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Capa do romance As 40 faces do amor: Face 1- O marido substituto

As 40 faces do amor: Face 1- O marido substituto

Unidos por conveniência, uma esposa humana rejeitada e Ford, o filho preterido de um príncipe, veem seus destinos cruzarem após uma traição. Ao descobrir que sua ex-mulher vive, Teo abandona a família. Para evitar a prisão pelas rígidas leis de Isias Rar, ele transfere legalmente sua atual esposa para o irmão, o Ministro Ford. O que era apenas uma obrigação burocrática transforma-se quando o novo casal se conhece, mudando para sempre o futuro de todos.
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Capítulo 2

Sins a olhava surpresa e com uma ponta de tristeza. Sabia que agora era uma questão de tempo para que ela partisse para longe de Isias Rar, para uma mulher Djins como Sins aquele local era sua casa, era um local inóspito com um clima único que nenhuma outra terra possuía. Se Mirela fosse embora, nunca mais voltaria. Por um lado, ela entendia a humana: viviam na miséria, eram quase selvagens; a garota precisa cuidar sozinha de cinco crianças que nem mesmo eram dela. Nesse momento sentiu raiva de Teo, sentiu raiva de Lusa, sentiu raiva de si mesmo por não poder fazer nada, seus pensamentos foram interrompidos pela algazarra das filhas gêmeas que entravam com Miro, seguido de Magoou, pensativo. Mirela observou o pequeno bruxo, questionando:

— O que foi, Magoou? Algo aconteceu?

Miro se sentou próximo à parede, no chão — as casas das vilas mais pobres em Isias Rar não possuíam móveis como as humanas —, enquanto o pequeno bruxo pulava nos braços da humana abraçando-se a ela. Mirela questiona:

— Onde está Teo? Ele não estava com vocês?

Miro respira fundo, nem conseguindo acreditar no que havia acontecido, e antes que pudesse dizer algo, Magoou disse:

— Aquele idiota do Teo foi atrás de uma daquelas Armadas Djins que apareceu em um vilarejo no litoral. Aquele idiota acha que o Comandante da Armada pode ser a Lusa.

— O que, Magoou?

Miro fala sem ânimo:

— Sim, Mirela, soubemos por alguns nômades que há alguns dias uma das Armadas tem estado pelos vilarejos do litoral, o Comandante é um homem misterioso sobre quem ninguém havia ouvido falar antes, diz que tem conhecimentos de cura e está ajudando os doentes, realizando a guarda daquelas localidades e matando e expulsando Sirens que tentam tomar aquelas terras. Como sempre, quando Teo ouve um relato desses... Ele foi imediatamente atrás do comandante com a esperança de que fosse Lusa.

Mirela olha para Miro, a decepção em seu rosto é visível. Um sorriso desanimado tomou conta de seus lábios. Ela olhou para Sins, balançou positivamente a cabeça, constatando:

— Entendo, ele jamais vai deixar de pensar nela.

Mirela disse mais para si do que para os outros. Colocando Magoou no chão, pegou seu arco e flecha, colocou algumas roupas em uma mochila, as poucas que ainda possuía, beijou as crianças e, se dirigindo para fora da casa, o pequeno de Bruxo protesta:

— Mirela, aonde vai? Não vai atrás do idiota do Teo, fique aqui.

Miro responde com voz séria:

— Magoou, deixe, Mirela precisa ficar sozinha agora. Não podemos ajudar.

Magoou faz uma expressão arrasada enquanto a observa se afastando devagar, saindo para dentro da floresta. Mirela queria ficar um pouco sozinha para pensar, não aguentava mais aquela situação, estava ao lado dele há três anos, e em nenhum momento Teo havia cogitado parar de procurar por Lusa. Sentiu-se uma idiota, naquele tempo todo não pensou nos pais, nos irmãos e no avô que desde que se casara, não via mais, pensou no sofrimento que estava causado a esses, estava abrindo mão de todos que amava para ficar ao lado de alguém que a abandonava pela mera possibilidade da presença de uma morta ou de uma mulher que havia resolvido trocar de vida, abandonando o marido e os filhos. Enquanto pensava, Mirela continuou a andar, só percebeu que havia andado por horas quando viu que o sol estava se pondo no céu.

