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Capa do romance BOX O filho do meu noivo

BOX O filho do meu noivo

Obrigada pelo pai a aceitar um matrimônio por conveniência, uma jovem vê seu destino mudar drasticamente ao conhecer a família do futuro marido. O que era uma obrigação torna-se um dilema quando ela se apaixona pelo filho do seu noivo, um rapaz envolvente que desperta sentimentos proibidos. Dividida entre a lealdade familiar e uma paixão inesperada, ela precisará enfrentar as consequências de amar justamente quem deveria estar fora de seu alcance.
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Capítulo 3

Depois de comer, segui o Daniel para o estábulo. Esse lugar é simplesmente maravilhoso! O estábulo é enorme! E os cavalos são muito bem cuidados. Mais um ponto para o bonitão sem educação.

Ele me levou até um cavalo todo preto. Sorri largamente, era lindo demais! O pelo brilhava de um jeito de dar inveja. Tem mais brilho do que o meu cabelo.

— Esse é o Cometa. Ele é como a Teci.

— Como assim?

— Tem uma ligação comigo.

— E alguém tem ligação com você? — perguntei sarcástica e ele revirou os olhos.

Me aproximei do cavalo e levantei a mão para acariciá-lo.

— Espera!

— O que? — perguntei sem tirar a mão.

— Ele não gosta de... — Cometa cheirou minha mão e chegou o focinho para frente para que eu acariciasse. — Ninguém...

Afaguei o focinho dele lentamente. Daniel tinha a boca aberta me olhando.

— Parece que viu um fantasma.

— A sensação é parecida.

— Eu não estou morta!

— Mas ele poderia fazer alguma coisa com você... — Parou de falar e ficou me encarando com a testa franzida.

— O que? — perguntei nervosa e tirei a mão de Cometa. Ele relinchou.

— Nada.

— Tem mais algum para eu poder ver?

— Temos muitos.

— Você mora aqui?

— Não.

— Se você disse que ele é seu... Trouxe ele pra cá para ficar com você?

— Sim.

— Nossa.

Cometa se mexeu e Daniel se aproximou de mim com pressa e segurou meu braço fortemente. Logo ele relaxou. Cometa cheirou meu cabelo me fazendo rir. Isso sempre faz cócegas.

— Você está muito nervoso. Sabia que os cavalos sentem isso?

— Sim, mas ele...

— Ele gostou de mim. Pode morrer de ciúmes agora!

Daniel riu quando falei isso e eu sorri.

— É a primeira.

— Segunda, ele já gosta de você. Não dá para entender isso, mas tudo bem.

— Você é implicante mesmo hein?

— Ainda não viu nada — falei sorrindo e ele sorriu. Sorrindo é mais bonito ainda... Para com isso, Lara! Que droga! Foco no cavalo!

— Vou te mostrar o resto.

— Tudo bem.

Segui Daniel e ele mostrou os outros cavalos e o lugar onde eles passeiam e pastam. Paramos e ficamos observando o enorme lugar. Subi na cerca e sentei para observar melhor. Senti que ele me encarava e olhei para o lado. Tinha uma sobrancelha levantada.

— O que? Que droga! Por que fica me encarando tanto?

— Não é nada demais. — Deu de ombros.

— E o que é então?

— Você parece bem mais à vontade aqui fora.

— E estou mesmo — falei olhando o horizonte.

Daniel subiu na cerca para minha surpresa e sentou ao meu lado.

— Eu também fico.

— Hum...

Ficamos em silêncio olhando o lugar. Ele é estranho... Ontem parecia ser o cara mais chato do universo e agora está tão legal. Dizem que a primeira impressão é a que fica, não é? Por isso vou continuar implicando com ele.

— Posso montar o Cometa?

— De jeito nenhum!

— Por quê?

— Você pode se machucar. Ele pode até ter sido simpático com você ali dentro, mas aqui pode te derrubar.

— Mas ele gostou de mim.

— Não.

— Você é um chato! — resmunguei.

— Tem outros cavalos lá dentro. É só escolher um e pode montar à vontade.

— Por que você não monta ele então?

— Pra que? — Ele me olhou desconfiado.

