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Capa do romance As Cinzas do Amor, o Arrependimento de Archer

As Cinzas do Amor, o Arrependimento de Archer

Isabela amou Arthur por dez anos, desde que ele foi acolhido por sua família. Contudo, o sonho do noivado virou pesadelo ao descobrir que ele buscava vingança. Arthur a humilhou e permitiu que fosse agredida, agindo sob a influência de Amanda, a culpada pela morte da mãe de Isabela. Diante da traição cruel e do ódio cego do homem que jurou protegê-la, Isabela decide apagar seu passado, desaparecer e abandonar Arthur às cinzas de seu próprio arrependimento.
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Capítulo 2

Amanda Bastos chegou parecendo uma flor delicada prestes a desmaiar. Estava vestida com um vestido simples e pálido e segurava uma pequena bolsa como se fosse uma boia salva-vidas. Seus olhos estavam arregalados e lacrimejantes quando viu Isabela.

"Bela", ela sussurrou, a voz quase inaudível. "Estou tão feliz por você e pelo Arthur."

"Está mesmo?", respondeu Isabela, a voz afiada. "Não sabia que tínhamos te convidado."

Arthur imediatamente se adiantou, colocando um braço protetor ao redor dos ombros de Amanda. "Bela, seja gentil. Amanda é nossa convidada."

Amanda se encolheu contra ele. "Está tudo bem, Arthur. Eu sei que a Bela nunca gostou de mim. Eu não deveria ter vindo."

"Bobagem", disse Arthur, seu tom endurecendo enquanto olhava para Isabela. "É o aniversário da Amanda na próxima semana. Quero dar uma festa para ela aqui, para apresentá-la adequadamente aos nossos amigos."

Ele estava usando a casa deles para promover seu verdadeiro interesse amoroso, bem na frente de sua noiva. A audácia era de tirar o fôlego.

"Nós todos crescemos juntos", continuou Arthur, com uma falsa alegria na voz. "Somos família."

"Sim, família", ecoou Amanda suavemente, então deu um passo em direção a Isabela. "Bela, eu sei que tivemos nossas diferenças. Eu esperava... eu esperava que você pudesse me perdoar."

Antes que Isabela pudesse responder, Amanda fez algo extraordinário. Ela se ajoelhou.

"Por favor, Bela. Me perdoe. Eu só quero que todos nós sejamos felizes."

Era uma atuação digna de um prêmio. A pobre menina vitimizada, implorando por perdão da herdeira cruel. Isabela sentiu uma onda de raiva quente.

Amanda olhou para cima, seus olhos marejados de lágrimas, e lançou um olhar para Arthur. Era um apelo silencioso para que ele a resgatasse.

Arthur correu e levantou Amanda. "Amanda, o que você está fazendo? Você não precisa fazer isso."

Ele a segurou perto, acariciando seu cabelo enquanto ela soluçava em seu peito. Então ele virou seu olhar furioso para Isabela.

"Olha o que você fez", ele sibilou. "Você não consegue mostrar um pingo de compaixão? A família dela perdeu tudo por causa da sua. O pai dela perdeu o emprego, e eles têm passado por dificuldades há anos."

Isabela o encarou, perplexa. "Do que você está falando? O pai dela se aposentou com uma pensão integral. Meu pai deu a ele um bônus generoso."

"Não minta, Isabela!", a voz de Arthur era cortante. "Amanda me contou tudo."

"E você acredita nela?", a voz de Isabela falhou. "Você acredita nela em vez de mim? Em vez da minha família, que te acolheu?"

"Chega!", gritou Arthur. "Pare de ser tão cruel!"

A mente de Isabela girava. Era o aniversário da morte de sua mãe na próxima semana. O aniversário de sua morte em um incêndio na propriedade deles. Um incêndio que consumiu a pessoa mais importante de sua vida.

E ele queria dar uma festa para Amanda.

"Fora", disse Isabela, a voz baixa e trêmula de raiva. "Vocês dois, saiam da minha casa."

Arthur olhou para ela como se fosse um monstro. "Bela, eu não sei o que deu em você."

Ele tentou pegar a mão dela, mas ela a puxou de volta. Ele estava tentando apaziguá-la, manter seu plano de vingança nos trilhos.

"Vamos todos nos acalmar", ele sugeriu, sua voz suavizando para aquele tom falso e gentil que ela agora desprezava. "Por que não nos sentamos e conversamos sobre isso?"

"Eu estou indo embora", choramingou Amanda, interrompendo-o. Ela se afastou de Arthur, o rosto uma máscara de tragédia. "Estou apenas causando problemas."

Ela se virou e correu para fora da sala, seus soluços ecoando pelo corredor.

Sem hesitar um segundo, Arthur correu atrás dela. "Amanda, espere!"

Isabela ficou sozinha na grande sala de estar, o silêncio zumbindo em seus ouvidos. Ele sempre fazia isso. Ele sempre corria para protegê-la.

Ela se lembrou de quando eram adolescentes. Um grupo de garotos de uma escola rival a encurralou, zombando da riqueza de sua família. Arthur, que ainda era magro e baixo para sua idade, se lançou sobre eles sem pensar.

Ele era sua sombra naquela época, seu protetor. Ele entrava em brigas por ela, levando socos destinados a ela e nunca reclamando. Ele ficava na frente dela, seu corpo pequeno um escudo, e encarava qualquer um que ousasse olhá-la de forma errada.

Ele ficou com um olho roxo e um lábio cortado naquele dia. Ele passou a briga inteira garantindo que ela ficasse intocada.

Quando acabou, ele se virou para ela, sangue escorrendo de sua boca, e suas primeiras palavras foram: "Você está bem, Bela?"

Ela segurou o rosto dele em suas mãos, o coração doendo por ele. Ele era seu garoto feroz e leal.

Quando ele mudou? Quando sua lealdade se transferiu tão completamente para Amanda?

Isabela soltou uma risada amarga. Não importava quando. Tinha acontecido. O garoto que teria levado um soco por ela era agora o homem que ficaria parado e a veria queimar.

A festa para Amanda foi um evento grandioso. Arthur não poupou despesas. Ele transformou o salão de festas em uma terra de fantasia de flores e luzes cintilantes, tudo para apresentar a filha do caseiro à alta sociedade de São Paulo.

Amanda estava no topo da escada em um vestido feito sob medida, uma visão de beleza recatada. Ela sorriu timidamente enquanto Arthur pegava sua mão.

"Eu estou bem, Thur?", ela perguntou, a voz suave e cheia de falsa insegurança.

Era uma performance, e todos estavam acreditando.

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