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Capa do romance Chefe bilionário? Não, só um marido possessivo!

Chefe bilionário? Não, só um marido possessivo!

Após garantir o divórcio do CEO que a via como um mero negócio, uma ex-secretária planeja sumir em trinta dias. O acordo era claro: dinheiro pela união, sem sentimentos. Ela falhou ao se apaixonar, mas agora que decidiu partir, o marido indiferente despertou com uma obsessão perigosa. Entre ciúmes explosivos e toques ardentes, o bilionário tenta impedir a fuga da mulher que sempre negligenciou. Ela já está com um pé fora, mas ele não aceitará perdê-la.
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Capítulo 2

"Tá falando sério?" Portia Pierce perguntou pela milésima vez.

"Tô."

"Vai mesmo largar o playboy?"

"Vou."

"Você é a Hyacinth de verdade ou um alienígena te possuíu?" Minha melhor amiga gritou no telefone. "Quem quer que seja, saia do corpo dela! Pelo poder de Cristo, saia agora!"

Franzi a testa no sofá do novo apartamento e afastei o celular do ouvido. "Andou revendo 'O Exorcista'?"

"O fato de saber meu filme favorito prova que é você mesma." Portia aceitou minha decisão num instante e mudou de assunto. "Temos que comemorar! The Verve, onze horas. Vestido mais ousado, maquiagem mais brega! Só saio de lá quando te apresentar o homem mais gato da pista!" Ela desligou antes que eu pudesse responder.

Ótimo - porque não ia recusar.

Balada não era meu estilo, mas se queria cortar Cary Grant da minha vida, só os papéis do divórcio não bastavam. Casar com um bilionário exigia conformidade corporativa e aprovações de diretoria - ou foi o que a mãe dele me disse.

Ela precisava de tempo para garantir que minha saída não abalasse os negócios da família. Trinta dias.

Eu já tinha duas cópias assinadas do acordo. Fingir ser a esposa obediente nos últimos trinta dias não foi difícil.

Depois de deixar o Cary, precisaria de um novo emprego. Sem pressa - o acordo me manteria confortável.

O que mais me preocupava era contar aos meus pais.

Eles são conservadores. Quando disse que tinha me casado de repente, há três anos, desaprovaram. Acharam que me vendi a um bilionário para pagar o tratamento da minha mãe.

A atenção do Cary acalmou as preocupações deles na época. Tudo um ato.

Não adianta sofrer por antecipação. Por enquanto, eu queria um pouco de liberdade. Levantei e, como ordenado pela Portia, passei uma maquiagem pesada, brilho labial gritante, mas ignorei o vestido mais provocante.

Claro que tinha minissaias - sim, algumas quase mostravam tudo - e saltos altos. Mas queria que os playboys da balada me vissem como uma mulher com curvas e cérebro, não uma garota fácil.

Quando cheguei, Portia quase me fez usar um vestido de gala.

Segurei seu braço. "Quero beber algo caro primeiro, depois encontrar um cara para me divertir."

Ela cedeu, mas seus olhos prometiam que isso aconteceria ainda naquela noite.

Ela me levou ao mezanino. As paredes grossas e o carpete abafaram o baixo, e pude finalmente ouvir meus pensamentos.

"A galera bonita só chega depois da meia-noite", disse ela, acomodando-se numa cabine de veludo. "Temos uma hora. Pode desabafar tudo, beber o suficiente para limpar as toxinas do Cary do seu sistema e ficar pronta para comemorar com o primeiro homem que der vontade de beijar."

Um garçom charmoso pigarreou, lembrando-nos do pedido.

Portia piscou para ele, pediu um martini francês, um cosmopolitan para mim e uma garrafa de champanhe. Quando ele saiu, virou-se para mim.

"Vamos, conta tudo", disse.

E contei. Portia era a ouvinte perfeita - reagia na hora certa, xingava a outra mulher sem piedade e reservava a maior fúria para o Cary.

"Devem ser os seios", concluiu. "Seu rosto é lindo, todo mundo vê. Só pode ser os seios."

Revirei os olhos. "Quer me convencer a colocar silicone?"

