
SEGUNDA CHANCE PARA O BILIONÁRIO - SÉRIE AMORES DOS BILIONÁRIOS - PARTE FINAL
Capítulo 3
Estou no hospital, atendendo meu último paciente, quando o celular toca. Peço licença, olho para o visor e vejo ser ela. O que será que Yasmim quer? Ela insiste mais uma vez, mas desligo o aparelho.
- Me desculpe, senhora Beey. Só precisa tomar esses remédios e cuidar da pressão. Qualquer coisa, volte. É importante cuidar bem desse coração.
- Obrigada, Dr. Green - ela responde, se levantando. Entrego-lhe a receita com os medicamentos, e ela se despede, saindo do consultório.
Desligo o computador, arrumo minhas coisas e pego minha pasta. Assim que ligo o celular novamente, ele toca de imediato.
- Oi! Yasmim, o que você quer?
- Precisamos conversar.
- Sobre o quê?
- Adam e Lunna - ela diz, e meu coração dispara, mas não é de saudade.
- O que você tem para falar sobre eles, eu não quero ouvir.
- Ah, você vai querer ouvir sim! Estou te esperando no estacionamento - ela diz e desliga.
Respiro profundamente, fecho os olhos por um instante e saio do consultório. Despeço-me de alguns colegas no caminho e sigo para o estacionamento.
•••••♥•••••
Yasmim Frazer.
Ando de um lado para o outro, impaciente. Como ele pode ignorar as minhas ligações? Por tanto tempo, ele correu atrás de mim, mas, quando descobriu quem eu realmente era, desistiu de tudo o que havia entre nós.
Eu realmente me apaixonei por Romolo. Tudo o que Lunna dizia sobre o relacionamento deles era verdade. Aquilo me despertou uma inveja que eu não sabia ser capaz de sentir. Quando ouvi sobre como tudo começou entre eles, sobre o amor deles, eu quis ter aquilo para mim.
Aproveitei-me da fragilidade no relacionamento deles e dos sonhos que Lunna compartilhava comigo. Só precisava de tempo para incentivá-la a acreditar que o meu plano era o certo. Enquanto isso, seduzia Romolo a cada ida à casa dela. Quantas vezes ela estava trabalhando, e eu ia até lá apenas para flertar com ele! Logo ele não resistiu, e eu também não.
Tudo entre nós era magnífico, e ainda mais excitante por ser proibido. Nosso envolvimento tornou-se intenso a ponto de nada mais importar. Foi assim até Lunna descobrir. Apesar de me afeiçoar a ela, meu verdadeiro objetivo era ser desejada por ele - e eu consegui.
Quando percebi estar apaixonada por ele, quis fugir. Mas ele veio atrás de mim, dizendo que também havia se apaixonado. Que nenhuma outra era igual a mim, que eu era sua preferida. Então, me entreguei por completo.
Agora, sinto-me dividida entre os arrependimentos e os que não quero aceitar. Arrependo-me por ter me deixado levar sem medir as consequências. E me arrependo ainda mais porque, quando ele descobriu quem eu era de verdade, me rejeitou. A dor da rejeição foi devastadora. Passei muito tempo mal até que conheci Phillips, e minha vida mudou drasticamente.
Vejo Romolo se aproximando do carro e sorrio. Ele para de caminhar, e sei que ainda mexo com ele.
•••••♥•••••
Romolo Green.
Lá está ela, andando de um lado para o outro. Assim que me vê, para de andar e sorri. É um sorriso lindo, sedutor. Ela ainda mexe comigo, mas sei que Yasmim nunca será para mim.
Volto a caminhar, e, assim que me aproximo, ela praticamente se joga nos meus braços. Afasta-se sorrindo e deposita um beijo ao lado da minha boca. Por alguns instantes, fico sem reação, mas volto a mim e a afasto com cuidado.
- O que você quer, Yasmim?
- Nossa! Para quê tanta agressividade? Custa muito me tratar decentemente? Sou um ser humano, mereço respeito. Então, que tal começar de novo? - ela diz, cruzando os braços e semi-cerrando os olhos.
Mas seu semblante logo muda, e ela acaba rindo. Me pego fazendo o mesmo. Havia me esquecido de como esse som era.
- Ok, ok! Como vai à vida, senhorita Frazer? - digo, com um tom brincalhão. Ela sorri e, por um instante, tudo parece voltar no tempo.
- Muito bem, obrigada por perguntar, senhor Green - diz Yasmim, com uma ênfase sensual que me faz respirar fundo para manter o controle.
- Então, o que você tem para me dizer? Estou cansado e quero ir para casa.
- Ótimo. Vamos, porque o assunto vai te deixar um pouco irritado. Melhor conversarmos em um lugar onde possamos relaxar - responde, aproximando-se para pegar a chave do meu carro no bolso da minha maleta.
Reviro os olhos, fecho o bolso e ela me devolve a chave assim que o destrava antes de entrar no carro, ocupando o banco do passageiro como se já fosse dona do lugar. Caminho até o lado do motorista, coloco minha maleta no banco de trás e logo estamos a caminho. O silêncio entre nós é tão denso quanto o passado que carregamos.
•••••♥•••••
Assim que chegamos à minha casa, abro a porta e entro. Sem pensar muito, largo minha maleta no sofá e começo a me livrar do paletó e da gravata, tentando aliviar a tensão acumulada do dia e da presença dela.
- Se quiser, pode tomar um banho. Vou preparar algo para você comer e depois conversamos - sugere, com uma familiaridade que me incomoda.
- Ok - murmuro, pegando minhas coisas e seguindo para o quarto.
No closet, jogo minha maleta sobre a poltrona e retiro o celular, colocando-o ao lado. Tiro a camisa, o paletó e a gravata, jogando tudo no cesto. Tento me concentrar na rotina, mas minha mente insiste em vagar.
Sento-me na cama, abro o celular e deslizo pela galeria até um álbum secreto. As fotos de Lunna continuam lá, guardadas como feridas que me recuso a deixar cicatrizar. Passo pelas imagens até parar na minha favorita: Lunna dormindo. Seus cabelos ruivos espalhados pelo travesseiro, a camisola de seda branca marcando suavemente as curvas de seu corpo. Ela parecia tão serena, tão intocável.
Eu a amava, mas nossa relação havia se tornado um ciclo frustrante. Desejava-a de todas as formas possíveis, mas sempre que o clima entre nós esquentava, ela recuava, deixando-me vazio e irritado. Não suportei. Comecei a traí-la antes mesmo do casamento da Kim Fiore, em um impulso de buscar fora o que ela negava dentro. Nem mesmo no hotel, durante a cerimônia, consegui me conter.
Não me arrependo. Na época, me convenci de que o que ela não me dava, outras dariam sem que eu precisasse implorar.
Fecho o álbum, deixando o celular na cama e caminho para o banheiro. Tento afastar os pensamentos, mas Yasmim e o que ela tem a dizer sobre Lunna e Fiore ocupam minha mente. Meus pais os viram juntos no hospital, e, embora Lunna tenha negado, a dúvida persiste. Aquela conversa mudou tudo. Foi a última vez que meus pais falaram comigo sobre o assunto, e, desde então, nossas relações nunca mais foram as mesmas.
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