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Capa do romance Bella Zafira – A Esposa do Mafioso

Bella Zafira – A Esposa do Mafioso

Zafira não recuou diante do perigo; ela o desafiou ao propor um casamento estratégico a Marcello Caravaggio, o líder mafioso mais temido da Sicília. O acordo de três anos visa justiça para ela e poder para ele, através de um segredo antigo. Contudo, em meio a traições e sangue, surge uma paixão imprevista que ameaça seus objetivos. Enquanto Marcello busca controle, Zafira prova ser a verdadeira mestre do jogo, decidindo cada passo dessa perigosa aliança entre o dever e o desejo.
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Capítulo 3

Assim que estávamos para embarcar, escutei pneus de carro freando e homens descendo correndo na direção do porto, e um deles era ninguém mais do que Yussef.

Como ele soube que estaríamos ali? Estava bem claro: tínhamos sido traídas por Omar. Isso se confirmou quando ele apressou seus passos para nós.

Virei rapidamente para Samira. Ao menos ela embarcaria naquele navio de qualquer jeito.

— Escute, não temos tempo. Embarque, e quando chegar na Sicília, me espere no porto. Se eu demorar, vá ao hotel San Domenico. Lá, pergunte pelo senhor Kosta e conte de quem você é filha.

— Zafira... você prometeu...

— Eu vou te encontrar. Vai... — empurrei ela para a rampa que estava sendo recolhida.

Vi quando um dos funcionários do navio a puxou para dentro, e o meu coração doeu. Ali não seria o meu fim. Eu teria que ser forte.

Omar me alcançou, segurando forte em meu braço, enquanto Yussef se aproximava.

— Traidor! Você vai arder no inferno!

Tentei soltar meu braço e ele apertou ainda mais.

— Entregue o mapa e ficará tudo bem. Sabemos que você sabe onde está.

Reunindo toda a minha força, chutei sua perna e saí correndo para o penhasco ao lado do La Kasbah. As minhas pernas ardiam e me faltava ar, mas eu tinha que tentar algo. Eu não morreria sem tentar.

Mas, para o meu azar, aquela fuga não seria tão fácil. Na minha frente tinha uma saída para o mar, abaixo de mim, um penhasco onde poucos sobreviviam quando saltavam.

Eu não tinha alternativas. Se pulasse e sobrevivesse, poderia me esconder em algum lugar até outro navio atracar ao porto.

E eu teria paz, pois pensariam na minha morte, e basta. E nisto eu daria tempo de Samira chegar ao Senhor Kosta para ser protegida.

Papai tinha se sacrificado. Agora era o meu momento. Respirei fundo, tentando criar coragem, quando escutei os gritos de Yussef.

— Dê-me o mapa, Zafira. E serei piedoso com você. Prometo que terei paciência com nossa primeira noite.

— Você não terá nem o mapa e nem a mim, nunca!

Eu não pensei em nada mais. Eu me virei e corri os últimos metros, pegando impulso para o meu salto. Senti a queda livre e o imenso mar se aproximar. Puxei todo o ar que podia para o pulmão e caí na água, afundando e nadando o mais rápido que eu podia para o lado oposto.

Quando não aguentei mais, depois de um tempo, subi e, como eu tinha pensado, eu estava protegida atrás de uma grande rocha, onde eles não poderiam ver que eu tinha submergido, pois havia uma pequena caverna ali embaixo. Eles poderiam tentar me buscar, mas não conseguiriam chegar com barcos naquele momento, pois a maré estava baixa demais.

Eu sentia muita dor no meu pé. Eu tinha acertado algum coral ou rocha, eu sentia que eu estava sangrando. Mas eu precisava ficar ali o máximo que podia, de preferência antes do dia clarear eu tinha que encontrar um modo de embarcar no próximo navio.

Enquanto estávamos esperando para embarcar, eu tinha escutado o funcionário do navio dizer que às cinco da manhã outro navio que partiria para a Itália atracaria por trinta minutos. Era minha única chance antes de ser pega por Yussef. Ele ia me procurar, e enquanto não existisse um corpo morto ele não desistiria, restaria sempre uma desconfiança.

Agradeci por não ter perdido a bolsa tiracolo que eu usava e mantive estreita em meu corpo. Como o mapa era de couro, estava tudo bem. Eu ainda tinha minha segurança para negociar com Kosta, caso ele se recusasse a me ajudar.

Eu estava exausta, me segurando como podia nas rochas, suportando as correntes. Eu estava tremendo quando consegui subir em algumas rochas e chegar até a parte baixa do porto.

