Capa do romance Casamento Arranjado - Livro quatro

Casamento Arranjado - Livro quatro

8.2 / 10.0
Merlia e Noah cresceram sabendo que se casariam, mas um conflito na juventude transformou a união em rivalidade. Agora, o príncipe de Midorina e a princesa de Dazzo precisam superar as desavenças para enfrentar uma ameaça vinda de Avarya. Em uma jornada perigosa e solitária, eles enfrentam provocações constantes enquanto tentam esconder a atração que ainda sentem. É o quarto volume da saga iniciada em Propriedade do Rei, unindo dever e paixão.

Casamento Arranjado - Livro quatro Capítulo 1

Merlia

- Você está pronta? _ Gideon pergunta entusiasmado, com seus olhos verdes brilhando.

Aceno convicta, com um sorriso tolo ameaçando surgir em meus lábios, enquanto algumas das serviçais terminavam de lavar meus pés e enxuga-los com extremo cuidado.

Meu irmão me pegou no colo com facilidade, carregando-me até a grande bacia de madeira. Meus olhos cruzaram com os de meu pai sentado de baixo de uma tenda com conforto. Seu semblante tão sereno ao assistir minhas irmãs já pisando nas uvas com sorrisos tão largos, trazia ainda mais serenidade ao momento, junto da boa música tocada por menestréis.

- Pise nessas uvas com tudo que tem, Merlia! Venderei um barril desse vinho a quem der o mais lance! _ Gideon comentou, e gargalhou de sua própria ideia.

Agarrei o tecido de meu vestido, enquanto pisoteava as uvas. Ri como uma criança enquanto sentia a sensação do fruto em minhas solas dos pés, causando-me cócegas e leve agonia. As uvas estavam tão bonitas esse ano, que certamente seria um dos melhores vinhos na adega de meu pai.

Papai sempre decretou que festivais e comemorações fossem feitas em nome de uma pessoa especial para ele, ou algo que o significou muito. E nesse mesmo dia, as vezes se passava um brilho triste nos olhos de meus pais e tio Nicolas.

E aos meus olhos, eu não via papai com aquela aparência cansada e seus cabelos já bem grisalhos. Para mim, a imagem dele, sempre seria a de um homem forte, jovem e protetor. Mesmo sendo pequena na época, nunca me esqueci da primeira vez que fomos à Midorina, e conhecemos totalmente o lado amigável e despreocupado de meu pai. Foi a primeira e única vez, que ele deixou de ser rei por completo para se divertir com nós.

Minhas irmãs começaram uma canção, sapateando e rodopiando enquanto se fazia a pisa das uvas. Savannah, minha cunhada, havia se juntado a nós, assim como a esposa de Gideon.

De soslaio, observei o momento em que Kaya se aproximou de meu pai, com seus cabelos loiros prateado escorrendo para frente de sua armadura dourada, quando se curvou brevemente em reverência e aproveitando o gesto para gesticular alguma informação. Meu sorriso começou a desmanchar quando vi a careta de meu pai. Careta esta que, observei por muitos anos, cada vez que um pretendente chegava ao castelo para nos cortejar.

Eu era a última filha a ter que se casar em breve. Joseph, meu irmão mais novo, tinha 17 anos, e ninguém ouviu planos de casamento para ele até então.

Mas meu sorriso terminou de morrer em meu rosto, quando a figura alta e forte, com um sorriso cheio de si, se apresentou no ambiente. Aquele cretino, trapaceiro, filho de uma meretriz...

Não tenho nada contra padrinho Lucien, mas acho que ele poderia ter jogado Noah para o mar na primeira oportunidade, antes de ter criado um ser tão arrogante e desprezível.

- Seu noivo chegou..._ Joseph cantarolou bem perto de minha bacia. Me fazendo torcer a cara e voltar minha atenção para as uvas sob meus pés.

Agora, os pobres frutos, era esmagados com tanta raiva, que provavelmente este séria o barril de vinho mais amargo que meu pai experimentará em toda a vida.

Ergui brevemente meus olhos ao sentir olhares sorrateiros em mim. Meus irmãos me provocavam de forma silenciosa, cientes de minha antiga briga com Noah.

Aquele trapaceiro miserável roubou minha caça bem de baixo do meu nariz, e apresentou ao meu pai como se fosse dele. Lembro que eu já tinha 14 anos e ele 16, e quando Noah se apresentou como vitorioso, todos olharam para meu pai, esperando que o príncipe herdeiro de Midorina dissesse que já me tornaria sua esposa. Certamente papai o deceparia o pescoço se tivesse sido isso, mas o rato Midoriano pediu o melhor barril de vinho da adega, e o bebeu com seus irmãos sempre me encarando, como dissesse: " tola..."

Torci a cara para meus irmãos, voltando a dançar e sapatear sobre as uvas enquanto rodopiava, as saias de meu vestido esvoaçantes no ar, enquanto a brisa da manhã já em seu ápice banhava meu corpo. Me juntei a canção, tentando ignorar a presença desagradável de Noah passando ao meu lado, com seus olhos de falcão sobre mim.

