Capa do romance A Ômega Indesejada: Reivindicada pelo Alfa Sombrio

A Ômega Indesejada: Reivindicada pelo Alfa Sombrio

9.0 / 10.0
Ember sacrificou tudo para curar sua loba, mas seus irmãos, Ryker e Axel, roubaram seu remédio para favorecer a manipuladora Willow. Acusada injustamente de agressão e deixada ferida sob o comando cruel do Alpha, Ember decide desaparecer. Ela aceita um pacto de isolamento total por quinze anos com o rival da alcateia, o Alpha das Sombras. Ao embarcar para um destino secreto, ela abandona seu passado, deixando para trás apenas o silêncio e o arrependimento deles.

A Ômega Indesejada: Reivindicada pelo Alfa Sombrio Capítulo 1

Passei três anos economizando cada crédito, privando-me de tudo, apenas para comprar a Erva do Luar. Era a única erva capaz de curar meu espírito de loba danificado.

Mas no momento em que atravessei a porta, meu irmão mais velho, o Alpha da Alcateia, arrancou-a das minhas mãos trêmulas.

— A Willow está com enxaqueca — declarou Ryker, sua voz desprovida de qualquer calor humano. — Ela precisa disso.

Eu implorei a ele. Disse que custou uma fortuna. Disse que era minha única chance de finalmente me transformar.

Mas Axel, meu segundo irmão e Médico da Alcateia, apenas ajustou os óculos com uma frieza clínica.

— Não seja egoísta, Ember. A Willow é frágil. Esse seu ciúme é repugnante.

Eles ferveram todo o meu futuro em um chá para uma irmã adotiva que estava fingindo.

Desesperada para provar que eu não era a vilã, gastei meu último dinheiro de emergência em presentes para eles.

Mas quando entreguei um vestido de seda para Willow, ela sorriu com escárnio para mim, pisou na bainha e se jogou para trás no tapete.

— Meu tornozelo! — ela gritou. — Ryker, ela me empurrou!

Corri para ajudar, mas minha perna ruim falhou. Esmaguei meu joelho contra a estrutura de metal da cama, e o sangue instantaneamente encharcou meu jeans.

Axel não verificou meu joelho estraçalhado. Ele rugiu para mim:

— Sua cobra venenosa! Você queria que ela tropeçasse!

Ryker pairou sobre mim, seu Comando Alpha esmagando meus pulmões como um peso físico insuportável.

— Suma da minha frente.

Sangrando, falida e com o coração despedaçado, arrastei-me para fora, direto para a tempestade.

Eles pensaram que eu rastejaria para a casa de um amigo. Pensaram que eu seria sempre o saco de pancadas deles.

Em vez disso, aceitei uma oferta do Alpha das Sombras, nosso rival, para me juntar a uma instalação de pesquisa ultrassecreta.

Um confinamento de quinze anos. Sem contato. Um apagamento completo da minha existência.

Ao subir no jato particular, olhei para a casa uma última vez.

— Feliz aniversário, irmãos — sussurrei para o vento.

Espero que aproveitem o silêncio quando perceberem que a irmã que vocês torturaram se foi para sempre.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Ember

Antisséptico e cobre. O cheiro de uma batalha perdida.

Meu turno na enfermaria da alcateia havia terminado há três horas, mas eu tinha ficado para organizar o inventário. Como uma Ômega com uma loba danificada, eu não tinha velocidade, nem força, nem capacidade de cura. Tudo o que eu tinha era minha mente e minhas mãos.

Arrastei minha perna ruim pelos degraus da Casa da Alcateia. A velha cicatriz de queimadura no meu joelho pulsava no ritmo do vento gelado. Era um lembrete do incêndio que levou nossos pais e silenciou minha loba, Sera, dez anos atrás.

Empurrei as pesadas portas de carvalho.

— Onde está? — A voz de Ryker explodiu pelo corredor.