— Quero ver se vocês têm sintonia.

— É claro que sim.

— Então mostra — desafiei.

Ele ficou me olhando em silêncio um longo momento. Senti vontade de desviar o olhar e não sei o motivo, mas me segurei e retribuí o olhar.

— Tudo bem. — Desceu da cerca e seguiu para onde o Cometa estava.

— Esperarei aqui.

Escutei uma leve risada e ele saiu de perto. Continuei olhando o horizonte enquanto ele não aparecia.

Um tempo depois ele apareceu puxando o Cometa. Fiquei observando ele fazer carinho na cara do cavalo e depois subir com uma maestria incrível. Eles combinam muito bem. Cometa é um cavalo lindo e Daniel... Bem, ele é muito bonito também e os dois juntos ficaram perfeitos.

Cometa começou a correr pelo cercado e eu sorri quando vi Daniel me olhando. Ele sabe mesmo o que faz. Mas é muito exibido!

Quando cansou de correr, ele tirou a sela de Cometa e o deixou solto pastando. Logo sentou ao meu lado de novo.

— E aí, o que achou?

— São uma dupla incrível.

Ele sorriu.

— Você não quer montar?

— Você não quer me emprestar seu cavalo — falei carrancuda.

— Eu não vou deixar você fazer isso! Ele pode te machucar.

— Você não quer aceitar que ele gosta de mim, isso sim. Está com ciúmes porque ele nunca me viu na vida e me adorou

Daniel riu.

— Pense o que quiser. Eu não quero ter que te levar a hospital nenhum depois dele te jogar no chão.

Enquanto a gente discutia, nem vimos que o Cometa se aproximou. Só notamos quando ele já estava ao meu lado. Daniel segurou meu braço de novo me apertando com força. Não me mexi e nem fiquei com medo. Ele está exagerando! Esse cavalo é manso!

Cometa se aproximou de mim e cheirou meu cabelo de novo. Soltei uma risada e Daniel afrouxou o aperto. Cometa cheirou minha mão e passou o focinho pedindo carinho. Acariciei seu focinho e ele mexeu as orelhas para frente e para trás.

— Definitivamente eu não te entendo.

— Eu? — perguntei confusa.

— Ele. — Apontou para o cavalo.

— O que tem?

— Muitas pessoas dizem que o Cometa é um cavalo indomesticado.

— Jura? — falei olhando o cavalo todo carinhoso comigo.

— Sim. Só eu consigo montá-lo.

— Se você deixasse, eu também conseguiria.

— Quer parar de falar disso? Eu não vou deixar e acabou! — falou irritado.

— Chato — resmunguei e ele respirou fundo.

Cometa cheirou meu cabelo de novo e eu me encolhi por conta da cosquinha. Ele se afastou e balançou a cabeça. Arregalei os olhos quando Daniel se aproximou e cheirou meu cabelo também.

— O que pensa que está fazendo? — falei histérica.

— Estou vendo o que tanto ele te cheira...

— É cavalo agora? — perguntei cínica.

— Não, mas deve ter um cheiro bom que atrai ele a todo momento.

Olhei para ele chocada e ele sorriu. Desviei o olhar rapidamente.

Por que me arrepiei inteira com a proximidade dele?

***

Estávamos sentados à mesa jantando. Não me atrevi a abrir a boca para falar absolutamente nada! Não sei o que foi aquela cena com Cometa e Daniel lá no estábulo e não gosto de pensar nisso...

— Está tudo bem? — perguntou Lorenzo.

— Sim.

— Parece chateada.

— Só estou cansada.

— Certo. Quero que leve ela para passear amanhã Daniel.

— Por quê?

— Vai ficar aqui presa? Não, ela tem que sair.

— E por que eu tenho que levar? — perguntou carrancudo.

— Assim você sai também.

— Se ele não quiser me levar, você pode deixar Marcos ir comigo — falei com um largo sorriso. Lorenzo riu.

— Pode ser.

Fiz sinal de vitória com a mão e Daniel franziu a testa.

— Não quer que eu vá?

— Você já deixou claro que não quer ir.

— E se eu mudar de ideia?

