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Capa do romance BOX FILHOS DA MÁFIA - SÉRIE NOSSOS FILHOS

BOX FILHOS DA MÁFIA - SÉRIE NOSSOS FILHOS

Criados sob a influência de impérios criminosos, os herdeiros das máfias mais poderosas cresceram entre o luxo e a violência. Agora adultos, eles precisam equilibrar o peso de seus sobrenomes com desejos proibidos. Nesta coleção de Angelinna Fagundes, cada casal enfrenta perigos e dilemas morais para proteger sua lealdade e seus sentimentos. Entre reviravoltas e paixões intensas, eles buscam um futuro próprio sem abandonar o legado de sangue que corre em suas veias.
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Capítulo 2

Sinopse

O amor é um inconveniente para o qual Anna Cavallaro não tem tempo.

Ela só tem um objetivo: se tornar uma designer de moda. A elite de Chicago já copia seu estilo religiosamente, até porque ela é filha do notório chefe da máfia da cidade.

Quando ela é aceita em um instituto de moda mundialmente famoso em Paris, a condição de seu pai é levar seu guarda-costas junto.

Anna definitivamente não se importaria com algumas semanas de diversão sem compromisso com seu protetor taciturno

Santino Bianchi tornou-se o executor da Outfit porque gostava da emoção de caçar e matar.

Cuidar da filha de seu capo é uma tarefa honrosa que ele não pode recusar.

Seus pensamentos sobre Anna? Não tão honrados.

Santino ignorou o flerte persistente de Anna por anos. Agora, longe dos limites de casa eles começam a se confundir. Mas Santino não tem nenhuma intenção de ser o motivo de um noivado fracassado e do escândalo que se seguiria.

Uma aventura de verão em Paris.

Apenas duas coisas estão no caminho de Anna. A vontade de ferro de Santino.

E... seu noivo.

Capítulo 01

Eu era um soldado leal.

Ser Executor para a Chicago Outfit tinha sido uma questão de orgulho. O fato de gostar de quebrar ossos e minha tarefa me permitir fazê-lo era um bônus adicional. Eu era bom nisso. Eu gostava.

O que eu não gostava era de ouvir a conversa fútil de uma adolescente.

Infelizmente, meus talentos brutais levaram meu Capo a me pedir para ser o segurança pessoal de sua filha.

Brincar de guarda-costas e babá de sua filha mais velha nunca foi minha ideia de servir à causa.

- Você não pode dizer não, - meu pai argumentou, seus olhos arregalados de alarme quando lhe disse que estava pensando em fazê-lo.

- Não sou como você, pai. Não tenho paciência para ficar ao lado de uma mulher da máfia mimada e ouvir suas reclamações sem fim com suas amigas. Sou um soldado, não uma babá.

- Você não pode dizer não ao seu Capo. É uma honra.

Balancei minha cabeça. - Quero trabalhar com as mãos.

Quero quebrar ossos. Quero destruir nossos inimigos.

- Você deveria reconsiderar sua decisão, - papai disse implorando. - Se o seu Capo lhe pedir para se tornar o guarda- costas da filha dele, há apenas uma resposta viável, Santino, e é sim.

Não tinha absolutamente nenhuma intenção de reconsiderar minha decisão ou dizer sim, não importa o que papai dissesse. Arturo e eu formávamos uma boa equipe. Nós trabalhamos juntos como Executores por anos e ainda assim nunca ficou chato. Por que desistiria disso por um trabalho que, sem dúvida, desprezaria?

Não importa o que Dante dissesse, me manteria firme e permaneceria como Executor.

- Por que você não vem até nossa casa para me falar sobre sua decisão? - Dante havia dito durante nossa breve ligação. - Cinco horas.

Ele desligou antes que pudesse lhe dar minha resposta pelo telefone. Suspirando, me resignei a uma reunião estranha com meu Capo. Dante tinha jeito com as palavras e uma sutil astúcia que fazia as pessoas fazerem o que ele queria.

Toquei a campainha, olhando para o meu Camaro preto 1969, esperando estar de volta dentro dele, correndo pelas ruas de Chicago em breve. Esses tipos de compromissos sociais eram a ruína da minha maldita existência e geralmente os evitava.

