Capa do romance Apostando Alto no Amor

Apostando Alto no Amor

8.8 / 10.0
Determinada a vingar o sofrimento de sua melhor amiga, Estella traça um plano ousado contra o vizinho vizinho, Noah. Em uma aposta arriscada com seu grupo de amigas, ela assume o desafio de seduzi-lo e conquistar seu coração, planejando uma humilhação pública assim que ele estiver apaixonado. No entanto, o jogo da sedução se mostra perigoso, e Estella precisará descobrir se conseguirá manter o controle ou se acabará caindo na própria armadilha.

Apostando Alto no Amor Capítulo 1

Paixão, amor, sofrimento. São três coisas que eu não quero mais sentir. Aliás, para mim, isso acabou há muito tempo, quando percebi que todos os garotos do mundo são cafajestes e só querem usar as meninas como objetos sexuais. Sim, eu estou generalizando, até que se prove o contrário, não acredito que um homem possa amar apenas uma mulher, pelo menos na minha geração.

Aprendi que tudo o que os homens fazem é minimamente calculado, cada gentileza, cada olhar, tudo é apenas com a intenção de nos levar para a cama. Nós, as garotas bobas, acabamos acreditando nessa farsa toda e, no final, acabamos apaixonadas. Eles têm a cara de pau de dizer: "Mas eu não prometi nada, você que confundiu as coisas", quando na verdade tudo o que eles fizeram foi agir propositalmente para que a gente se confundisse.

E se fizermos o mesmo com eles? Se é possível um homem se apaixonar como dizem por aí, por que não fazê-los provar do próprio veneno? Usá-los e descartá-los, e então dizer: "Você que confundiu as coisas, nunca disse que te amava." É exatamente isso que vou fazer com meu vizinho Noah. Ele e seu irmão são os piores cafajestes que existem. Os dois vivem partindo os corações das mulheres. Eu avisei minha amiga para não se envolver com esse tipo de cara, mas o que ela fez?

Não me ouviu, e o resultado foi que Noah quebrou seu coração em mil pedaços. Agora, vou fazê-lo provar do próprio veneno. Quem sabe assim ele aprenda duas vezes antes de partir o coração de outra garota novamente.

Eu sou Estella e moro em um apartamento no Rio de Janeiro. Atualmente, divido o apartamento com duas amigas, Melissa e Cíntia. Nós viemos do interior em busca de mais oportunidades de trabalho. Melissa e Cíntia conseguiram alcançar seu objetivo ao se tornarem modelos. Elas sempre foram belíssimas e magras, ao contrário de mim, que amo me exercitar. Acabei me tornando uma personal trainer graças a um amigo que conheci aqui e que me apoiou nessa profissão. Já faz anos que moramos juntas neste apartamento e tudo estava em perfeita harmonia, até que dois vizinhos se mudaram para o apartamento ao lado: Noah e Nathan, que são irmãos. Segundo o que sei, eles trabalham em uma empresa de automóveis próxima daqui.

O problema é que além de serem uns grandes cafajestes, e não digo isso apenas por serem homens, mas também devido às constantes festas que eles promovem todas as noites, repletas de mulheres, bebidas e toda a sorte de excessos. Confesso que várias vezes pensei em chamar a polícia, mas minhas amigas sempre me impediram, alegando que eles são atraentes, como se a beleza fosse uma justificativa.

Eu estava no meu quarto, fazendo algumas anotações para passar aos meus alunos na segunda-feira, eram dicas de dieta e exercícios para ganho de massa muscular, quando a porta se abriu repentinamente e Melissa e Cíntia entraram animadas.

__"Adivinha quem foi convidada para o aniversário dos irmãos Santos?" Melissa disse, se jogando ao meu lado e pegando o bloco de notas da minha mão.

__"Espero que seja a tia da limpeza, não vocês. Não vamos a festas desses Santos, que de santo não tem nada", respondi.

__"Ah, para Estella, você nem conhece eles e já está julgando. Se quer saber, eles parecem muito legais. Hoje fomos tirar fotos na empresa onde eles trabalham. Fizemos um ensaio com os dois. Vejam, eles são muito bonitos. Deveriam ser modelos. Diga para ela, Cíntia", disse Melissa empolgada. Rolei os olhos.

__"Sim, até achei eles divertidos. E você deveria dar uma chance. Eles foram educados ao nos convidar para a festa deles. Até disseram que somos as vizinhas favoritas", acrescentou Cíntia. Estalei a língua.

__"Viu só?! Nem nos conhecem e já estão cheias de elogios. Eu não cairia nessa, mas se vocês querem tanto ir nessa festa, eu vou com vocês, mas somente para provar o quanto estão equivocadas", apontei a caneta em direção às duas, que sorriram satisfeitas.

Me aprontei colocando um vestido vermelho tubinho e deixei meus cabelos loiros soltos. Eu não era tão malhada, mas tinha algumas curvas e meu corpo era bem distribuído. Não vivia de dietas restritivas como minhas amigas, mas sabia me alimentar de forma saudável sem deixar de ter um pouco de prazer.

Terminei de me arrumar e as meninas já estavam finalizando a maquiagem. Cíntia era uma morena lindíssima, com cabelos pretos e pele bronzeada, enquanto Mel era branquinha de olhos verdes e cabelos castanhos. Cíntia estava vestida para matar, com uma calça de couro e um cropped. Mel usava um conjunto rosa, com saia e cropped brilhante.

