
Aprendendo sobre amor
Capítulo 3
— Foi uma brincadeira estúpida, sinto muito. — se desculpou.
Laura apenas ficou em silêncio, no final de tudo, o cara idiota, sexy e voz excitante era apenas isso... um
idiota.
— Foi um desprazer conhecê-lo, Sr. McCoy. — virou o rosto rapidamente — E eu sei que tenho problemas de raiva, não preciso que me digam isso.
Pegou sua bolsa e abriu a porta do carro, fechando-a com força ao sair, caminhando furiosa até seu próprio carro, se pudesse iria para casa e permaneceria o resto do dia por lá, sem a presença de ninguém, inclusive de homens.
Ethan respirou fundo, desde que se conheceram, todas as suas palavras e ações contribuíam para que os dois discutissem, a raiva era uma amiga constante de Laura, o que lhe parecia levemente fofo.
Observou o carro dela dando partida e saindo em alta velocidade.
Uma mulher difícil de lidar, ela o atraía sem nem mesmo se esforçar para isso, com certeza continuaria insistindo, mesmo que fosse para tê-la apenas uma noite, sempre preferiu as calmas, aquelas não costumavam responder ou alterar a voz, mas daquele momento em diante, Laura era o seu tipo preferido, mais do que isso, era a única que ele queria.
O problema seria manter esse segredo longe dos ouvidos do irmão mais velho, o qual era muito rígido e centrado, quando se tratava da empresa e poderia achar que Laura o estava usando, o que não deixava de ser verdade.
Ligou o veículo, saindo calmamente, esperaria até ela se acalmar, para tentar uma nova investida, caso não
funcionasse, teria que apelar, e ele não via problema algum em o fazer, sentiu o celular vibrar no bolso da calça, esperou chegar ao semáforo que estava fechado, antes de pegá-lo para verificar.
Havia duas mensagens de Ezra, seu irmão, e várias de Patrícia, diretora do RH, o celular continuava vibrando, a garota estava frenética, mesmo que fosse algo importante, teria que esperar.
******
Quando Laura retornou do almoço, que comera de forma solitária, sentiu certo incomodo.
Apesar de Ethan lhe parecer um grande imbecil, a princípio ele não lhe era tão mal, talvez o momento não tivesse sido propício para aquela conversa e ela mesma devia admitir que não era nenhuma flor delicada, sempre acostumada a homens estúpidos e machistas, os quais a faziam se sentir obrigada a estar na defensiva.
Olhando para o cartão de visitas dele dentro da sua carteira, sorriu ao lembrar de Ethan falando sobre querer levá-la para jantar, seu estresse diário acabava com o bom humor e autoestima, precisava de uma noite de sexo, com certeza ele desapareceria no dia seguinte sem cumprir o acordo, mas, se divertir um pouco não seria mal.
O celular vibrou freneticamente.
Observando a tela, percebeu que um número desconhecido lhe mandava mensagem, abrindo, por pensar
tratar de algum possível cliente da empresa, compreendeu que na verdade tratava-se de Ethan, pedindo desculpas novamente e lhe pedindo uma nova chance.
“Mande-me flores e algum presente caro, ainda hoje, e quem sabe posso pensar na possibilidade de um jantar.”,digitou com um sorriso cínico nos lábios.
Acreditava ser perigoso aquele “jogo” com Ethan, porém, depois de mais um encontro desagradável com
Eduardo sentia que sua confiança não estava tão forte quanto antes, Sr. Bennett também começara a agir de forma estranha com ela.
“Deseja um presente em específico?”, sentiu o celular vibrar novamente.
“Não, mas quanto mais caro, melhor!”
“Providenciarei imediatamente, Srta. Braga.”
Laura não se importava com o presente, na verdade, também detestava receber flores, achava um grande
desperdício, entretanto, a provocação em meio a tensão sexual lhe deixava ainda mais excitada.
— Conheço esse sorriso! — Andreia fala a assustando — Bati na porta, mas, não me escutou, certo?
Ela balançou a cabeça constrangida.
A mulher a sua frente era bem mais velha, na faixa dos cinquenta anos, cabelo devidamente preso, roupa impecável, um dia fora totalmente ruiva, agora os fios grisalhos se mostravam fortemente.
— Tome cuidado, já te disse que você é péssima para escolher homens. — Andreia sentou-se.
Segurava uma fina pasta em mãos.
— Está sob controle dessa vez, sei o que estou fazendo.
As duas eram amigas há cinco anos, quando Laura começou a trabalhar na empresa Andreia já estava lá, foi a única que mostrara empatia com a novata, portanto, as duas se ajudavam mutuamente.
— E quem é? — questionou arqueando as sobrancelhas.
— Ninguém menos que Ethan McCoy.
— Da empresa McCoy’s Stars? — Andreia estava surpresa.
