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Capa do romance Atração Perigosa

Atração Perigosa

Após oito anos de isolamento total sem contato feminino, Eric Gonzalez encontra-se confinado em uma residência com a oficial Marina Torres. A presença da policial desperta desejos intensos e delírios em Eric, que se vê diante de um dilema perigoso. Enquanto tenta traçar um plano para conquistar a mulher que o leva à loucura, ele enfrenta uma dúvida crucial: Marina é digna de sua confiança ou apenas uma ameaça em sua busca por redenção e paixão?
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Capítulo 3

Marina em seu quarto havia acordado, mal havia pregado seus olhos, desconfiava e temia que seu prisioneiro se rebelasse durante a noite, estava insegura e a arma carregada em baixo de seu travesseiro revelava isso. Ele estava muito quieto, havia estudado seu comportamento, mas esperava que ele fosse tentar alguma coisa, agisse de outra forma.

Muitas coisas estavam em sua mente, seu sono lhe fugiu dos olhos, tudo se lhe secou, tinha algo errado, só não sabia o que era, incomodava e não parava de incomodar, sabia que já deveria ter começado, mas a coragem lhe tinha fugido das pernas, do corpo. Seu corpo, seu maldito corpo que lhe havia posto naquela situação.

Fazia parte daquilo, mas ficara com a pior parte.

— Sabe se virar, vamos ver se sabe mesmo se virar. – disse ela a si mesma, ele lhe havia dito saber se virar, esse era seu desafio.

E a noite lhe fugiu pelas mãos, tudo era escuridão e de repente o sol nasceu trazendo luz ao seu quarto, as janelas abertas entregavam o dia, ela não dormiu, não podia dormir e naquela manhã domingo seus pés tocaram o chão com firmeza, assim como todos os outros dias, não estava de folga, estava em sua missão mais importante, não tinha tempo para baixar a guarda.

Nas águas frias banhou seu corpo, nada a relaxava mais do que aquilo, seus banhos quentes pela manhã lhe traziam de volta a vida que perdera durante o dia e a noite passada, paz, era o que precisava para si.

Depois de ter terminado seu banho e se trocado, desceu para preparar seu café da manhã, ainda era muito cedo e provavelmente Eric estaria dormindo. Mas enquanto descia ouviu barulhos vindos da cozinha, ele estava acordado, definitivamente estava.

Marina estava em sua casa, ela era jovem e suas roupas eram curtas e coloridas, assim como ela gostava, uma blusa laranja e um short azul marinho jeans bem curto e desfiado, seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo para trás, ela estava se sentindo confortável e tudo era para mostrar a Eric que a presença dele ali não era importante para ela.

A cozinha estava novamente com um cheiro bom, um cheiro que a fazia ignorar os pratos sujos na pia, mais uma vez tinha que ser durona, não podia proibi-lo de comer ou cozinhar, mas isso não impedia que tivesse vontade, o prisioneiro cozinhava muito bem.

Tentou fingir que não o havia visto, foi direto para o armário para procurar alguma coisa para comer, tinha que se distrair e evitava olhar para ele.

Gonzalez não a cumprimentou nem trocou com ela uma única palavra, apenas permaneceu no que estava fazendo. Ele colocava sua comida na mesa tranquilamente como na noite passada, e Marina viu que estranhamente ele colocava dois pratos ali em cima, Eric terminou de arrumar suas panquecas e seus ovos mexidos, leite, café e suco, a mesa estava muito bonita.

Ele se sentou e Marina o acompanhou com o olhar, nessa hora se esqueceu até de disfarçar enquanto o olhava. Ele notou seu olhar e antes de levar a comida à boca, falou:

— Não vem comer?

A princípio ela não havia entendido, mas enquanto olhava o outro prato a resposta lhe veio à mente, a pergunta era: por quê?

Ela lavou o sabão de suas mãos e foi até a mesa, e sem dizer nenhuma palavra se sentou à frente dele, com aquele mesmo olhar concentrado dentro de si mesma, Marina não queria bobear, não o conhecia e não podia confiar em um prisioneiro de alta periculosidade.

Serviu-se apenas com o que ele também se servia, não que desconfiasse que ele a tentaria envenenar, seria burrice demais da parte dele, mas era porque ambos possuíam a mesma maneira de comer, a mesma ordem. Primeiro o café, depois o leite, depois uma panqueca e misturava com os ovos mexidos, parecia estar sendo sincronizado.

— Por quê? – ela perguntou logo depois de um longo gole em seu café.

— Não sou como você. – o moreno respondeu ainda mantendo seus olhos em seu prato.

Ela havia entendido, ela não se importaria em fazer comida para ele, mas ele estava se importando. Quando mais o via, mais percebia o quanto não sabia nada a respeito dele, havia o estudado tanto, mas pelo visto seus estudos estavam errados. Ela conhecia o Eric que existia antes da cadeia, agora tinha que conhecer o Eric que saiu de lá.

— E como você é? – ela perguntou tentando manter a conversa a mais distante possível. Temia a si mesma.

— Quanto menos souber, melhor.

— O que está evitando, Gonzalez?

Mas ele não a respondeu, ela precisava de uma resposta, mas não era essa a pergunta. Ela evitava mostrar a ele quem ela era, mas infelizmente ele fazia o mesmo.

Não trocaram mais nenhuma palavra durante o café da manhã e logo depois Marina se levantou, antes dele, já estava satisfeita, ou fingia estar. Queria subir e descansar sua mente, guardar dentro de sua mente tudo o que estava aprendendo enquanto o observava.

— A louça não vai se lavar sozinha, limpe tudo o que sujou quando terminar.

A ruiva falou autoritária, e ele não lhe disse nada em resposta, nem balançou a cabeça para dar sinal de nada. Mas ela também o ignorou e seguiu seu caminho para a escada. Ela também observava a porta enquanto subia, sabia muito bem o que havia lá dentro e estava disposta a mata-lo se ele ousasse entrar ali.

Ela entrou em seu quarto e em sua cama se sentou, jogou fora o ar dos pulmões e relaxou os ombros, aquele homem não era o que ela pensava que era, não era um psicopata controlador como a policia o rotulava, mas também não era um príncipe encantado.

O telefone tocou a fazendo se assustar, estava distraída olhando o vazio do quadro à sua frente. Levantou e pegou seu telefone do gancho, era sua linha segura.

— Marina, nos informe a atual situação do prisioneiro.

— Permanece da mesma maneira, quase nunca fala e ainda não disse uma única palavra a respeito do dinheiro, senhor.

Aquele era seu comandante, o homem que a havia colocado naquela situação.

— Já deu inicio ao plano, agente?

— Senhor com todo o respeito eu não acho que esse seja mesmo o melhor jeito.

— Nós já discutimos sobre isso, Marina, essa é a sua missão e não pode em hipótese alguma falhar, você foi escolhida justamente para isso, não falhe.

— Sim senhor, o plano terá inicio hoje mesmo.

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