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Capa do romance Aprendendo a Amar

Aprendendo a Amar

Após uma infância de privações e traumas, ela acreditou ter achado a paz no casamento aos dezoito anos. Contudo, a realidade trouxe opressão, machismo e uma traição devastadora. Decidida a fechar seu coração, ela passa a viver exclusivamente para o filho, convicta de que o amor verdadeiro é apenas uma ilusão perigosa. Mas sua promessa de nunca mais se envolver com ninguém é posta à prova quando o destino apresenta alguém capaz de desafiar suas feridas.
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Capítulo 1

Anos atrás

Estou com fome, sinto minha meus intestinos se revirando de tanta vontade de comer, meu irmão caçula fala com minha mãe: "Estou com fome, quero comer alguma coisa",

percebo no semblante da minha mãe um misto de dor e tristeza, e ela o responde "oh meu filho vou fazer um negócio ali pra gente comer".

E aí meu coração dói, mesmo sendo tão nova, com apenas 9 anos, eu já consigo me solidarizar a dor de minha mãe. Somos humildes, minha mãe trabalha como empregada doméstica,

meu pai, bem, meu pai, não podemos contar com ele, é alcóolatra, não tem muito senso de responsabilidade com a família. Por isso minha mãe passa um perrengue, ganha tão pouco,

ai é necessário fazer revezamento entre pagar aluguel, água, luz, e comida, sim e comida também, muitas das vezes a única refeição que vamos fazer ao longo do dia será

a merenda que servem na escola, às vezes, ela faz uma marmitinha de comida lá no trabalho dela, ela deixa de comer, para fazer essa marmita escondida, e fala com a gente pra irmos lá buscar, eu sou a do meio, eu e meu irmão mais novo vamos lá na maior alegria, pegamos a marmita, e voltamos pra casa e dividimos entre nós três, eu meu irmão e minha irmã.

Meu estômago dói, mas confesso que meu coração dói ainda mais, e ali eu reflito, um dia vamos sair dessa vida.

Estava 9 para 10 anos, uma mulher estava precisando de alguém para 'ajudar', detalhe ela queria uma empregada doméstica, mas não queria o ônus de pagar, ela disse para minha mãe, que iria me ajudar nos estudos, que eu teria alimentação, e em troca eu ajudaria ela, mas em uma semana me dei conta que não era bem isso. Eu ia à escola cedo, chegava por volta do almoço, almoçava, isso era ótimo, ter comida

quando chegava da escola, mas me doía não saber se meus irmãos também teriam comida no prato deles. Logo em seguida, começava minha rotina, arrumar cozinha, limpar a casa, detalhe a casa era uma pequena mansão,

ainda mais para uma criança bem esquelética como eu era, eu não conseguia limpar a casa toda em um dia, e como eram 3 pavimentos, limpava 1 por dia, acabava o trabalho moída de cansada.

Nem conseguia fazer qualquer atividade de tão cansada, com os dias fui percebendo que aquilo não iria me levar a nada, ela me proibia de ver minha família, com a desculpa que eu tinha que focar, focar não sei no quê.

Minha mãe foi me procurar e falou "passaremos fome juntos, mas não vou aceitar isso", e eu concordei imediatamente, peguei minhas coisinhas que não eram muitas e fui embora. No outro dia vi ela, e falei que não iria mais

querer a ajuda dela, agradeci a oportunidade, e segui minha vida.

Alguns dias depois, uma vizinha estava grávida e precisava de alguém para ajudá-la, conversamos, e acabei fechando com ela, iria arrumar casa, lavar e passar roupa.

Nesse eu tinha um pagamento era bem pouco, mas já era de grande ajuda, e ela permitia que eu almoçasse lá, o que já fazia toda diferença. Só tinha um porém, o filho mais velho dela, era uma criança um tanto maldosa, ivia me batendo, bagunçava o que eu arrumava, sujava o que eu limpava, ele me dava muito trabalho, era agressivo quando as coisas não eram feitas da forma que ele queria, a mãe dele estava grávida, então ela nem fazia nada, eu sofria tudo calada. E fiquei nessa durante 1 ano e pouco.

Quando ainda trabalhava lá, uma outra pessoa me convidou para trabalhar com ele, seria uma oportunidade e tanto, como ele mesmo dizia, eu iria aprender muita coisa, e iria receber um pouco mais que recebia no outro trabalho.

Me vislumbrei pela oportunidade de aprendizado. Morávamos em cidade pequena, toda oportunidade de aprendizado era super bem vinda. Mas aí começou um pesadelo, na verdade as inteções dele eram outras.

Precisava do trabalho, era praticamente uma criança, não conhecia a maldade humana. E foi aí que vivi o meu maior trauma.

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