— Você que sabe, mas o Marcos vai me levar de qualquer forma.

— De onde conhece ele?

— Do dia em que me ajudou com minhas malas.

— Ontem — disse com as sobrancelhas levantadas.

— O que tem de mau nisso?

— É filho, o que tem?

Ficamos em silêncio esperando a resposta dele. Percebi que ficou incomodado com o nosso olhar.

— Não tem nada — respondeu olhando sua comida.

— Vou falar com Marcos e ele te leva onde você quiser.

— Onde eu quiser é vago, não? Eu não conheço nada aqui.

Daniel deu uma risada e eu o olhei carrancuda.

— Conheço um lugar muito bom — disse sorrindo.

Não sei porque, mas não gostei desse sorriso...

— Ótimo! Combinado então! Marcos vai levar vocês dois nesse lugar que você conhece, filho.

Suspirei e continuei comendo para não falar besteira.

Depois do jantar cada um foi para o seu quarto. Eu não podia me sentir melhor por Lorenzo me deixar livre e ainda oferecer para sair. E principalmente me deixar dormir em um quarto sem a presença dele. Mas também é maravilhoso não ter obrigações com ele. Principalmente conjugais...

Me tremo inteira só de pensar nisso.

Imagina se ele resolve se aproveitar disso? Ainda não casamos e eu tenho medo de que depois de assinado, ele queira que seja sua mulher sim.

Como se já não bastasse ser obrigada a casar, se for obrigada a perder a virgindade com esse homem, não vai ser agradável.

Aí terei que entrar em ação com meu plano de infernizar todo mundo.

***

Acordei com alguém batendo na porta. Levantei e abri a porta. Em seguida, arregalei os olhos ao ver Daniel ali. Ele sorriu debochado me olhando.

Merda! Devo estar igual a uma bruxa!

— Resolvi deixar você montá-lo.

— Jura? — Sorri largamente e o sorriso dele aumentou.

— Sim, mas eu vou ficar do lado.

Revirei os olhos.

— Quer colocar rodinhas também? — perguntei cínica e ele soltou uma risada.

— Você é terrível, garota!

Desviei o olhar.

— Posso trocar de roupa ou quer que eu vá descabelada mesmo?

— Se você quiser espantá-lo, pode ir assim mesmo.

O encarei com fúria.

— Vou tomar café da manhã. Te espero lá embaixo.

— Tá. — Fechei a porta na cara dele e respirei fundo. Consegui ouvir sua risada e logo ficou silêncio do lado de fora.

Troquei de roupa e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo. Ele estava mesmo rebelde hoje.

Assim que cheguei à sala de jantar, vi que só Daniel estava sentado.

— Cadê seu pai?

— Teve que sair cedo hoje.

— Hum...

Sentei na cadeira em frente a dele e peguei o que ia comer.

Ficamos em silêncio um bom tempo. Eu não sei o que conversar com ele além de cavalos. Sei que é a paixão dele, mas não existe só isso na vida, não é?

— Esse lugar que vai me levar hoje... Pode entrar menor de idade?

— Acha que vou te levar aonde? Uma boate ou coisa assim? — Daniel sorriu cínico.

— Não sei. Por isso estou perguntando — respondi azeda.

— Pode ficar tranquila. É um lugar pra gente da sua idade.

— E o que diabos isso significa?

— É uma pequena lanchonete de um amigo meu.

— Hum...

— Eles são do Brasil. Se mudaram há pouco tempo.

— Legal.

— Lá costuma ter música ao vivo, mas hoje à noite é do karaokê.

— Karaokê?

— Sim.

— Você canta? — perguntei rindo.

— Eu não. Geralmente ficamos rindo das pessoas que sobem naquele palco.

— Que maldade! — resmunguei e ele sorriu.

— Mas eles sobem lá para fazer a gente rir. Ninguém canta bem.

— Sempre tem alguém que tem voz boa. — Dei de ombros.

— Eu nunca vi ali.

— Não é possível.

— Vamos ver se hoje tem alguém.

— Claro. — Sorri.

