
BOX O filho do meu noivo
Capítulo 2
A semana passou rápido demais para o meu gosto. Era o maldito dia que o baixinho voltaria aqui e ainda não tenho certeza para que. Isso ao mesmo tempo que me irrita, me deixa muito nervosa e ansiosa. Meu pai não fala nada! Absolutamente nada! Nem para me dizer o que ele vem fazer, se já está certo ou não essa merda que ele inventou. Que droga!
— Ele chegou — disse Maria.
Estava sentada no chão do estábulo. Não queria aparecer em casa, mas claro que eu não tinha opção.
— Eu tenho que ir agora?
— Seu pai disse para te chamar, querida.
— Diga que já vou.
Maria saiu dali e eu encostei na parede e suspirei profundamente. Queria tanto que minha vida fosse minha! Mas o que posso fazer contra isso? Se não dependesse dos meus pais, poderia sumir daqui.
Talvez seja uma boa ideia ir com esse cara. Ele mora na cidade grande e lá posso arrumar um trabalho, sei lá! Qualquer coisa que me dê liberdade e total controle da minha própria vida.
Levantei sem vontade e passei a mão na calça limpando a sujeira por ter sentado no chão. Segui lentamente até a casa e quando entrei, meu pai se aproximou e me levou até o homem baixinho. Ele sorriu para mim.
— Olá, Lara.
— Oi — respondi sem vontade.
— Seu pai estava me falando um pouco de você.
— Aposto que não foram elogios.
O homem riu e meu pai me lançou um olhar severo.
— Na verdade, estava falando sobre sua paixão por cavalos.
— Ah...
— Estava no estábulo? — Me olhou de cima para baixo. Olhei também e vi um pedaço de feno agarrado na calça.
— Sim. Eu passo o dia todo lá.
— É bom saber que gosta.
— É? Por quê?
— Tenho um Haras.
Fiquei em silêncio olhando o homem, que sorria largamente. Olhei meu pai e ele estava com cara de paisagem. Talvez essa notícia não tenha agradado ele.
— Já que meu pai adora guardar segredos de mim... — Não ousei olhar meu pai agora, pois sei que se pudesse, me matava com o olhar. — Posso perguntar o que vocês dois combinaram a meu respeito?
O baixinho olhou meu pai com a testa franzida.
— Não contou a ela?
— Não.
— Bom. Eu vim te buscar.
Desviei o olhar.
— Posso saber pra quê?
— Seu pai disse que está cuidando de seu futuro e quer que se case com alguém de confiança.
— Você acha isso normal?
— Lara! — meu pai repreendeu.
— Deixe a menina falar — disse o baixinho.
— Acha normal ele querer escolher isso pra mim nos tempos de hoje?
— Confesso que é um pouco arcaico isso, mas também necessário.
— Necessário?
— Sim. Tanto para sua família, quanto para a minha.
— O que isso quer dizer?
— Essa parte não é importante para você.
— Então qual é?
— Você está noiva.
— Contra vontade.
— Fique calma. Depois que tudo for resolvido, você pode se divorciar se quiser.
— É mesmo? E o que tem que ser resolvido?
— Já disse que isso não importa para você.
— Mas não entendo... Se posso me divorciar depois, que droga de futuro é esse?
— Lara! Fale direito! — meu pai brigou.
Dei de ombros e o baixinho riu.
— Eu explico para você depois.
— Posso levar a Teci?
— Está pedindo demais, Lara! — meu pai falou estressado.
— Eu não posso deixá-la aqui! Vai entrar em depressão! — falei nervosa.
— Ela é uma égua, não entra em depressão.
— E você é especialista agora? É veterinário? — perguntei furiosa. Meu pai começou o olhar intimidador e eu mordi a língua.
— Claro que pode levar a égua.
Olhei o homem com surpresa.
— Jura?
— É claro! Eu vi acontecer depressão em cavalos que eram apaixonados pelo dono. Se essa égua é assim tão importante para você, com certeza você é muito importante para ela.
— Eu agradeço! Não sei o que seria dela sem mim.
— Vou preparar tudo para levá-la. — Ele sorriu.
— Hoje?
O homem riu longamente.
