Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Apreendido. Até que a morte finalmente me liberte

Apreendido. Até que a morte finalmente me liberte

Despertando em um farol decadente após uma noite de excessos, Alexa encara um pesadelo: suas roupas e mãos transbordam sangue alheio, mas sua memória é um completo vazio. Agora, ela precisa mergulhar em um passado turbulento para remontar o quebra-cabeça de sua própria ruína. Entre facas, violência e uma ressurreição inexplicável, a verdade se esconde em sombras densas. Nessa busca por respostas, ela descobrirá que apenas a morte pode trazer a liberdade.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 3

21 de Novembro de 2015

Idiota. É assim que ainda me sinto desde aquele telefonema, mas por razões muito diferentes. Hoje estou certo da minha idiotice por não recordar o meu último dia, e especialmente considerando que poderia ser o meu último dia nesta existência. Só um verdadeiro idiota afoga os seus problemas em álcool, não aprendi nada nestes últimos cinco anos, quando o álcool ajudou, quando não me arrependi de beber enquanto organizava as minhas memórias confusas e, em alguns casos, procurava a minha roupa?

Sempre acreditei que quando bebesse, o meu gémeo maléfico surgiria para me humilhar e envergonhar. Como na altura em que ela me obrigou a participar num concurso de canto, naquele bar de merda, onde fui desqualificado quando o meu gémeo vomitou no meio do palco.

E o que aconteceu à promessa que fiz a mim próprio naquele dia fatídico de nunca mais beber? É isso que me está a incomodar neste momento. Deitei fora todo o esforço que fiz em todos estes meses sem beber.

As memórias que vivem em mim são dolorosas. O problema com a depressão é que ela o assombra mesmo que queira fugir dela. É um vilão bastante insistente que procura o seu infortúnio e se alimenta do seu infortúnio, do qual já tive muitos para o alimentar.

A minha vida tem sido sempre um desafio constante e contínuo. Tive grandes amigos que me apoiaram tanto nos meus piores momentos, e que eu apaguei da minha vida. Se os tivesse agora ao meu lado, se os tivesse há alguns dias atrás, talvez a minha história fosse diferente, primeiro: lembrar— se— ia da minha história; segundo: não me teriam deixado beber; terceiro: não estaria a assar sob este sol absurdo, auto— punindo a minha culpa. E a lista poderia continuar.

Mas sou novamente responsável pela minha autodestruição. Nunca quis explicar— lhes as coisas que estava a experimentar, porque não suportaria os seus olhos reprovadores, os seus julgamentos e muito menos as suas rejeições. Por isso, afastei— me deles. Evitar festas, celebrações, aniversários, reuniões. Ignorar chamadas, mensagens e e— mails. Devo dar— lhes crédito pela persistência e insistência; porque era difícil ignorá— los.

Mas o meu medo levou— me a melhor e no fim isolei— me neste novo mundo onde eu estava, um mundo que por sinal nunca gostei, mas era o mundo onde eu pensava pertencer. Por isso, tranquei— me na minha torre, a minha própria prisão pessoal. Da qual tenho a certeza de ter conseguido sair, mas será a minha saída uma verdadeira libertação?

O riso puxa— me para fora da pequena letargia em que eu estava a começar a afundar— me.

— Ai! Não sabíamos que estavas lá! ....

A rapariga pára a frase mesmo no meio, no momento em que repara que não é "eram" mas "são". Ela olha para a garrafa vazia com tanta repugnância como olha para mim. Reflexivamente tento arranjar a minha camisa, não sei porque a quero sem rugas quando deveria estar mais preocupado com o vómito que a adorna. Ela, claro, é perfeita num — demasiado curto — vestido de Verão Bershka, que destaca a sua figura perfeita em todos os lugares certos, com um drapeado quase angelical e delicado sobre a coxa; e ele, bem, como algo saído de um anúncio da República das Bananas, calções brancos, carrinhas azul claro para combinar com a sua camisa, óculos Ray Ban na cabeça, e uma cara tola agarrada à cintura. Ele ignora— me completamente, ele só tem olhos para ela. E opto por odiá— lo, não porque ele não olha para mim, mas porque ele pode olhar para ela assim; odeio— a não só pelo seu perfeito cabelo de cabeleireiro, mas por ter alguém a olhar para ela assim, mesmo que ela não retribua metade da devoção.

Não me preocupo em responder, por isso olho para longe deles e concentro— me no surf.

— É o seu aniversário, sabe, e nós queríamos um espaço para algo romântico", diz ela enquanto ele sorri para o seu cabelo, inalando o seu cheiro. A sua pele rasteja e ela não consegue deixar de sorrir.

Sei que ela me pede para sair, sei que está a ser educada, mas também sei que não me importo. Ignoro— a completamente. Alguns segundos de silêncio mais tarde, ele compreende primeiro que eu não me vou mexer. Ela não é bruta, está apenas esperançosa de conseguir o que quer. Ela está habituada a conseguir o que quer. A sua surpresa é que não será esse o caso hoje, pelo menos não de mim, ela não vai receber o que pede.

Ouço uma exalação de frustração e eles partem. Voo para a paz da minha solidão, mas qualquer vestígio de sono desaparece.

