Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Atraída pelo garoto errado - a garota fria e o mulherengo

Atraída pelo garoto errado - a garota fria e o mulherengo

Scarlett Voss prioriza sua independência e carreira, sem espaço para o amor. Porém, Zane Mercer surge para abalar sua rotina com provocações e um charme perigoso. Entre beijos proibidos e discussões acaloradas, ela descobre que o desinteresse dele é uma fachada para uma obsessão profunda. O romance atrai a atenção de Arthur Blackwell, um homem sombrio que pretende usar Scarlett contra Zane. Agora, ela deve decidir entre sua segurança e a entrega a uma paixão fatal.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 2

Capítulo 2

Scarlett Voss

DIA SEGUINTE.

Eu devia ter imaginado que não ia ser tão simples assim. Saio da sala depois da aula de introdução à administração, ainda revisando mentalmente cada ponto importante, quando percebo alguém andando ao meu lado.

- Você anota tudo mesmo, né? - Eu paro, devagar.

Viro o rosto e encontro um garoto sorrindo como se já me conhecesse.

- Desculpe, não entendi? - respondo, sem paciência pra rodeios.

- Na aula - ele aponta com a cabeça. - Você não perdeu nada. Nem uma palavra.

Eu sustento o olhar por um segundo.

- E? - quero saber o que ele disse com isso, é um elogio ou zombaria? Garoto estranho.

Ele ri baixo, como se eu tivesse feito uma piada.

- Nada. Só achei... impressionante.

Claro, um elogio estranho vindo desse garoto.

- Scarlett - digo, antes que ele continue com essa conversa.

Ele entende o gesto.

- Noah.

Assinto, já pronta pra encerrar, mas isso claramente não faz parte dos planos dele.

- Você sempre é assim ou era só porque era a primeira aula?

- Assim como?

- Focada.

- Sim. - tento ser curta, objetiva com ele, mas parece não funcionar.

- Legal - ele responde, como se isso fosse um convite pra continuar a conversa.

Antes que eu consiga sair, mais dois garotos se aproximam.

- Cara, você já começou sem a gente? - o segundo diz, passando a mão no cabelo com confiança demais.

Ele me olha como se estivesse acostumado a ser notado.

Não me impressiona. Reviro os olhos sem que eles notem.

- Ethan - ele se apresenta, direto.

- Scarlett. - digo sem sorriso, sem interesse e ele percebe.

E, ao invés de se afastar... parece mais interessado.

Ótimo, tudo que estou fazendo está falhando.

- E eu sou o Marcus - o terceiro entra, com um sorriso torto. - O mais legal dos três, inclusive.

- Isso é mentira - Noah diz.

- Inveja é feio.

- Você não é engraçado - Ethan corta.

Marcus coloca a mão no peito.

- Isso foi pessoal.

Eu observo os três por alguns segundos.

Eles são... insistentes. E barulhentos. E isso me irrita.

- Vocês sempre andam juntos? - pergunto.

- Sempre - Noah responde.

- Tipo um pacote - completa Marcus.

- Um pacote que você claramente precisa - Ethan diz.

Eu cruzo os braços.

- Eu claramente não preciso. - Olho para eles, fico séria...

Há um silêncio ali, curto, mas há... Marcus ri.

- Gostei dela.

- Eu também - Noah concorda, sem hesitar.

Ethan só me encara, analisando. Como se eu fosse um desafio. Eu não tenho tempo pra isso.

- Eu tenho aula - digo, já me virando.

- A gente também - Noah tenta acompanhar.

Eu paro e olho pra ele.

- Eu vou sozinha. - digo séria, tentando ser paciente, mas já está no limite.

Ele levanta as mãos, rendido.

- Ok, ok.

- A gente se vê - Marcus fala.

- Talvez - respondo.

E continuo andando, sem olhar pra trás nenhuma vez. Educada? Sim. Interessada? Nem um pouco.

O resto da manhã passa melhor. As aulas exigem atenção, e eu gosto disso. Gosto de ter algo concreto pra focar, algo que depende só de mim.