— Não sabia que ia levar a égua. Seu pai não me disse que tinham essa afinidade. Mas assim que chegarmos, vou providenciar para que a busquem.
— Obrigada.
— Não precisa agradecer, menina.
Disse bem: menina. Ele deve ser uns quarenta anos mais velho do que eu! Será que só eu acho isso absurdamente errado?
— Arrume suas coisas, Lara.
— Tudo bem.
Segui para o meu quarto. Minha mãe e Maria estavam nele. Duas malas grandes estavam em cima da cama e elas arrumavam minhas coisas dentro delas.
— Alguma de vocês sabe para onde vou?
— Sr. Lorenzo tem uma casa na Itália.
Fiquei de boca aberta um longo momento. Elas não pararam de arrumar as coisas mesmo com minha cara de horror.
— O que?
— Você vai para a Itália, minha filha. Só não sei se vai morar lá ou passar uns dias.
— Mas eu não vou mais ver vocês? — perguntei chateada. — Espera! Como ele vai levar a Teci para lá?
— Ele é um homem rico. Vai dar um jeito.
Pelo menos ele vai levá-la. Isso que importa.
***
Os ajudantes ou empregados do Lorenzo levavam minhas coisas para o carro enquanto me despedia dos meus pais e de Maria.
— Se cuide, minha filha.
— Será que vou poder ver vocês?
— Sempre que quiser — respondeu Lorenzo.
— Não seja tão melodramática, Lara.
— Se você não tem coração, eu tenho! — respondi de mau humor. Meu pai ia iniciar uma discussão, mas minha mãe o impediu.
— Ela está de partida.
— Tudo bem. Tem razão.
— Sempre que puder, vou entrar em contato, mãe — falei ignorando meu pai.
— Vá com Deus, minha filha.
— Obrigada. Fique com ele.
— Vamos? — perguntou o baixinho.
Respirei fundo e segui o baixinho para fora da casa. Antes de entrar no carro, observei a casa e o estábulo. Todo o terreno por onde corria quando queria me sentir livre.
Será que terei um lugar parecido para fugir?
Meus pais e Maria estavam na varanda. As duas choravam e meu pai como sempre, indiferente. Entrei no carro, sentando no banco de trás. O baixinho sentou no banco da frente e o motorista começou a sair com o carro.
Continuei olhando para trás deixando a imagem de minha casa na mente.
Não sei o que será de mim nos próximos meses e mesmo tendo planos para me livrar disso, tenho medo que dê tudo errado. E ainda estou confusa quanto ao que ele disse sobre divórcio.
Será que vou poder me livrar disso em um futuro próximo?
Demoramos um pouco para chegar no aeroporto. Como eu disse, moro no fim do mundo e tudo é distante. Ainda bem que me despedi de Isabeli no dia anterior. Sei que não vou ver ela durante um tempo. Ou talvez nunca mais. Porém, a gente combinou de se falar pela internet.
— Chegamos.
Olhei para fora da janela do carro. Não era um lugar muito grande e principalmente não tinha cara de aeroporto. Só parecia ser uma pista de pouso.
Saí do carro e segui Lorenzo, o guarda-costas dele ficou encarregado de pegar as malas. Quando vi no que íamos voar, fiquei paralisada no mesmo lugar.
Era um jato particular! Meu Deus!
— Já voou alguma vez?
— Não.
— Vai gostar — disse sorrindo.
— Vamos para onde?
— Passar uns dias na Itália e depois voltamos.
— Você não mora lá?
— Não. Tenho muitas propriedades. Vamos para lá encontrar meu filho e voltamos em alguns dias.
— Filho? — perguntei engasgada.
Era só o que me faltava! Eu não sei lidar com criança! Elas estão sempre pentelhando e deixando as pessoas loucas! Não tenho paciência para isso!
Às vezes, os meus primos mais novos iam visitar a gente na fazenda e eles tratavam de fazer da minha vida um verdadeiro inferno. Mas eu também fazia a deles.
— Vamos. Temos um longo trajeto pela frente.
— Que ótimo — falei desanimada e ele sorriu.
Dormi a maior parte da viagem. Nos momentos que acordava, era por sonhos com crianças se pendurando no pescoço da Teci e eu enlouquecida atrás.
