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Capa do romance Apenas uma dança

Apenas uma dança

Cecília Diaz dedica sua vida ao direito, mas sua verdadeira paixão é a arte do pole dance. Em uma noite agitada em Los Angeles, ela cruza o caminho de Eric Gonzalez, um CEO influente e avesso a compromissos sérios. O encontro inesperado em uma boate desperta no poderoso advogado um interesse profundo pela jovem dançarina. Unidos por conexões temporais que nenhum dos dois esperava, eles enfrentarão as consequências de uma atração que promete mudar seus destinos.
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Capítulo 1

Epígrafe:

“Bela, a forma do vaso. Mas é no seu vazio que se conserva o vinho.” – Casimiro de Brito

Epílogo:

Encaro o espelho por alguns segundos, o vermelho do vestido combina com as flores que recebi essa manhã. A barriga protuberante não deixa dúvidas que agora não ando só, pois em mim há dois corações.

Fecho meus olhos e as palavras ditas naquela mensagem ecoam entre o presente e o passado.

Há quem diga que o oposto do amor é o ódio.

Tolice.

A indiferença fere mais que uma arma, e pode trazer consequências avassaladoras.

–Eu estarei sempre aqui!– seco as lágrimas e acaricio com as pontas dos dedos ao redor do umbigo.

–Todos nós!– ouço a resposta e sorrio ao ver Alejandra, minha mãe, ao lado da porta.

–Emma e Lúcio acabam de chegar.

–Já estou pronta.– digo e seguimos em direção ao corredor, próximo as escadas.

–Você está linda!– Emma diz assim que me vê e posso notar seus olhos lacrimejando.

–Já escolheu o nome?– Lúcio pergunta ao se aproximar de nós.

–Tudo depende de hoje.– sorrio ao lembrar que Lisa, minha irmã, insistiu em ficar responsável pela revelação do sexo do bebê.

–Então vamos, antes que Brian coma todos os brigadeiros.

Seguimos todos para a sala de jantar, a decoração é simples mas muito harmoniosa, há detalhes em rosa e azul por todos os lados.

–Quais as opções? Quero gritar o nome do meu sobrinho quando cortarmos o bolo.– Emma diz confiante.

–Se for menino, se chamará Adam.– todos sorriem com a escolha.

–E se for menina?– Lúcio pergunta e meus olhos brilham.

–Avril.

Como um recomeço.    

Cecília Diaz

Estou exausta.

Minhas bochechas queimam com o sol escaldante de uma manhã em Los Angeles.

Emma insiste que devemos caminhar todos os dias, mas não consigo compreender suas razões quando passamos horas ensaiando no estúdio.

–Por que estamos fazendo isso?– pergunto, aproveitando para tomar fôlego.

–Um pouco de vitamina D fará bem.– ela diz e sorri.

Emma possui um estilo peculiar, vestindo roupas de correr. A forma como ela mistura um casaco lilás e uma blusa amarela pode surpreender.

–Você parece cansada.– ela comenta.

–Acho que preciso de um banho, meu cabelo está grudando.

–Tudo bem, hora de ir.

Seguimos, em direção à entrada de casa, a porta de madeira envelhecida está aberta, certamente meu irmão, Brian, esqueceu de fechá-la.

–Mamãe?– anuncio minha chegada.

–Estou na cozinha.– sorrio ao sentir o cheiro de laranja inebriar o ambiente.

–Espero não estar atrapalhando.– minha amiga diz ao se aproximar.

Os pais de Emma sofreram um acidente de carro há dois anos atrás, desde então somos sua única família.

–Não diga bobagens, menina. Você é como uma filha.– ela sorri agradecida.

–Adam virá para o almoço?– pergunto.

–Ligarei para perguntar.– concordo com um aceno.

Lembro do dia em que minha mãe, Alejandra Diaz, contou ter vindo do México após descobrir estar grávida.

Por algum tempo eu insisti em saber quem era meu pai, até que entendi o quão era doloroso para ela falar sobre o assunto.

Adam, meu padrasto, casou-se com ela para que pudesse adquirir sua cidadania, mas acabaram se apaixonando. Ele sempre me tratou como sua filha, mas após o nascimento de Brian, passei a me sentir sozinha e aos poucos nos afastamos.

–Cecília, está me ouvindo?– Emma comenta e sorri.

–Desculpa…Pode repetir?

–Perguntei se já separou sua roupa para a apresentação.

–Sim, está tudo pronto.– digo animada.

Assim que completei cinco anos, mamãe passou a dar aulas de pole dance, aos quinze, eu já a acompanhava e atualmente, aos vinte e três, dançar virou minha paixão.

Hoje iremos nos apresentar na boate que está inaugurando na Sunset Boulevard. Dona Alejandra não irá, ela deixou de dar aulas há seis anos, quando descobriu estar grávida do meu irmão, Brian.

–Nosso sonho está cada vez mais próximo, ainda teremos nosso próprio estúdio.

–Primeiro precisamos nos preocupar em manter o aluguel pago.– não quero ser pessimista, mas estou preocupada.

–Daremos um jeito.

Eric Gonzalez

A claridade da janela me faz despertar, pressiono meus olhos buscando costume, minha cabeça lateja e não me recordo como cheguei em casa, viro para o lado e vejo Sandy, minha secretária, coberta apenas por um lençol de seda.

– Hora de ir. – balanço seus ombros e me levanto.

Possuímos uma relação sexual, satisfazendo um ao outro, sem compromissos. Há apenas uma regra pela qual não abro mão, jamais se apaixonar.

– Bom dia!– ela diz manhosa, se espreguiçando na cama.

 Respiro.

