
Casamento por contrato CEO arrogante
Capítulo 3
Meu celular vibra enquanto preparo o café da manhã. Hoje acordei mais cedo porque consegui uma faxina e preciso pegar duas conduções até a casa da minha cliente. Olho na tela e vejo um número de telefone fixo.
- Alô! - atendo, já imaginando ser cobrança, no entanto meu coração quase salta ao ouvir a voz do outro lado da linha.
- Senhorita Simone, aqui é da empresa Ferreiras.
- S-sim - interrompi, gaguejando.
- A senhorita deixou seu telefone aqui na empresa há algumas semanas. Estou ligando para saber se pode nos prestar seus serviços.
Fico em silêncio por alguns segundos antes de soltar um grito eufórico, deixando transparecer minha alegria.
- Para quando seria? - pergunto, tentando manter a compostura.
- Na verdade, estamos com uma vaga fixa, caso tenha interesse.
- Tenho sim!
- Estarei enviando todos os detalhes com data e horário para seu comparecimento da entrevista por e-mail.
- Pode falar por aqui mesmo - me antecipo, ansiosa.
A mulher sorri do outro lado da linha, e sua voz soa paciente:
- São regras da empresa, senhorita, mas não se preocupe, acabei de enviar.
Ela se despede, e corro para abrir o e-mail. Lá estava: a entrevista estava marcada para amanhã às nove da manhã, com uma tal de Vanessa. Havia até uma observação instruindo a usar cabelo preso em um coque e calça de alfaiataria.
- Que sorriso é esse? - esbraveja meu pai.
- Consegui uma entrevista para serviço fixo. - digo animada, esperando, talvez, alguma palavra de incentivo e ele nem se dá ao trabalho de me olhar.
- Grande coisa! - responde com desdém, dobrando o jornal com força, como se minha notícia fosse uma inconveniência.
Respiro fundo me contendo, mas a resposta escapa antes que eu consiga mudar de assunto.
- Grande coisa? Sabe o que seria grande coisa, pai? Se você ou o Pedro mexessem um dedo pra ajudar nesta casa!
Ele ergue os olhos pela primeira vez, me encarando friamente.
- Olha como fala comigo, menina. Sou seu pai, e enquanto você morar debaixo do meu teto, vai me respeitar.
- Respeitar? - minha voz treme e continuo, ignorando o nó na garganta. - Eu passo o dia inteiro trabalhando enquanto você e o Pedro só sabem reclamar e esperar que tudo caia do céu.
Ele bate a mão na mesa fazendo o som ecoar pela cozinha, e por um momento sinto o coração acelerar.
- Tá querendo mandar em mim?- seus olhos escurecem ao falar.
- Não quero mandar, pai. Só queria que você enxergasse que, se não fosse por mim, a gente nem teria o que comer.
Ele solta uma risada amarga.
- Tá se achando agora, é? Não esquece que eu te criei, coloquei comida na mesa todos esses anos.Você é só mais uma como sua mãe, sonhando alto e achando que vai mudar alguma coisa.
A menção à minha mãe faz meu sangue ferver. Fecho os olhos por um segundo, segurando as lágrimas que ameaçam cair.
- Minha mãe batalhou o quanto pode para nos dar algum conforto. Eu só queria que vocês tivessem metade da força dela.
Sem esperar resposta, pego meu prato e saio da cozinha, deixando-o lá com seu jornal e seu orgulho ferido.
No caminho para o quarto, encontro Pedro no sofá, ouvindo tudo com um sorriso de canto de boca.
- E lá vai a santa Simone, salvadora da pátria - ele provoca, sem nem desviar os olhos da TV.
Paro no corredor, as palavras presas na garganta, em vez de responder, balanço a cabeça e sigo em frente. Eles não vão mudar, e eu já perdi tempo demais tentando consertar isso.
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