Não posso deixar de me lembrar do meu último aniversário. Não foi assim há tanto tempo, apenas três meses. Estava a celebrar o meu 27º aniversário em absoluta solidão, tentando convencer— me de que era isto que eu queria. A todos os que me convocaram, desenhei uma reunião imaginária onde estavam todos os meus amigos inexistentes. Era uma noite quente de Agosto, por isso mantive— me hidratado com limonada fria. Às 22 horas, após um telefonema do Dominic a dizer que não ia conseguir, porque me disse que havia muito trabalho na empresa, decidi tocar a canção de aniversário no Youtube e apagar a minha vela.

Poupei algumas fatias de bolo e devorei o resto sem vergonha, era o meu aniversário, e sem muito barulho celebrei mais um ano de vida, uma vida triste e vazia.

Lembro— me de me olhar ao espelho antes de ir dormir, e de fazer a mesma cara de nojo que a rapariga tinha há uns momentos atrás. Olhei para a mancha de vómito na minha camisa, e senti o mesmo nojo. Mas depois olhei para a mancha de sangue nas minhas calças. Levantei— o esperando encontrar uma ferida bastante desagradável para o justificar, mas não havia nada. O sangue não era meu.

Continue assistindo!
A história está ficando intensa! Mude para o App para continuar
Desbloquear Todos os Episódios
Abrir o Site Oficial

Você pode gostar

Capa do romance A maldição dos Sales
9.3
Lucy Sales herda uma fortuna de sua falecida avó, mas deve se mudar para a antiga cidade de seu pai. Lá, ela conhece Cedrik e um sentimento intenso surge entre eles. Contudo, o romance é alvo de uma maldição ancestral que condena os amantes às chamas pelos erros do passado. Agora, os dois adolescentes correm contra o tempo para quebrar esse feitiço cruel. Eles têm apenas até a meia-noite para desafiar o destino e garantir que esse amor sobreviva.
Capa do romance Chamas do Ódio, Amor Perdido
9.5
Luana morre em um incêndio provocado por Isabela, que a culpa pela perda de Gabriel. Ao despertar dez anos no passado, ela se vê na noite em que seu irmão Ricardo drogou Isabela para forçar um encontro entre as duas. Relembrando o casamento infeliz e o destino trágico de sua filha Clara, Luana decide romper o ciclo de dor. Diante do desejo de Isabela, ela impõe limites para evitar que o ódio e as chamas destruam seu futuro novamente.
Capa do romance DAPHNE MORELLI E O SEU COLECIONADOR - Spin-off de MORELLI -A BESTA EM FORMA DE CEO
9.4
Emerson LeBlanc é um bilionário perigoso e recluso que vive para expandir sua coleção de arte. Sua vida muda ao encontrar uma obra perturbadora e conhecer a jovem Daphne Morelli. Encantado pela pureza da artista, ele desenvolve uma obsessão doentia que ignora os desejos e a humanidade dela. Para Emerson, Daphne não é apenas uma mulher com sonhos próprios, mas sim a peça mais valiosa e requintada que falta para completar sua galeria particular.
Capa do romance Dominada pelo Consigliere
9.3
Atenção! Não é recomendado para menores de dezoito anos. Cenas de sexo explícito, torturas e pode ser considerado romance Dark. "Eu não pedi para que se casasse comigo, vá embora e me deixe em paz!" - Maria Eduarda disse pausadamente, enquanto segurava uma tesoura debaixo da mesa da máquina de costura. Virando as costas, ela soltava o ar com força comprimindo os lábios, apertando a peça que estava prestes a cortar. Maria Eduarda havia o rejeitado há quatro anos, só que agora, Maicon havia sido aquele escolhido para casar com ela, que tentava dia após dia, fazê-lo se arrepender, sem sucesso. "Deixá-la agora seria desperdício, não me desfaço de nada que possuo, fique ciente!" - ele a puxou de repente, fazendo com que a tesoura ficasse pendurada na ponta de seus dedos. "Pra me possuir vai precisar de muito mais do que ter o meu corpo..." - sussurrou enquanto sentia a tesoura ser derrubada com facilidade por ele. "Isso é o que vamos ver... até o diavolo tem medo de mim, italiana!"
Capa do romance Herança Sangrenta
9.6
Uma universitária vê seu mundo ruir ao descobrir que é adotada, revelando que sua família guarda mistérios sombrios. Em uma realidade onde criaturas sobrenaturais e vampiros existem, ela enfrenta ameaças que colocam sua vida e alma imortal em risco. Cercada por inimigos ocultos, a jovem aprende que confiar na pessoa errada pode ser fatal. Com capítulos semanais às quintas, acompanhe esta jornada de perigos e segredos em uma herança de sangue.
Capa do romance Kaleu, O mafioso da floresta.
9.0
Kaleu transformou uma floresta turística em um cenário de isolamento e pavor. Considerado uma lenda letal, sua rotina de violência é interrompida pela jovem Miliane, que entra em seu domínio para pedir socorro em vez de fugir. Após anos desse encontro breve, o destino os reúne novamente. Agora adulta, ela reencontra o homem por trás da máscara macabra. Resta saber se o temido mafioso cederá ao sentimento inédito despertado pela única pessoa que não o temeu.