Terminamos o café da manhã e fomos para o estábulo. Daniel preparou o Cometa e depois me fez colocar todos os equipamentos de proteção. Estava com cara de tédio enquanto ele pegava um capacete para mim.

— Pronto.

— Eu não preciso disso!

Ele revirou os olhos e se aproximou de mim. Logo colocou aquilo na minha cabeça. Olhei-o emburrada e ele prendeu aquela porcaria em meu queixo. Senti seu dedo em minha bochecha e pisquei confusa.

— Se ele derrubar você, vai me agradecer por ter isso.

— Se ele me derrubar, cairei de bunda no chão.

— Meu Deus do céu! Deixa de ser teimosa! Vou acabar mudando de ideia! — falou irritado.

— Ok. Podemos começar?

Ele conduziu o Cometa para o centro do local e eu fui junto.

— Muito bem. Vá com calma.

— Pra sua informação eu monto em cavalos desde que tinha seis anos de idade. Então eu sei como subir!

— Então vai lá, senhorita sabe tudo — falou, cínico. Ele estava em frente a Cometa e segurava as rédeas dele.

Segurei na sela e coloquei o pé esquerdo no estribo. Dei um leve impulso no chão e passei a outra perna por cima dele. Logo estava sentada e olhava Daniel com as sobrancelhas levantadas. Ele tentava segurar o sorriso.

— Muito bem.

— Eu disse que sei o que fazer.

— Ok. Mas isso não quer dizer que ele vá te aceitar.

— Então vamos logo com isso.

— Tá.

Daniel foi puxando o Cometa pelo lugar. Estava entediada em cima dele. Pra que andar tão devagar? Me sinto uma garotinha de quatro anos, que está andando pela primeira vez em um cavalo.

— Ele não parece me negar.

— É, mas é melhor não arriscar. Vamos aos poucos.

Depois de mais algumas voltas, ele parou e falou para eu descer. Fiz isso facilmente e logo tirei aquela droga da minha cabeça. Me senti livre na mesma hora.

Acho que sei como os cavalos se sentem com a sela...

Sentamos na grama e ficamos olhando o Cometa correr. Até ele devia estar entediado com aquela falta de velocidade que estávamos antes.

— Até que você leva jeito mesmo.

— Até que? — perguntei indignada. — Você nunca me viu montar um cavalo para sair pensando coisas de mim!

— É, mas...

— Mas nada! Você não pode julgar as pessoas desse jeito — falei irritada.

— Tá bom, raivinha — disse com as mãos para o ar. — Parei de pensar qualquer coisa de você.

— Raivinha? Ah...quer saber? Vou calar sua boca! — Levantei furiosa e segui para o estábulo sem olhar para trás.

Lá dentro encontrei um cavalo marrom e me aproximei. Fiz amizade com ele rapidamente e em pouco tempo estava selado. Conduzi ele para fora e Daniel sorriu ao me ver. Ele continuou sentado no gramado.

Subi no cavalo e suspirei. Sentia falta da Teci...

Comecei a andar com ele lentamente pelo local e olhei o Daniel. Me olhava com um sorrisinho cínico no rosto. Devia estar pensando que era aquela velocidade que eu costumava andar.

Sorri debochada e sacudi as rédeas do cavalo para ele acelerar. O sorriso dele diminuiu e eu comecei a correr com o cavalo.

Aquela sensação de liberdade de novo. Eu amo isso!

Cometa começou a correr atrás de mim relinchando e sacudindo a cabeça. Daniel levantou depressa e ficou olhando com cara de pavor. Tive que rir da cara dele. Ele é muito medroso!

Corri por alguns minutos e depois fiz o cavalo desacelerar. Parei em frente a Daniel, que agora estava com cara de poucos amigos.

O que eu fiz?

Daniel se aproximou feroz e me puxou de cima do cavalo sem delicadeza nenhuma. Segurei os braços dele quando me puxou, foi tão bruto que achei que ia me esborrachar no chão.

Ele me colocou em pé e ficou me encarando de um jeito assustador.

— Comeu algo azedo?

Ele ficou mais sério ainda quando falei isso.

— Você ficou maluca? — falou alto.

— Por quê?

— Poderia ter se machucado feio! Cometa ficou agitado!

