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Capa do romance Apostando em Você

Apostando em Você

Gregory Blackwell vive de forma libertina, entregue aos prazeres e excessos, até que os planos de seu pai interrompem sua rotina. Com os bens confiscados, ele fica sob a tutela de Eloise, uma mulher firme que tem apenas um mês para regenerá-lo. Para vencer esse desafio, ela deve monitorá-lo constantemente, mergulhando em seu mundo caótico. Em meio a essa aposta arriscada, Eloise tenta transformá-lo, sem saber se terá sucesso ou se acabará se perdendo.
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Capítulo 2

Gregory

Uma hora da tarde, esse era o horário que vi em meu celular quando acordei. Na verdade, os raios de sol que entravam pela janela me acordaram, e para meu alívio, não estava tomado pela dor de cabeça recorrente dos últimos dias.

Havia passado pelo banheiro e minha cara estava horrível. Embora eu sequer tenha tomado algo ontem a noite e descansado o máximo possível. Eu prometi a mim mesmo que a visita do meu pai não iria atrapalhar meu dia, mas atrapalhou. Esse era o poder de meu pai e de meu irmão mais velho, e já haviam se passado três dias desde então.

Desci pelas escadas depressa, enquanto meu celular no bolso esquerdo de minha calça cargo vibrava sem parar. Eu jurei para mim, que se fosse outra ameaça de meu pai, o celular iria ultrapassar o buraco na parede e cruzar uma das ruas de Los Angeles, voando.

Enfiei a mão no bolso e o puxei para atender, e para meu total alívio, não era meu pai, mas o meu melhor amigo, Andrew. Soltei uma risada de alívio, antes de dizer "oi".

— Achei que não ia atender — Ele disse do outro lado da linha e pude ouvir sua risada.

— Eu estava dormindo, é isso que as pessoas fazem quando estão cansadas — Soltei e fui em direção à cozinha.

— Eu sei do cansaço, está em todos os tabloides. — Andrew gargalhou — Você não viu?

Abri a geladeira, e me servi de um pouco de água e dei o primeiro gole. Larguei o copo em cima do balcão e parei alguns segundos, tentando entender do que Andrew falava.

Puxei o celular da orelha e coloquei a ligação em viva-voz. Deslizei o dedo na tela, e entrei no primeiro portal de notícias, e para minha surpresa ou não, meu nome estampava a página principal.

Um dos filhos do Magnata, Harold Blackwell, curtiu mais uma noite em Los Angeles, e isso rendeu um grande acidente, em plena madrugada.

Gregory Blackwell, teve um de seus carros...

Eu não tive vontade de terminar de ler aquilo, era o puro suco do sensacionalismo dos repórteres. E até me acostumei com essa postura deles ao longo dos anos. Pelo menos até a parte que li, explicava o porquê de ter um grande buraco na parede próximo às escadas.

Me lembrava um pouco por cima da situação que acabou naquilo. Todos estavam bêbados, e corriam até a garagem. Eu entrei em um dos carros e girei a chave e o liguei. Acho que acelerei o carro, não estava muito claro em minha mente, mas o resultado era bem óbvio.

— Quando o senhor Blackwell ver isso... — Andrew começou e eu o interrompi.

— Ele já sabe sobre isso.

Puxei um dos bancos na frente da ilha de cozinha. Ponderei sobre o copo por alguns segundos, tentando dissipar todos os pensamentos em minha mente, a última coisa que eu queria, era pensar nos estragos que foram feitos, e os que provavelmente ainda viriam.

— E o que acontece agora? — Andrew indagou. — Sabe que ele vai tentar fazer algo...

— Ele já fez, e foi o de sempre. Mas dessa vez o Charlie veio com ele. — Fiz uma breve pausa antes de prosseguir. Sentia meu estômago retorcer — Não é como se isso fosse fazer alguma diferença.

— Vou ter que desligar, a Emma está me ligando agora. — O toque soou no fundo da chamada. — Te ligo, mais tarde.

Bip Bip

Larguei o celular sobre a ilha, e saí em direção à área inferior da casa, para ter a visão da praia. O sol ainda não alcançava o pico, e as pessoas ainda estavam reunidas em um jogo, onde se animavam em jogar a bola de um lado para o outro.

Os rostos sorridentes ao longe, fazia toda minha vida soar um pouco deprimente. Talvez seria apenas naquele momento, enquanto eu ainda estava vestido com meu roupão e a calça.

Eu precisava de algo, para me dar ânimo e esquecer de tudo e todos. Uma boa diversão.

Uma linha próxima a boca se curvou em um sorriso, e então me voltei para dentro da casa, deixando a imagem daquele belo entardecer para trás.

***

A batida frenética da casa, e as luzes ofuscantes eram tudo o que eu precisava naquele momento. Uma boa bebida, músicas legais e várias pessoas desconhecidas que não se importavam ou iriam lhe questionar sobre qualquer coisa e o porquê de estar ali.

A casa estava lotada, e isso era o esperado de um dos bares mais badalados de Los Angeles. Ninguém conseguiria dar um passo sequer, sem esbarrar ou esfregar em alguém, e na maioria das vezes — todas elas — era a verdadeira intenção.

