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Capa do romance Boys don't cry

Boys don't cry

Criado sob rígidas expectativas de masculinidade, Will desafiou sua rica família tailandesa para ser ator. Sua vida muda ao ser escalado para uma série Boys Love com Nate, um colega intimidador e antissocial que evita contato físico. No entanto, a presença de Will transforma o comportamento frio de Nate em sorrisos. À medida que as gravações avançam, a linha entre ficção e realidade se apaga, forçando os dois a encarar sentimentos que não podem mais ser escondidos.
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Capítulo 3

Will

— Continue me olhando desse jeito, e vou te beijar até você ficar louco.

Sinto um grande desconforto ao ouvir isso. O sentimento seria do Wanchai, mas quem o sente sou eu. Mas por quê? O que há comigo? Meu desconforto é visível, pois Nate me encara com um olhar estranho, parece confuso.

— Will, está tudo bem?

— Estou... Está tudo bem!

— Você acha que esse tom está bom? Sei que teremos um ensaio antes da gravação, com o elenco, mas...

Ele continua falando. Eu não consigo encará-lo. Sento-me no sofá e folheio o caderno de texto que está em minhas mãos. Preciso me recompor. O que há, Will? Você não é o Wanchai, e este não é o Thirasak. Nate senta ao meu lado, e continua falando sobre os sentimentos do Thirasak nessa cena. Preciso sair daqui, não estou bem, algo está me incomodando.

— Desde a primeira cena eu percebi que ele era apaixonado pelo Wanchai. Esperar por alguém durante por um ano, é bonito. Não acha?

— É ... Bem bonito. — falo, mas não tenho coragem de encará-lo.

— Acho que o Wanchai não quis admitir, mas ele ficou caidinho pelo Thirasak nessa cena, não acha? Ele ficou abalado demais quando ele falou que o beijaria até cair.

Crio coragem para olhá-lo. Ele parece curioso, me encarando insistentemente.

— Está tudo bem, mesmo?

— Está. Será que podemos continuar amanhã?

[...]

Reviro de um lado a outro da minha cama. Não consigo dormir. Sinto-me estranho, principalmente quando lembro o olhar de Nate para mim, a proximidade entre nós, e sua voz grave me dizendo “Continue me olhando desse jeito, e vou te beijar até você ficar louco.” Acho que estou levando muito a sério o personagem, afinal é o Wanchai que fica levemente abalado quando o Thirasak fala essa frase para ele. É isso! É o Wanchai que sente, eu não sou ele. Mas por que estou tão abalado?

Os dias passam rápido. As gravações iniciam a todo vapor, dei o melhor de mim para o primeiro episódio, o diretor e a produção, são só elogios ao meu trabalho, e isso me deixa extremamente contente em saber que posso fazer isso, ao contrário do que sempre ouvi de meus pais, eu consigo. Por falar neles, sei que preciso contar, mas acho que ainda não é o momento de dizer que estou atuando em um série BL, não sei como seria a reação deles, com exceção das minhas irmãs, eles nunca apoiaram meu sonho de ser ator.

Hoje temos uma cena bem incômoda para gravar, desde que cheguei ao set de gravação tenho pensado em como será, e em como reagirei. Não ensaiamos, na verdade nenhum de nós falou sobre ensaiar, achei ótimo, e estranho por parte do Nate. Mas minha alegria durou pouco, assim que terminei a maquiagem, os staffs me procuraram para que realizemos um ensaio geral com o elenco de cena, e depois gravar. É uma cena de boas vindas aos calouros para quebrarem o gelo, Wanchai e Thirasak são escolhidos para realizarem uma brincadeira bem desagradável, os dois devem dançar juntos, mas não é uma dança qualquer, devem estar colados um ao outro. Meu personagem, Wanchai, abraça o Thirasak pela cintura, e nossos rostos devem estar muito próximos. O texto faz menção de que devo me sentir levemente atraído por sua beleza, e Thirasak aproxima seu rosto do meu, além de me encarar intensamente. Além disso, há uma segunda cena, onde acontece a velha brincadeira com o pepero, e o script diz que no último pedaço a boca dele deve encostar na minha.

Enquanto realizamos a primeira cena, não consigo parar de encará-lo, e meu coração dispara de um modo que nunca vi antes, e isso me deixa muito nervoso. Seu olhar é tão intenso e verdadeiro, que pergunto se realmente estou diante de seu personagem. Sinto-me instável, incomodado com aqueles olhos castanhos me encarando como se quisesse me beijar.

— Corta. Pausa de 10 minutos para a cena do pepero. — assim que ele diz isso, Nate se afasta, mas continua me olhando, abaixo o olhar, e depois olho de um lado para o outro. Sinto-me um pouco perdido. Respira fundo, Will! Você não é o Wanchai.

Não demora muito para que tudo recomece. Os seniors da faculdade distribuem um snack para cada dupla, e o coloco na boca, e fico à espera do Nate, ou melhor, Thirasak. Ele me encara e apenas segura com a boca mostrando desinteresse. Em seguida, é repreendido por um dos seniors, que o manda comer o morder o pepero, ele faz o que é pedido, e vai comendo aos poucos até o último pedaço, essa é a pior parte, pois, para comer precisa encostar os lábios nos meus, e ao fazer, me olha de um modo extremamente sensual. Essa cena está no script, o Wanchai deve ficar abalado, não eu!

Ao fim das gravações, quero apenas estar em casa, na minha cama. Quando isso realmente acontece, a cama parece um lugar incômodo demais para mim. Já tentei várias atividades, mas não consigo parar de pensar no olhar do Nate, sua boca encostando-se à minha, aquela cena não sai da minha cabeça. Há algo de errado comigo, não deveria me sentir assim. Preciso dormir.

[...]

Enquanto a maquiadora faz seu trabalho em meu rosto, ela fala algo, mas não escuto, minha mente está muito longe. Ela termina, me despeço e caminho pelo corredor, até ouvir alguém chamar meu nome.

— Will, espera!

Olho na direção da pessoa que me chama. Eu não quero falar com ele sozinho.

— Oi, Nate! O que foi?

— Preciso falar com você. Vem comigo!

Antes que eu diga qualquer coisa, ele me segura pela mão, e me puxa, abre uma porta do nosso lado. É uma sala escura cheia de materiais do set, ele fecha a porta e me encara com o mesmo olhar que o Thirasak dedica ao Wanchai.

— Nate, o que você quer me falar aqui no meio dessa bagunça?”

— Eu precisava de um lugar tranquilo.

Por que ele precisa de um lugar tranquilo?

— Eu acho melhor sairmos daqui. — falo, me viro em direção a porta, mas Nate segura meu braço, viro em sua direção.

— O que há com você? O que precisa me falar?

— Precisamos terminar o que começamos ontem.

— O quê?

Antes que eu diga mais alguma coisa, ele se aproxima, me encara com aquele maldito olhar intimidador, e simplesmente encosta levemente seus lábios nos meus. Para, e se afasta. Encaro seu rosto, estou assustado. Mas algo é mais forte que eu, puxo-o para perto de mim, encurtando a distância entre nós, Nate sorri.

— Achei que você não queria! — ele diz.

— Eu quero desde o dia que coloquei meus olhos em você...

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