Não era apenas uma pergunta. Estava carregada com o Comando Alpha. Meus joelhos cederam instantaneamente. Minha loba adormecida choramingou no fundo do meu subconsciente, aterrorizada pelo poder do Alpha da Alcateia.

Olhei para cima. Ryker, meu irmão mais velho, estava no topo da escada. Seus olhos brilhavam em dourado. Ao lado dele estava Axel, meu segundo irmão e Médico da Alcateia.

— Onde está o quê? — sussurrei, agarrando o corrimão para me manter de pé.

— A Erva do Luar — Axel retrucou, ajustando os óculos. — Sabemos que você comprou o último lote do comerciante hoje.

Meu coração parou.

Eu havia economizado por três anos para comprar aquela erva. Era o único ingrediente capaz de despertar um espírito de lobo adormecido. Era minha única chance de ouvir Sera falar novamente, de finalmente me transformar, de deixar de ser o defeito quebrado da família.

— Eu... eu a tenho — gaguejei. — É para o meu tratamento. Vocês sabem disso.

— A Willow está com enxaqueca — disse Ryker. Sua voz era fria, vazia do calor que costumava ter quando éramos crianças. — Ela é sensível. A dor está afetando o núcleo dela.

— Uma enxaqueca? — engasguei. — Ryker, essa erva custa cinco mil créditos. Ela restaura danos na alma. Você quer fervê-la para uma dor de cabeça?

— Não é apenas uma dor de cabeça, Ember — Axel interveio, seu tom clínico, mas defensivo. — Os sinais vitais dela estão erráticos. O cheiro dela está... desaparecendo. A Erva do Luar estabiliza a flutuação espiritual. Você não entenderia a complexidade.

— Não me questione, Ômega — Ryker rosnou. A pressão no ar aumentou, pesada como um cobertor de lã molhado. — Leve para o quarto dela. Agora.

Eu queria gritar. Queria dizer a eles que Willow estava fingindo, assim como fingiu torcer o tornozelo na semana passada. Mas o Comando Alpha travou minha garganta. Meu corpo se moveu contra a minha vontade.

Caminhei até meu quarto, com as mãos trêmulas, e peguei a erva azul seca e brilhante de sua caixa de veludo. Minha esperança. Meu futuro.

Caminhei até a suíte de hóspedes — aquela que costumava ser a sala de costura da mamãe, agora redecorada em seda rosa para Willow.

Willow estava deitada na espreguiçadeira, parecendo perfeitamente saudável. Quando me viu, ofereceu um sorriso fraco e açucarado.

— Ah, Ember — ela arrulhou. — Ryker disse que você tinha algo para me ajudar. Você é tão doce.

Coloquei a erva na mesa. Meus dedos não queriam soltá-la.

Ryker a arrancou de mim.

— Saia.

Virei-me e saí mancando. Quando a porta se fechou, ouvi Willow rir.

— Tem cheiro de terra, Ryker. Eu realmente tenho que beber isso?

Consegui chegar ao meu quarto antes de desabar.

Meu celular vibrou na cama. Peguei-o com os dedos dormentes. Era um e-mail.

Assunto: Notificação de Aceitação - Projeto Alvorada Prateada.

Prezada Sra. Ember Blackwood, com base em seu artigo excepcional sobre a patologia do Envenenamento por Prata, você foi selecionada...

Encarei a tela. Aquela era a instalação de pesquisa mais prestigiada e ultrassecreta do país. Era um projeto fechado. Sem contato com o mundo exterior por quinze anos.

Era uma fuga.

Caminhei até a janela. Hoje à noite era o Festival da Lua. A alcateia estava se reunindo na praça para a fogueira.

Estendi a mente através do Link Mental, a teia telepática que conectava todos os membros da alcateia.

Ryker? Axel? Vamos juntos?

Silêncio.

Então, um ruído estático agudo. Eles haviam me bloqueado.

Vesti meu casaco e caminhei sozinha até a praça. O vento cortava através do meu suéter fino. Eu os vi à distância. Ryker segurava a mão de Willow. Axel ajustava o cachecol dela. Eles pareciam uma família.

