
Capoeira: A Dança da Alma e do Punho
Capítulo 1
Eu era João, um capoeirista dedicado, mas talvez ingénuo demais.
Meu mundo girava em torno da capoeira e de Sofia, a mulher que eu pensava amar e que me apoiava.
Treinei arduamente, sonhando com a apresentação regional, convicto de que era a minha vez.
Então, o golpe veio, duplo e brutal.
Mestre Antunes preteriu-me por Ricardo, o "prodígio" com "conexões".
E no mesmo fôlego, Sofia, com uma frieza cortante, revelou o verdadeiro jogo.
Nosso namoro? Apenas um arranjo, uma moeda de troca para benefícios familiares.
Cada ano de esforço, cada grama de dedicação, diluiu-se numa mentira.
O pai dela, calculista; ela, fria e estratégica.
As lembranças de Sofia e Ricardo a rirem juntos, dos elogios a ele por movimentos que eu já dominava, assaltaram-me.
Uma teia de engano e favoritismo revelou-se, e fui a sua presa.
Senti-me invisível, descartável, como se meus anos dedicados fossem nada.
A traição rasgou-me, duplamente: no profissional e no amoroso.
Desejei que lágrimas surgissem, mas engoli-as com força, não à frente dela.
A academia, antes refúgio, tornou-se um tribunal que me condenava.
Como pude não ver? Como pude ser tão subestimado por quem eu mais confiava?
"Esforço é bom, João, mas às vezes não é o suficiente." A voz de Sofia cortava-me.
Um riso amargo ecoou.
A raiva fria substituiu a dor, a determinação a insegurança.
"Acabou, Sofia. Eu não preciso de ti."
Deixei para trás a cidade, fotos, medalhas, o berimbau.
No terminal rodoviário, um folheto amassado: "Academia Raízes da Terra - Mestra Clara".
Uma nova direção num "Horizonte Belo".
Minha jornada de autodescoberta e vingança apenas começou.
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