
Ava’S Revenge (livro um)
Capítulo 2
Acordo com o som do alarme ecoando pelos meus ouvidos, são cinco em ponto e está mais que na hora de levantar dessa cama.
Tomo um banho rápido e começo a preparar, visto uma calça pantalona vermelha, casaco, camisa e saltos brancos. Amarro o meu cabelo em um rabo de cavalo e saio de casa em um táxi.
- Bom dia... William - falei depois de ler seu nome no crachá
- Bom dia senhorita, vejo que foi contratada.
- Por favor me chame de Sophia!
- Como preferir - sorriu - tenha um ótimo primeiro dia de trabalho.
- Obrigada.
Assim que entrei no escritório vi que a Samantha já encontrava-se na sua mesa, ela é muito pontual, assim como eu.
- Vejo que é pontual, vinte minutos antes?
- Não quero fazer feio no meu primeiro dia.
- Como estás?
- Feliz e você?
- Estou ótima.
- O Sr. Bennet chegou?
- Claro que não, são seis e quarenta, geralmente os donos costumam se atrasar.
- Verdade, mas alguns se fazem presente na empresa antes da secretária.
- Não é o caso do responsável pelos os nossos salários - falou sorrindo.
- Pra quem você trabalha?
- Pra o Sr. Leonardo, em breve irás conhecê-lo, mas vou logo avisando que é um mulherengo.
- não se preocupe, sei lidar com este tipo de homem.
Alguns funcionários já estão no local de trabalho. Alguns me dão boas-vindas e outros apenas sorriem para mim. Parece que ele tem uma equipe competente, que fala menos e trabalha mais. Bom pra mim, assim não terei pessoas falsas tentando puxar assunto comigo.
o chefe adentra no escritório com passos firmes e determinados. Seu porte imponente e postura confiante comprovam a sua posição de autoridade na empresa. Vestido com um terno elegante e uma gravata bem alinhada, ele transmite uma imagem profissional e respeitável.
Não gosto deste homem, mas não posso negar que a sua presença é perigosamente marcante.
Ando a passos rápidos atrás dele, revirando os olhos. É sério, detesto este tipo de trabalho, e se não fosse por uma causa maior, estaria no Canadá ajudando o meu irmão a administrar uma de nossas empresas.
- Bom dia, senhor.
- Bom dia - respondeu rudemente.
- Vim lembrá-lo de um compromisso importante que tem hoje - abri a agenda - às oito da noite, terá um jantar de negócios com os senhores Aniston e López. Quer que eu o acompanhe?
- Não - disse, com os olhos fixos em alguns papéis.
- Quer que eu prepare o seu café da manhã?
- Não, já comi em casa.
- O que posso fazer pelo senhor agora?
- Trabalhar - o meu novo chefe levantou o olhar e me encarou seriamente - Acredito que a senhorita tem muitas coisas a fazer.
- O senhor tem razão. Com sua licença.
Por Deus! Porquê ele foi tão grosseiro comigo? Será que ele é mesmo assim? Não duvido, algumas pessoas são realmente desprezíveis e o Alexander com certeza é uma dessas pessoas.
Estou apreciando a agenda do meu chefe, organizando cuidadosamente os compromissos e revisando as tarefas pendentes. É gratificante ver como tudo está bem planejado e estruturado, a ex secretária dele exercia com excelência essa função. Aproveito para ajustar os horários conforme necessário, garantindo que cada compromisso seja devidamente acomodado. Não fico satisfeita em contribuir para a eficiência e produtividade do homem que destruiu a minha irmã e a minha família, mas preciso fazê-lo para que ele fique feliz com o meu trabalho.
Agora estou organizando documentos importantes, criando pastas organizadas para garantir que os arquivos sejam mantidos adequadamente para fácil acesso.
- Está ocupada agora? - a Samantha perguntou com um simples sorriso no rosto.
Minha mesa está próxima da mesa da Samantha, criando um ambiente de trabalho próximo e colaborativo.
- Não muito, porquê?
- Gostaria de mostrá-la o lugar onde é fabricado os produtos da família Bennett.
- Eu ia adorar - sorrio.
Levantamos das nossas mesas e entramos no elevador. Assim que chegamos ao trigésimo oitavo andar, onde a fábrica de produtos de cabelos e pele da família Bennet está localizada, os meus olhos se arregalaram. O ambiente é preenchido com o zumbido constante das máquinas trabalhando em harmonia.
Os corredores são amplos e limpos, com funcionários engajados em suas tarefas, cada um desempenhando seu papel na criação dos produtos que a anos pesquiso.
- Isso é tão lindo - digo com admiração na voz.
- fiquei exatamente assim no primeiro dia que entrei neste lugar.
Chego a uma área de produção, onde máquinas avançadas estão em pleno funcionamento. Os produtos são envasados, embalados e etiquetados com cuidado, prontos para serem distribuídos para os consumidores. É uma visão impressionante da criação em massa.
Samantha permanece ao meu lado, atenta a cada detalhe assim como eu. Juntas, apreciamos o esforço e o empenho que são dedicados à criação desses produtos.
Saímos do lugar com sorrisos de orelha a orelha estampados no rosto e voltamos para às nossas actividades.
- Vamos almoçar Sophia?
- Por favor, estou morrendo de fome.
- Eu também, já perdi a conta de quantas vezes o meu estômago roncou - disse, fazendo-me gargalhar.
Estou sentada em um restaurante elegante, onde fui convidada para almoçar por Samantha a poucos minutos atrás.
Nossos pratos principais chegam à mesa, lindamente apresentados. Eu optei por um suculento bife grelhado acompanhado de legumes frescos. Samantha escolheu um risoto cremoso de cogumelos, que parece incrivelmente saboroso.
