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Capa do romance Arrebatados no Amor

Arrebatados no Amor

Enzo Cooper vive sob os holofotes, aproveitando a fama sem criar laços afetivos. No entanto, sua rotina de desapego é abalada ao conhecer Cristtine Miller, uma jovem romântica que busca um amor verdadeiro. Embora a conexão entre o astro e a sonhadora seja intensa, eles logo enfrentam segredos e egos inflados que colocam tudo em risco. Entre escolhas difíceis e pressões externas, o casal precisa descobrir se a paixão resistirá aos obstáculos do destino.
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Capítulo 3

CAPÍTULO TRÊS (Enzo Cooper)

Bem, abra sua mente e veja como eu. Considere outros planos, e caramba, você se libertará. Olhe para seu coração e encontrará amor. Escute a música do momento, pessoas cantam e dançam. Nós somos só uma grande família e é nosso direito divino sermos amados.

- Jason Mraz, I'm Yours

Foi quase impossível não ver a pele pálida de Cristtine se transformando em um tomate vermelho ao me ver de toalha em frente ao meu quarto. Eu poderia estar me achando por causar aquele efeito em uma mulher como ela, mas não. Desde que soube que entraria em turnê com a Cristtine, eu prometi para mim mesmo que não. Não dormiria ou teria qualquer envolvimento que não seja profissional com ela.

A Cristtine por mais foda que conseguia ser em suas músicas e shows, era diferente. Eu podia sentir. Só era ouvir suas músicas que esbanjavam amor e sonhos de fantasias a dois das quais eu nunca acreditaria. E eu nunca poderia querer nada com ela, mesmo ela sendo absolutamente linda e um absurdo de gostosa.

Eu, Enzo, sem nenhum rótulo, não brincaria com sentimentos de nenhuma mulher. Não aos trinta e seis anos de idade. E era esse o motivo de eu nunca ter entrado em um relacionamento. E por isso também, a fama do "Enzo Galinha Pegador Cooper".

E como prometido, eu estava indo ao quarto de Cristtine como ela havia pedido. À medida que eu me aproximava da porta conseguia ouvir pequenas notas sendo entoadas em um violão. Sorri e bati na porta.

- Um minuto. - Sua voz soou baixa.

Esperei alguns segundos até ela abrir a porta.

- Ah, oi, Enzo! – ela sorriu assim como eu. - É... pode entrar. – E rapidamente desviou os olhos dos meus.

Não deixei de notar que os seus olhos cor de mel estavam avermelhados e inchados. Ela estava chorando? Quando entrei em seu quarto, pude ver seu violão na cama junto com um caderno e uma caneta.

- Ah, desculpa. Eu estava compondo. – Cristtine tirou o violão da cama e guardou o seu caderno rapidamente.

- Você estava chorando? – abri a boca pela primeira vez desde que cheguei em seu quarto.

Ela parou por um segundo ainda de costas, e eu senti a tensão pressionando os seus ombros, mas mesmo assim ela virou de frente para mim novamente.

- Não! - ela tentou sorrir, mas falhou.

- Tem certeza? - Insisti.

- Você não entenderia. – Cristtine abriu os braços de maneira dramática e soltou a respiração.

Ela parecia tensa demais. E eu nunca a tinha visto assim. Só conhecia sua versão descolada e animada que ela sempre mostrava ao público. Era uma mulher forte, mas isso não a deixava imune aos pontos baixos da vida.

- Tem razão. – Eu voltei a falar. - Mas eu posso te ouvir.

Havia duas almofadas no chão, perto da imensa janela de vidro, eu me sentei em uma e indiquei a outra para ela. Cristtine sorriu e se sentou ao meu lado.

- Eu preciso desabafar, mas a única amiga que eu tenho está ocupada demais planejando nosso show hoje á noite. Show que será daqui a três horas e eu estou um caco. Se eu começar a falar, eu não vou conseguir me segurar. - Ela deu um sorriso triste brincando com as mãos.

- Eu não posso deixar você subir em um palco sabendo que não está bem. A não ser que me fale o que aconteceu e eu puder ajudar de alguma forma. – falei paciente e tentei sorrir.

Ela ficou em silêncio por um instante enquanto mordia o lábio, concentrada demais, e ela estava tão atraente e sexy daquele jeito.

