
Aprendendo sobre amor
Capítulo 2
No dia seguinte, Laura estava de frente para o seu chefe, doutor Rogério Bennett, dono da empresa em que trabalha, Sky Bennett’s, ele analisava novamente o contrato de um projeto o qual deveria ser entregue a um possível parceiro da empresa no mercado de publicidade e advocacia.
— A correção ficou ótima, Srta. Braga, meus parabéns. — a elogiou.
— Obrigada, Sr. Bennett. — agradeceu tentando não parecer tensa.
— Eu preciso que você fale com o advogado da McCoy's Stars, e tente marcar uma reunião para
entrar em um acordo. — ele informou a encarando por fim — Esse acordo é de suma importância para nós.
Entregou-lhe uma pasta preta com os documentos do processo judiciário ao qual estava
sofrendo devido à empresa rival.
— Sim, Sr. Bennett, farei isso imediatamente. — respondeu pegando a pasta.
— Ótimo, está dispensada! — disse com um aceno de mãos.
Balançando a cabeça, ela apenas levantou e saiu rumo a sua sala.
— Laura, Laura, ainda tentando?
Eduardo estava parado, recostado a parede do corredor com um sorriso cínico.
— Alguém precisa, não é?
— Se eu fosse você, desistia enquanto ainda é tempo. — comentou se aproximando.
— Por que você não vai se ferrar e me deixa em paz?
— Prefiro ver você se ferrando primeiro. — gargalhou levemente e saiu calmo.
Cada palavra dele a deixava muito irritada, tinha vontade de agredi-lo ali mesmo,
entretanto, pensava em sua carreira e o Sr. Bennett a demitiria imediatamente, sem esperar a menor explicação.
Resolveu passar no banheiro primeiro, antes de ir a sua sala, jogou um pouco de água no rosto, tentando acalmar os ânimos, poderia fazer alguma besteira.
— Srta. Braga! — a secretaria a chamou.
— Sim?
— Há um rapaz em sua sala, ele disse que precisava falar com a senhorita urgentemente, que combinaram no dia anterior. — ela respondeu prontamente.
De sobrancelhas arqueadas, Laura continuou seu percurso e entrou na sala ignorando totalmente a presença da mulher, não lembrava de ter marcado reunião com alguém, talvez a pessoa tenha se confundido.
De costas para ela, observando pela enorme janela de vidro, encontrava-se um rapaz, num terno cinza justo, muito bem alinhado, e sapatos pretos lustrosos aparentemente muito caros, pela postura deveria ser alguém importante.
Tinha cabelos pretos e pele bronzeada e ela rapidamente o reconheceu, de maneira alguma esqueceria aquele ar cínico e sexy ao mesmo tempo.
— Bom dia. — disse após terminar a observação.
O rapaz se virou, revelando o rosto conhecido.
Ele tinha olhos escuros, contrastando com a pele bronzeada e um belo sorriso no rosto jovial, sua gravata, perfeitamente alinhada sobre a camisa azul-céu, lhe dava um ar mais formal do que de costume, aquilo realmente mexera com ela.
Sentiu a boca seca, não era do tipo que ficava interessada em um homem logo após conhecê-lo, mas tinha que admitir o quanto Ethan sabia lhe tirar do sério, mesmo que aquela fosse a segunda vez que o via.
— Bom dia, Srta. Braga. — respondeu em um tom calmo e suave — Foi bem difícil encontrá-la sem saber seu nome, mas, eu disse que sou persistente.
— Pensei que ia desistir caso eu não mandasse mensagem. — fingiu desinteresse.
Ela queria saber até onde essa história chegaria, no entanto, saber que Ethan era um dos donos da empresa rival anulava qualquer possível chance de envolvimento entre eles, já que Laura poderia muito bem perder o emprego.
Ethan diminuiu o espaço entre eles dando a volta pela mesa, parando defronte a ela, um sorriso suave pairava em seus lábios, os olhos dele brilhavam e tudo o que Laura conseguia fazer era observar os lábios que infelizmente lhe pareciam convidativos.
Engoliu em seco.
— Sente-se, por favor, Sr. Ethan McCoy. — ela pediu com certo deboche e ele o
fez.
Laura dirigiu-se a sua cadeira, jogou a pasta sobre a mesa e sentou-se.
— Só para deixar claro, não vamos sair, você é um dos donos da empresa rival o que coloca o meu emprego em risco. — comentou com a expressão séria.
— Ser “dono” é uma palavra forte, porém, meu pai deixou metade da herança para mim, é verdade. — coçou o queixo — Caso ajude na sua decisão, podemos deixar tudo em segredo, não tenho objeções quanto a isto, mas, eu sei que não irá resistir a mim por muito tempo.
Ela deu de ombros, tentando parecer indiferente.
— Não vai rolar, me dediquei muito a minha carreira para perder tudo agora.
— Tudo bem, Srta. Braga, eu entendo o seu ponto de vista. — respirou fundo — Sempre há a opção de deixar a carreira de lado por um tempo e se divertir um pouco.