- Continua mais feia do que me lembrava._ ele sussurrou com desinteresse, me fazendo pisar com ainda mais força sobre as uvas e trincar os dentes.

- Olha só! Achei que meu pai havia parado de comprar porcos!_ Murmurei e Noah apertou os olhos. O sorriso felino, quase venenoso curvou meus lábios. _ Oh não! É só o Noah...

   Ele me olhou baixo a cima com desdém e se afastou, caminhando para onde Yan estava, antes do ruivo me olhar de esgueira como se Noah tivesse falando algo ao meu respeito. Certamente algum tipo de insulto.

   O ignorei embalando ao som da canção junto com as outras, que apesar de conter o sorriso em seus lábios, sempre se divertindo com minhas brigas com Noah, elas continuaram a canção.

    Deixo minha voz sair como um pássaro na manhã, com meus pés pisando sobre as uvas, sapateando e giro dentro da bacia, com meu vestido na altura de meus joelhos.

Noah

Um arrepio intenso subiu por minha nuca, com a voz de Merlia no ar, se destacando acima de qualquer outra. Yan como se soubesse que eu estava preso no canto de uma sereia, sorriu ladino rolando seus olhos ao redor.

Olhei por cima do ombro brevemente, sapateando na banheira como se estivesse dançando em um salão liberta. Seus cabelos presos, e as alças pomposas de seu vestido deslizando apenas um pouco por seus ombros, sua pele era imaculada, sem uma única mancha, e aquele par de olhos verdes passaram em meu rosto - uma ameaça, um insulto, uma tentação, um perigo.

- Será o vinho mais caro na adega do rei..._ Yan comentou em um sussurro e concordei com um aceno sútil.

- Qualquer vinho pisado por uma das filhas dele é mais caro que um touro revestido em ouro! _ praguejei, e Yan soltou uma risadinha baixa em concordância.

- Sua noiva é a mais bonita entre elas, a mais graciosa... Quantos touros de ouro acha valerá aquele barril?

Observei Merlia segurar a mão de seu pai - que havia resolvido passear entre as bacias - cantando para ele com os olhos brilhantes. Archie sorriu, deixando visível as rugas em seu rosto. Era impossível negar que Merlia tinha a beleza doce da mãe. Uma versão mais jovem, mais tempestuosa, e com os olhos verdes intensos - que eram verdadeira perdição - e seus cabelos um tom mais escuro. Uma fina mecha de cabelo caiu em seu rosto, e Archie à afastou para atrás da orelha dela, com carinho e se afastou quando ela ergueu um pouco mais a voz na canção, fazendo um novo arrepio correr por meus braços.

Não era em vão que ela era a favorita de meu pai, a protegida imaculada, a que ele se referia com tanto entusiasmo e alegria. Ele podia ser padrinho dela, mas era quem Merlia era que o enchia de espírito.

- Não sei se aquele barril sairá da adega, ou se ao menos será vendido. _ sussurrei e Yan tombou a cabeça. _ É este que temos que pedir no pedido da caçada...

- Você continua levando a sério o desejo de seu pai de recuperar coisas que ele queria ter, mas Archie os tem?_ Yan murmurou e sorri de um jeito felino.

- É o espírito de pirata que corre em nossas veias! _ Sussurrei com o vento farfalhando as árvores, e levando uma brisa refrescante ao dia ensolarado e quente de mais para meu gosto pelo tempo de Midorina.

Onde nevoa, brisas frescas e misterios- que pareciam estar em cada montanha, árvore, mar e nas ruínas – me davam a sensação de estar perfeitamente em paz no reino de meu pai.

- Alguém traga outra bacia para Merlia! Céus! Com que força de vontade você pisou nessas uvas?_ Gideon praguejou, a segurando na mão e no cotovelo, e Leon se aproximou a segurando do outro lado e a levantando da bacia.

    Merlia riu folgosa sendo levada pelos irmãos para lavar os pés manchados de leve vermelho. Ela foi sentada e serviçais lavaram seus pés com extremo cuidado, enxugados e suas sapatilhas calçadas. Archie se aproximou dela dizendo alguma coisa e Merlia o deu um sorriso quase feroz e o brilho em seus olhos foi mais do que perigoso.

    Ela se levantou das almofadas, soltou seus cabelos presos que caíram como cascatas negras por seus ombros e costas, rasas ondas do mais obscuro mar, e ela se retirou sem pressa, caminhando como um felino cheio de si.

- Eu não pediria aquele barril, se fosse você!_ Yan murmurou a seguindo com os olhos assim como eu, e nos encaramos em silêncio. _ Com a raiva que ela pisou naquelas uvas...

    Movo uma sobrancelha em um pequeno espasmo, em uma concordância sutil.

