Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Bella Zafira – A Esposa do Mafioso

Bella Zafira – A Esposa do Mafioso

Zafira não recuou diante do perigo; ela o desafiou ao propor um casamento estratégico a Marcello Caravaggio, o líder mafioso mais temido da Sicília. O acordo de três anos visa justiça para ela e poder para ele, através de um segredo antigo. Contudo, em meio a traições e sangue, surge uma paixão imprevista que ameaça seus objetivos. Enquanto Marcello busca controle, Zafira prova ser a verdadeira mestre do jogo, decidindo cada passo dessa perigosa aliança entre o dever e o desejo.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

O desespero ameaçava me dominar, mas eu precisava ser forte. Por Samira. Por papai. Corri até o escritório, abrindo o livro falso na estante que acionava o compartimento secreto. Papai sempre nos ensinou que ali era o nosso refúgio, um esconderijo seguro, caso algum dia o pior acontecesse.

A porta se fechou atrás de nós e, através da estreita fresta, eu conseguia observar o escritório sem ser vista. Mesmo que alguém tocasse o mesmo livro do lado de fora, a porta não se abriria enquanto estivéssemos ali dentro. Estávamos protegidas — por enquanto.

Samira chorava. Segurei seu rosto com as duas mãos e fiz sinal para que se calasse. Se ela fizesse barulho, seríamos descobertas. E mortas.

Por mais que me dilacerasse por dentro, eu sabia — com toda a dor que uma filha pode suportar — que papai não sairia vivo daquela sala. E só pedia em silêncio que não acontecesse diante dos nossos olhos.

O espaço onde estávamos mal comportava duas pessoas. Papai o construíra assim de propósito, apenas para nós. Nunca questionamos suas decisões. Desde a morte de mamãe, ele sempre foi nossa fortaleza. Agora, tudo indicava que também estava prestes a nos deixar.

As lágrimas já encharcavam meu vestido. Eu rezava para que Samira conseguisse suportar o que estava por vir.

Logo, ouvimos disparos. Sons de luta. Um grito abafado.

Depois, o silêncio.

Permaneci imóvel, com o coração batendo descompassado, até ouvir — ainda que ao longe — a voz de papai. Eu não entendia as palavras, mas o som dele... o som bastava. Ele ainda respirava. Ainda lutava.

Mas aquilo durou pouco.

A porta do escritório foi arrombada com um único golpe. Olhei pela fresta. Papai estava caído no chão, empurrado brutalmente por Yusef, que agora o encurralava com uma arma apontada em sua direção.

— Diga logo onde está!

— Eu não farei isso — papai respondeu com firmeza.

Yusef desferiu uma coronhada contra seu rosto. Meu pai gritou de dor. Samira tremia ao meu lado, e mais uma vez, fiz sinal para que ela se controlasse.

— Você vai falar. Eu tenho tempo. Meus homens estão procurando suas filhas agora mesmo. E eu juro, vou me divertir com elas na sua frente. Principalmente com Zafira. Sempre quis vê-la de joelhos, nua e implorando...

Antes que terminasse, papai reagiu com um chute certeiro, derrubando Yusef.

Mas a força do inimigo era maior. Ele se levantou furioso e começou a socar papai repetidamente. Ainda assim, ele resistia. Até que Yusef puxou uma adaga da cintura, e o sangue em minhas veias congelou.

— Onde está o mapa?

— Vá para o inferno, Yusef! — papai cuspiu no rosto dele.

Yusef cravou a lâmina em sua perna. Papai se curvou de dor, o rosto contorcido num silêncio orgulhoso.

Eu mal conhecia Yusef. Tinha o visto algumas vezes, muitos anos atrás. Mas agora, cada traço daquele rosto sórdido ficaria eternizado em minha memória. Eu jamais esqueceria.

Ele gritou por seus homens. Eles invadiram o escritório, revirando tudo. Enquanto isso, Yusef se divertia infligindo dor em papai, perfurando e arrancando a lâmina de diferentes partes de seu corpo, como se torturá-lo fosse um jogo.

O tempo passou como um martírio. Horas de silêncio, dor e crueldade. Até que papai parou de reagir. Não se movia. Não respirava.

Yusef saiu, satisfeito.

Abracei Samira, que permanecia em estado de choque ao meu lado. Ela assistira à morte do nosso pai. Ao fim do nosso mundo.

Lá fora, tudo ficou quieto. O som da noite nos envolvia. Os grilos, o mar ao longe. A vida continuava para o resto do mundo, mas para nós, tinha parado ali.