O meu pé estava bem inchado. Rasguei um pedaço da pashmina e amarrei no meu tornozelo para impedir que sangrasse mais.

Peguei o resto de dirhams que eu tinha na bolsa. Estavam molhados, mas ainda era dinheiro. Me aproximei de um dos homens que ajudavam a carregar e descarregar dos navios e entreguei a grossa quantia para ele, em troca de ele me ajudar a embarcar.

Ele concordou e mandou que eu me escondesse atrás de alguns paletes de tecido. E ali eu fiquei até ele me dar o sinal para embarcar.

Assim que entrei no navio, outro homem que fazia a travessia me ajudou. Me deu um pouco de água e alguns biscoitos. Eu me sentei em um ângulo e esperei, na fé de que minha irmã tivesse conseguido pegar um táxi e ir direto para aquele hotel do Senhor Kosta. Ela não sabia italiano, mas sabia inglês. Poderia se virar.

Depois das longas horas de mar, finalmente eu consegui desembarcar na Sicília. Mas, para o meu desespero, Samira não estava em lugar algum, e nenhum dos marroquinos que por ali estavam sabiam da minha irmã.

Tentei ser positiva. Eu tinha dito a ela que, se eu demorasse, era para ir para o hotel. Talvez ela tivesse cansado de me esperar e seguiu para o nosso destino.

Fui para um ponto de táxi. Eu tinha menos euros que Samira. Eu não sabia se seria o bastante para chegar até o hotel do Senhor Kosta.

Assim que me aproximei do taxista, ele me olhou indeciso, como se questionasse se eu tinha dinheiro. Obviamente a minha aparência não era das melhores após aquela travessia.

— Eu tenho dinheiro, senhor. Não sei se será o suficiente, mas o dono do hotel poderá me ajudar assim que eu chegar lá.

— Quanto você tem e para onde quer ir?

— Preciso ir para o hotel San Domenico. Quanto custa?

— Sessenta euros — ele me olhou com desprezo.

Claro, deveria custar menos. Mas, na minha condição, ele provavelmente ia tirar proveito.

— Tenho cinquenta euros e nada mais. Até onde pode me levar?

— Vou te levar no centro. De lá, você vai ter que caminhar por meia hora.

Eu não tinha escolha e aceitei. Eu estava desconfiada e muito atenta nas placas enquanto ele dirigia. Mas fui ficando mais calma vendo que ele estava realmente me levando para o centro da cidade.

Meu peito apertou de dor. Provavelmente Samira ficou assustada com tudo aquilo. Eu já tinha visitado a Itália com meus pais, mas ela era pequena demais para se lembrar.

Ela conhecia apenas o Marrocos e a Tunísia. Aquele era um mundo novo para ela, e depois de tudo o que tínhamos acabado de passar, não era uma experiência fácil de se viver.

O homem parou o táxi próximo à estação de trem e me apontou a direção que eu deveria seguir.

Eu não tinha muita escolha, então desci e fui seguindo as placas na direção que ele me explicou. O meu pé doía muito. Mas eu continuei, mesmo com os olhares tortos que eu recebi durante o percurso.

Eu, que sempre andei bem arrumada, estava maltrapilha, cabelos e roupas sujos. Provavelmente não estava com a melhor fragrância após horas dentro de um navio pesqueiro. Eu continuei, e finalmente vi a placa indicando que o hotel ficava a cinco minutos. Desci com dificuldade uma escada e segui por uma pequena rua. E foi neste momento que vi uma mulher empurrando um homem que não a deixava.

— Você vai fazer fiado, vagabunda? Eu quero trepar com você!

Ela tentava empurrar o homem, que a puxava pelos cabelos. Eu olhei para os lados e vi um pedaço de cadeira velha jogada em um amontoado de lixo. Segurei com toda a minha força e bati nas costas do homem, que caiu gritando de dor.

A mulher me olhou e sorriu, me puxando pelo braço escada acima.

— Obrigada pela ajuda, garota. Não viu que esta rua é um beco? Não tem saída. Para onde está indo?

— Eu não vi. Eu preciso chegar no hotel San Domenico.

Ela me olhou de cima abaixo, mas não comentou nada sobre minha péssima aparência. Ela era uma mulher bonita e sorridente.

— Bom, aquele foi meu último cliente, e ele nem queria me pagar. Portanto, vou te levar próxima ao hotel. Não vou chegar até a porta, pois não me deixam entrar lá. A propósito, meu nome é Viviana. E o seu? Você não é daqui, não é?