Depois de prontas, respirei fundo para entrar na toca dos leões. Nem sei como concordei com essa ideia maluca delas! A música tocava tão alto que podia sentir o chão estremecer abaixo dos meus pés à medida que nos aproximávamos da porta. Eu fiquei por último, pois não estava com a menor vontade de entrar. Melissa bateu na porta e, assim que ela se abriu, um moreno de cabelos pretos, com um penteado com uma franja na lateral e olhos castanhos profundos, nos atendeu. Era o mais novo, obviamente.

__"Olha só, as minhas vizinhas favoritas chegaram. Sejam bem-vindas!" Seus olhos desviaram das minhas amigas e pararam em mim. __"Você já é uma surpresa estar aqui. Pensei que não ia muito com a nossa cara."

__"E não vou. Eu vim obrigada, como pode ver. Na verdade, não vou nem um pouco com a sua cara. Mas quem me irrita profundamente é seu irmão. Ele sempre tem aquele ar de superior, como se fosse o dono do mundo. Toda vez que esbarro com ele no elevador, tenho vontade de vomitar. Certa vez, presenciei uma cena constrangedora em que ele estava se pegando com uma garota lá dentro. Sou uma mulher de família, não sou obrigada a presenciar esse tipo de situação logo cedo." Minhas amigas colocaram as mãos na minha boca para me calar.

__"Hahaha, Estella, tão piadista. Ela só está brincando", disse Mel.

__"Não, não estou. E se quiser, pode me barrar e não me deixar entrar. Para mim, será uma honra. Eu nem queria vir, só queria dormir em paz, sem barulho. Isso já seria suficiente para mim", disse, cruzando os braços e mudando o peso das pernas.

__"Então, por que a senhorita não está tentando dormir em vez de ficar impedindo a passagem da minha porta?" Uma voz grave falou rente ao meu ouvido, e um calafrio percorreu todo o meu corpo. Eu me virei subitamente, dando de topo com Noah. Seus cabelos pretos brilhantes e seus olhos azuis pareciam querer soltar fogos e me queimar viva ali mesmo. Aposto que ele tinha escutado tudo. Eu estava perdida.

__"Tem razão, com licença, vou ir dormir", falei sorrindo forçado, me retirando. No entanto, seus dedos seguraram meu braço, me parando imediatamente. Olhei para ele, surpresa.

__"Se a senhorita, mesmo sentindo tanta repulsa por mim, se deu ao trabalho de vir aqui na minha festa, por que não entra? Quem sabe assim tira a impressão péssima que lhe causei naquele dia", disse ele, curvando os lábios de forma maliciosa. Engoli em seco.

A hesitação tomou conta de mim. Seria loucura ceder à curiosidade e entrar na festa? Eu sabia que havia uma atração perigosa entre nós, mas também sabia que meus princípios e a imagem que ele passava não me agradavam. No entanto, a perspectiva de tirar minhas próprias conclusões era tentadora.

__"Tudo bem, vou entrar por alguns minutos. Mas não espere que isso mude minha opinião sobre você", respondi, tentando manter a postura, enquanto sentia meu coração acelerar.

A atmosfera ficou tensa, e um breve silêncio pairou no ar. Noah, com um sorriso irônico, abriu caminho e nos convidou a entrar.

__"Vocês não precisam gostar de mim ou do meu irmão. Mas somos vizinhos, e eu prefiro manter a paz. A festa está rolando lá dentro. Fiquem à vontade", disse ele, dando espaço para que passássemos.

Suspirei profundamente e, mesmo contrariada, decidi entrar. Quem sabe essa noite não reservasse algumas surpresas inesperadas?

__ Vai ser difícil, mas pode tentar. - puxei o braço com o queixo erguido e entrei sobe o olhar dos dois homens na minha frente, apertei os olhos, Estella você enlouqueceu o que está fazendo?

Ao entrar no ambiente, fui completamente engolida por pessoas suadas e bêbadas dançando. Garçons serviam drinks, enquanto o DJ tocava músicas tão altas que meus tímpanos mal conseguiam suportar. Não era a primeira vez que eu frequentava esse tipo de lugar, mas normalmente era em uma balada, não em um apartamento. O espaço era pequeno demais para a quantidade de pessoas ali, parecia mais uma jaula. Era impossível não ser tocada, mesmo que involuntariamente.

Tentei escapar discretamente da multidão, buscando um canto mais isolado. Enquanto minhas amigas se dirigiam para o centro da pista e começavam a dançar sem parar, suspirei frustrada, sabendo que a noite seria longa. Meus olhos se desviaram para o outro lado e vi Noah encostado em uma parede, também isolado. Ele estava com a camisa aberta, exibindo um pouco do seu peitoral malhado. Não que eu estivesse reparando, mas era impossível não notar. Sua gravata estava folgada, segurava um copo de uísque na mão. Assim como eu, ele parecia estar me sondando com seus olhos azuis e sobrancelhas grossas. No entanto, não era uma sondagem comum. Era como se fosse um animal prestes a atacar sua presa, e nesse caso, parecia que a vítima seria eu. O que ele não sabe é que não sou tão ingênua como ele pensa, e não vou cair no seu jogo de macho alfa.

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