"Ei, sou dona da Clínica Seraphina. Tenho orgulho dos nossos resultados." Ela ergueu o busto como numa demonstração de TV.

Eu ri. "Não força - os 'bebês' podem escapar."

"É lucro para ele." Ela flertou com o garçom que trazia outra rodada; ele piscou de volta.

Com medo de que Portia transasse com ele ali mesmo, sinalizei que ele podia ir. Foi quando ouvi meu nome.

Nosso reservado não era totalmente fechado; uma tela nos separava da mesa ao lado, então a conversa chegava fácil.

"Sério?" disse uma voz jovem - aguda e flutuante, de bêbado ou chapado.

"Sério. Tenho uma fonte no escritório do chefe. Viu uma mulher entrar no escritório do Cary e não sair por meia hora. Quando a Hyacinth chegou, a mulher ainda estava lá." Outra voz, rouca e áspera, acrescentou.

Portia me olhou, atenta. Eu encolhi os ombros.

"Meu Deus - sexo no escritório. O Cary é uma lenda!" continuou a conversa.

"Nenhuma surpresa. Todo mundo sabe que ele não respeita a - como dizem - esposa plebeia. Ela devia aceitar em silêncio. Perdeu a dignidade, mas ganhou uma fortuna, né?"

"Hoje ela viu o marido transar ao vivo. É diferente", disse o bêbado com um tom de deboche. "Aposto que está em casa chorando. Coitada - até dá vontade de abraçá-la."

O de voz rouca zombou. "Abraçar? Ou transar?"

"Quem disse que não posso fazer os dois?" O bêbado sorriu. "Tenho o número dela. Talvez ligue depois. A bunda dela é a mais firme do SoHo - quero transar com ela desde o primeiro dia."

Recostei-me, achei o painel de controle e apertei um botão. A parede à direita piscou e ficou transparente. Rick Hatchett, bêbado, congelou no meio da frase.

Portia me passou um spray de pimenta.

"Não", balançei a cabeça, apertei o botão de chamar o garçom e me levantei. Fui direto ao reservado deles. Quatro homens me encararam - olhos arregalados, bocas abertas.

Aproximei-me do Rick. "Oi, Rick."

Quando nos conhecemos num baile beneficente no ano passado, ele parecia o cavalheiro perfeito. Mas, ao que tudo indicava, aquele comportamento era só um prelúdio para ele passar a mão na minha "bundinha".

"Oh - oi, Hyacinth. Não esperava te ver aqui. Não sabia que o Cary estava por perto." Seu sorriso era forçado; ele não tirava os olhos da parede de vidro, torcendo para que fosse à prova de som.

"Claro que ele não está", eu disse, sorrindo de volta. "Mas essa não é a melhor parte?"

"O quê?!" Rick arregalou os olhos.

"Quero dizer - você acabou de falar que estava morrendo de vontade de pegar na minha bunda." Repeti suas palavras.

"Não, eu estava brincando." Rick levantou-se, constrangido. "Peço desculpas."

"Tá falando sério?" Inclinei a cabeça, sorrindo docemente. "Já que você tem tanto interesse na minha bunda, por que não me paga uma bebida?"

Seus olhos se arregalaram, mas meu tom inflou seu ego. "Claro. O que você quiser", disse, sorrindo.

"Perfeito." Peguei a garrafa de whisky mais cara do bar e caminhei até ele com um sorriso que faria qualquer um se ajoelhar.

"Deixe-me-" ele começou, tentando bancar o cavalheiro.

Sem hesitar, quebrei a garrafa na cabeça dele. O vidro estilhaçou; o líquido dourado se misturou ao sangue, manchando o terno.

Tudo aconteceu tão rápido que todos ficaram paralisados.

Eu estava perfeitamente calma. Virei-me para o garçom mais próximo e sorri. "Coloca na conta dele. Ele insistiu."

Rick voltou a si. "Sua pu-"

Antes que a palavra saísse, uma voz cortou o ar, grave e familiar, ecoando pelo mezanino:

"Você ia chamar minha esposa de quê?"

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