Eu nunca vou querer ter filhos!
— Vamos pousar agora.
— Até que enfim! — falei com as mãos para o ar. Lorenzo riu do meu drama.
Descemos do jato e entramos em um carro muito chique. Não entendo de marcas, até porque não ando de carro e sim a cavalo. Ficamos alguns minutos dentro do carro. Eu não aguento mais! Quero chegar logo! E não pense que estou ansiosa para conhecer o filho dele, ou para ver a casa que sei que deve ser enorme. Estou com pressa, pois quero dormir.
Sim, eu dormi a viagem toda, mas isso não quer dizer que ainda não esteja cansada.
O lugar que passávamos agora era muito bonito. O carro estava na estrada reta, parecia não ter fim. Ao lado, o gramado era verde e enorme. Lindo como nunca vi, nem nos terrenos da minha casa, ou ex-casa.
Via poucas casas, mas as que tinham eram muito bonitas. Pequenas e arrumadas.
Amei esse lugar.
O motorista entrou em uma rua de chão. Mesmo assim ainda era bonito o lugar. Ele parou na última casa, ou será que digo mansão? O lugar era enorme! A casa era perfeita e muito grande. Duas ou três vezes maior do que a que morava com meus pais. Uau!
— Chegamos. — Ofereceu a mão para me ajudar a sair do carro. Segurei a mão dele e continuei olhando o local. Era incrível!
Acho que vou gostar de passar uns dias aqui!
— Vamos conhecer meu filho agora.
Retiro o que disse.
Entramos na mansão e era tudo tão bem arrumado e bonito. A sala de estar era imensa, lareira, sofás chiques e uma tevê gigante.
Perto da lareira tinha um homem parado olhando a gente. Deve ser mais algum empregado do Lorenzo. Se bem que não parece usar uniforme ou andar como pinguim como o Marcos (o guarda-costas e motorista).
— Lara, esse é meu filho, Daniel. — Apontou para o homem parado ao lado da lareira.
Não consegui me manifestar. Estava chocada demais com a novidade. Meu Deus! Ele tem um filho mais velho do que eu! Que merda!
Ele é completamente diferente do pai. É alto, bem encorpado. Tem olhos verdes e cabelo loiro médio espetado. Deve ter enchido o cabelo de gel para ficar daquele jeito...
— Você está brincando, né pai?
Me recompus do transe e olhei o Lorenzo.
— Claro que não.
— Ela é uma menina!
Cruzei os braços e amarrei a cara.
— E você acha que eu queria estar aqui?
Os dois me olharam. Lorenzo com um meio sorriso e o tal do Daniel com uma sobrancelha levantada.
— Dá para me explicar isso? — Ele parecia muito aborrecido agora. Se ele não gosta da minha presença, tomara que me mande de volta!
— Eu também gostaria de explicações, afinal, você disse que ia dar e até agora não ouvi — falei olhando Lorenzo. Ele deu uma risadinha.
— Eu explico tudo.
— Ótimo! — falei junto com Daniel e a gente trocou olhares raivosos.
— Preciso me casar novamente para poder manter nossas propriedades.
O olhei com nojo e depois meus olhos correram para Daniel involuntariamente. Ele estava de braços cruzados olhando na minha direção. Fiquei séria no mesmo momento.
— E o que eu tenho com isso?
— Bem, como seu pai estava procurando um marido para você, encaixou perfeitamente.
— Então você é um pedófilo? — desafiei e vi o Daniel se aproximar de mim.
— Olha como fala com meu pai!
— Que eu me lembre, estou falando com ele e não com você.
— Parem com isso! — Lorenzo brigou. Ele afagou a barriga e passou a mão pelo cabelo, ou o resto que tinha. — É para vocês se darem bem e não entrarem em guerra!
— Me explique melhor então. Esse casamento é como um “negócio”?
— Podemos dizer que sim.
— Por isso disse que posso me divorciar depois?
— Isso.
— Graças a Deus!
Lorenzo caiu na gargalhada me assustando. Olhei Daniel e vi um vestígio de sorriso, mas ele disfarçou assim que meus olhos estavam sobre ele.
