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Capa do romance Atraída pelo garoto errado - a garota fria e o mulherengo

Atraída pelo garoto errado - a garota fria e o mulherengo

Scarlett Voss prioriza sua independência e carreira, sem espaço para o amor. Porém, Zane Mercer surge para abalar sua rotina com provocações e um charme perigoso. Entre beijos proibidos e discussões acaloradas, ela descobre que o desinteresse dele é uma fachada para uma obsessão profunda. O romance atrai a atenção de Arthur Blackwell, um homem sombrio que pretende usar Scarlett contra Zane. Agora, ela deve decidir entre sua segurança e a entrega a uma paixão fatal.
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Capítulo 3

Capítulo 3

Zane Mercer

Eu chego atrasado, de novo. Não é exatamente um acidente. O corredor já está mais silencioso quando eu empurro a porta da sala, sem pressa nenhuma. Alguns olhares se levantam, outros nem se dão ao trabalho. Normal.

Eu não me desculpo, nunca me desculpo. O professor pausa por meio segundo, claramente irritado, mas continua falando. Melhor assim. Eu não tenho paciência pra discursos ou sermões.

Meu olhar percorre a sala, avaliando rápido. Quase sem lugares.

Claro que está. Até parar nela.

Uma garota de cabelos castanhos caindo pelos ombros, postura reta demais pra alguém da idade dela, olhar fixo no caderno como se o resto do mundo não existisse.

E... interessante. Devia ter uns 20 anos. Ela não levanta o olhar, nem quando eu entro. Muito menos quando eu paro ao lado da mesa, ou quando eu puxo a cadeira.

Ela sabe que eu estou aqui. Eu sei disso, e ainda assim, ela não me olha.

Sento ao lado dela, apoiando o braço na mesa com calma, como se aquele lugar sempre tivesse sido meu.

- Com licença - digo, sem realmente pedir.

Nada. Nem um movimento ou um desvio de atenção.

Eu solto um leve sorriso de canto. Ok. Isso é novo.

A aula continua, o professor falando sobre algum conceito básico que eu já ouvi antes, e que, sinceramente, não me interessa o suficiente pra prestar atenção.

Então eu olho pra ela. Sem esconder ou disfarçar.

Eu observo a forma como ela escreve, rápida, precisa. E não erra uma linha, nem hesita.

Ela está focada, até demais.

- Isso tudo tá no material online - murmuro, baixo, perto o suficiente pra que só ela ouça.

Nada, nenhuma reação. Nem um suspiro, mas eu vejo o leve travar de sua mão.

Por menos de um segundo. E então ela continua escrevendo como se nada tivesse acontecido. Eu inclino a cabeça, curioso.

- Ou você só gosta de sofrer mesmo?

Silêncio. Mas dessa vez... Ela perde o ritmo.

Uma palavra sai torta no caderno, pequena, quase imperceptível, quase.

Eu sorrio. Ela não olha pra mim, mas eu sei que ela está me ouvindo, e isso é o suficiente.

O resto da aula se torna um jogo silencioso. Eu falo uma coisa aqui, outra ali. Comentários baixos, irônicos, inúteis. Ela ignora, ou se esforça pra tentar ignorar.

Porque, aos poucos, o foco dela não é mais o mesmo.

Os movimentos ficam um pouco mais duros. A escrita, menos fluida, ela está incomodada. E isso... é interessante, demais.

Quando a aula termina, ela fecha o caderno rápido demais, como se estivesse fugindo. Nem olha pra mim.

Se levanta e vai embora. Sem uma palavra.

Eu fico sentado por alguns segundos, ainda sorrindo.

- Quem é essa? - alguém pergunta atrás de mim.

Eu não respondo.

Porque eu ainda estou olhando pra porta por onde ela saiu.

Vou para o refeitório e mais uma vez, estava cheio. Sempre estava.