— Eu me chamo Zafira. Eu realmente agradeço a ajuda. E realmente não sou da Itália.

Ela sorriu e me fez sinal para acompanhá-la. Assim que chegamos na esquina do hotel, ela segurou meu braço.

— Obrigada e boa sorte para você no que está procurando.

— Obrigada — agradeci e segui para o luxuoso hotel.

Era enorme e parecia ser um cinco estrelas. Eu comecei a me sentir envergonhada pela minha aparência, mas eu não tinha como me trocar e muito menos me lavar antes de pedir ajuda de Kosta.

Assim que tentei entrar, fui barrada por um segurança.

— Estou aqui para falar com o Senhor Kosta...

— Ele não está aqui e duvido muito que vá recebê-la.

— Mas eu preciso vê-lo.

— Ele não volta hoje, somente amanhã. Por favor, saia.

Eu saí da porta do hotel após ser intimidada por aquele homem. Eu estava voltando para a esquina, eu precisava encontrar um lugar para sentar-me, foi quando vi Viviana.

— Eu estava te esperando. Imaginei que não te deixariam entrar vestida assim. Escute, você me salvou hoje. Eu vou te ajudar. Vivo aqui perto. Podemos ir à minha casa. Você toma um banho, se alimenta, se troca e volta aqui e tenta novamente.

Eu não tinha muitas escolhas. Para aquela situação, toda ajuda era bem-vinda. E então aceitei. Descemos algumas escadas e logo estávamos perto de um prédio velho. Eu segui Viviana, rezando para não ser uma situação de risco aquela em que eu estava me colocando.

Assim que abriu o seu apartamento, ela entrou e me convidou a entrar. O lugar era pequeno, mas aconchegante. Apesar de ter móveis velhos, era tudo limpo e arrumado.

Ela me entregou produtos de higiene e toalhas limpas, me indicando onde era o banheiro.

— Tome banho tranquila. Vou preparar algo para você comer e, quando sair do banho, te darei roupas.

— Obrigada.

Eu tomei um banho, aproveitando cada gota de água que passava pelo meu corpo. Lavei meus longos cabelos e, quando saí, me sentia outra.

Tinha um cheiro bom vindo da pequena cozinha, e eu segui para lá enrolada na toalha.

— Fiz um macarrão instantâneo. Não sou muito boa na cozinha. Aqui, separei estas roupas que você pode usar, e estas são calcinhas novas. Fique à vontade para se trocar.

Ela apontou o quarto. E foi o que fiz. Agradeci e fui me vestir. Suas roupas ficaram boas em mim. O problema era que eram sensuais demais para o que eu estava acostumada a usar. Mas era o que eu tinha para vestir. E era tudo limpo.

Voltei para a cozinha e ela colocou água na minha frente. Bebi quase toda a garrafa. Só depois notei minha falta de modos.

— Me desculpe...

— Garota, você parece ter passado por muito.

— Sim. Eu estou preocupada. Preciso falar com este homem do hotel. Me disseram que ele volta apenas amanhã e eu estou preocupada com a minha irmã. Ela deveria ter me esperado no porto, mas ela não estava lá quando cheguei. E agora nem consigo falar com este homem.

— Escute, posso dar uma volta com você em alguns lugares da cidade onde refugiados se aglomeram. Talvez ela tenha ido para um desses lugares. Mas antes, preciso que se alimente. E depois vamos para esses abrigos procurar.

No dia seguinte...

Eu tinha procurado até tarde da noite em vários abrigos de refugiados. Ninguém tinha visto Samira, pela descrição que eu dava. Ninguém sabia dela. O meu desespero estava aumentando. Se ela não estivesse com Kosta, eu realmente não saberia o que fazer.

E foi por isso que acordei cedo e segui para a porta do hotel. Não era o mesmo segurança, e este sorriu para mim, apesar de bloquear a minha entrada.

— Onde pensa que vai?

— Preciso ver o Senhor Kosta...

— Ele ainda não chegou.

— Escute, você viu uma garota de nome Samira por aqui?

Ele negou com a cabeça.

— Peço que se retire daqui. O Senhor Kosta não recebe vocês aqui faz tempo...

O que ele queria dizer com isso?

— Eu vim de longe para ver o Senhor Kosta e não vou sair daqui sem falar com ele...

— Pois pode falar. Estou bem aqui. — A voz potente atrás de mim me fez girar.

E, para o meu espanto, diante de mim estava Marcello — o homem que espancava o policial no bar do hotel em Marrakech.

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