— Você é sempre assim?
— Assim como?
— Sem filtro.
— Falo o que quero?
— É.
— Sim.
— Ótimo! — disse irônico e olhou o pai. — Você não podia arrumar pelo menos alguém mais educado?
— Dani! — repreendeu.
— Olha quem fala! O poço de delicadeza! — falei irritada e Lorenzo riu.
— Vejo como isso vai ser fácil — falou com ironia.
— Muito — respondi no mesmo tom.
— Bom. Venha comigo. Vou te mostrar a casa.
— Ok.
Segui Lorenzo. Quando estávamos saindo da sala, olhei para trás. Daniel me encarava de braços cruzados. Sorri irônica e ele tentou, mas não conseguiu segurar o sorriso.
Lorenzo me mostrou todo o local, era muito grande! E muito bonito. O bom de ser grande é que não tenho que cruzar com o filho marrento e bonitão dele.
Que foi? Ele é irritante, mas não vou ser mentirosa. É lindo de morrer! Então não vamos ser falsos aqui.
— Aqui é o seu quarto.
Entrei e reparei tudo. Era duas vezes maior do que o meu e muito bem arrumado. A cama era de casal — coisa que a minha não era —, o armário era enorme e exagerado na minha opinião. E dentro dele tinha um banheiro.
Um banheiro só meu!
— Gostou?
— É muito bonito.
— Que bom. Sente e vamos conversar um pouco.
— Tudo bem. — Sentei na beirada da cama e ele sentou ao meu lado.
— Sei que essa situação não deve ser nada agradável para você.
— Isso não é um segredo.
Lorenzo riu com minha resposta.
— Eu sei. Mas veja bem, como é um "negócio" como você mesma disse, não precisamos ser marido e mulher de verdade. Você entende?
— Ainda bem! Essa era a parte que mais me preocupava.
— Não vou fazer isso com você, menina. Poderia me aproveitar da situação, mas não vou fazer isso.
— Obrigada.
Ele sorriu e várias rugas apareceram em seu rosto.
— Você pode ter sua vida normalmente, entendeu? Só não quero que seja vista com ninguém por aí.
— Como assim?
— Pode namorar se quiser. Não estou te prendendo, até porque isso não é bem um matrimônio, não para nós dois.
— Está dizendo que posso ficar com outras pessoas se eu quiser? — perguntei perplexa.
— Exatamente. Não vou te privar de viver sua juventude por um desejo estranho de seu pai.
— Estou começando a gostar de você, sabia?
A gargalhada foi alta e me fez rir junto.
— Tenho certeza de que vamos nos dar bem, menina Lara.
— Se você não mudar de ideia quanto ao que disse agora, também acho que vamos nos dar bem.
— Vou deixar você descansar agora. Se quiser pode dar uma volta pelo lugar, mas cuidado para não se perder!
— Obrigada.
Lorenzo saiu do quarto e eu continuei no mesmo lugar ainda anestesiada sobre o que ouvi.
Isso é muito esquisito!
***
No dia seguinte levantei com alguém batendo na porta. Abri e era uma mulher. Era baixinha como Lorenzo, porém pele morena e cabelos cacheados. Tinha um sorriso amigável no rosto.
— Bom dia, senhorita! Meu nome é Rosa e eu sou a cozinheira.
— Prazer, Rosa.
— Vamos descer para tomar café da manhã? Os patrões já estão sentados à mesa.
— Desço em dois minutos.
— Tudo bem.
Ela saiu dali e eu troquei de roupa. Segui até a sala de jantar e quando cheguei, os dois estavam sentados e a mesa estava lotada de comida. O que eu achei um exagero já que pelo visto só nós três que vamos comer.
— Bom dia, menina! Sente-se.
— Bom dia.
— Dani... — Lorenzo o olhou sugestivo. Ele revirou os olhos.
— Bom dia.
— E eu que sou a sem educação — resmunguei alto o suficiente para ele ouvir. Daniel me encarou com o rosto sério. É impressão minha ou ele está mais bonito hoje?
— Dormiu bem? — Lorenzo perguntou.
— Sim. Obrigada. Eu queria saber uma coisa...
— O que?
— Como vai buscar a Teci?