Administração não é só um curso. É um plano. É o que vai me dar estabilidade, crescimento, independência. Eu não estou aqui pra "viver a experiência universitária". Eu estou aqui para construir um futuro. E isso muda tudo.

Quando a aula termina, eu organizo minhas coisas rapidamente e saio, pronta pra seguir minha rotina.

Até alguém praticamente pular na minha frente.

- SCARLETT?! - Eu travo.

Levo um segundo para reconhecer. E quando reconheço...

- Penny?

E então ela já está me abraçando.

- EU NÃO ACREDITO QUE É VOCÊ!

Penny me solta só o suficiente pra me olhar direito, mas ainda segura meus braços, como se eu pudesse desaparecer a qualquer momento.

Eu demoro um pouco pra reagir. Não pelo reconhecimento, mas pela intensidade.

- Você... tá aqui - digo.

- Tô! E você também! Isso é muito doido!

Ela ri, e o som é exatamente como eu lembrava.

Leve, espontâneo, vivo. Ela ainda é a mesma de sempre: cabelos loiros, olhos verdes, magra... mas o que realmente chama atenção é a energia dela. Sempre foi assim.

O oposto de mim. A gente estudou juntas no ensino médio, trocamos número de celular, ela foi a única amiga que tive, mesmo ela sendo o oposto, ela me entendia, respeitava meu espaço, e mesmo ela sendo tão diferente, gostava dela, só não imaginava, que a veria aqui.

- A gente passou anos só conversando por mensagem - ela continua. - E agora isso?

- Coincidência - digo.

- Destino - ela corrige na hora.

Claro, pra ela sempre era assim.

- Você tá fazendo o quê? - ela pergunta.

- Administração.

Ela abre um sorriso enorme.

- Eu também! Mas, que pena que não somos da mesma sala, né?

Eu paro, concordo e digo.

- Sério? Não esperava isso Penny. - falo, ainda sem acreditar.

- Comecei hoje, que bom que nos encontramos!

E então ela ri. E, sem perceber... eu também. Não alto, mas real.

Caminhamos juntas pelo campus, e Penny fala sem parar. Sobre as aulas, sobre as pessoas, sobre o quanto está animada, sobre tudo. Eu escuto. E, estranhamente... não me incomoda.

- Você continua igual - ela comenta.

- Igual como?

- Fechada. Na sua. Mas não de um jeito ruim... só... protegida.

Eu não respondo. Porque ela não está errada.

- Mas eu sei que você gosta de mim - ela completa, convencida.

- Convencida. - reviro os olhos.

- Realista. - ela me corrige, como sempre.

O dia passa mais leve depois disso. Entre aulas e conversas, eu consigo manter meu ritmo, mas agora não estou completamente sozinha.

E isso é... diferente.

Quando saímos da universidade, já está no fim da tarde.

- A gente vai se ver amanhã, né? - ela pergunta.

- Vamos sim.

- Promete?

Eu olho pra ela.

E, por algum motivo, isso importa mais do que deveria.

- Prometo.

Ela sorri, satisfeita.

- Então vai estudar, garota responsável.

- Sempre.

Ela ri e se afasta, acenando antes de sumir entre as pessoas.

Eu fico parada por um segundo, observando.

E então sigo meu caminho. O apartamento me recebe do jeito de sempre: silencioso, organizado, previsível.

Aqui é seguro. Tiro o casaco, deixo a bolsa no lugar e me sento para estudar.

Reviso tudo. Organizo anotações, planejo. As horas passam.

Quando finalmente me deito, o corpo pesa, mas a mente ainda está ativa.

Eu penso no dia. Na faculdade. Nos três garotos insistentes. Em Penny.

Eu encaro o teto. A mesma rachadura. O mesmo lugar, mas... algo parece diferente.

"Isso vai ser tranquilo." Eu penso.

E dessa vez, eu realmente acredito. Por enquanto.

Fecho os olhos, mas o silêncio do apartamento não me deixa dormir imediatamente, nunca deixa. Mas hoje tem algo fora do padrão. Penny.

A forma como ela apareceu, falando comigo como se nada tivesse mudado. Como me abraçou sem pedir permissão... como se eu ainda fosse alguém fácil de alcançar. Eu não sou, não mais.

