditei.

Assinei o papel sem ler.

No dia seguinte, um oficial de justiça apareceu. O documento não era uma confissão.

Era um termo de transferência, passando a pequena e única terra da minha família para o nome de Inácio.

Ele tinha me roubado tudo.

Naquela noite, ele veio ao meu quarto. Trazia uma garrafa escura na mão.

"Liana, eu não quero que você sofra a dor de outra perda. Isso é para o seu bem."

Ele me segurou com força, enquanto dois jagunços me forçavam a beber o líquido amargo.

"Isso vai te impedir de engravidar de novo. Para te poupar da dor."

Eu sabia que era mentira. Ele queria garantir que apenas Sílvia, a mulher que ele agora amava, pudesse lhe dar um herdeiro.

Eu lutei, mas era fraca demais.

O líquido queimou minha garganta e desceu como fogo para o meu ventre.

A dor me fez desmaiar novamente.

Lembro-me de pensar, antes de perder a consciência, que o amor que eu sentia por ele tinha se transformado em um ódio profundo e gelado.

Um mês depois, houve uma grande festa na capital, na mansão do Governador.

Inácio, agora ainda mais poderoso com as minhas terras, foi convidado.

Ele me levou, e levou Sílvia.

"Você é minha esposa," ele disse. "Tem que manter as aparências."

Na festa, Sílvia me ofereceu uma taça de vinho.

"Beba, Liana. Para esquecer as tristezas."

Eu bebi. Foi o meu último erro.

A minha cabeça ficou pesada, o mundo começou a girar.

A última coisa que lembro foi de ser arrastada para um quarto.

Acordei com gritos.

Sílvia estava na porta, apontando para mim.

Eu estava na cama, seminua. Ao meu lado, um empregado da casa, também desorientado.

"Adultério! Ela desonrou o nome da nossa família!" gritava Sílvia.

Inácio apareceu, o rosto vermelho de fúria.

Ele não me perguntou nada. Não me deu chance de falar.

Ele me arrastou para fora, na frente de todos os convidados.

"Esta mulher é uma adúltera! Ela não é mais minha esposa!"

Para "salvar a honra da família" , ele me trancou no celeiro da fazenda.

Naquela noite, o celeiro pegou fogo.

As chamas subiam altas, lambendo a madeira seca.

O calor era insuportável. A fumaça enchia meus pulmões.

Eu ia morrer.

Desesperada, agarrei meu bornal de couro.

"Me salve," eu sussurrei. "Custe o que custar."

Senti uma onda de energia gelada percorrer meu corpo, sugando minha força vital.

O bornal brilhou. Uma chuva fina e gelada começou a cair dentro do celeiro, apagando as chamas ao meu redor, criando um pequeno círculo de segurança.

Mas o fogo era forte demais. Uma viga em chamas caiu sobre mim.

Senti a dor aguda no meu rosto e nos meus braços antes de tudo ficar escuro.

Fui dada como morta.

Mas eu sobrevivi.

Com o rosto e os braços marcados por cicatrizes horríveis, fugi para o sul.

Eu não era mais Liana, a esposa do Coronel.

Eu era apenas uma sombra, um fantasma em busca de um lugar para desaparecer.

Cheguei a uma pequena cidade devastada por uma epidemia de febre amarela.

As pessoas morriam nas ruas.

Meu instinto de curandeira falou mais alto.

Abri meu bornal. A cada erva que eu tirava, sentia a vida se esvaindo de mim, mas eu não parei.

Comecei a tratar os doentes, um por um.

Foi lá que o reencontrei.

Dom Pedro. O viajante misterioso que uma vez passou pelas terras de Inácio, um homem culto e gentil do Rio de Janeiro.

Ele também estava ajudando, usando seus próprios recursos para comprar remédios e comida.

Trabalhamos lado a lado.

Ele nunca perguntou sobre as minhas cicatrizes. Ele olhava para mim, e eu via admiração nos seus olhos, não pena ou repulsa.

Ele se apaixonou pela minha força, pela minha bondade.

Enquanto isso, no sertão, os rumores de uma "santa curandeira" com o rosto marcado chegaram aos ouvidos de Inácio.

Ele ficou obcecado.

"É ela. É a Liana."

Ele abandonou tudo. A fazenda, os negócios, Sílvia.

E veio me caçar.

Quando me encontrou, ao lado de Pedro, a sua sanidade, que já era pouca, se desfez completamente.

Ele tentou me levar à força.

"Você é minha! Sempre será!"

Na sua loucura, para provar seu poder e me impressionar, ele declarou guerra a um fazendeiro vizinho, um homem muito mais poderoso.

Mas sem as minhas ervas, sem a minha ajuda, ele era incompetente.

Pedro, que eu descobri ser um nobre com grande influência política, agiu nas sombras. Ele protegeu a região, isolando Inácio.

A derrota de Inácio foi rápida e humilhante.

Ele perdeu tudo. Suas terras foram confiscadas pelo governo como pagamento de dívidas. Seu poder virou pó.

Sílvia, vendo que não havia mais nada para roubar, fugiu com o pouco de riqueza que restava.

Inácio ficou sozinho, vagando pelas terras que um dia foram suas.

Atormentado pela culpa, pela perda, pela minha imagem que o assombrava.

Numa manhã fria, ele foi encontrado perto do rio.

Tinha tirado a própria vida.

Eu estava finalmente livre.

Pedro me pediu em casamento.

"Deixe-me curar as suas feridas, Liana."

Eu aceitei.

Ele me levou para sua casa, um palacete no Rio de Janeiro.

Sua família, nobre e rica, me acolheu. Sua mãe, uma mulher de coração bom, me tratou como uma filha.