— O que é Teci? — Daniel perguntou e eu lancei um olhar de raiva a ele. Antes que pudesse dar uma resposta malcriada, Lorenzo respondeu:
— A égua dela.
— Tem uma égua?
— Algum problema com isso? — perguntei amarga.
— Daniel é apaixonado por cavalos.
Fiquei em silêncio olhando-o. Algo de bom tem que ter, não é mesmo?
— Aqui também tem muitos. Se você quiser montar, fique à vontade — disse Lorenzo. Sorri largamente e vi Daniel sorrir junto.
— E quanto a Teci?
— Não se preocupe. Assim que voltarmos para casa ela estará lá.
— Quando voltamos?
— Em cinco dias.
— Tudo isso? — Deixei os ombros caírem.
— Qual o problema?
— É que ela não fica bem longe de mim...
— Tem uma ligação forte com ela? — Daniel perguntou.
— Bem, eu salvei a vida dela quando era um potro e desde então ela só me deixa chegar perto.
Ele sorriu.
— Como foi isso?
— O que?
— Como salvou ela?
Olhei o Lorenzo. Ele sorriu e acenou com a cabeça incentivando a contar. Voltei a olhar Daniel e contei que achei ela na mata machucada e cuidei dela por dias.
— É uma história muito bonita.
Desviei o olhar.
— Ela deve estar sentindo minha falta... — resmunguei.
— Seus pais têm internet? — Daniel perguntou. Muda de assunto tão rápido...
— Ter tem, mas saber usar já são outros quinhentos. — Os dois riram. — Por que está perguntando isso?
— Poderíamos fazer vídeo chamada e você ver ela pela tela.
Fiquei em silêncio olhando o rosto dele. Parecia bem mais legal hoje do que ontem...
— É, mas eles não sabem mexer em nada.
Lorenzo pegou o celular dele.
— Pode se servir — disse Daniel enquanto o pai fazia uma ligação.
— Tomou chá de bondade ou o que? — perguntei desconfiada.
— Só estou tentando fazer com que isso dê certo.
— Sei... Se for do jeito que ele conversou comigo, eu também faço, mas se ele mudar de ideia, pode ter certeza que faço da vida de vocês um inferno.
Ele ficou em silêncio me encarando com os olhos cerrados.
— Combinou o que?
— Oi João! Como está? — A voz alta e escandalosa de Lorenzo fez com que olhássemos para ele. — Chegamos bem sim. Eu queria te pedir um favor se puder.
Bebi um pouco de suco e continuei olhando pra ele.
— Tem como você atender o celular em vídeo e mostrar a égua da Lara?
Engoli mais rápido e o olhei surpresa.
— Ótimo! Vou ligar de novo.
— Ele vai? — falei mais alto do que queria. Lorenzo me olhou confuso.
— Por que não iria?
— Ele odeia a Teci — falei franzindo a testa. — E não liga para o que eu acho. Ah claro! Mas liga para o que você acha. — Revirei os olhos e ele riu.
Lorenzo esperou uns minutos e então fez a vídeo chamada. Estava ansiosa olhando a tela do celular dele.
— Mostre ela, por favor — falou quando meu pai cobriu a tela com sua enorme cara. Ele mexeu com o celular e então a Teci apareceu na pequena tela. Sorri largamente.
— Teci... — Assim que falei ela levantou as orelhas e começou a bufar. — Você está bem, garota? — Ela balançou a cabeça e relinchou alto. — Não se preocupe que eu não abandonei você, tá bom?
Ela balançava a cabeça freneticamente e bufava, estava procurando de onde vinha a voz, mas eu não estava lá. Ela sempre sabe quando estou. Meu pai virou o celular para ele de novo e eu suspirei.
— Obrigado João. Vou enviar alguém para buscá-la amanhã mesmo.
— Tudo bem.
Eles desligaram e eu fiquei em silêncio encarando a jarra de suco em cima da mesa.
— Ela gosta mesmo de você.
Olhei para o lado. Nem reparei que Daniel ficou bisbilhotando a minha ligação.
— É.
— Não fica desanimada. Vou te mostrar os cavalos que temos aqui.
Sorri e ele também.
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