
Atração Proibida
Capítulo 2
Ponto de vista: Annie Gregor
Não aguento mais tanto barulho. Kim mal acabou de chegar da rua e já ligou aquele som alto terrível. Se ele escutasse só para si, eu não teria nenhum problema, mas é como se ele quisesse que a casa inteira ouvisse o seu péssimo gosto musical. Eu não estou suportando, minha cabeça parece que vai explodir.
Levanto-me da cama e saio em direção ao seu quarto que para meu azar, é ao lado do meu. Educadamente bato na porta tentando ter um pouco de civilidade, mas ninguém responde. Toco a maçaneta e abro a porta tendo sorte ao encontrá-la destrancada e o azar ao dar de cara com o Kim, deitado sem camisa e com a mão dentro da cueca boxer, num movimento de sobe e desce sobre o seu membro.
- Oh, meu Deus!
- O que você está fazendo aqui?! - grita Kim, levantando-se assim que nota a minha presença sem ter a decência de arrumar a cueca ao se aproximar de mim.
Eu não consigo me mexer, meu Deus! Ele estava se... Meu Deus! PUTA QUE PARIU!
- O que você está fazendo aqui? - repete a pergunta, dessa vez parado à minha frente. Ele aponta para porta que está bem atrás de mim. - Saia agora do meu quarto!
Olho para ele e depois para a cama, sem conseguir tirar a cena que acabou de acontecer na minha frente. Desço meu olhar até sua cueca e vejo a protuberância mais do que evidente, que me faz imediatamente subir o olhar. Estou completamente paralisada sem conseguir mexer um músculo. Enquanto ele continua gritando comigo para sair, tento mandar meu cérebro voltar a pensar com razão, mas tudo que ele vê é a mão de Kim subindo e descendo, subindo e... Puta que pariu!
- Está maluco! - grito quando Kim me empurra para o lado, me tirando da frente da porta.
Ele segura meu braço fortemente enquanto prensa o meu corpo contra a parede, fazendo finalmente meu cérebro voltar à razão trazendo minhas palavras de volta com seu gesto bruto.
- Me solta, Kim! - digo, puxando meu braço do seu aperto em um gesto que só o faz apertar mais, trazendo uma sensação de dor.
- Você não sabe bater? - especula furioso.
- Eu bati, mas você estava ocupado demais para escutar - retruco com um sorriso no rosto, finalmente me recompondo. A porta está a poucos centímetros e por mais que esteja fechada, não está trancada. Se alguém nos escutar ou se meu pai escutar a nossa discussão, estarei em maus lençóis.
Seu olhar irritado e seu aperto forte em meu braço faz minha atenção voltar novamente para ele. Seu rosto parece estar mais próximo, porque agora nossos narizes estão quase se tocando. Minha respiração está unida com a sua em uma só, meus seios tocando seu peito musculoso que pela primeira vez, percebo ser firme como uma rocha. Uma vontade estranha nasce em mim, uma vontade louca de tocá-lo.
Minha mão coça, meus olhos estão focados nas piscinas azuis do olhar de Kim e tento manter este contato, mas é impossível quando sinto sua ereção tocar meu quadril. Não sei se ele percebe o quão perto está. Abaixo meu olhar uma segunda vez, observando sua ereção levantada para cima se esfregando em meu quadril, deixando cada batida do meu coração descompassado. Kim pega em meu queixo trazendo meus olhos de volta para ele.
- Nunca. Mais. Entre. No. Meu. Quarto. Sem. Bater. Entendeu? - rosna praticamente encostando seus lábios nos meus. - Entendeu? - pergunta novamente.
Não consigo responder, mais uma vez as palavras sumiram. Eu só consigo olhar em seus olhos, em sua boca que está tão perto, que quase consigo sentir seus lábios que parecem tão macios.
"Queria muito poder senti-los." penso.
Repasso todos os momentos desde o dia em que nos conhecemos, e não lembro de ter ficado tão perto de Kim dessa forma. Até mesmo em todas as nossas brigas mais recentes, onde parecia que estávamos sendo puxados em direção ao outro. E a cada puxão, mais nos distanciávamos. Nunca chegamos nessa situação, éramos como dois animais enjaulados e feridos, querendo apenas a cura para nossos machucados.
Entretanto, agora ele está colado a mim e parece que pela primeira vez, não quer se afastar. Seus olhos ainda transmitem uma raiva profunda, mas seus lábios, peito e corpo inteiro me transmite um choque de puro desejo e atração. Uma atração proibida.
É isso o que ele é para mim: proibido.
Odiamos um ao outro, mesmo que nossos corpos digam o oposto. Respiro fundo, pensando e repassando como um mantra todas as nossas brigas. Volto a mim, trazendo as palavras de volta para minha boca transformando o desejo que estou sentindo em algo que eu já conheço.
- Quem você pensa que é para mandar em mim? - pergunto provocando com a voz baixa, mas, ao mesmo tempo, ameaçadora. - Você, em primeiro lugar, deveria trancar a porta antes de começar a fazer aquela coisa nojenta. E, em segundo, não deveria estar com essa música no último volume. Porque, além de você, existem outras pessoas que moram nessa casa, que precisam descansar e que não são obrigados a escutar seu péssimo gosto.
Minhas palavras causam o efeito que eu queria, deixando um vazio grande e frio me rodeando quando seu corpo se afasta. Desejo e razão estão se debatendo em minha cabeça, causando uma grande confusão em minha mente.
Volto a minha atenção para Kim e o observo sentar na cama com um sorriso de lado no rosto.
- Você gostou de me ver daquele jeito, não é Annie? Ficou admirando, quando encostei meu pau duro em você, começou a ver estrelas, não é mesmo? Eu vi e senti sua respiração aumentar, seu olhar estava hipnotizado. Eu costumo causar esse efeito nas mulheres, sabia? - riu sarcasticamente.
Sinto uma dor em meu peito com suas palavras cruas e duras, mas tento me manter firme, só preciso sair daqui.
- Annie, você já foi tocada de verdade? - sonda Kim de modo cínico e debochado. - Que pergunta boba a minha, você é fria demais para alguém querer te tocar. Me esqueci dessa parte, desculpa.
Não consigo responder sua provocação, apenas abaixo a cabeça e saio batendo a porta com toda força que consigo. Arrependo-me quando fecho a porta, me sentindo completamente fraca. Kim está virando minha cabeça, se transformando em minha kryptonita. Nossas brigas - que antes eram separadas pela voz autoritária do meu pai - agora são paradas pela minha fuga, pelo descontrole de Kim e nossa aproximação cada vez mais constante e principalmente por suas palavras não mais reprimidas. Balanço a cabeça tentando afastar esses pensamentos enquanto desço as escadas indo em direção ao meu lugar favorito de toda a fazenda.
O celeiro era onde eu passava grande parte da minha infância. Era estranho, mas desde que passei para a transição da vida adulta, ele virou o meu porto seguro onde posso desabar emocionalmente. Um local antes considerado o lugar das brincadeiras, agora é onde desabafo todas as minhas lágrimas e dores mais profundas, assim como as lembranças mais escuras.
Aqui, eu relembro os sorrisos da minha mãe, do meu tio quando vinha me ver, e por fim o grande amor entre os meus pais. Éramos uma família feliz, mas tudo tinha acabado e os poucos sorrisos que sobraram parecem querer ir embora também. Desabo contra o feno, sentindo as lágrimas encherem meus olhos. Não tento segurá-las e deixo todas elas descerem pelo meu rosto. Fecho os olhos, deixo as lembranças me levarem para um lugar onde eu não tenha medo de sorrir e nem de sentir.
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