Eu pego alguma coisa aleatória pra comer e me sento, já sabendo que não vou ficar sozinho por muito tempo. E não fico mesmo, logo ela chega.

- Você sumiu ontem - Tara aparece ao meu lado, sentando sem convite.

Tara Flynn, uma das minhas ficantes.

Ela encosta em mim como se fosse natural, e de certa forma era. Cabelo escuro, olhar intenso, aquele tipo de garota que sabe exatamente o efeito que causa. Eu passo o braço pelo encosto da cadeira, puxando ela levemente pra perto.

- Tava ocupado.

- Com o quê? - ela pergunta, inclinando a cabeça.

Eu não respondo. Ela bufa, mas sorri.

- Você é impossível.

- E você gosta disso.

Ela revira os olhos, mas não nega. Claro que não. Tara se aproxima mais, apoiando a mão no meu peito, chamando minha atenção de um jeito direto. Eu olho pra ela e então, dou um selinho rápido, simples, automático.

Mas, não é nela que meu olhar para. É além, do outro lado do refeitório, Scarlett. Era esse o nome da nova aluna, que prendeu minha atenção, vários calouros estavam falando dela mais cedo.

Ela está sentada sozinha, como se o mundo ao redor não existisse. Comendo em silêncio, postura impecável, expressão fechada. Como se ninguém ali fosse digno da atenção dela.

Eu solto um leve riso pelo nariz.

- O que foi? - Tara pergunta.

- Nada.

Mas não é nada. Não mesmo. Porque, pela primeira vez em muito tempo... Algo chama mais atenção do que o óbvio. E isso não é comum.

Eu não demoro pra sair do refeitório. Nem pra encontrá-la de novo. Eu paro no corredor. Está quase vazio.

Ela está encostada na parede, mexendo no celular, provavelmente esperando a próxima aula. Sozinha, sempre sozinha.

Eu me aproximo sem fazer questão de esconder. Paro na frente dela. Bloqueando o caminho.

Ela levanta o olhar pela primeira vez. E, por um segundo... nada.

Nenhuma surpresa. Nenhum interesse. Só... frieza.

- Você pretende me ignorar o semestre todo? - pergunto, sou direto e ela não hesita, como tinha imaginado.

- Esse é o plano. - a resposta vem limpa. Sem emoção, sem esforço. Eu sorrio de lado.

- Hum, você parece ser uma garota corajosa, Scarlett. - ergo a sobrancelha, alargando meu sorriso.

- Mais do que imagina - ela afirma. - Não quero papo com você. Estou ocupada.

Eu inclino a cabeça, analisando. Ela realmente acha que isso vai funcionar. Isso... é novo.

- Ocupada com o quê?

- Não é da sua conta.

Sem hesitação ou medo, sem aquele joguinho irritante que a maioria faz. Eu solto um riso baixo.

- Você é caloura.

- E você é inconveniente.

E então, eu sorrio meio torto. Por que isso? Isso é interessante. Muito mais do que qualquer outra coisa que essa faculdade tem oferecido até agora.

- A gente se vê, Scarlett, mesmo que tente me ignorar - digo, recuando um passo.

Ela não responde. Claro que não responde, mas continua me olhando. Só por um instante. Antes de desviar. Eu me afasto, mas não totalmente. Porque agora eu sei, ela não é indiferente. Ela só está tentando ser. E isso, isso muda o jogo completamente.

Eu passo a mão pelo cabelo, ainda com o sorriso ali. Uma caloura me ignorando.

Me dispensando, tentando me cortar como se eu fosse qualquer um. Errado, eu não sou qualquer um.

E, mais importante, eu não desisto fácil.

Scarlett Voss acabou de se tornar a coisa mais interessante nesse lugar. E eu pretendo descobrir exatamente até onde essa resistência dela vai. Mesmo que eu precise quebrar isso peça por peça. Devagar, sem pressa.

Do jeito que eu gosto.

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