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Capa do romance Ascensão da Imperatriz

Ascensão da Imperatriz

A umidade fria do templo budista costumava ser um refúgio para Elena, a Imperatriz Viúva, um lugar para meditar sobre o braço que sacrificou para salvar seu filho, o Imperador. Mas hoje, gritos e a voz estridente de arrogância da Concubina Chu, a favorita de seu filho, quebravam a paz do palácio. Ela presenciou a concubina chutando uma jovem criada, com uma crueldade que Elena não podia ignorar. Ao intervir, esperando que sua presença dissipasse o tirania, Elena foi recebida com desdém. A Concubina Chu, cega por seu poder e pela crença de que Elena era apenas uma velha serva sem títulos, zombou de sua aparência humilde e de sua manga vazia. Um tapa estalou no ar, virando o rosto de Elena, um choque físico que a deixou sem palavras, algo que ninguém ousaria fazer. A violência da Concubina Chu só aumentou. Ela não apenas esbofeteou Elena, mas também empurrou e chutou cruelmente sua leal serva Ava, ordenando que seus guardas a espancassem. Enquanto Ava gemia de dor, a Concubina Chu zombava, revelando que o Imperador, seu próprio filho, lhe dera permissão para limpar o harém "de ervas daninhas" como Elena. O coração de Elena se gelou. Seu braço havia sido sacrificado por um filho que, agora, dava poder a um monstro. Em um último esforço para revelar a verdade, Elena proclamou sua identidade: "EU SOU ELENA, A IMPERATRIZ VIÚVA! MÃE DO IMPERADOR!". A resposta foi uma gargalhada histérica. A Concubina Chu a viu como uma impostora, uma "velha aleijada feia" que se atrevia a usar o nome sagrado da verdadeira imperatriz. Em sua loucura, a concubina ordenou que raspassem a cabeça de Elena, quebrassem seus membros e costurassem sua boca, ridicularizando sua dignidade. Com os lábios costurados e o corpo quebrado, Elena foi jogada em um saco e levada para a coroação de seu próprio filho. Lá, a Concubina o manipulou com mentiras, acusando Elena de traição e de ter um caso. Seu filho, o Imperador, cegado pela raiva e pelo engano, desembainhou sua espada. Um golpe gelado em seu peito, e a vida de Elena se esvaiu, seu último pensamento a imagem distorcida de um filho que a esfaqueou, tudo sob os olhos triunfantes da concubina. No entanto, o destino tinha outros planos.
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Capítulo 2

A umidade fria do templo budista parecia penetrar nos ossos, especialmente no outono. Elena sentou-se em meditação, mas sua mente não encontrava paz, pois uma dor fantasma latejava em seu ombro direito, onde antes havia um braço.

Era uma dor antiga, uma companheira constante que a lembrava todos os dias do preço que pagou para salvar seu filho. O braço se foi, sacrificado para aplacar a fúria de um rei tirano e garantir que seu menino, o príncipe herdeiro, vivesse para ver outro dia. Aquela memória, do aço frio e do sangue quente, ainda a assombrava em noites silenciosas como esta. Ela abriu os olhos, o silêncio do templo era seu refúgio, um mundo à parte da agitação da corte, mas hoje, algo quebrou essa tranquilidade.

Gritos e sons de algo sendo quebrado vinham de fora do pátio. A voz era estridente e cheia de arrogância, uma voz que Elena não reconhecia, mas cujo tom de crueldade era familiar demais.

"Sua serva inútil! Eu lhe disse para limpar este caminho e você ousa deixar uma única folha? Você está pedindo para morrer?"

Elena franziu a testa. Mesmo tendo se retirado dos assuntos do estado para viver uma vida de reclusão, ela ainda era a Imperatriz Viúva. A disciplina e a ordem dentro dos muros do palácio, mesmo em seu canto esquecido, ainda eram de sua responsabilidade. Uma perturbação tão vulgar não podia ser ignorada.

"Vamos ver o que está acontecendo, Ava", disse ela à sua única serva leal, uma mulher de meia-idade que a servia desde que ela era apenas uma consorte.

Ava ajudou Elena a se levantar, a preocupação gravada em seu rosto.

"Vossa Majestade, talvez seja melhor ignorar, a senhora escolheu a paz."

"A paz não significa permitir que a tirania floresça sob meu teto, Ava. Eu sou a mãe do Imperador, e este palácio ainda responde a uma ordem", respondeu Elena, sua voz calma, mas firme. A dor no ombro parecia pulsar com mais força, um presságio sombrio.

Apoiando-se em Ava, Elena caminhou lentamente para fora do templo, em direção ao pátio de onde vinha o barulho. Ao virar a esquina, ela viu uma jovem concubina, vestida com sedas e brocados da mais alta qualidade, chutando uma jovem criada que estava encolhida no chão. A concubina era a recém-chegada Concubina Chu, a favorita do Imperador, cuja fama de arrogância já havia se espalhado pelo palácio.

Elena deu um passo à frente, sua presença imediatamente atraindo a atenção do grupo. Sua túnica simples de algodão e a manga vazia do lado direito a faziam parecer uma serva mais velha, não a mulher mais poderosa do império.

"O que está acontecendo aqui?", perguntou Elena, sua voz carregando uma autoridade natural.

A Concubina Chu virou-se, seus olhos faiscando de irritação por ter sido interrompida. Ela olhou Elena de cima a baixo com desdém, seu olhar parando na manga vazia. Um sorriso de escárnio se formou em seus lábios.

"E quem é você, sua velha aleijada, para me questionar?"

Antes que Elena pudesse responder, a mão da Concubina Chu cortou o ar.

Um som agudo e estalado ecoou pelo pátio.

O rosto de Elena virou bruscamente para o lado, a ardência da bofetada se espalhando por sua bochecha. O mundo pareceu girar por um momento, o choque do ataque físico a deixando sem palavras.

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