Precisávamos sair. Precisávamos ir para a Itália, como papai havia dito. Mas eu não fazia ideia de como.

Abri lentamente a porta do esconderijo. Samira ainda estava sentada, inerte, os olhos perdidos.

— Venha. Mas feche os olhos.

Eu não queria que ela visse o corpo dele. Ela já tinha visto demais. Segurei sua mão e, com a outra, cobri seus olhos, conduzindo-a com cuidado para fora do escritório.

Passei pelo corpo dilacerado de papai, segurando o choro o quanto pude. Mentalmente, pedi a ele que nos protegesse. Que nos desse forças.

Porque eu tentaria. Mesmo sem saber quanto ainda conseguiria suportar.

No corredor, soltei seu rosto e sussurrei:

— Precisamos pegar algumas coisas para fugir. Vamos para a Itália.

Ela me olhou com aqueles olhos cor de mel tomados de dor e, pela primeira vez desde que nos escondemos, falou:

— O que vai ser de nós sem papai?

— Vamos sobreviver. Eu prometo. Temos uma à outra. E seguiremos as instruções dele.

Ela assentiu com dificuldade. Fomos até o quarto dela, depois ao meu, pegamos o essencial: uma muda de roupa, nossos documentos e algum dinheiro. Não podíamos chamar atenção. Os homens de Yusef ainda podiam estar por perto.

Não acendemos luz alguma. Vi carros armados patrulhando a rua. Era o nosso momento. Mas antes, eu precisava recuperar o que havia enterrado no vinhedo.

Segurei o braço de Samira e seguimos pela escuridão. Com uma pequena pá escondida entre as pedras, desenterrei a caixa. Usei a luz do celular para ver seu conteúdo. Meu estômago se revirou.

Ali estava o mapa das riquezas de Don Fuentes — o mafioso mais temido da Espanha. Aquilo poderia ser nossa única chance de sobrevivência. Enrolei o pergaminho de couro e guardei na bolsa a tiracolo.

Avançamos para o fundo do jardim, pulamos a cerca e entramos no quintal de nossa vizinha, Fatima. Suas roupas ainda secavam no varal e uma ideia surgiu.

— O que vai fazer? — Samira perguntou, confusa.

Peguei duas burcas penduradas. Vesti uma. Entreguei a outra para ela.

— Vista isso. Vai nos proteger de olhares e evitar que nos revistem. Teremos mais chances assim.

Ela obedeceu, ainda hesitante.

— Mas como vamos...

— Vamos pegar um barco até a Sicília. Sei com quem contar. Vamos até Omar. Ele era amigo de papai. Vai nos ajudar.

— Tudo bem... — sussurrou, quase inaudível.

Nos esgueiramos pelas ruas. A cidade fervilhava. Uma festa acontecia para os turistas — nossa sorte. Entre luzes, risos e multidões, conseguimos passar despercebidas.

Cheguei à viela onde ficava o kebab de Omar. Pedi que Samira me esperasse na esquina. Ele estava sentado na porta, olhando distraído. Quando levantei o véu e revelei meu rosto, ele se levantou num sobressalto.

— Zafira? Cadê Kalil?

— Yusef o matou, Omar... — minha voz quebrou. — Temos que fugir. Ele disse... papai disse para irmos para a Itália.

— Acalme-se, criança. Onde está Samira?

— Está esperando ali.

— Vamos. Levarei vocês até o porto de Essaouira. Um navio partirá para a Itália em algumas horas. Busque sua irmã. Esperem aqui. Vou pegar o carro.

Assenti. Chamei Samira e, pouco depois, Omar estacionou. Entramos.

A estrada estava caótica. Homens armados em cada esquina. Omar, com astúcia, disse a cada bloqueio que estava com a esposa e a filha, indo buscar o irmão no porto. E a mentira nos guiou com segurança até o destino.

Quando avistei o navio atracado, meu coração acelerou. Aquela era nossa passagem para a liberdade.

Descemos rapidamente e seguimos para o ponto indicado por Omar. Ele nos apresentou a um contato que nos embarcaria discretamente.

— Muito obrigada por tudo, Omar — disse, estendendo a mão.

— Seu pai era como um irmão para mim. Ajudar vocês é a coisa certa a fazer. Tirem essas burcas. No Ocidente, elas chamam atenção.

Tirei a minha. Samira, com relutância, fez o mesmo. As jogamos fora.