Eu era o fantasma assombrando-os.

Peguei meu celular e liguei para Axel.

— O quê? — Axel atendeu no primeiro toque, a irritação pingando de seu tom.

— É o festival — eu disse, minha voz tremendo. — Eu pensei... Mamãe e Papai sempre quiseram que acendêssemos a primeira lenha juntos.

— Estamos ocupados — Axel sibilou. — A fumaça ataca a asma da Willow. Vamos levá-la para a clínica, depois voaremos para a Ilha da Lua. Ela precisa da brisa do mar.

— Ilha da Lua? — engasguei. — Mas... esse é o nosso refúgio de família. Vocês prometeram que iríamos lá no meu aniversário.

— Pare de ser egoísta, Ember — Axel cuspiu. — A Willow está doente. Você está apenas com ciúmes. Não nos incomode.

A linha ficou muda.

Fiquei parada lá por um longo tempo. Os tambores festivos começaram a bater. Casais dançavam.

Eu não ia deixar terminar assim. Se eles estavam partindo, eu diria adeus. Não por eles, mas pela garotinha dentro de mim que ainda amava seus irmãos mais velhos.

Peguei um táxi para o hospital da alcateia.

Parei na loja de presentes. Eu tinha zero créditos sobrando depois da Erva do Luar, então usei o dinheiro de emergência que guardava no meu sapato.

Comprei um cristal gravado com runas de proteção para Ryker.

Comprei uma réplica rara de um manuscrito médico para Axel.

E para Willow... comprei um vestido de seda. Uma oferta de paz.

Subi para o andar VIP. A porta estava entreaberta.

— Ela precisa de descanso, Alpha — Axel dizia gentilmente.

— Eu sei — Ryker respondeu suavemente. — Ela passou por tanta coisa.

Empurrei a porta.

— Feliz Festival da Lua.

O quarto ficou em silêncio. Willow sentou-se na cama, os olhos se arregalando. Ela olhou para a sacola na minha mão.

— Trouxe presentes — eu disse, dando um passo à frente.

— Ah! Deixe-me ver! — Willow exclamou, pulando da cama com uma agilidade surpreendente para alguém com enxaqueca. Ela arrebatou a sacola.

Ela tirou o vestido. Era longo, fluido e caro.

— É... bonitinho, eu acho — ela murmurou, segurando-o contra si mesma. Então, seus olhos piscaram para Ryker. Um sorriso malicioso tocou seus lábios.

Ela deu um passo para trás, pisando deliberadamente na bainha do vestido.

— Ah!

Ela se jogou para trás. Foi uma queda teatral. Ela aterrissou no tapete grosso com um baque suave, mas gritou como se tivesse levado um tiro.

— Meu tornozelo! Ryker, dói!

Corri para frente instintivamente.

— Deixe-me ajudar...

Minha perna ruim prendeu na borda do tapete. Caí com força. Meu joelho, aquele com a cicatriz de queimadura, bateu violentamente na estrutura de metal da cama.

Crack.

A dor, branca e quente, explodiu pela minha coxa. Senti o fio quente de sangue encharcando meu jeans.

— Fique longe dela! — Axel rugiu.

Ele não olhou para mim. Não olhou para o sangue empoçando sob minha perna. Ele correu para Willow, que soluçava lágrimas secas.

— Sua cobrinha perversa! — Axel virou-se para mim, o rosto retorcido de raiva. — Você comprou um vestido longo demais de propósito! Você queria que ela tropeçasse!

— Não — sussurrei, agarrando meu joelho. — Axel, estou sangrando...

— Eu não me importo — Axel rosnou. — Levante-se. Pare de se fazer de vítima. Você está apodrecendo de dentro para fora, Ember.

Ryker deu um passo à frente. Ele pairou sobre mim, sua sombra me engolindo inteira.

— Suma da minha frente — ele comandou.

Arrastei-me para cima. A dor na minha perna não era nada comparada ao buraco que eles acabaram de abrir no meu peito.

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