— Olha bem para a minha cara e veja se sou o tipo de mulher que aceita depender de homem. — resmungou — Já está enchendo minha paciência, é melhor sair daqui antes que eu o acerte bem nos países baixos.
Ele apenas sorriu e encarou a janela atrás dela.
— Desculpe, estou acostumado com outro tipo de mulher, porém, é sempre bom mudar de hábitos. — levantou-se — Que horas eu posso passar no seu apartamento?
— Foi divertido até agora, mas, já está passando dos limites. — respondeu — Apenas saia da minha sala, ao contrário de você eu preciso trabalhar.
O sorriso de Ethan aumentou rapidamente, a conversa não estava tomando o rumo que ele queria e isso não lhe pareceu de todo mal.
— Posso propor um acordo? — perguntou.
— Você é surdo? — ela praticamente berrou — Hum, desculpe.
Ethan suspirou tentando encontrar uma saída para a situação.
— Tenho alguns assuntos a tratar agora, mas faço questão de leva-la para almoçar, mais tarde. — informou se levantando — Continuarei aqui na empresa, qual o seu horário de almoço?
— Simplesmente já deu para mim, acho que o seu ego tapou seus ouvidos. — protestou.
— Eu pergunto a secretária o seu horário de almoço. — ele apenas lhe dirigiu uma piscadela e saiu sem esperar que ela respondesse algo.
Laura sentou-se novamente e passou a encarar a porta por qual o rapaz acabara de passar, confiante de que iriam almoçar juntos… realmente ela queria recusar?
Foi impossível não rir, Ethan era um idiota acima de tudo, mas, ela poderia usar aquele almoço como uma chance de tirar vantagem sobre o processo judicial pelo qual às duas empresas estavam passando.
O restante da manhã passara mais rápido do que esperava, Laura anotou algumas perguntas chaves em sua agenda para que não esquecesse os detalhes mais importantes.
— Que fique claro, aceitei almoçar com você apenas para tratarmos de alguns assuntos importantes. — comentou colocando o cinto de segurança.
Estava sentada no banco do passageiro do carro do Ethan, o encarando.
— Bom, nesse caso vai acabar se decepcionando. — respondeu — Quem cuida dos assuntos da empresa é o meu irmão mais velho, Ezra.
— E o que você faz na empresa?— virou-se para ele — Não me diga que sua vida se resume a gastar dinheiro com mulheres.
Ele franziu o cenho.
— Meu irmão disse a mesma coisa mais cedo — gargalhou levemente — Ezra é quem comanda tudo desde que o nosso pai morreu, eu apenas sirvo para assinar alguns papéis quando necessário.
— Esse almoço está cancelado. — resmungou retirando o cinto — Com esse terninho arrumado, os sapatos caros, cabelo alinhado... eu realmente achei que você seria útil para alguma coisa.
Era bom demais para ser verdade, ela pensou, quando finalmente acreditou estar nas rédeas da situação, se depara com um idiota que não tem a menor noção do que significa trabalho duro.
— Se continuar assim vai acabar me ofendendo.
Ethan a puxou pelo braço, impedindo que abrisse a porta.
— Fique por favor, eu garanto que meu interesse em você é verdadeiro.
Ela arqueou as sobrancelhas.
— Desculpe, não pareceu tão estranho quando eu pensei nessa frase. — Ethan franziu o cenho.
— Eu não quero perder meu emprego, estou perto de ser promovida, uma demissão atrasaria minha carreira, e muito! — se desvencilhou do aperto dele — Além do mais, eu prefiro homens que gostem de trabalho tanto quanto eu e ainda são aptos a ter responsabilidades.
— Laura, eu só quero almoçar com você, nada demais. — disse a encarando — Mas, claro que eu também quero te convidar novamente para sair, um jantar talvez, porém, acredite quando digo que você é a única mulher que me fez sentir um interesse genuíno.
— Sabe quantos homens me disseram isso ao longo da minha vida?
— Olha, você precisa relaxar um pouco, está muito tensa.
— Vai se ferrar!
— Ei, esse tipo de palavreado não combina com você. — estalou a língua — E se eu prometer te ajudar com seja lá o que você quer e ainda me esforçar mais dentro da empresa, eu posso até tentar acordar cedo para ir trabalhar e essas coisas de gente adulta.
— Quantos anos você tem? Dez?
Ethan tombou a cabeça levemente para o lado.
— Vai almoçar comigo ou não?
— Se prometer que vai mesmo ajudar, eu aceito.
— Ora, nem foi tão difícil.
— Um almoço apenas, nada de gracinha, e qualquer assunto desagradável vai me dar o direito de agredi-lo por justa causa.
— Você tem sérios problemas de raiva, não me admira estar solteira. — comentou rindo.
Infelizmente acabou se arrependendo diante do olhar furioso que recebera, engoliu em seco, não sabia o que dizer para amenizar a situação constrangedora em que estava.
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