
Ascensão da Imperatriz
Capítulo 2
A umidade fria do templo budista parecia penetrar nos ossos, especialmente no outono. Elena sentou-se em meditação, mas sua mente não encontrava paz, pois uma dor fantasma latejava em seu ombro direito, onde antes havia um braço.
Era uma dor antiga, uma companheira constante que a lembrava todos os dias do preço que pagou para salvar seu filho. O braço se foi, sacrificado para aplacar a fúria de um rei tirano e garantir que seu menino, o príncipe herdeiro, vivesse para ver outro dia. Aquela memória, do aço frio e do sangue quente, ainda a assombrava em noites silenciosas como esta. Ela abriu os olhos, o silêncio do templo era seu refúgio, um mundo à parte da agitação da corte, mas hoje, algo quebrou essa tranquilidade.
Gritos e sons de algo sendo quebrado vinham de fora do pátio. A voz era estridente e cheia de arrogância, uma voz que Elena não reconhecia, mas cujo tom de crueldade era familiar demais.
"Sua serva inútil! Eu lhe disse para limpar este caminho e você ousa deixar uma única folha? Você está pedindo para morrer?"
Elena franziu a testa. Mesmo tendo se retirado dos assuntos do estado para viver uma vida de reclusão, ela ainda era a Imperatriz Viúva. A disciplina e a ordem dentro dos muros do palácio, mesmo em seu canto esquecido, ainda eram de sua responsabilidade. Uma perturbação tão vulgar não podia ser ignorada.
"Vamos ver o que está acontecendo, Ava", disse ela à sua única serva leal, uma mulher de meia-idade que a servia desde que ela era apenas uma consorte.
Ava ajudou Elena a se levantar, a preocupação gravada em seu rosto.
"Vossa Majestade, talvez seja melhor ignorar, a senhora escolheu a paz."
"A paz não significa permitir que a tirania floresça sob meu teto, Ava. Eu sou a mãe do Imperador, e este palácio ainda responde a uma ordem", respondeu Elena, sua voz calma, mas firme. A dor no ombro parecia pulsar com mais força, um presságio sombrio.
Apoiando-se em Ava, Elena caminhou lentamente para fora do templo, em direção ao pátio de onde vinha o barulho. Ao virar a esquina, ela viu uma jovem concubina, vestida com sedas e brocados da mais alta qualidade, chutando uma jovem criada que estava encolhida no chão. A concubina era a recém-chegada Concubina Chu, a favorita do Imperador, cuja fama de arrogância já havia se espalhado pelo palácio.
Elena deu um passo à frente, sua presença imediatamente atraindo a atenção do grupo. Sua túnica simples de algodão e a manga vazia do lado direito a faziam parecer uma serva mais velha, não a mulher mais poderosa do império.
"O que está acontecendo aqui?", perguntou Elena, sua voz carregando uma autoridade natural.
A Concubina Chu virou-se, seus olhos faiscando de irritação por ter sido interrompida. Ela olhou Elena de cima a baixo com desdém, seu olhar parando na manga vazia. Um sorriso de escárnio se formou em seus lábios.
"E quem é você, sua velha aleijada, para me questionar?"
Antes que Elena pudesse responder, a mão da Concubina Chu cortou o ar.
Um som agudo e estalado ecoou pelo pátio.
O rosto de Elena virou bruscamente para o lado, a ardência da bofetada se espalhando por sua bochecha. O mundo pareceu girar por um momento, o choque do ataque físico a deixando sem palavras.
Você pode gostar





