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Capa do romance Apenas uma dança

Apenas uma dança

Cecília Diaz dedica sua vida ao direito, mas sua verdadeira paixão é a arte do pole dance. Em uma noite agitada em Los Angeles, ela cruza o caminho de Eric Gonzalez, um CEO influente e avesso a compromissos sérios. O encontro inesperado em uma boate desperta no poderoso advogado um interesse profundo pela jovem dançarina. Unidos por conexões temporais que nenhum dos dois esperava, eles enfrentarão as consequências de uma atração que promete mudar seus destinos.
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Capítulo 2

Cecília Diaz

 Cheguei na balada atrasada, vejo que a fila está enorme, se continuarmos aqui vão nos demitir e não terei dinheiro para pagar o aluguel do studio. Minha mãe e Adam ficam sobrecarregados com as contas de casa, esses shows são um bico que faço enquanto espero o resultado da lista de estágio que estou concorrendo. Emma diz a um dos seguranças que estávamos ali a trabalho, então ele nos entrega uma lista de presença para assinar com nome e telefone. É nesse momento que vemos Melanie, uma das dançarinas do studio vindo em nossa direção. Eu aluguei o studio quando o meu irmão nasceu, no começo o Adam e os pais da Emma ajudavam, mesmo contrariados, mas hoje temos que trabalhar se quisermos manter o lugar aberto. As meninas vieram depois, elas não pagam pelas aulas mas toparam dançar para levantar o dinheiro do aluguel.

 – Finalmente achei vocês, todas já chegaram, estão nos chamando, venham, vamos! – Ela diz nos apressando. Emma e eu entramos, deixando a lista para trás. Ao entrar no camarim, guardamos nossas bolsas e colocamos nossas máscaras. Emma deu a ideia das máscaras para não sermos reconhecidas por alguém da faculdade, ou do trabalho. Nós não somos de sair espalhando que dançamos em uma boate, não fazemos nada de errado, mas até termos a chance de nos defender, muita coisa poderia ser interpretada de maneira errada.

 – Todas prontas? Então vamos. – Eu digo para as meninas e logo nos posicionamos nos nossos lugares.

A música toca e logo começamos a dançar, eu não ligo para os aplausos e assobios, agora o que importa é a melodia, eu sinto a música e ela me diz o que fazer. Quando olho para cima, vejo um homem alto, forte, de cabelos loiros e olhos escuros me encarando, eu continuo dançando com meus olhos presos naquele homem, ele é muito bonito e intrigante. Por um momento ele para de me olhar, e é nesse momento que percebo que a música acabou. Vou até o camarim tentar me recompor e vejo que Emma vem logo atrás de mim.

– O que foi aquilo lá? Nunca vi você dançar com tanta emoção. – Emma diz e eu não entendo muito bem o que ela está querendo falar.

– Não entendo o que está querendo dizer, não foi nada demais, apenas estávamos dançando como sempre fazemos. – Respondo, ainda com meus pensamentos naquele homem e em como ele me olhava. Mas antes mesmo que Emma me diga alguma coisa meu telefone toca e vejo que é minha mãe na tela.

– Alô, mãe? Está tudo bem?– Pergunto preocupada, ela não é de ligar, esse é o papel do Adam, ele sempre fica preocupado quando eu venho para a boate.

– Cecília, o Adam… Ele passou mal, estamos no hospital..– Mamãe diz e sinto meu coração apertar, antes que ela termine de falar eu respondo.

– Eu já estou indo.– Desligo e vou em direção ao hospital acompanhada de Emma. Desde que eu nasci, minha mãe nunca me escondeu que Adam não era meu pai. Eu sou muito grata por ele ter entrado na nossa vida na hora certa e mesmo não tendo o seu sangue, ele sempre será o meu pai. Ele esteve presente nas festas escolares, nas apresentações, foi ele que me ensinou a andar de bicicleta. Me lembro de uma vez em que estava pedalando e cai, fui até Adam chorando dizendo que jamais ia conseguir andar em uma sem rodinhas como as outras meninas, nesse momento ele olhou nos meus olhos e disse “ Querida, você é a garotinha mais inteligente que eu já conheci. Eu sei que você está com medo, até mesmo as pessoas mais corajosas sentem medo, você só não pode deixar o medo te impedir de realizar os seus sonhos”. Por um momento o medo toma conta de mim e sinto as lágrimas tomarem conta do meu rosto, Emma me abraça e fica em silêncio enquanto entramos no táxi e seguimos a caminho do hospital.

Entramos na recepção e informamos o nome do paciente, a recepcionista nos informa que ele está no segundo andar, pegamos o elevador e ao sair encontro minha mãe em pé conversando com um homem alto, de cabelos pretos e olhos azuis. Ele está de jaleco e pelo olhar da minha mãe, sinto que ele não está dando uma boa notícia. Me aproximo mais deles para conseguir ouvir o que está acontecendo e é quando minha mãe nota minha presença e me abraça, seus braços tremem e mesmo sem ver, sei que está chorando.