Merlia

    Ambar riu despreocupada com a água batendo em seu queixo enquanto seus braços se moviam com fluidez na superfície a levando para mais a dentro do rio. Seus cabelos ruivos escorridos penteados para atrás se destacavam junto de seus olhos azuis.

- Eu deveria perguntar: o que foi aquilo entre você e Noah? _ um sorriso maldoso contornou seus lábios enquanto ela me olhava humorada._ Mas eu ja sei a resposta...

Revirei os olhos soltando um grunhindo de desgosto.

- Não acabe com meu bom humor ao trazer o nome daquele desagradável miserável!

- Até quando vão ficar se implicando de tal forma? Vocês são noivos ... _ ela parou de avançar no nado, seus braços se movendo sobre a água para frente e para atrás a mantendo no lugar.

Mergulhei, a água fria, mas agradável para a tarde quente, refrescando meu corpo, e abafando meus ouvidos. Emergi a frente de Ambar, a encarando dentro dos olhos.

- Eu não o suporto! _ disse baixinho entre os dentes. _ E ele não me suporta! Então acho que nossa disputa será até que a morte nos separe!

   Ambar riu com as sobrancelhas apertadas de meu comentário. Minha melhor amiga sabia tudo o que eu pensava a respeito do casamento e de Noah. Mesmo eu sendo mais velha que ela, as vezes parecia que Ambar era mais madura que eu quanto a não guardar rancor.

- Então eu lhe desejo sorte para sua longa batalha... Esmague o ego daquele cretino!

Arbustos se moveram, e nossos sorrisos morreram, nossos olhos foram como flechas em direção as árvores, e um dos lordes saiu de dentro da floresta. Ele parou seu cavalo, nos olhando estóico, e nós a ele. Passei Ambar vagarosamente para atrás de mim e nadamos para mais a dentro do rio.

- Não imaginei que encontraria senhoritas aqui. _ ele comentou sorrindo e acenando com a cabeça.

Talvez não tenha nos reconhecido ainda. Ambar apertou meus ombros suavemente me olhando de soslaio.

- É uma tarde realmente quente..._ comentei séria sem parecer rude e o homem desceu da sela de seu cavalo, o puxando pelas rédeas até a margem.

- Vocês tem um ponto! Quando era mais jovem também gostava de me refrescar nesse rio.

Ele se abaixou, lavando as mãos e acompanhei cada um de seus movimentos de forma vigilante. Meus olhos seguiram em direção aos vestidos pendurados sobre uma galha e voltaram vagarosamente ao homem robusto mas já senhoril.

- Caçando sir?_ perguntei me fazendo de desentendida, fingindo não conhecer seu rosto, muito menos o brasão bordado em seu casaco. _ Achei que a caçada anual do rei só começaria em dois dias...

- Você está certa quanto a data. Mas apenas estava olhando o terreno. Isso não é proibido, é? Em breve toda a floresta estará barulhenta...

Ele estava parcialmente certo. Não era proibido vagar pela floresta, mas era irrevogável que não se devia caçar, nem mesmo um único pássaro.

Acenei, concordando, e ele ergueu seus olhos para mim, com ousadia, como se tivesse me desafiando a correr e ir contar ao rei, sobre um homem suspeito vagando na floresta buscando vantagem.

- Já sabe o que vai pedir se vencer, Sir?

Ele sorriu maneando a cabeça e senti Ambar tensa atrás de mim. Não era para menos, estavamos sozinhas com um estranho, ambas apenas com uma fina camisola molhada que provavelmente ficaria reveladora de mais se ousarmos sair da água.

- Há muitas possibilidades! Um bom vinho, ouro, terras..._ ele arqueou as sobrancelhas sentando no chão dando a entender que não iria embora tão cedo.

Talvez meu semblante tenha denunciando meu desgosto de sua ação quando se escureceu, mas ele parecia disposto a continuar nos instigando a sair.

- Desejo-lhe sorte, sir! _ Ambar comentou séria acenando com a cabeça e forcei um sorriso estreito.

Passos de cascos no cascalho fez Ambar olhar por cima do ombro, e pelo aperto seco de sua mão em meu ombro, não sabia se significava mais problemas ou uma solução não muito agradável. Mas o lorde se levantou abruptamente, batendo as roupas e acenou com a cabeça.

- Rapaz. Alteza...._ e pelo jeito que ele quase se curvou e pela sequência qual ele se referiu, senti meu estômago congelar.

___________________________________________

Oi pessoal! Como vocês estão? Espero que bem.

Lembrando que este é o quarto livro da saga. A sequência é: Propriedade do Rei/ Escolhida pelo Duque/ A Sombra de Um Rei/ Casamento Arranjado/ O Rei de Ruínas (lançamento 2024)

Esse é um livro bem mais curto, tem uns 40 capítulos apenas.

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Lembrando também que já falei com vocês sobre PDF e como isso tira a renda do meu trabalho e desvaloriza tudo que passei para entregar o meu melhor para vocês. Sejam conscientes. ❤️

Boa leitura!

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