
Chefe bilionário? Não, só um marido possessivo!
Capítulo 3
Todos congelaram, transformados em estátuas. Ninguém ousaria me zoar na frente do Cary. Eu o conhecia - ele podia me humilhar, mas isso não significava que qualquer um tivesse o direito. Até sua mãe não podia. Resumia isso como uma possessividade masculina doentia.
Cary era alto; mesmo de terno, sua presença tornava o ar pesado. Ele dominava o espaço como um predador. O rosto do Rick estava pálido como um cadáver.
"Cary, eu estava bêbado. Foi só uma brincadeira-", o homem gaguejou.
"Cary? Não me lembro de nós termos intimidade," a voz de Cary ecoou profunda, e Rick caiu de joelhos no mesmo instante.
"Sr. Grant, me perdoe. Fui estúpido, um lixo; como ousei insultar sua esposa." Rick implorou.
"Peça desculpas à minha esposa, não a mim," Cary ordenou, gelado.
"Sra. Grant, me desculpe. Me perdoa?" Rick olhou para mim; o ferimento na cabeça precisava de pontos. Não quis prolongar.
"Pode ir," disse.
Mas Cary agarrou a gola de Rick novamente. "Ouça bem. Último aviso. A partir de hoje, não quero ver sua cara nesta cidade. Entendeu?"
Rick assentiu freneticamente e saiu cambaleando, quase sumindo no corredor.
Vendo Rick naquele estado, ninguém mais estava a fim de festa; todos assustados, se dispersaram. Portia segurou meu braço - ela sabia da separação e que não podia ser divulgada por mais trinta dias. Não podia simplesmente me arrastar dali.
"Quer ir embora?" ela sussurrou, olhando para mim.
Assenti e então me virei para Cary. "Obrigada. Vou para casa," disse, mantendo a formalidade. Cary era um idiota, eu sabia, mas ele agia quando necessário. Se não tivesse me apaixonado, teria sido o final perfeito.
"O que você está fazendo aqui?" Cary me segurou pelo braço, então olhou meu vestido. "E por que está vestida assim?"
Vestida assim? Olhei para baixo - apenas um vestido justo, ombros e braços à mostra. A única coisa exagerada era como ele marcava minhas curvas, como uma segunda pele. Até a Portia havia brincado que não era roupa de balada.
"Não lembro de ter assinado um toque de recolher," rebati. "Metade do clube está vestida com menos tecido que eu."
"Você é minha esposa. Não devia estar num lugar desses," Cary disse, frio.
"Novidade: temos um acordo. Sou sua esposa secreta; ninguém me conhece além do seu círculo," retruquei.
Cary apertou mais meu pulso. Franzi a testa. De repente, não queria ceder. Sabia que, se dissesse "Tudo bem, exagerei", ele me soltaria, e eu receberia meu pagamento mais rápido.
O pensamento me deixou vazia. Odeio essa sensação. "Ou quer anunciar publicamente que sou sua esposa?" provoquei.
O olhar de Cary poderia me reduzir a cinzas.
"Cary, o que está acontecendo? Meu irmão está te esperando." Uma voz feminina e suave cortou a tensão.
A mulher se aproximou e passou o braço pelo dele. Seus olhos pousaram no meu rosto com um leve ar de perplexidade.
"Ela não é ninguém importante - só minha secretária. Vi que estavam incomodando ela e vim ajudar," disse Cary, soltando meu braço.
Senti o olhar da Portia queimando em mim. Encarei seus olhos. De repente, cansei de ser invisível.
Deixei-me desmoronar contra o Cary. "Chefe, estou passando mal. Pode me levar ao hospital?"
Vi o aviso nos olhos dele, mas ousei empurrar a mulher para o lado. A reconheci - não era uma interesseira qualquer, era a Vanessa, irmã do responsável pelo grande projeto que nossa empresa acabara de fechar.
Era uma cliente crucial.
Enterrei o rosto no peito de Cary. "Sério - acho que preciso de um médico."
Imaginei que Cary me afastaria no segundo seguinte, mas, inesperadamente, ele pôs a Vanessa de lado e me puxou para perto. "Diga ao seu irmão que preciso levar minha secretária ao hospital."
"O quê?! Não! Cary?!" Vanessa gritou. "Você sabe como esse projeto é importante!"
Mas Cary a ignorou e me guiou para dentro do elevador. Seu coração batia rápido; eu não sabia o que ele planejava.
Eu estava assustada; raramente o provocava tanto. Assim que as portas do elevador se fecharam, tentei me soltar.
Cary me pressionou contra a parede, irritado. "Olha, sei que ainda está chateada com o que aconteceu no escritório. Deixo passar - vamos chamar de um desentendimento."
Ele mordiscou minha orelha enquanto falava. Eu não ousava me mexer; encolhi o corpo o máximo possível. Então, de repente, Cary levantou minha saia.
"Está louco? Tem câmeras aqui!" Gritei e segurei sua mão. Sabia que ele daria um jeito nas filmagens, mas a exposição ainda me aterrorizava.
"A louca é você. Me seguiu até aqui para me pegar no flagra," ele zombou.
O quê? Eu estava aqui só para curtir com a Portia. Como ia saber que ele traria a nova conquista? "Eu não te segui! Por que faria isso? Eu não te amo."
O ar parou. O olhar de Cary ficou gélido, diferente da fúria de antes - como se minhas palavras tivessem perfurado seu orgulho.
Eu não te amo - não era exatamente isso que ele sempre quis?
De repente, o elevador fez um ding e as portas se abriram. Cary me bloqueou com o corpo; olhei para baixo e vi sapatos de couro impecáveis, pernas longas em calça social preta, mãos grandes nos bolsos. Cary acenou com educação. "Preciso ir."
Claramente, alguém do mesmo nível.
Mantive a cabeça baixa e segui Cary. Não ousei demorar, mas ainda senti o olhar do homem, um misto de desdém e indiferença, como se eu fosse uma distração barata.
E eu era - nenhum homem que respeitasse a esposa a humilharia num elevador.
Assim que entrei no carro de Cary, o motorista levantou a divisória discretamente. Me encolhi o máximo que pude, me afastando dele. O silêncio só era quebrado pela minha respiração. Me recusei a falar.
Cary suspirou. "Tenho que resolver o projeto. Sua cena no clube não ajudou - você ficou parecendo uma meiga. uma megera, não acha?"
Quis revidar, mas pensei no divórcio. Não precisava explicar nada. "Algo mais?" perguntei, esperando os insultos.
"Se quer ficar comigo, pare com esse ciúme infantil. Não tenho tempo para suas crises," Cary disse, franzindo a testa.
"Tá bom. Mais alguma coisa?" continuei na pose obediente.
Cary se inclinou, segurou meu queixo e falou baixo: "Hyacinth, você tem noção de como está insuportável?"
Foi como uma facada. As lágrimas ameaçaram vir. Apertei as mãos com força. Um sorriso forçado surgiu.
"Sabe, tem um jeito de eu parar de ser insuportável."
"O quê?!" Os olhos perigosos de Cary se estreitaram.
"Se divorcie de mim."
Ergui o olhar e encarei o dele.
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