- O Isaac... – Cristtine começou a falar, hesitei por um instante, mas ela continuou. - Nós terminamos, bem, eu terminei. – Ela fechou os olhos. - Não daria certo. Eu sempre soube disso, mas como eu ainda acreditava em contos de fadas, insisti nisso. No início eu era feliz, muito. Ele me apoiava em tudo, mas daí ele começou a mudar e me tratar de uma forma tão comum, tão insignificante. Eu não podia deixar que ele estragasse o que eu demorei anos para construir. Mas também não poderia deixar que ele se fosse... – ela baixou os olhos e seus olhos estavam marejados. - Por mais durona que eu demonstro ser, eu não sou. Eu sou forte, e ao mesmo tempo sou fraca. Sou amada por muitos, mas ao mesmo tempo não. Eu só queria que tudo fosse mais simples. Eu não estou chorando por ele. Mas por tudo o que eu tentei construir, e ele desfez, e me deixou ir... - ela ficou em silêncio por alguns minutos. - Falei muito, não foi? - sua risada saiu doce.

- Não. - Eu estava sério. - Você o amava?

Ela parou por um minuto. Ficou pensativa e parecia buscar fatos do fundo de sua memória para responder aquilo. Mas a sua expressão só era de raiva, não de sentimento nostálgico.

- Não mais. – Ela concluiu, e de alguma forma eu havia ficado feliz por ouvir aquela resposta.

- Então você fez a escolha certa. – Eu dei de ombros.

- Fiz? – ela me encarou, os olhos cintilando.

- Sim. Primeiro; se você não o amava qual era a necessidade de estar junto? Algo carnal, talvez. Mas isso qualquer pessoa pode te dar. Ou talvez por medo da solidão. Mas se não há amor, não consigo entender por que insistir em um relacionamento. – Fui sincero com a mulher que me olhava boquiaberta. – Segundo; para você ser feliz, você tem que se amar primeiro, ser completa, e saber que existem vários amores por aí. O que você não pode deixar é que nenhum desses atrapalhe seus sonhos e metas e a faça esquecer quem você realmente é. Terceiro; se ele também amasse você, ele estaria aqui agora. Estaria te apoiando em cada escolha sua e não sendo o motivo de suas lágrimas no dia de hoje. Então, Cristal...

Ela hesitou quando a chamei daquele jeito. Enxuguei uma lágrima que descia do seu rosto.

- Você realmente vai chorar por alguém como o Isaac Carson? - fiz uma careta. - Você é amada por milhões de pessoas, é linda e é só você estalar os dedos que eu sei que homens aos seus pés não faltarão.

Ela sorriu me fazendo olhar para seus lábios se esticando e naquele momento eu desejei beijá-la, tirando todo o foco que eu havia forçado para mim mesmo que manteria.

- Você já amou? - ela me surpreendeu com essa pergunta.

Fiquei confuso com o rumo da conversa. Mas não precisei pensar. E fui breve em minha resposta.

- Não, eu nunca amei. Acho que não sou capaz disso.

- Conta outra. – Cristtine sorriu. - E todas aquelas músicas é inspiração de quem?

- Eu me imagino no lugar de alguém e escrevo. – Dei de ombros.

Cristtine me olhou séria, tentando desvendar alguma coisa em minha expressão que provasse que eu estava mentindo e eu que eu já fui apaixonado por alguém. Ela desistiu e eu sorri, como um vencedor.

- Obrigada, Enzo. - Ela sorriu e se aquele sorriso foi para mim, eu era o cara mais sortudo do mundo. - Desculpa por encher seu saco com meus problemas.

- Você não fez nada. Gosto de saber os sentimentos profundos de Cristtine Miller. - brinquei e ela sorriu mais uma vez.

Ficamos em silêncio por mais alguns segundos. E estranhamente, aquilo não me deixou incomodado, não me deixou inquieto. Era ali onde eu realmente estava gostando de estar. E isso é raro, nunca fico satisfeito estando ao lado de uma mulher apenas conversando. Mais uma prova de que Cristtine era diferente.

- Eu não quero estragar nossa abertura hoje. – Cristtine lamentou.

- Então não vai. – Eu me levantei e ela logo em seguida, lhe estendi a mão. - Se você não quer estragar, não vai. Você é aquilo que você quer. Então, você vai subir comigo naquele palco hoje e vamos fazer valer a pena cada ingresso comprado.

- Mas a gente nem ensaiou pela última vez. – Ela choramingou.

- Eu sou ótimo em improvisos. - Abri a porta. - Vai entrar ou cair fora?

- Vou entrar. - Ela levantou a cabeça em desafio.

- Então te vejo no carro. – Eu disse enquanto dava um pequeno sorriso.

Sua respiração mudou e ela engoliu em seco com a bochecha rosada.

- Tchau, Enzo. - Ela fechou a porta.

Segui sorrindo pelo corredor. Nada era mais excitante do que vê-la corar.

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