Capa do romance Boys don't cry

Boys don't cry

8.0 / 10.0
Criado sob rígidas expectativas de masculinidade, Will desafiou sua rica família tailandesa para ser ator. Sua vida muda ao ser escalado para uma série Boys Love com Nate, um colega intimidador e antissocial que evita contato físico. No entanto, a presença de Will transforma o comportamento frio de Nate em sorrisos. À medida que as gravações avançam, a linha entre ficção e realidade se apaga, forçando os dois a encarar sentimentos que não podem mais ser escondidos.

Boys don't cry Capítulo 1

Will

Será que garotos podem chorar?

Sentia-me péssimo todas as vezes que ouvia “É, não foi dessa vez, quem sabe em um próximo teste você consiga passar". Sempre ouvi que garotos não podiam chorar, não podiam expressar demais suas emoções, e todas as vezes eu chorava, a decepção me consumia, mas sempre no silêncio do meu quarto, nunca na frente dos outros. Apesar de minha irmã, Lyn, me aconselhar a contar que continuei o curso de teatro que não me permitiram frequentar, e continuava tentando passar nos testes de elenco, a coragem não era suficiente para falar a meus pais que eu ainda persistia com a carreira de ator, principalmente minha mãe, que é extremamente controladora. Ela sempre me dizia que garotos não podiam chorar, e alçar voos impossíveis demais. Entretanto, quero muito mais do que ela quer para mim, quero seguir por caminhos diferentes do que minha família traçou. Quando finalmente ouvi, "Você foi o nosso escolhido para interpretar o Thirasak!" as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Foi a primeira vez que chorei depois de anos, e acho que garotos podem chorar, e expressar seus sentimentos.

Era a primeira reunião com o diretor, produção e elenco depois que foi estabelecido que meu personagem não seria o Thirasak, mas o Wanchai, não compreendi muito bem o motivo da troca, embora o P’ Tan, o diretor, tenha me explicado que ao ver as imagens dos testes, ele achou que eu ficaria melhor como Wanchai, e o outro ator como Thirasak. Eu não gostei muito no início, mas eu queria muito trabalhar, e para isso ainda tive que emagrecer bastante, pois, o personagem tinha uma aparência frágil e delicada, em relação ao seu par romântico. O nervosismo toma conta de mim, estou tão atônito no saguão da recepção que meu staff, P'Mes, percebendo a situação, me conduz até o grande elevador, me encara e fala.

— Você parece não estar aqui. Fique calmo, vai dar tudo certo! — ao escutar, balanço a cabeça em sinal de positivo e respiro fundo.

Caminhamos por um longo corredor até chegar diante da porta. Ao entrar percebi que a sala estava cheia de pessoas, olho ao meu redor e reconheço alguns rostos da TV, e o meu nervosismo aumenta quando um dos produtores fala algo.

— Estávamos à sua espera! — Que vergonha, chegar atrasado na primeira reunião com todo o elenco!

Sorri timidamente.

— Desculpem o atraso! Bom dia a todos...

P'Tan começou a falar do que esperava para o projeto. Enquanto ele fala, percorro meu olhar pelo ambiente, observo cada pessoa presente na mesa, até que meu olhar recai sobre meu parceiro de cena, P’Nate. Seu olhar é intimidador, ele me encara como se estivesse me recriminando por algo. Enviaram para mim o texto dos três primeiros episódios, sei que tenho muitas cenas com ele, e também sei que teremos cenas românticas, mas não quero pensar nisso agora, e encará-lo me dá um pouco de insegurança.

[...]

Após a reunião com o elenco P'Tan e os produtores pediram para conversar comigo e com o senhor “olhar intimidador”. Ele passou toda a reunião me encarando, fiquei na dúvida, será que ele estava interpretando o personagem? Pois, ouvi que ele é um jovem ator promissor, muito competente, e talvez na minha frente estivesse Thirasak. P’Tan olha para ambos, e diz:

— Vocês sabem que começaremos os workshops, e provavelmente já estão estudando o texto que foi enviado. Há um ponto muito importante antes de tudo começar, vocês não se conhecem, e irão viver dois personagens que ao longo da história se apaixonarão. Teremos muitas cenas de cumplicidade e romantismo entre o casal. Então, é preciso que haja uma cumplicidade entre vocês, algo que vocês ainda não tem.

