Capa do romance Balada do Amor ( MORRO)

Balada do Amor ( MORRO)

8.2 / 10.0
Em Balada do Amor ( MORRO), uma herança força o reencontro entre uma mulher determinada e seu passado. Para não perder suas conquistas, ela deve conviver com o homem que a abandonou. Este romance traz uma história de superação e escolhas difíceis, ideal para quem busca ler livros online.
Resumo de Balada do Amor ( MORRO)
O romance de conto de fadas de Ethan e sua amada ruiu, tornando-se sua maior decepção quando ele partiu sem explicações. Anos depois, uma herança forçará o reencontro dos dois. Para não perder suas conquistas, ela deve conviver um ano com o homem que a abandonou. Ethan agora é famoso e bem-sucedido, mas ela não é mais a jovem ingênua do passado. Determinada, ela protegerá sua felicidade e não permitirá que ele a magoe ou engane novamente.
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Balada do Amor ( MORRO) Capítulo 1

2007

Priscila

Estou na casa da minha melhor amiga e irmã do coração, Beatriz. Amigas desde criança,crescemos juntas na comunidade Canoa Quebrada e somos inseparáveis. Nossos pais são amigos desde que vieram do Pará para São Paulo. Mamãe ficou viúva quando eu tinha seis anos, criando-me sozinha com a ajuda da tia Kátia, mãe da Bia. Assim, conseguimos levar uma vida pacata, apesar dos problemas ao longo dos anos. Agora, aos dezoito anos, sou estudante do cursinho da prefeitura, almejando entrar em uma boa faculdade para estudar Artes. Pode parecer ridículo, eu sei, uma garota sonhando alto, mas acredito que sonhos podem se tornar realidade. Estou determinada a ingressar na USP e farei o possível para realizar esse sonho.

— Tem certeza de que não vamos nos meter em confusão?

— Você é tão medrosa, Priscila. Eu te disse que tenho tudo sob controle. Meus pais estão dormindo, e a tia Lúcia nem vai saber que hoje a filhinha dela finalmente vai perder a virgindade.

Beatriz, sempre com suas conversas sujas e sem noção, vive tirando sarro da minha cara porque ainda sou virgem aos dezoito anos. Diz que sou tola por esperar pelo príncipe encantado que nunca vai aparecer.

— Se for para começar a encher meu saco, avise que nem vou perder meu tempo saindo daqui — respondi, me afastando para tirar a roupa que Beatriz me fez usar.

— Calma, gatinha. Estou apenas brincando. Você precisa transar, já te falei várias vezes. Esse mau-humor do caramba é falta de sexo.

Viro-me de costas, pronta para trocar de roupa, pegar minhas coisas e voltar para casa. No entanto, Beatriz me impede, desculpando-se por falar demais.

— Amiga, desculpa. Prometo que não vou brincar com a sua cara, mas você promete que se aparecer um gatinho interessado na boate, você investe?

Beatriz diz, e eu concordo, sabendo que ninguém vai aparecer e não posso cumprir nenhuma promessa.

Pego meu Motorola V3, presente de dezoito anos que minha mãe comprou em doze parcelas parcelas nas Casas Bahia, e confiro a hora. Já passava das dez da noite. Tarde para quem não tem o costume de ficar na rua e cedo demais para quem não tem hora para voltar.

Beatriz confere mais uma vez nossa cama e os travesseiros colocados sobre o colchão, fecha a porta com cuidado, e juntas pulamos a janela do quarto dela. A boate para a qual vamos fica a menos de vinte minutos daqui. Nossos amigos combinaram de nos encontrar na rua detrás, e, tentando correr com esse tamanco, seguimos rumo ao local combinado. Menos de cinco minutos depois, encontramos nossa turma, entramos no carro prontas para nos divertir naquela noite.

A boate está lotada, a música do Latino tocando e corpos suados se movimentam ao som da batida. Beatriz mal chegou e já encontrou conhecidos, enquanto eu ficava sozinha perto do bar, apenas observando as pessoas bebendo, dançando e se divertindo.

Discretamente, eu tiro meu celular da bolsinha para olhar a hora. Já passava da meia-noite, e eu estava com sono. Se tivesse dinheiro, daria um jeito de voltar sozinha. Pena que o táxi é caro demais, e eu economizo até no lanche do cursinho. Distraída, continuo observando a pista de dança, quando sinto um cheiro amadeirado misturado com fumaça. Ao ouvir uma voz grossa desejando boa noite, congelei de medo de ser algum maníaco tentando me levar.