Ainda assim... eu não me afastei. Isso me incomoda mais do que deveria.

Viro de lado na cama, puxando o cobertor um pouco mais. O frio de Londres parece sempre encontrar um jeito de entrar, não importa o quanto eu me organize.

Talvez não seja só o frio, seja o espaço. Aquele vazio silencioso que eu finjo que não existe. Eu aperto os olhos por um segundo.

Não preciso disso, nem de ninguém.

Repito isso mentalmente, como sempre faço. Funciona, sempre funcionou.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, não soa tão absoluto assim. E isso é perigoso. Respiro fundo, forçando meu corpo a relaxar. Amanhã vai ser mais um dia. Mais aulas, mais trabalho, mais controle. Do jeito que precisa ser, mesmo que no fundo, alguma coisa já tenha começado a sair do lugar.

Você pode gostar

Capa do romance A Rosa e o Assassino
9.5
Valeria vê seu mundo mudar drasticamente após ser resgatada de um ataque por um matador profissional. O choque aumenta quando ela descobre que seu salvador já a monitorava há tempos. Agora, em uma fuga frenética por diversas fronteiras, ela enfrenta um dilema mortal: deve confiar no assassino que pode ter sido contratado para eliminá-la ou acreditar nas pessoas que juram protegê-la? Entre o perigo e a dúvida, sua sobrevivência é incerta.
Capa do romance Adeus, Passado Sombrio
8.4
Após morrer envenenada e ver sua mãe ser destruída por mentiras, Sofia desperta no dia que mudou sua vida. Diante de Pedro e daqueles que a traíram, ela revive o trauma do concurso e da humilhação pública. No entanto, a jovem ingênua deu lugar a alguém decidida. Ciente da tempestade e do deslizamento iminente, Sofia ignora os deboches sobre sua suposta inveja. Ela escolhe um novo caminho, deixando os culpados para trás rumo ao destino sombrio que merecem.
Capa do romance Dark Paradise
8.0
Criada pelo tio Antônio entre a sucata e o trabalho duro, Rebeca aprendeu a ser discreta e resiliente. Sua paixão por carros e corridas ilegais a leva a riscos extremos, enquanto luta para ocultar um poder místico herdado da mãe. Entre a lealdade ao seu melhor amigo de infância e escolhas impulsivas, sua rotina pacata desmorona. Ao salvar um homem perigoso, ela se expõe ao mundo, criando um vínculo intenso que mudará seu destino para sempre em meio ao perigo.
Capa do romance Meus Trigêmeos
9.3
Isabella vê seu destino mudar drasticamente ao cruzar o caminho dos irmãos Lancellotti durante um assalto. Marco, Matteo e Micael são homens implacáveis que introduzem a jovem em um universo de crime e sedução. Encurralada em um labirinto de traições, ela precisa aprender em quem confiar enquanto luta contra o desejo fervoroso que sente pelos trigêmeos. Entre segredos e perigos mortais, a luxúria e o risco testam os limites de sua sobrevivência na máfia.
Capa do romance O amor que superaria a maldição
9.6
Sylvia Todd vive como escrava após sua mãe ser injustamente acusada de traição. Enquanto busca provar a inocência materna, seu destino se cruza com o de Rufus Duncan, o futuro rei dos lobisomens. Conhecido por sua crueldade, Rufus esconde o fardo de uma maldição que o torna um monstro na lua cheia. Unidos como parceiros, eles enfrentam normas sociais e perigos constantes. Será que esse amor superará as sombras do passado e a fúria da maldição?
Capa do romance O Remédio Ômega Indesejado do Alfa
9.1
Durante três anos, curei a maldição de prata do Alfa Caio sob a promessa de união. No meu aniversário de 25 anos, ele me descartou por Lila, uma mulher manipuladora que me incriminou repetidamente. Cego por mentiras, Caio agrediu minha família e a mim mesma. Após ser acusada injustamente de seduzi-lo, rompi nosso elo. Busquei refúgio em uma alcateia rival com meu amigo de infância, meu companheiro de segunda chance, que despertou após anos em coma.