— Sim, nos conhecemos ontem na hora do almoço, mas, eu não sabia quem ele era e suponho que nem ele sobre mim. — respondeu — Se acontecer algo, será apenas sexo, não se preocupe.
— Se o Sr. Bennett ao menos desconfiar, vai fazer da sua vida um inferno. — sussurrou.
Laura suspirou, antes de mostrar um leve sorriso.
— Ele só vai saber se você contar!
— Não faz isso comigo, Laura, vai acabar se metendo em encrenca e me levando junto.
— Andreia, relaxa por favor, eu estou muito estressada, cansada e ansiosa, no mínimo eu mereço uma noite de “descanso”. — gargalhou levemente.
Não costumava se abrir daquela maneira para muitas pessoas, depois que sua mãe morreu de câncer, sobrara apenas Andreia, em quem confiava cegamente.
— Certo, ao menos ele é bonito? — perguntou curiosa — O irmão, Ezra é muito “gato”, se forem parecidos, não vai se arrepender.
— Ele é um “gato”, mas não consegui reparar se é bem-dotado ou não. — soltou risinhos.
— Você não presta, Laura, nem sei como ainda me surpreendo.
— Melhor do que sofrer por homem. — comentou respirando fundo.
— Sr. Bennett pediu para entregar isso, parece que o seu Ethan, trouxe em nome do advogado. — disse com um leve deboche, ao pronunciar o nome dele.
Revirando os olhos, ela pegou a pasta.
— Deve ser a respeito do processo, depois eu olho, tenho que entrar em contato com o advogado para marcar uma reunião.
— Tudo bem, mas lembre-se de fazer o mais rápido possível, é algo importante e o Sr. Bennett quer arrancar o couro de alguém, ainda essa semana. — informou se levantando.
— Farei antes do final do dia.
Andreia assentiu antes de se retirar, lhe dando uma leve piscadela, ao mesmo tempo que um entregador parou a frente de sua porta, o rapaz adentrou com cautela, segurava um buquê de flores e uma cesta grande de doces, com um urso de pelúcia.
— Srta. Braga? — questionou.
— Sim!?
— Me pediram para entregar essas encomendas, onde coloco?
— Pode deixar em cima da minha mesa, mesmo. — respondeu.
O rapaz fez o que ela mandara.
— Irei buscar o resto, volto já. — se retirou apressado.
Entre as flores havia um cartão na cor preta, com letras douradas, escrito o seu nome.
“Acredito que seja algum tipo de teste, onde qualquer resposta seria errada, por isso me esforcei muito!
Atenciosamente, Ethan”
O sorriso retornou aos lábios, era tudo muito supérfluo, mas saber que um home se esforçava para
chamar sua atenção, mesmo sem a certeza de sucesso, era impagável, fez sua autoestima elevar-se ao máximo.
O rapaz retornou trazendo três caixas, uma em questão era maior e aparentava ser bem mais pesada do que as outras, ele as colocou sobre a cadeira a frente da mesa e retirou um papel do bolso, com uma caneta.
— Pode assinar aqui, por favor!
Laura assinou rapidamente, dispensando o rapaz que fechara a porta em seguida.
Sabia que não ia demorar muito até que alguém do grupinho de fofoqueiras da empresa fosse checar o que recebera, a fim de descobrir quem era o remetente.
Abriu a primeira caixa, era um pouco menor que as outras, em seu interior havia um lindo par de sapatos, parecia totalmente feito de cristal, brilhava levemente, eram saltos altos, de uma marca muito conhecida e cara, aquele deveria ter custado quase o salário dela todo, o que não era muito para um milionário.
Na segunda caixa, surpreendeu-se com um maravilhoso vestido longo de alças finas, na cor rosa bebê, feito com seda e tule bordado, o corpete justo, a saia longa e esvoaçante com um zíper invisível na lateral, uma peça extremamente delicada.
Nem imaginava o que tinha na última, pelo tamanho, não poderia distinguir bem.
Abriu-a encontrando muitos livros, alguns títulos ela conhecia, outros não, a maioria consistia em romances adultos, os quais pretendia ler logo, interessava-se bastante por ler, não importava o gênero, mas como ele sabia, era o enigma.
Fechou todas as caixas, rindo com uma boba, o vestido e os outros presentes não importavam, os livros é que lhe chamaram a atenção.
Voltou a sentar sobre sua cadeira, pegando o celular.
“Você realmente se esforçou?”enviou rapidamente.
Não demorou muito para a resposta chegar.
“Mais do que imagina!”
“Não me surpreendeu, pensei que pudesse fazer melhor que isso!”, provocou.
“É difícil te agradar, mas diga o que quer e terá.”
“Esse é o problema, eu tenho que dizer sempre?”
“Tem toda razão.”
Ela não digitou mais nada, queria que pensasse não estar interessada.
“Isso quer dizer que não teremos um jantar?”, ele questionou após um tempo.
“Não.”,digitou rapidamente.
Percebeu que ele não estava mais online, havia saído do aplicativo.
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