Não foi Dante quem abriu a porta, nem uma empregada. Na minha frente, sorrindo de maneira sofisticada e educada, estava

Valentina Cavallaro. Ela era alta, com longos cabelos castanhos e olhos verdes que te prendiam como um gato fazia com um rato. Que ela pudesse me fazer sentir como uma dessas pequenas bolas de vermes me deixou ainda mais cauteloso para trabalhar em sua casa.

Dei-lhe um aceno de cabeça e recebi um sorriso educado em troca. - Seu marido me pediu para vir.

- Ah, eu sei, - disse ela. - Achei que seria uma ótima ideia que você encontrasse nossa filha imediatamente. Por que esperar? Limpei a garganta, prestes a dizer o que vim dizer, quando Dante apareceu atrás de Valentina e colocou a mão em seu

ombro. - Santino, - disse ele com um aceno curto.

- Estou feliz que Anna terá um guarda-costas tão capaz ao seu lado, - disse Valentina, sem perder o ritmo, me dando o sorriso de uma mulher que tinha um jeito sutil de conseguir o que queria, e vendo isso soube exatamente por quê.

- A coisa é, - comecei enquanto Valentina me conduzia para dentro. Tanto Dante quanto Valentina olharam para mim.

- Sim? - Valentina perguntou.

As palavras do meu pai circularam o meu cérebro como uma mosca irritante que não se pode espantar. De pé na mansão dos Cavallaro e vendo seus rostos expectantes, percebi que não havia como recusar sua oferta. Pelo menos ainda não. Talvez pudesse trabalhar como guarda-costas por um ou dois anos e depois pedir a Dante para voltar a tarefa de torturar as pessoas para conseguir informações.

- As crianças geralmente não me suportam, - disse, o que não era realmente a verdade. As crianças eram atraídas por mim como moscas na merda, mas eu não tinha a paciência necessária para suportar sua presença.

Valentina riu. - Ah, não se preocupe. Anna se dá bem com todos. Ela é uma garota muito social e empática.

É claro. Porque os pais sempre achavam que seus filhos eram um presente de Deus para a humanidade, altruístas, altamente talentosos e bem comportados, quando a maioria deles eram pirralhos irritantes, mimados com tendências egocêntricas e uma propensão à honestidade que beirava a crueldade.

- Tenho certeza que ela é.

Passos soaram no andar de cima e um flash de cabelo castanho apareceu no topo da escada. Anna Cavallaro praticamente desceu as escadas brincando, seu rabo de cavalo balançando de um lado para o outro da maneira mais irritante possível. Como cereja no topo do bolo, ela estava usando um traje xadrez que até uma mulher na casa dos cinquenta se sentiria velha. Ela me deu um sorriso. Seus olhos brilhavam de excitação. Ela empurrou a mão na minha direção, olhando para mim. - Prazer em conhecê-lo.

Forcei um sorriso que parecia realmente congelar sobre a porra dos músculos do meu rosto. - Prazer, - soltei. Era uma mentira, mas pelo brilho em seus olhos, ela não percebeu. Dante, no entanto, parecia enxergar através de mim. No entanto, ele não parecia descontente com a minha falta de entusiasmo ao conhecer sua filha. Ele sabia que minha capacidade de protegê-la não dependia de simpatia. Soltei sua pequena mão no segundo que a educação permitiu. Outra coisa que odiava pra caralho: ter que ser adequado. Agora que passaria meus dias por aí com a filha de Dante, meus xingamentos desenfreados e explosões de raiva eram coisas do passado.

- Vai ser divertido, - disse Anna.

Talvez ela achasse que seria seu amigo ou seu companheiro de brincadeiras pessoal. A garota teria uma surpresa desagradável esperando por ela. Eu a protegeria. Essa era a extensão do nosso vínculo.

- Então você vai me proteger com sua vida? - Ela perguntou com uma inclinação curiosa de sua cabeça, seus olhos azuis tentando me colocar no lugar e testar minha sinceridade.

E pela primeira vez hoje, não tive que mentir. - Vou te proteger até dar meu último suspiro.

Ou até que seu pai me mostre misericórdia e me tire da minha miséria.

A primeira vez que encontrei Santino, quase explodi de emoção. Só o tinha visto brevemente antes, mas mesmo assim, sua altura e rosto bonito fizeram meu estomago vibrar pela primeira vez na minha vida.