– O que aconteceu? – pergunto com a voz trêmula

– Eu não sei, querida. Ele nunca reclamou de dores, mas estávamos assistindo filme, o Brian tinha ido dormir..El..Ele começou a falar que estava sentindo muita dor, pediu para trazê-lo ao médico, eu estou com tanto medo.– Mamãe diz e tenho tanto medo que não consigo pensar em nada.

– Onde está o Brian? – Pergunto, tentando ser forte por ela e por mim.

– Ele está com a enfermeira na sala de jogos para crianças, o doutor pediu que levassem ele para ter uma conversa em particular comigo. – Ela diz no momento em que noto que o médico está nos olhando com um olhar de compaixão e preocupação.

– Desculpe, doutor. Meu nome é Cecília, o que meu p..O que o Adam tem? – Quando eu era pequena sempre chamei o Adam de pai, mas quando minha mãe contou que estava grávida eu parei, ele sempre me perguntou se tinha feito algo para que eu deixasse de chamá-lo de pai, no fundo foi ciúmes, eu não era filha dele de sangue, e eu não queria tirar a chance dele ouvir essas palavras do filho dele. Mas agora eu tenho medo de não conseguir falar essas palavras novamente. Uma angústia toma conta de mim e não sei o que fazer.

– Cecília, sou o Doutor Lúcio. Como eu estava explicando pra sua mãe, o Adam tem uma pancreatite aguda, já está avançada e será necessário uma cirurgia de emergência, nós já estamos preparando a sala, mas será necessária a assinatura da sua mãe para realizarmos a cirurgia, não quero enganar vocês, mas é arriscado. – Meu mundo desabada e não sei como reagir.

– Nós podemos vê-lo antes da cirurgia? – Minha mãe pergunta com um fio de voz que ainda lhe resta.

– Por alguns minutos, mas peço que não demorem, ele precisa fazer a cirurgia o quanto antes. Vou pedir que a enfermeira as acompanhe.

Entramos no quarto e vejo Adam ao redor dos aparelhos e sinto as lágrimas se juntarem em meus olhos, mas não posso deixar que ele me veja dessa forma, preciso ser forte por ele.

– Adam, querido. Estamos aqui, meu amor.– Mamãe fala enquanto beija sua testa.

– Meus amores, eu não queria assustar vocês, as dores vinham de vez em quando, mas nunca como hoje. – Ele fala e nós ficamos arrasadas pois não percebemos que ele já vinha sentindo isso a algum tempo.

– Querido, por que não falou antes?

– Meu amor, me deixe conversar com a nossa garotinha primeiro. – Ele pede e mamãe diz que vai esperar lá fora.

– Cecília, minha querida. Eu queria que você soubesse que desde que sua mãe apareceu na minha vida com você, eu prometi que amaria você como se fosse minha filha, eu tenho muito orgulho da mulher que você se tornou..– Ele fala e as lágrimas escorrem em seus olhos.

– Pai, você sempre foi e sempre será meu pai. Me perdoa, eu tive medo, eu quero te pedir desculpas..Eu..– Antes mesmo que eu termine de falar, Adam me diz.

– Cecília, você e o Brian sempre serão meus filhos, nada vai mudar isso. Eu amo os dois igualmente, e preciso que você seja forte, cuide dele e da sua mãe, eu não sei o que vai acontecer, mas saiba que estarei sempre cuidando de vocês.

– Não diga isso, por favor, nós precisamos de você. – Já não consigo conter as lágrimas que caem dos meus olhos.

– Eu te amo, minha garotinha. Seja forte e corajosa, eu estarei te protegendo sempre. Agora vá, sua mãe precisa de você, eu ficarei bem. – Saio do quarto e vou para perto da minha mãe, ela está sentada ao lado de Emma e as duas me olham preocupadas.

Já faz 5 horas que estamos aguardando nessa sala de espera, ainda não apareceu ninguém, o que nos deixa cada vez mais preocupadas, quando estava me levantando para falar com a recepcionista vejo o doutor Lúcio se aproximando.

– Dona Alejandra, Cecília..

Os órgãos já estavam muito comprometidos, fizemos todo o possível para salvá-lo, mas infelizmente ele não resistiu. – Nesse momento sinto minhas pernas perderem a força, Emma me segura quando percebe que estou prestes a desabar e me abraça como quem sabe muito bem a dor que estou sentindo. Saio dos braços de Emma e vou em direção a minha mãe que está sentada chorando com as mãos no rosto, lembro de Adam pedindo que eu fosse forte e corajosa, que eu precisaria cuidar deles e choro junto com ela, abraço-a forte e ficamos ali por um longo tempo.

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