Seu corpo é como uma obra de arte, aprecio atentamente suas belas curvas e a lembrança da noite passada me faz prolongar a manhã por mais algumas horas.

Alívio.

A água percorre todo meu corpo, já é quase final de tarde quando decido retornar para a empresa.

–É o Jason.– Sandy surge com meu telefone nas mãos. Fecho a torneira e ainda nu, afasto-me para atendê-lo.

– Espero que seja importante. – Eric, onde você está?

– Não me lembro de ter contratado uma babá. – ironizo ao meu amigo e braço direito.

–Os investidores chegaram. Preciso lembra-lo que tudo depende dessa reunião?

– Chego em trinta minutos. – Aviso.

Desde que meu pai, Henry Gonzalez, passou-me a presidência, absolutamente tudo precisa estar em perfeita harmonia.

 –Já está de saída?– Sandy pergunta enquanto visto meu terno.

 – Peça um táxi para você, tenho que ir.

Entro no meu carro esportivo, e sigo pelas ruas de Los Angeles.

–Estão todos aguardando na sala de reuniões.– Jason diz assim que chego.

–Então vamos.

[…]

A reunião foi um sucesso, os contratos foram assinados e já podemos dar início à construção da nova filial.

–Isso merece uma comemoração.

–O que sugere então?

–Conto no caminho.

Concordo e seguimos em direção à uma boate na Sunset Boulevard.

A área privada possui amplo acesso ao local, com meu copo de whisky na mão observo as pessoas ao redor.

Jason está um pouco afastado, daqui consigo vê-lo conversar com a barista. Ergo o copo em sua direção, cumprimentando-o. Ele sorri debochado e se vira.

As luzes se apagam e uma música surge ao fundo.

“I'ma care for you” Assobios preenchem o local.

“I'ma care for you, you, you, you” Desço os olhos para o palco.

“You make it look like it's magic (oh, yeah)” Observo as dançarinas.

As máscaras em suas faces não permitem que revelem suas identidades.

“Cause I see nobody, nobody but you, you, you” Encaro uma a uma.

Até que a vejo.

Ela é diferente das outras.

“Girl, you earned it, yeah” Meus olhos se prendem a garota.

“You're my favorite kind of night”

Eu a terei essa noite! 

Desço as escadas a fim de encontrar a feiticeira em formato de mulher mas não a vejo.

–Para onde elas foram?– pergunto ao segurança.

–O show acabou.– ele grita.

Uma pequena confusão se forma ao lado da pista e apenas me afasto.

 – Já vi que escolheu sua presa.– Jason comenta assim que me vê.

–Encontre-a.

–Como espera que eu faça isso?

 –Tenho certeza que dará um jeito.

–Não pode simplesmente esquecer?– reclama.

–Jason, meu amigo. Mulheres como aquela não desaparecem, elas deixam vestígios por onde passam, e sua missão é encontrá-los.

–Farei o possível.– ele diz e nos despedimos.

Já em casa, retiro o paletó e me sirvo de uma dose de whisky.

Enquanto beberico, caminho em direção ao quarto, a frustração de uma noite mal sucedida que ,aparentemente, ainda não acabou.

Agora nu, entro no banheiro e abro a torneira, permitindo que a água fria percorra meu corpo e traga minha sanidade de volta.

“Qual será seu nome?”

Minha consciência traíra insiste em pensar no ser místico de cabelos negros e olhos penetrantes.

Seja qual for o feitiço lançado, estou perdidamente entregue aos seus encantos.

[…]

Na manhã seguinte, encontro Eva cantarolando na cozinha, minha governanta parece não perceber minha presença enquanto segue preparando o café da manhã.

–Bom dia, Eva.

 –Jesus!– exclama.

–Não é pra tanto.– falo ao me aproximar.

–Um dia você matará essa velha de susto, menino.

–Vejo que amanheceu animada.– digo ao observar a mesa farta.

–Preparei panquecas.– sorri como se soubesse meu maior segredo.

Panquecas.

Eva as prepara desde que eu era um menino, salpicadas de açúcar e cobertas por melado.

As lembranças são doces mas dolorosas, Helena, minha mãe, gargalhava ao ver minha boca coberta de farinha.

 –Está pensando nela?

–Todos os dias.– digo e posso sentir o nó se formar na minha garganta.

Eu tinha doze anos.

Se eu fechar meus olhos consigo ouvir o som da sirene na entrada de casa, meu pai gritava por socorro enquanto Eva tentava me acalmar.

–Preciso ir! – levanto e saio apressado. 

[…]

Chego na empresa e já me deparo com Sandy na saída do elevador.

 – Ligue para Jason e peça que venha para minha sala, não quero ser incomodado por ninguém hoje, estarei lá dentro o aguardando.– Digo e sigo em direção a minha sala sem ao menos esperar uma resposta dela.

Não demora muito e o vejo entrar com um sorriso sarcástico no rosto.

 – Já imagino o motivo que mandou me chamar, não conseguiu dormir pensando na sua Cinderela?– Jason ri

 – Você fez o que eu mandei? – Ignoro sua piada.

– É claro que fiz, só não sei por que esse trabalho todo por causa de uma dançarina.

– Acho bom você tomar cuidado, somos amigos mas já deixei claro que não gosto que se envolva dessa maneira com quem eu quero ou não na minha cama, e é somente isso que eu quero, foder com ela. – Respondo sério, ele me encara e logo bufa contrariado. 

 – A primeira está agendada para o 12h.

[…]

Ao 12h chego ao restaurante que mandei James reservar para que eu tenha uma conversa em particular com a garota. Sentado, tomando uma dose de whisky, logo vejo alguém se aproximando. 

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