Estava animada por ele me proteger. Ele parecia ser divertido de estar por perto e não tão rígido com as regras. Achei que ele e eu nos daríamos bem.

Logo percebi que não seria o caso.

No começo, Santino ainda tentou disfarçar seu aborrecimento por ter que me proteger, mas ficou claro muito rapidamente. Ele não gostava de crianças, ou de pessoas em geral. Ele não gostava quando falava com ele. Ou quando ria muito alto. Ou quando respirava muito perto dele. Ele mal tolerava minha existência.

E tinha certeza que apenas seu senso de dever o impedia de estrangular Leonas ou eu.

Eu estava com raiva. Realmente com raiva. Fui criada para ser bem comportada, educada e pensar antes de agir. Mamãe e papai eram ambos equilibrados e controlados em público. Eles eram o que eu aspirava ser.

Santino estava sentado à mesa na guarita com seu pai e o segundo guarda-costas de mamãe, Taft. Engoli em seco quando entrei na sala, mas tentei esconder meu nervosismo.

- Posso ter uma palavrinha com Santino? - Perguntei, minha voz firme. Senti-me orgulhosa de quão confiante e adulta tinha soado. As pessoas sempre me diziam que eu era uma velha alma escondida no corpo de uma criança de doze anos. Isso não os impedia de me tratar como uma criança.

A boca de Taft se contraiu e ele se levantou. - É claro.

O pai de Santino lhe lançou um olhar que não entendi antes de se levantar também. Com um breve sorriso para mim, os dois homens saíram. Santino recostou-se na cadeira, uma sobrancelha inclinada para cima de uma forma que provavelmente pretendia me insultar também. Aprendi a ler as contrações de seu rosto

como uma forma de expressar o que ele não podia dizer em voz alta.

Não aguentava mais. - Se você me odeia tanto, por que concordou em se tornar meu guarda-costas? - Foi-se o equilíbrio e a confiança. Soava magoada e infantil, mas não pude evitar.

Santino soltou um suspiro momentâneo e praticamente pude ouvir seus pensamentos "Aqui vamos nós..."

- O que te faz pensar que te odeio?

- Porque você acha tudo que faço e digo irritante.

Ele não negou, e isso também doeu. Não tinha certeza de porque queria sua aprovação. Ele era apenas meu guarda-costas.

Santino se inclinou para frente, seus antebraços casualmente apoiados em suas coxas. - Você não sabe o que é ódio se acha que te odeio. E não te odeio.

- Mas você não gosta de mim.

- Não tenho que gostar de você para protegê-la.

Apertei meus lábios, sentindo uma ardência traiçoeira em meus olhos. - Você não deve proteger alguém que não gosta. Você deveria ter dito 'não' ao meu pai se odeia tanto o trabalho.

- Você não diz não se seu Capo te pede para proteger sua prole.

As pessoas raramente me diziam a verdade, a menos que fosse agradável ou mesmo lisonjeira.

Santino nunca poupou meus sentimentos. Era o que gostava nele, mas também detestava porque queria que ele fosse legal comigo porque também gostava de mim.

Afastei-me sem outra palavra. Não queria chorar na frente de Santino. Provavelmente só iria aborrecê-lo e me envergonhar, e já tinha feito o suficiente disso.

Passos pesados rondaram atrás de mim. - Anna, pare.

Não parei, nem reduzi a velocidade enquanto seguia pelo novo túnel subterrâneo que ligava nossa casa à guarita. Santino me alcançou em nosso porão, seus dedos agarrando meu braço. Parei e olhei para sua forma alta.

- Caso esteja preocupada que farei um trabalho ruim te protegendo porque não adoro o chão em que você pisa, não precisa se preocupar. Levo meu trabalho a sério. E vou te proteger com minha vida, mesmo se você me irritar.

- Isso é um consolo, - falei, deixando a zombaria que normalmente só mostrava para Leonas passar. Se Santino não se incomodasse em ser educado, eu também não o faria.

No começo, seu desinteresse por mim e sua falta de conversa me incomodaram, mas eventualmente aprendi como tirar uma reação dele, qualquer tipo de reação realmente. Tornou-se meu passatempo favorito irritar Santino até que ele não pudesse mais ignorar minha existência.

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