Havia algumas coisas bem questionáveis em minha vida — a maior parte delas —, mas esse é bem meu jeito de levar tudo. Todos precisam de um pouco de diversão e esquecer que a maior parte do tempo, tudo está uma droga. E talvez, mas só talvez você não queira ser a pessoa que passou tanto tempo em um ponto esperando algo que, no fundo, sabia que nunca iria chegar.

Deslizei um pouco para me afastar da multidão, e foi então que notei uma jovem loura que caminhava em minha direção. Ela pôs seus braços ao redor de meu pescoço e eu retribui colocando o meu em volta de sua cintura.

Nos movemos rápidos, não havia como ficar parado. Todos estavam se movimentando, e se não fizesse o mesmo, com toda certeza seria pressionado a fazer isso. As luzes que passavam de um lado para o outro sobre nossas cabeças, dava mais ânimo e energia para continuar ali. Isto é vida!

Soltando a cintura da loura, toquei em uma de suas mãos, para puxá-la e sair daquela multidão. Estava à procura de uma parte mais reservada da boate, com cadeiras estofadas e algumas mesas. Uma parte já estava ocupada, mas encontrei uma vaga, e fomos até lá.

Sentei bem no meio de um sofá booth, de cor escura, ou poderia ser pela falta de luz que me fez ver aquela cor. A jovem se sentou ao meu lado, ela apoiava um de suas pernas sobre a minha, e eu deslizava mais para o lado, quando virei meu rosto para o tocar o dela. Entre um suspiro e outro, nossos lábios se chocaram, mas o beijo não durou muito tempo, uma voz que reconheci ficou audível à minha frente.

— Calma, que a noite só está apenas começando. — Andrew quase gritou para que eu pudesse ouvi-lo. E então eu soltei a mulher.

— Andrew, achei que não iria aparecer aqui hoje — Disse tentando manter a voz audível.

— Não poderia perder isso por nada — Andrew fez quase um 360 com o olhar pelo local, antes de prosseguir e voltar a sua atenção para mim — E saber que o grande, Blackwell esteve aqui, isso me deixou ainda mais curioso.

Mesmo com a pouca luminosidade naquela área, consegui ver que Andrew sorria, mas não tão animado como antes. Ele ajeitou seus cabelos escuros para trás, e depois se voltou para arrumar a sua jaqueta de um tom verde, que me lembrava um pouco com a estampa do exército. Era seu estilo, o clássico.

Um pouco admirável que ele estivesse em uma boate. Andrew tinha o mesmo pensamento e o jeito de levar a vida, que eu, claro que de uma forma mais controlada. Tudo mudou há poucos meses, quando ele conheceu a atual namorada. Ele estava feliz, então fico feliz também.

Ele deu a volta na mesa que estava bem a minha frente e tomou um lugar nos sofás que estavam postos entre as divisórias de espaço. Isso era bem definido por uma pequena barreira de madeira que formava uma pequena parede.

— É... apareceu com o Charlie, com o mesmo papo de sempre. — Deslizei a mão pela coxa da mulher ao meu lado, enquanto seguia com a conversa — Eles virem aqui ou não, não faz tanta diferença.

— Sabemos. — Andrew disse e gargalhou.

Não era a primeira vez, e sabia que não seria a última. Eles se sustentavam na mesma conversa durante anos, tentando mudar algo que não precisava ser mudado. Tinha algo aqui ou ali que poderia ser resolvido, mas é assim que quero levar a minha vida. Nunca perdi tempo ligando para eles e os lembras o quão irritante a vida deles eram.

Eu não conseguia me imaginar, passando horas preso em um escritório, atrás de uma mesa, dando e recebendo ordens. Meu pai poderia querer isso, meu irmão queria isso, mas eu não. Vivendo feliz dessa forma, e nada nem ninguém, nunca mudará isso.

— Não vou poder ficar por muito tempo. — Andrew avisou. — Amanhã estou voltando para Seattle.

— Bom pra você. — O olhei por de relance. — Eu apenas sei por agora, onde vou estar mais tarde.

— Vamos apenas ficar juntinhos... — A jovem loura falou se aninhando a mim. Ela me soltou e começou a ajustar seu vestido para se levantar. — Eu preciso ir ao toalete.

Ela tomou um caminho entre as pessoas e deixou o espaço. Andrew a seguiu com o olhar, e espero que ela sumisse de vista, antes de voltar a me encarar, com a sobrancelha arqueada e testa franzida.

— É sério? — Indagou e apontou para onde ela seguiu — Você e a Ashley?

— O quê? — Franzi o cenho, e me inclinei para frente pensando um pouco a respeito — Claro que não, a gente está... apenas se curtindo.

Andrew pôs os cotovelos sobre a mesa e riu sem graça. Ele me encarou por alguns segundos apertando os lábios, parecia pensar em algo para dizer, o que levou pouco tempo. Suas duas sobrancelhas se levantaram antes dele prosseguir.

