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Capa do romance Aprendendo a Amar

Aprendendo a Amar

Após uma infância de privações e traumas, ela acreditou ter achado a paz no casamento aos dezoito anos. Contudo, a realidade trouxe opressão, machismo e uma traição devastadora. Decidida a fechar seu coração, ela passa a viver exclusivamente para o filho, convicta de que o amor verdadeiro é apenas uma ilusão perigosa. Mas sua promessa de nunca mais se envolver com ninguém é posta à prova quando o destino apresenta alguém capaz de desafiar suas feridas.
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Capítulo 2

Hoje estou aqui refletindo minha vida, me casei tão nova, apesar de tudo que vivi na vida, quis acreditar que o amor era algo que transformasse, idealizei tanto quando entrei nesse casamento, devia ter visto os sinais lá atrás, mas não, quis acreditar que tudo poderia ser um conto de fadas, e no começo, apesar das brigas, parecia que seria mágico, engravidei 3 anos depois, trabalhava, e havia entrado para a faculdade, foi um desafio e tanto, ainda mais

por passar tão mal, tive tudo que uma grávida pode ter. Sempre pensei que gravidez não era doença, mas nos deixa no mínimo numa situação de desigualdade. Quando descobri minha gravidez, estava quase me separando, havia acabado de descobrir uma traição, só que com a descoberta da gravidez, os mal estares, essa questão foi relegada.

Meu marido era uma 'boa pessoa', mas era extremamente desagradável quando queria, era grosseiro, não tinha um pingo de compreensão com minha condição, eu era forçada a fazer coisas que não queria, mas eu não conseguia ver o erro naquelas situações todas.

Me tratava como um cavalo, principalmente na frente da família dele, aquilo foi me aniquilando, só fazíamos o que ele queria e o que a família dele decidia, eu não podia optar em nada.

Ao longo dos anos fui me tornando menos intolerante com esses tratamentos, acredito que depois de tanto suportar certas coisas, ninguém consegue se manter intacto, entrei em depressão, mas lidava com tudo sozinha, pois para ele e a família dele, isso era frescura. Tive que enfrentar meus traumas do passado aliado as frustações do presente. Tudo isso foi endurecendo meu coração. Mas confesso lá no fundo ainda existia amor, havia uma menina que idealizava o conto de fadas, mas não, as coisas só foram piorando, ele ia sendo agressivo, me humilhava, menosprezava, botava em crédito a minha maternidade, dizia que eu não sabia cuidar bem do meu filho, mas eu não conseguia enxergar como ele estava fodendo com meu psicológico. Até que seis anos depois, ele fez uma viagem a trabalho, no início da viagem, ele ligava todos os dias, dizia que nos amava, mas deu uns 4-5 dias, ele simplesmente passou a nos ignorar, me refiro aqui a mim e ao meu filho, nos fins de semana ele sumia, mandava mensagem pela manhã e depois, só bem a noite.

Quando ele recebeu uma folga e voltou para casa, acabei descobrindo o motivo dos sumiços, e o pior de tudo, foi constatar a família dele o apoiando, e falando mal de mim, fazendo sátiras enquanto ele apresentava a "colega" de trabalho.

Com aquilo meu mundo ruiu, só conseguia chorar, era um misto de dor e de raiva pela traição, doía tanto, porque me entreguei totalmente em uma relação que de repente me dei conta, nunca existiu, não existiu porque somente eu cedia, somente eu tinha que ser a compreensiva da equação, sempre me sujeitava aos caprichos dele e da família dele. E aí foi nascendo uma nova Kaelly, ela estava em processo de reconstrução com sigo mesma.

Nesse processo de reconstrução, depois de muitas lágrimas roladas, ele voltou ao trabalho, e para minha constatação, no retorno descobrir novas coisas, aí o coração virou aço, se fechou de vez.

Ele pediu perdão, como sempre o fazem né, falou que iria mudar, reconheceu que foi ausente, talvez um bocado 'insensível', mas que era o jeito dele, mas que estava disposto a mudar. Entretanto, essa nova Kaelly aqui, já não conseguia acreditar em contos de fadas mais, pra essa nova versão isso não existe mais. Só quero viver minha vida em paz com o meu filho Julian.

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