Com os cuidados de Pedro e os meus próprios conhecimentos, a minha saúde se recuperou. As cicatrizes no meu corpo e na minha alma começaram a desaparecer.

Anos mais tarde, contra todas as previsões dos médicos e das minhas próprias crenças, eu engravidei.

Tivemos filhos.

Uma vida feliz e pacífica.

O verdadeiro amor, descobri, pode curar todas as feridas.

Você pode gostar

Capa do romance A Escrava Mais Odiada Do Rei
9.2
Há muito tempo, dois reinos conviviam em paz. O reino de Salem e o reino de Mombana... Tudo correu bem até o dia em que faleceu o rei de Mombana e um novo monarca assumiu, o príncipe Cone, que estava sempre sedento por mais e mais poder. Depois da sua coroação, ele atacou Salem. O ataque foi tão inesperado que Salem nunca se preparou para isso. Foram apanhados desprevenidos. O rei e a rainha foram assassinados, o príncipe foi levado para a escravidão. As pessoas de Salem que sobreviveram à guerra foram escravizadas, suas terras foram saqueadas, e suas esposas foram transformadas em escravas sexuais. Tudo foi perdido. O mal caiu sobre a terra de Salem na forma do príncipe Cone, e o príncipe de Salem, Lucien, na sua escravidão, estava cheio de tanta raiva que jurou vingança. *** *** Dez anos depois, Lucien, de 30 anos, e seu povo lançaram um golpe e escaparam da escravidão. Eles se esconderam e se recuperaram. Treinaram dia e noite sob a liderança do intrépido e frio Lucien, que foi impulsionado com tudo o que havia nele para recuperar sua terra e tomar a terra de Mombana também. Levou cinco anos até que eles armassem uma emboscada e atacassem Mombana. Mataram o príncipe Cone e reivindicaram tudo. Enquanto gritavam sua vitória, os homens de Lucien encontraram e imobilizaram a orgulhosa princesa de Mombana, Danika, filha do príncipe Cone. Enquanto Lucien olhava para ela com os olhos mais frios que alguém poderia possuir, sentiu a vitória pela primeira vez. Ele caminhou em direção à princesa com o colar de escravo que tinha sido forçado a usar por dez anos e com um movimento rápido, o amarrou ao pescoço dela. Então, ele inclinou o queixo dela para cima, olhando para os olhos mais azuis e o rosto mais bonito já criado, lhe deu um sorriso frio. "Você é minha aquisição. Minha escrava. Minha escrava sexual. Minha propriedade. Eu lhe pagarei por tudo o que você e seu pai fizeram comigo e com meu povo", disse ele secamente. O puro ódio, a frieza e a vitória era a única emoção no seu rosto.
Capa do romance A Rebelde Noiva De Don Carlo
8.2
Angela é uma jovem forçada a se casar com Don Carlo, um mafioso cruel e orgulhoso. Ela não aceita o seu destino e desafia Don Carlo a cada oportunidade, buscando uma forma de se libertar. Ele, por outro lado, se diverte e se enfurece com a ousadia de Angela, e tenta submetê-la com seu poder e charme. AVISO: Este é um darkromance com conteúdo explícito e erótico que tem como pano de fundo a Máfia Italiana. Contém cenas de violência e tortura, mas não contém cenas de burocracia ou negociações dentro da máfia. Aqui abordo alguns temas pesados como violência doméstica, sequestro e morte. Não leia se tiver gatilhos com isso. Preserve sua saúde!
Capa do romance Confusões do Amor
9.1
Mica tinha a vida perfeita até que o luto transformou seu mundo em caos. Após perder seu melhor amigo, Mickael, a jovem mergulha no desespero, mas uma viagem inesperada muda seu destino. Lançada em um perigoso jogo de vingança, ela precisa sobreviver a um homem desconhecido que a arrastou para a violência. Entre traumas e ameaças à sua família, Mica luta para recuperar a vontade de viver. Em meio ao perigo, será que um novo amor pode florescer e trazer sentido à sua jornada?
Capa do romance Eu sou a Lei!
9.6
Comandando uma das maiores facções do país, assumi o lugar do meu pai após sua morte. Sou respeitado por todos, mas uma advogada atrevida desafia minha autoridade. Mesmo preso, sigo no controle e me vejo obcecado por essa mulher de olhos cor de mel, contratada para me defender. O desejo por ela me consome e não aceitarei um não como resposta. Assim que eu cruzar os portões deste presídio, farei de tudo para que essa morena seja minha, custe o que custar.
Capa do romance IVAN  (Casados com a Máfia)
9.3
Ivan, o temido ceifador da máfia, recebe a missão de resgatar Gabriela. Como punição por um roubo cometido por seu pai, ela é forçada a se casar com o assassino. Embora o medo domine o início dessa união, Gabriela percebe que Ivan esconde um lado doce sob sua fachada violenta. Ambos carregam segredos sombrios, mas a confiança mútua permite que superem traumas passados. Entre perigos e revelações, um amor inesperado floresce e traz a cura para o casal.
Capa do romance O Sacrifício Final de Uma Esposa
8.0
Após Jade acidentalmente assustar o cão de Diana Fontenelle, ela é brutalmente espancada por seguranças. Alex Braga, marido de Elara e chefe da guarda de Diana, impede o socorro e ameaça a vida da cunhada para proteger a patroa. Ele destrói o violoncelo de Elara e a obriga a uma histerectomia sem anestesia para satisfazer Diana. Elara percebe que não é uma dívida conjugal, mas um sacrifício cruel onde ela é a única vítima do sadismo de Alex.