Deus, cadê você, Beatriz? Pergunto em pensamento, procurando minha amiga por todos os lados, sem virar a cabeça com medo de deparar-me com algum psicopata.

— Queria ir embora, mas dei sorte quando decidi molhar a garganta bebendo algo bem gelado.

A voz grossa sussurra bem perto do meu ouvido, e os pelos da minha nuca se arrepiaram. Será que olho, será que não olho? Até que criei coragem e, com um sorriso falso, virei, encontrando o rosto mais lindo que já vi. Mesmo com a luz fraca, no momento em que nossos olhares se encontraram, a luz focou diretamente nele. O cabelo um pouco longo, cacheado e claro, os olhos esverdeados e um sorriso que me deixou corada.

— Me vê uma água com gás e para a senhorita aqui um refrigerante.

O estranho pede para o garçom as bebidas, colocando-se ao meu lado. Eu sigo em silêncio sem saber o que responder. Notei que ele tinha um sotaque carregado. Será que não era de São Paulo? Pensei ao ouvir sua voz.

— Boa noite! Eu me chamo Ethan e você?

O estranho, agora com um nome, estende a mão direita na minha direção. Sem nem pensar duas vezes, estendo a minha, e trocamos um aperto de mão que faz com que meu corpo sofra um choque.

— Eu sou a Priscila — respondi, com um sorriso idiota no rosto.

— Meu amigo sumiu e me deixou aqui perdido. Confesso que estava a ponto de ir embora quando vi você parada aqui sozinha.

Pude analisar melhor Ethan e percebi que ele se vestia de maneira bem diferente dos garotos daqui. Calça preta, camiseta preta, cordão de prata e anéis de prata nos dedos. Parecia um roqueiro perdido em uma boate do subúrbio.

— Eu também vim com uma amiga, mas ela sumiu da mesma forma que o seu amigo.

Respondo, voltando minha atenção para a pista de dança, tentando encontrar Beatriz perdida em algum canto desse lugar.

— Pois estamos na mesma situação. Que tal fazermos companhia um ao outro, enquanto nossos amigos perdidos decidem nos encontrar?

Ethan me pergunta. Antes que eu pudesse responder, o garçom voltou com as bebidas. Pego o copo com o suco de laranja, bebendo tudo de uma vez. Eu nunca me interessei por garotos. Minha vida era estudar, ficar em casa, estudar e hoje foi um milagre eu ter aceitado fugir com Beatriz apenas para nos divertirmos na boate perto da nossa comunidade. Por que não aproveitar a companhia de um rapaz como ele?

Sem responder nada, aceito sair com ele de mãos dadas da boate, sem pensar nas consequências ou no perigo que corro saindo daqui com um estranho. Do lado de fora, peço que ele espere um segundo, enquanto envio um SMS para Bia, avisando que não estava mais dentro da boate e sim do lado de fora.

— Vamos conversar aqui perto do mirante?

Ethan aponta para o morro que fica pertinho dali. O mirante a que ele se refere é chamado de "Balada do Amor", local onde muitos jovens vão para namorar e, por ser próximo da boate, recebeu esse nome.

Concordo, seguindo com ele até uma caminhonete estacionada ao lado da boate.

— Você tem permissão para dirigir um desses?

Eu perguntei sem esconder a curiosidade.

— Pode não parecer, mas eu te garanto que tenho idade mais do que suficiente para dirigir um carro assim.

Ele responde, tirando a chave do bolso, destrancando o carro e abrindo a porta do passageiro para que eu entre. Quando aceitei sair com ele da boate, não me dei conta de que Beatriz não tinha noção de onde eu estava indo e com quem. No momento em que Ethan entra no carro e se senta no banco do motorista, pensei por um segundo, pedindo desculpas por ser impulsiva ao abrir a porta para sair.

— Desculpa, acho que é melhor eu voltar lá para dentro — digo, colocando a mão na maçaneta, sendo impedida por ele.

— Calma, pode ficar despreocupada. Sou um cara confiável, e prometo que não vou atacar você.

Ele diz, sorrindo para mim, mostrando um sorriso apaixonante que me convence sem precisar de muito esforço. Decido aceitar, rezando para não estar cometendo a maior loucura da minha vida e não aparecendo nas páginas policiais no dia seguinte.

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