- O senhor Alexander é sempre assim?
- Assim como?
- Rude, grosso?
- Tem como ser diferente com aquela sua esposa chata? - Revirou os olhos, e eu ri.
Talvez o casamento dele não esteja no seu melhor momento. Se minhas suspeitas estiverem corretas, poderei aproveitar bastante disso.
- O que aconteceu com a última assistente dele?
- Casou-se e mudou de cidade.
- Ah, isso é bom.
- Pois é - disse sem expressar alguma alegria.
- Por que será que senti um pouco de tristeza nas suas palavras?
- Ela era a minha melhor amiga.
- Não é mais?
- Ah, Sophia, sei lá - respondeu triste - as coisas mudaram, ela casou-se e mudou-se com o seu marido, a vida de casada não é fácil e eu não quero ficar no meio dos dois.
- Entendo - estiquei a minha mão e peguei a dela - eu estou aqui agora e acredito que seremos boas amigas, posso não ser a melhor, mas serei uma ótima aliada.
- Creio que sim Sophia.
Samantha insistiu em pagar a conta, mesmo eu dizendo que não era necessário. Ela argumentou que era um presente de boas-vindas, e não tive outra escolha a não ser aceitar e expressar minha gratidão. Levantamo-nos da mesa e nos dirigimos para a saída do restaurante.
À medida que nos aproximamos do escritório, a conversa continua fluindo, e sinto-me confortável ao lado de Samantha. Existe uma química agradável entre nós, e acredito que trabalhar juntas será uma experiência positiva.
- Por favor segurem o elevador! - pediu um homem que está ao lado do meu chefe. A Samantha assim o fez - quem é essa obra-prima à minha frente? - perguntou depois de entrar no elevador.
- Sophia Villalobos, minha nova assistente - disse com a cara fechada.
- Muito prazer, senhorita. Sou Leonardo Walker, o vice-presidente desta empresa.
- O prazer é todo meu, senhor.
- Por favor, chame-me de Leonardo ou simplesmente de Léo.
- Desculpe, senhor, mas não costumo tratar meus superiores por você.
- Mas pode abrir uma exceção para mim.
- o que te faz pensar que eu faria isso por você, senhor? Por favor não misture as coisas, acho melhor o senhor agir como um profissional, será melhor para todos.
O Bennett olhou para mim com uma certa admiração, enquanto a Samantha segurava o riso. O Leonardo parecia devorar-me com os olhos. Que bom que percebeu de imediato que suas tentativas de flerte barato não terão efeito sobre mim.
Ao sair do elevador, pude sentir o olhar pesado do senhor Leonardo sobre mim, como se sua intensidade fosse capaz de penetrar minha pele.
- O que foi isso Sophia? - sorriu largamente - trabalho nesta empresa a quatro anos e nunca vi alguém falar com o meu chefe daquele jeito.
- Ele mereceu, não pode querer levar para a cama todas as mulheres lindas que ele vê na sua frente.
- Aquele momento ficará guardado na minha memória por um bom tempo.
- Na minha também, com certeza - rimos com humor.
- Gosto de você Sophia.
- Também gosto de você Samantha.
O dia passou muito lento, e se não fosse pela Samantha e suas conversas descontraídas tudo seria mais difícil, gosto dela e espero que sejamos boas amigas.
São sete da noite e estou revisando uns papéis que me foi entregue a tarde, eles são muito complexos, preciso adiantar uma boa parte para não acabar sofrendo amanhã.
- Sophia? O que faz aqui?
- Estou analisando os relatórios que o senhor me deu depois do almoço.
- Por favor arrume as suas coisas, terminas amanhã.
- Mas senhor...
- Sem mas, arrume as suas coisas!
- Está bem, senhor.
- Tem como voltar pra casa?
- Sim, irei de táxi.
- Não é seguro que você ande sozinha pelas ruas, eu levo você pra casa.
- Não é necessário, não quero incomodar.
- Não seja por isso, vamos.
No caminho todo, ninguém abriu a boca para dizer uma palavra sequer. De vez em quando, sentia seus olhos fixos em mim, mas toda vez que eu o encarava, ele desviava o olhar. Era difícil decifrar o que se passava na cabeça dele.
Era horrível estar no mesmo carro que o homem que destruiu a minha infância. Cada minuto parecia uma eternidade, enchendo o ambiente com um desconforto insuportável. O silêncio era sufocante, e a tensão pairava no ar, como uma nuvem negra que pairava sobre mim.
Sentia sua presença ao meu lado como uma sombra sinistra que me seguia implacavelmente. Eu não conseguia evitar o constante fluxo de memórias dolorosas que vinham à tona sempre que o olhava. Ele era o responsável por tantas feridas profundas, pelas cicatrizes que marcaram minha infância e moldaram quem eu me tornei. Cada vez que nossos olhares se cruzavam, era como se todas as emoções negativas que eu tinha guardado dentro de mim viessem à tona, uma mistura de raiva, tristeza e ressentimento. Eu me sentia impotente, presa em um carro com meu pior inimigo.
- O seu horário de saída é às seis da noite senhorita Villalobos, se tiver um trabalho que não tenha terminado trate de ultimar no dia seguinte, estamos entendidos? - disse depois de parar o carro no meu prédio.
- Sim senhor, obrigada pela carona. Tenha uma ótima noite.
- Obrigado e igualmente - desci do carro e vi o meu novo chefe se afastando.
É um alívio deixar para trás esse tormento, mesmo que apenas temporariamente.
Eu sei que não será uma tarefa fácil para mim estar ao lado dele quase o tempo todo, mas minha mente foi treinada ao longo de muitos anos para resistir aos abalos que ele possa causar.
Eu me vingarei, nem que isso seja a última coisa que eu faça na vida.
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