— Eu me sinto em dívida com você. Não saberia nem como chegar até aqui sem sua ajuda.

— Estou apenas fazendo o que seu pai desejaria. Cuidando de suas joias mais preciosas.

Sorri. Pela primeira vez, desde tudo.

— Escute, Zafira... seu pai deixou o mapa com você?

A pergunta me fez congelar.

Ele tinha discutido com papai dias antes, exigindo aquilo. E logo depois, Yusef veio. Coincidência demais.

Senti meu corpo entrar em alerta.

— Não. Ele não me deu nada. Do que se trata?

— Nada importante. Se não está com você, melhor assim — respondeu com um sorriso.

Meu coração dizia para não confiar totalmente. Ainda assim, estávamos ali por causa dele.

Afastei-me para falar com Samira, que chorava à beira-mar.

— Não sei viver sem ele, Zafira...

— Ele deu a vida por nós. E vamos honrar isso.

A abracei. Enquanto ela chorava, vi Omar digitando algo no celular com concentração.

Talvez estivesse nos ajudando. Talvez não.

Mas já não havia como voltar atrás.

Você pode gostar

Capa do romance A Garagem Guardava Seus Segredos
8.8
Seis meses após o casamento, Arthur proibiu meu acesso à garagem da minha própria casa. O que era um refúgio criativo virou um pesadelo: ele passou a me algemar à noite para esconder seus segredos. Após ser agredida e ameaçada, descobri que ele escondia o irmão foragido, um assassino, naquele local. Diante da ameaça de morte, decidi agir. Usei um laxante potente em seu café para incapacitá-lo, iniciando minha vingança para destruir o mundo do homem que me traiu.
Capa do romance CORAÇÕES ALGEMADOS
8.7
O delegado Vicente Garibaldi caça os líderes de uma máfia invisível enquanto busca o amor para realizar o desejo de sua mãe. Ele se encanta por Geovanna Queiroz, uma mulher de beleza angelical e vida luxuosa. No entanto, sob a doçura, ela esconde a face cruel da chefe de um grande cartel que sente prazer em matar. Sem saber que persegue sua própria amada, Vicente entra em um jogo perigoso. Poderá a paixão unir dois inimigos em lados opostos da lei?
Capa do romance Grávida De Um Lobisomem 2, Gêmeos Fire, Em Busca Da Verdade
9.1
Quinze anos após o sequestro do pequeno Fênix, o mundo mudou drasticamente. Cateline Fire agora vive movida por um profundo ódio e sede de vingança. Ao descobrir a verdade sobre sua linhagem e a origem de uma maldição terrível, ela vê o mundo entrar em colapso total. Em uma corrida desesperada contra o tempo, Cateline e sua família precisam enfrentar perigos imensos para localizar seu filho antes que a destruição final se torne inevitável para todos.
Capa do romance Jogo entre mafiosos
9.3
Lorenzo Mitolli busca uma esposa para garantir seu herdeiro, mas fantasmas do passado ameaçam sua poderosa família. Enquanto ele tenta domar a selvagem Dark, seu irmão Dante, o temido bastardo, assume o controle da nova guerra. Entre disputas de poder e inimigos letais, Dante enfrenta seu próprio dilema: o amor proibido pela filha de um traidor. Em um jogo de manipulação e frieza, ele fará de tudo para torná-la sua mulher e vencer a batalha.
Capa do romance Minha Filha, Minha Dor
9.3
No funeral da filha Sofia, um pai descobre a traição cruel de sua esposa, Clara. Ela confessa ter assassinado a menina para se livrar do fardo, agindo com frieza ao lado do amante, Lucas. Diante do desprezo e da tentativa de roubo de seu projeto de IA, o protagonista decide lutar. Com o apoio de sua advogada, ele busca justiça e registra sua patente em nome de Sofia. A batalha para honrar a memória da filha e destruir os planos de Clara acaba de começar.
Capa do romance O Entrelace de uma paixão perigosa
9.8
Nesta narrativa repleta de ação, acompanhamos uma rede complexa de vidas cujas trajetórias se cruzam de maneiras inesperadas. No centro deste emaranhado de destinos, surge um casal profundamente apaixonado. Encurralados por perigos crescentes e segredos do passado, eles decidem desafiar todas as adversidades. É uma jornada intensa sobre sacrifício e coragem, onde o amor se torna a única arma capaz de enfrentar um mundo hostil e perigoso.