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Capa do romance As Cinzas do Amor, o Arrependimento de Archer

As Cinzas do Amor, o Arrependimento de Archer

Isabela amou Arthur por dez anos, desde que ele foi acolhido por sua família. Contudo, o sonho do noivado virou pesadelo ao descobrir que ele buscava vingança. Arthur a humilhou e permitiu que fosse agredida, agindo sob a influência de Amanda, a culpada pela morte da mãe de Isabela. Diante da traição cruel e do ódio cego do homem que jurou protegê-la, Isabela decide apagar seu passado, desaparecer e abandonar Arthur às cinzas de seu próprio arrependimento.
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Capítulo 3

Os olhos de Arthur se suavizaram ao olhar para Amanda. Era um olhar de genuína ternura, um olhar que ele nunca dera a Isabela, nem mesmo quando a pediu em casamento.

"Você está linda, Amanda", disse ele, a voz uma carícia baixa. "Mais linda do que qualquer uma aqui."

Isabela sentiu uma dor aguda no peito, mas a reprimiu, substituindo-a por uma fúria fria. Ela caminhou em direção a eles, seus saltos clicando ruidosamente no chão de mármore.

"Ora, ora", disse ela, a voz pingando sarcasmo. "Se não é a convidada de honra. Você fica bem arrumada, Amanda. Para a filha de um empregado."

As palavras foram cruéis, e ela sabia disso. Mas a visão deles juntos, parecendo tanto o casal perfeito, havia arrancado sua compostura.

O rosto de Arthur endureceu, seus olhos se transformando em gelo. Ele olhou para Isabela com puro nojo. "Peça desculpas a ela. Agora."

Amanda puxou o braço dele, os olhos se enchendo de lágrimas. "Está tudo bem, Arthur. A Bela só está chateada. Eu entendo."

Ela se virou para Isabela, uma imagem de inocência ferida. "Nós éramos amigas, Bela. Lembra quando éramos pequenas? Compartilhávamos tudo."

"Ah, eu me lembro", disse Isabela, a voz perigosamente baixa. "Lembro de você sempre querendo o que era meu. Você até tinha um apelido para o Arthur, não é? 'Thur'."

O uso do apelido infantil foi uma provocação deliberada. Era um nome que apenas Amanda usava, um símbolo de sua história secreta e compartilhada.

Isabela viu um brilho de triunfo nos olhos de Amanda antes que eles se enchessem de lágrimas novamente.

"Você me deu este vestido, Thur", disse Amanda a ele, tocando suavemente o tecido de seu vestido. "É a minha cor favorita."

O sangue de Isabela gelou. Ela reconheceu o design. Era um dos seus, um esboço de seu portfólio particular. Um design que ela mostrara apenas para Arthur.

Ela se lembrou de Amanda tentando roubar seus esboços de design na faculdade, alegando que eram dela. Isabela ficara furiosa.

"Você é uma ladra, Amanda", disse Isabela, a voz tremendo de raiva. "Esse design é meu. Você o roubou, como sempre faz."

Amanda ofegou e tropeçou para trás, caindo no chão como se Isabela a tivesse golpeado. "Bela, não! Por que você diria isso?"

Ela se arrastou em direção a Arthur, agarrando a barra de sua calça. "Thur, me ajude. Ela está me assustando."

Arthur se ajoelhou, o rosto uma máscara de fúria dirigida a Isabela. Ele ajudou Amanda a se levantar, seu toque gentil. "Está tudo bem. Eu estou aqui."

Ele olhou para Isabela, e seus olhos estavam cheios de um ódio tão profundo que pareceu um golpe físico. "Você é inacreditável. Não suporta ver ninguém feliz, não é?"

Isabela sentiu seu coração se estilhaçar em um milhão de pedaços. Ele não acreditava nela. Ele nunca acreditaria nela.

Mais tarde naquela noite, ela se aproximou dele, segurando uma pequena caixa de veludo. Era uma oferta de paz, um esforço desesperado e de última hora. Dentro havia um par de abotoaduras de diamante antigas que ela comprara para ele.

"Arthur", disse ela suavemente. "Sinto muito pelo meu comportamento mais cedo."

Ele pegou a caixa sem olhar para ela. Abriu, olhou para as abotoaduras e depois caminhou até Amanda.

"Aqui", disse ele, entregando a caixa a ela. "Um presentinho para o seu pai."

Ele dera o presente dela, um presente destinado a ele, para a família da mulher que ele realmente amava. Foi uma rejeição tão total, tão completa, que ela mal conseguia respirar.

"Não se preocupe, Amanda", disse ele, virando-se para ela com um sorriso. "Vou te dar aquele estúdio de design que você sempre quis. O que você desejar."

Isabela os observou, uma onda de náusea a invadindo. Ela se virou para sair, querendo apenas escapar daquela exibição sufocante de afeto.

De repente, houve um barulho alto. Uma enorme escultura de gelo decorativa no centro da sala se desestabilizou e estava caindo. Estava indo direto para onde Amanda e Isabela estavam.

Em uma fração de segundo, Arthur se moveu. Ele se jogou na frente de Amanda, protegendo-a com seu corpo enquanto o enorme bloco de gelo se estilhaçava ao redor deles.

Ele nem sequer olhou para Isabela.

Um grande caco de gelo voou pelo ar, atingindo Isabela com força na lateral do corpo. A força do impacto a derrubou. Ela gritou de dor ao atingir o chão.

Sua visão ficou turva. A última coisa que viu antes de desmaiar foi Arthur segurando uma Amanda aterrorizada, sussurrando palavras de conforto em seu cabelo, completamente alheio ao fato de que sua noiva sangrava no chão a poucos metros de distância.

Ela acordou em um quarto de hospital branco e estéril. A primeira coisa que viu foi Amanda, sentada ao lado de sua cama, enxugando os olhos com um lenço de renda.

"Oh, Bela, você acordou", chorou Amanda, a voz embargada de falsa preocupação. "Eu sinto muito, muito mesmo. A culpa é toda minha."

Isabela apenas a encarou.

"Se não fosse por mim, você não teria se machucado", continuou Amanda, sua performance impecável.

"Você está certa", disse Isabela, a voz rouca. "A culpa é sua. Você é uma maldição. Tudo de ruim que já aconteceu comigo é por sua causa."

Amanda recuou, os olhos arregalados de choque. "Bela! Como você pode dizer isso?"

Arthur entrou naquele momento, o rosto uma máscara trovejante. "Como você pode ser tão cruel? Ela ficou ao seu lado a noite toda, preocupada com você, e é assim que você a trata?"

"Ela é uma atriz, Arthur", disse Isabela, olhando para além dele, para a janela. "E você é o fã mais devoto dela."

Ele ignorou as palavras dela. "Você sempre foi assim. Mimada, egoísta e cruel."

Isabela virou a cabeça lentamente para olhá-lo. "Você uma vez jurou que me protegeria, Arthur. Lembra disso?"

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