O senhor “olhar intimidador” resolve perguntar.

— E o que sugere, P'Tan?

— Eu sugiro que passem o máximo de tempo juntos antes e durante os workshops. Construam uma amizade. Saiam para vários lugares, conversem todos os dias presencialmente, ou por telefone. Enfim, adquirir intimidade é essencial, pois, os outros atores já se conhecem, trabalharam em vários projetos, e alguns até fizeram pares românticos. Mas vocês são os protagonistas, e estão se conhecendo agora, e precisam adquirir um grau de intimidade muito bom para dar vida a Wanchai e Thirasak!

Assim que saímos da sala, P’Nate olhou para mim, e disse.

— Preciso do seu número! — seu olhar é intenso, hipnótico. Não consigo parar de olhar para ele, é estranho. — Ouviu o que eu falei?

Entrego meu telefone para que ele digite seu número.

— Ah! Sim, desculpe!

Assim que o fez, ligou para o número digitado.

— Está feito! Qual é o próximo passo? — pergunta num tom seco.

— Precisamos ficar muito tempo juntos. — respondo, e seu olhar é indiferente ao me responder.

— Vamos marcar algo para amanhã, eu ligo pra você! Agora, eu preciso ir... Até mais!

Fiquei olhando ele se afastar,e em minha mente, vem a pergunta: será que isso vai dar certo?

[...]

Ele realmente me ligou no dia seguinte, e fomos a um restaurante escolhido por ele. Desde aquele dia, tudo igual. P”Nate age como uma porta, às vezes penso que estou falando sozinho, sempre fazemos os mesmo programas, e o clima de intimidade entre nós não existe, sinto-me ainda mais intimidado por ele. A forma como olha para mim têm me deixado bem intrigado, não sei se tem raiva de mim, ou se está com raiva do mundo. É confuso.

Deitado em minha cama, pego o celular. Penso em enviar uma mensagem, mas não sei se devo, é desencorajador, ele mal responde. Enquanto penso, alguém bate na porta do quarto.

— Pode entrar. — A porta abre, e uma bela garota sorridente entra, senta na beira da minha cama. — O que faz acordada a essa hora?

— Queria ver se meu irmãozinho está bem. Afinal de contas, não tenho visto você esses dias...

— Estou bem, só um pouco cansado.

Ela me olha com um aspecto sério, um olhar intrigante, mas não demora muito para que isso mude, e um sorriso malicioso se forma no canto de sua boca.

— E como vai seu namoro?

— Namoro? Eu não estou namorando, sua doida!

— Nossa! Eu jurava que você e o Nate estavam namorando… — responde, e acerto um travesseiro no rosto dela, enquanto escuto sua gargalhada.

— Sua palhaça! Isso não tem graça…

— Calma, irmãozinho! Você parece bem abalado com o que falei, o que houve? Já sei, tá rolando um clima entre vocês, uma tensão sexual. E...

— Dá pra você calar a boca, e parar com tanta besteira?

Ela não se contenta com a resposta.

— E?

— E? Nós somos homens!

— E?

— E, o quê? Está maluca, criando fanfic...

Ela nunca se contenta, e sua língua é sempre muito afiada.

— Acho que o termo mais adequado para sua fala, seria nós somos héteros, ou melhor, você é hétero. Afinal, você não sabe como está definida a sexualidade dele, não é mesmo?

— Lyn, para com isso! Já basta o P’Nate me tratar como se eu fosse um louco!

— Como assim?

— Temos que estar juntos para adquirir mais intimidade, e ele simplesmente não se esforça, sinto que estou falando sozinho, ele me encara com o seu olhar intimidador de todo dia. Eu simplesmente não sei o que fazer!

— Ele é tão difícil assim? — pergunta, e eu balanço a cabeça. — Acho que você deve ser sincero, e dizer pra ele que isso está te incomodando, e ele precisa interagir, afinal há um contrato em jogo... E a série precisa acontecer!

— Não sei, estou ficando cansado.

— Você não vai desistir do seu sonho, porque o mini Christian Grey está te intimidando, e parece querer ferrar com tudo? Você não está louco, não é mesmo?

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Boys don't cry de Conteúdos

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