— Ele só estava curtindo a liberdade comigo! O que tem de mau nisso?

— Liberdade?

— Quando o cavalo corre, ele se sente livre. Ele fica feliz. Eu também, mas no momento você estragou toda a minha felicidade! — falei carrancuda.

— Você deve ter um parafuso a menos...

— Melhor voltar pra casa.

— Já está quase na hora. Você ainda quer sair?

Fiquei pensativa e olhei o rosto dele. Fazia um olhar tão... Gatinho do Shrek. Que mudança de humor repentina...

— Hum...

— Vamos?

Respirei fundo. Se não fosse esse olhar, eu diria não.

— Tá bom.

Ele sorriu. Às vezes parece um garoto de dezoito anos. Franzi a testa.

— Quantos anos você tem?

— Por que essa pergunta agora?

— Não posso saber?

— Tenho vinte e quatro.

— Só?

— Achou que eu era mais velho?

— Na verdade, sim.

— E você, tem quinze?

— Eu não pareço ter quinze anos! — Fiz careta.

— Às vezes, parece.

— E você parece ter noventa! — falei irritada.

— Por que? — Franziu a testa.

— Porque tem momentos que parece um velho resmungão!

Daniel caiu na gargalhada e eu resmunguei contrariada.

— Vai querer ir comigo ou não?

— Sim.

— Então, vamos.

Seguimos de volta para a mansão e cada um foi para o seu quarto. E agora eis o dilema: Com que roupa eu vou?

Ele disse que é uma lanchonete. Ah! Pode ser qualquer coisa. Fui até a minha mala e procurei algo. Que foi? Eu não vou desfazer a mala se vamos embora daqui uns dias.

Encontrei um vestido simples e fiquei encarando-o. Que dúvida... Parei de pensar em roupa e segui até o banheiro. Tomei um banho demorado.

Amo água!

Então depois do banho coloquei aquele vestido mesmo.

Era de cor azul e bem simples. Tinha alça fina e era acima do joelho. Tenho que lembrar de não sentar igual moleque...

Penteei meu cabelo agora molhado e não rebelde. Coloquei um cordão simples que ganhei de presente da minha mãe e os brincos que são o conjunto dele. Está ótimo! Eu não gosto de maquiagem, então estou pronta.

Alguém bateu na porta e eu abri logo em seguida.

Ele estava maravilhoso! Usava uma camisa branca com três botões abertos e calça jeans escura. O cabelo bagunçado como se ele tivesse saído do banho e esquecido de arrumar, mas estava lindo. Se bem que qualquer coisa nele fica bom...

Ele me olhou de cima para baixo e me senti estranha por isso.

— Está pronta?

— Sim.

— Vamos então. Marcos vai deixar a gente lá.

— Tá bom.

Ele fez um movimento com a mão para que eu fosse na frente. Passei por ele e respirei fundo. Estava com um perfume delicioso.

Chega! Que droga! O que está acontecendo comigo? Nunca me interessei por ninguém. Acho uma perda de tempo relacionamentos. Por isso meu pai deve ter tido essa ideia brilhante de me casar. Percebeu que ninguém era bom o suficiente para mim, mas cara... Eu tenho dezessete anos! Tenho uma vida inteira pela frente! Pelo amor de Deus!

Entrei no carro e Daniel sentou ao meu lado no banco de trás. Achei que ele ia na frente... Desviei o olhar dele. Não sei porquê, mas estou me sentindo desconfortável agora. Talvez seja pelo braço dele roçando levemente o meu. Engoli em seco. Ele não pode perceber meu estado!

— Então, é muito longe? — Puxei assunto para ele não reparar no meu desespero.

— Não muito. Em poucos minutos estaremos lá.

— E seu pai? Não vi ele o dia todo.

— Ele deve chegar mais tarde.

— Entendi.

O maldito silêncio voltou junto com a atmosfera tensa. Será que já está perto? Vi Daniel colocar as mãos entre as pernas e apertar com certa força. Será que ele está sentindo o mesmo que eu? Ou só é um tique nervoso dele?

Não tenho como saber e nem vou perguntar.

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