
Aprendendo a Amar
Capítulo 3
Foi um verdadeiro caos nossa conversa em relação a minha decisão de mudar de cidade. Havíamos nos divorciado, fiquei com a guarda unilateral, briguei por isso, afinal, eu e meu filho Julian já havíamos passado tantas coisas sozinhos, pra que eu iria
permitir agora que ele compartilhasse a guarda dele, ele se omitiu em tantas situações.
Ele não queria aceitar que nós mudássemos, mas isso não era uma alternativa, era uma decisão dessa nova Kaelly. Ele tava lá falando, aliás gritando, "Você está sendo inconsequente, irresponsável, eu não vou permitir que você vá embora com o meu filho,
se você for, saiba que nunca mais haverá chance de voltamos", revirei o olho mentalmente, respirei fundo e disse: "Jhon você não tem o poder sobre as minhas decisões, já lhe falei antes e vou repetir, eu não estou pedindo sua permissão para me mudar,
estou apenas te informando, para que você esteja ciente, minhas decisões a partir de nossa separação, são pautadas naquilo que eu decidir, e se você não está contente, o problema é seu, agora me respeita, respeita a minha decisão, e saia daqui", ele
me olhou espantado, tentou articular palavras mas não conseguiu, ele sempre gritava comigo, no começo da relação eu gritava, ficava chateada, com o tempo fui deixando ele gritar, e ficava calada enquanto ele me esculachava, mas hoje, essa Kaelly que
falou com ele, foi firme, sem gritarias, e não titubeou, eu apenas o coloquei no lugar dele.
Decidi que essa mudança seria o melhor para mim e o meu filho, pesquisei oportunidades de trabalho, e consegui uma entrevista em uma empresa multinacional, eu não sabia se iria dar certo, mas coloquei em minha mente, que eu seria a minha delimitadora,
por isso, confiei que tudo iria dar certo, que eu seria anbençoada em minha nova fase.
2 dias depois
"Julian meu filho, já está pronto, nosso táxi chega em 30 minutos", parei na porta do seu quarto e fiquei o observando, Julian é uma criança de 6 anos, um menino de ouro, muito inteligente, carinhoso e sensível, ele estava de frente para a janela, olhei aqueles
cachinhos cor de mel, ele é minha versão masculina eu sempre digo, ele se parece comigo tanto físico, quanto no jeito de ser. Ele parecia que estava em transe, nem esboçou qualquer reação ao que eu havia dito, fui até ele, e o peguei pelo ombro, pra minha
tristeza e dor, quando o virei, lágrimas escorriam pelos seus olhos, aquela cena partiu meu coração, comecei a chorar, sim sou dessas, eu choro junto com ele em situações difíceis, sentei no chão e o puxei para os meus braços, senti naquele momento, impotência, medo,
e uma tristeza por pensar que estava fazendo mal ao meu filho, então afaguei e fiquei lá uns minutos com ele, depois peguei aquele rostinho delicado com minhas mãos, dei um beijo na testa, e em cada lado das buchechas, e o perguntei: "oi meu amor, você não quer mais viajar?",
eu fiz essa pergunta, porque ele estava mais animado do que eu para fazer esta viagem, mas de repente senti medo, que ele estivesse fazendo isso só para não me ver sofrer, e ele da forma mais singela disse: "não mamãe, estou triste, porque o papai me ligou e disse que não
vai poder vir se despedir de mim, mas que na primeira oportunidade ele irá me visitar, ele também pediu desculpas por não ter me buscado ontem para passarmos o dia como tinha combinado, e eu fiquei com muita tristeza mamãe, o papai parece que nem liga para mim, ele não me a-ama...",
Ai ele começou a chorar copiosamente, as lágrimas que rolavam em silêncio, agora vinham com soluços, meu coração afundou com tudo aquilo.Respirei fundo, o abracei, e disse: "ei amor, é lógico que o papai te ama, é só que ele deve estar muito ocupado no trabalho, mas isso
não significa que ele não te ama, cada pessoa tem seu jeito de amar, está bem, mas como ele te disse, ele vai te visitar, e eu vou estar aqui sempre por você, tudo bem?! Não fique triste, porque meu coração dói te ver assim, vai dar tudo certo, e seremos muito felizes com essa
mudança, mas agora vamos, porque nosso táxi está quase chegando, e precisamos ir para o aeroporto, ta ok?" Ele concordou com a cabeça, levantou do meu colo e disse, "eu sempre vou estar aqui por você também mamãe, agora vamos rápido se não perdemos o vôo". Meu coração inflou com
essas palavras, ele é realmente uma criança incrível.
Pegamos o vôo, e o pai dele como sempre, não apareceu, eu sabia que ele estava muito triste, então tentei animar ele, comprei uns chocolates que ele gostava, e eu geralmente limitava as quantidade para ele não ingerir açúcar em excesso, e até dei refrigerante para ele.
Agora ele estava melhor.
Depois de horas de vôo, mais táxi, finalmente chegamos em nosso novo lar, na verdade na cidade, nos hospedamos em um hotel simples, eu não podia esbanjar dinheiro, afinal estava em uma cidade diferente, e o emprego ainda não era garantido, e nós não éramos ricos, havia juntado
todas as minhas economias para fazer essa nova fase dar certo. A entrevista seria há dois dias, eu já havia contatado uma escola em tempo integral, e eles aceitaram o Julian, eu o levaria no dia seguinte para se adaptar. Decidi tomar banho e descansar um pouco, chegamos cedo no nosso novo destino,
por isso queria dar uma olhada na cidade, para conhecer melhor. Tomamos banho, descansamos, e depois descemos para conhecer melhor nosso novo lar. A cidade era bonita, tudo bem limpo, organizado, me encantei com tudo aquilo, o Julian mais ainda, havia um parque na praça, ele fez até alguns
amiguinhos, foi muito bom o passeio pensei.
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