— Você realmente não aprendeu a lição mesmo — Ele balançou a cabeça em negativo — Quando você der um fim nisso, ela vai surtar e vai poder rolar coisa muito pior que da última vez.

Eu me lembrava bem daquela última vez. No dia estava saindo da praia com alguns amigos, e eu procurava onde eu havia estacionado a droga do carro. Esse problema foi rapidamente resolvido, porque o achei sendo rodeado por um aglomerado de pessoas que assistiam a uma louca destruí-lo. Meu BMW novo foi totalmente detonado e nem consegui fazer nada.

A jovem tinha seus cabelos longos e negros saltando em seu rabo de cavalo, enquanto prosseguia batendo contra a porta traseira com um taco de beisebol, e ainda gritava algo como "Vai aprender a nunca mais me dar um fora assim". Fiquei assistindo aquela cena à distância, mas aquilo acabou logo quando a polícia chegou.

— A Hillary era uma louca. — Suspirei e depois passei a mão pelos cabelos — Soube que ela se mudou, tem uns dois meses. Por isso não a encontrei mais.

— É, ela bateu no segurança do hotel, e acabou sendo detida. — Andrew falava entre risos. — Cara, você tem sorte para esse tipo de mulher.

— E estou fora de todas desse tipo — Alertei. Estiquei minhas pernas antes de levantar — Eu preciso de uma bebida. Se a Ashley voltar, fala que estou no bar.

Pude ver Andrew assentir, e apenas segui em direção ao bar.

Algumas mulheres se aglomeravam próximas ao balcão. Uma boa parte estava esperando por algum cara com a carteira recheada. Uma delas olhou em minha direção, morena, com vestido presto que ressalta as suas curvas e pouco deixava para imaginação. Em seus lábios um vermelho intenso e chamativo, e eu sabia o porquê daquela produção, o bairro inteiro estava lotado desse tipo.

— Pode me pagar uma bebida? — Ela tentava soar manhosa e sexy ao mesmo tempo, com a voz arrastada. Seus dedos chegavam em meu braço esquerdo deslizando de cima para baixo — Estou sozinha hoje...

— Quem sabe da próxima vez. — Falei e lhe lancei um sorriso e a mesma se virou rapidamente para o outro lado. — Uma dose de uísque — Pedi ao barman.

Levou pouco tempo para minha dose ser servida.

Me apressei para colocar a mão no meu bolso, tirei a carteira de dentro dela, e peguei o meu cartão de crédito e o deslizei pelo balcão. O jovem barman, levou o mesmo de forma rápida e também arrastada.

Em alguns segundos o mesmo surgiu novamente. — Me desculpe senhor, mas a transição não está sendo aceita.

— Por favor, tente novamente — Pedi, mas desisti logo em seguida.

Em minha mente retornou as palavras de meu pai.

Busquei em minha carteira algum dinheiro, sempre preferi fazer as compras e pagamentos usando os cartões. Por pura sorte ainda tinha algumas notas e estendi elas para o barman e peguei o cartão de volta.

Estava um pouco surpreso por ele fazer como havia dito. As coisas nunca passaram de meras ameaças, mas se ele desejava assim, então assim seria.

Ashley caminhou em minha direção e suas lindas pernas deslizavam devagar debaixo daquele vestido. Me perdi por alguns segundos diante daquela visão, minhas fantasias de se meter entre elas hoje à noite havia acabado.

— Eu preciso ir agora. — Eu disse assim que ela se aproximou o suficiente.

— Podemos ir juntos. — Ashley colocou um de seus braços em meu ombro — Só vou pegar minha bolsa...

— Não. — A voz saiu mais alta do que eu esperava — Eu preciso resolver algumas coisas da família. Eu ligo para você depois.

Eu sequer esperei para que ela me respondesse, ou aquilo iria demorar demais, e ainda corria o risco que aquilo poderia terminar em outro lugar e eu não queria perder tempo.

Sai da boate um pouco depressa, até alcançar a calçada.

Quando o barulho atrás de mim diminuiu um pouco, procurei o celular no bolso interior de minha jaqueta. Liguei ele em poucos instantes, e digitei o número que eu já havia decorado há um bom tempo.

Já passava da meia-noite, mas, eu sabia que ele ainda devia estar acordado, talvez estivesse esperando ansiosamente por essa ligação, era quase como uma intuição minha. Poderia ser que ficasse colocado ao celular, apenas para ter esse prazer.

Como esperado, foi confirmado.

— Eu sabia que iria ligar. — Ele disse tão rápido, e ao menos esperou que eu falasse algo.

— Estou voltando para Seattle.

— Você fez uma ótima escolha. — Ele suspirou do outro lado — Você vai entender o porquê disso tudo.

— Não me importo.

— Estou mandando Edmund ir buscá-lo — Ele avisou e depois ouvi um estalo — Estou feliz com sua ligação.

Eu não sabia exatamente o que estava sentindo naquele momento. Apenas pensar em meu retorno, me trazia lembranças, memórias, as quais eu queria muito esquecer. Não havia como fugir, precisava voltar para onde tudo começou, o incidente que me trouxe para cá e mudou minha vida por completo.

Estou voltando para casa.

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