
Ascensão da Imperatriz
Capítulo 3
O zumbido em seus ouvidos era mais alto que os gritos da concubina. Elena levou a mão ao rosto, sentindo a pele queimar. A confusão a dominou por um instante, ela não era agredida fisicamente há anos, não desde a morte de seu marido, o antigo rei. Ninguém ousaria.
A Concubina Chu, no entanto, não parecia nem um pouco arrependida, pelo contrário, parecia satisfeita com a reação de Elena.
"Você ousa me encarar? Uma serva insignificante como você?"
Ela se aproximou, o cheiro forte de perfume caro envolvendo Elena.
"Você acha que só porque vive neste canto esquecido do palácio, pode se intrometer nos meus assuntos? Eu sou a Concubina Chu, a favorita de Sua Majestade, o Imperador! Eu posso ter sua vida com uma palavra!"
Ava correu para a frente, colocando-se entre Elena e a concubina.
"Por favor, tenha misericórdia! Esta senhora não quis ofender!"
Elena tentou falar, sua voz ainda trêmula pelo choque.
"Eu sou..."
Mas a Concubina Chu não a deixou terminar. Com um gesto de desdém, ela empurrou Ava com força.
"Saia do meu caminho, sua cadela velha!"
Ava, já idosa, caiu pesadamente no chão de pedra. A Concubina Chu, em um acesso de fúria, chutou a serva leal bem no estômago. Ava gemeu de dor, encolhendo-se.
"Como ousa defender essa aleijada? Parece que vocês duas precisam aprender uma lição sobre quem manda aqui!"
Ela se virou para seus guardas eunucos.
"Batam nela! Batam nessa velha até que ela não consiga mais se levantar!"
Os guardas hesitaram por um segundo, mas um olhar mortal da Concubina Chu os fez obedecer. Eles avançaram e começaram a chutar e socar a indefesa Ava.
Elena assistiu, horrorizada. O som dos golpes e os gemidos de sua única amiga a paralisaram. Esta não era a arrogância de uma concubina mimada, era a crueldade de um monstro. O rosto bonito da Concubina Chu estava torcido em um prazer sádico enquanto observava a cena. Elena percebeu que a mulher que seu filho favorecia era podre por dentro.
"Pare! Parem com isso!", gritou Elena, a voz finalmente saindo forte e cheia de fúria.
A Concubina Chu riu, um som frio e cortante.
"Parar? Por que eu pararia? Sua Majestade me deu permissão para organizar o harém, para livrá-lo de ervas daninhas como vocês", disse ela, triunfante. "Ele me ama. Ele faria qualquer coisa por mim. Matar duas servas velhas não é nada."
Uma das aias da Concubina Chu, querendo agradar sua senhora, acrescentou.
"Isso mesmo! A senhora Chu está apenas limpando o palácio para Sua Majestade. É uma honra para vocês serem punidas por ela!"
O coração de Elena gelou. Seu filho, o menino por quem ela sacrificou seu braço, havia se tornado um homem que dava poder a um demônio como este? A dor no peito era mais aguda do que a bofetada no rosto. Em meio ao desespero e à dor de ver sua leal serva sendo espancada até a morte, Elena reuniu todas as suas forças.
Ela precisava detê-los, precisava fazê-los entender o erro catastrófico que estavam cometendo.
Com a respiração ofegante, ela se endireitou o máximo que pôde e olhou diretamente para a Concubina Chu.
"Você não sabe quem eu sou."
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