Sentou-se sobre um amontoado de pedras e neve, sempre nevava em Isias Rar, mesmo com o calor insuportável que fazia naquela terra. Sentou-se perto de um rio, ficou observando, tentando achar uma saída para sua situação. Odiava Isias Rar, odiava a vida miserável que levava, sabia que sentiria falta de seus amigos, mas não suportaria ver Teo ao lado de Lusa, não seria sua segunda esposa, e se ele fizesse a Cerimônia de Resignação, seu casamento com ele se tornaria inválido.

Queria ir para a Terra Antiga naquele momento, mas não havia essa possibilidade. As lágrimas escorriam de seus olhos em cascata, estava exausta daquela situação, estava disposta a desistir de tudo e partir sem olhar para trás. Foi desperta de seus pensamentos intempestivamente:

— O que faz aqui? Você é Humana, não é?

Mirela ergueu os olhos por um segundo, sem nem ao menos precisar se virar na direção da voz que lhe falava, tudo o que não precisava era de algum oficial Djin, teria de dar muitas explicações do motivo de estar andando sem seu marido por Isias Rar. Seus olhos castanhos se apertaram, ela disse frustrada:

— Só o me que faltava.

— Responda, você é Humana?

Insistiu com seu tom de voz grave e imperativo, sem se mover de onde estava, atento, observando ao redor deles e qualquer reação da jovem humana. Mirela responde com certa irritação na voz:

— O que você quer? Não pode me deixar em paz apenas hoje, seria muito pedir isso a um Djin?

Ela voltou seus olhos na direção de quem lhe falava, estava com problemas, já havia visto aquele Djin poucas vezes em sua vida, mas sabia quem era ele. Ford era o irmão mais novo de Teo, ao contrário do irmão mais velho, um Djin. Ford era um mestiço de Youkai e Djin, o que lhe deixava muito diferente da maioria dos homens daquele povo, seu rosto era bem menos delicado, possuía os traços fortes da raça de sua mãe, embora ninguém pudesse negar Ford era um Djin poderoso e temível como todos os Ministros de Isias Rar.

A forma como ela falou o fez rir, ninguém tinha coragem de lhe falar daquela forma, muito menos um humano, foi só depois que percebeu que conhecia a humana em questão, era a esposa de Teo, teve de admitir para si mesmo sempre admirou a coragem da nova esposa de seu irmão, embora achando que ela era uma tola por abandonar tudo por Teo. Pensou um pouco, aquela situação despertou sua curiosidade e preocupação: o que estaria incomodando aquela humana? Ela parecia estar sozinha. Onde estava seu irmão? Nem mesmo os sobrinhos pareciam estar ali. Ford se moveu depressa até próximo de onde Mirela estava, parou de pé à sua frente, e questionou:

— Isso são modos de falar com um parente? O que está fazendo sozinha? Quer ser presa, sequestrada? Qual o problema? Está querendo morrer?

Mirela estava tão cansada daquela situação toda, não queria ter de lidar com o cunhado. Para ser Ministro daquele vilarejo, com certeza Ford era um tirano cruel, só isso explicaria o motivo do próprio Imperador Djin tê-lo nomeado. Naquele momento o encarou sem se importar com o que aconteceria, respondeu:

— Me deixa adivinhar... Agora vai dizer que me matará pela minha insolência e mais uma série de coisas sem sentido que só um Djin diria, e ainda vai falar sobre eu ser uma Humana nojenta e burra?

Ela suspirou com uma visível irritação, Ford parecia um pouco surpreso com a reação da garota. Nunca em sua vida um ser humano ousou falar daquela forma com um Djin, ainda mais sendo um ministro. Mirela se levantou de onde estava sentada, dando alguns passos para longe sem sequer olhá-lo. Aquilo começou a preocupá-lo, não podia deixar a esposa do irmão partir. Rosnou tentando parecer ameaçador:

— Aonde vai? Não lhe dei permissão para partir.

— Não necessito de sua permissão, Ministro Ford.

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