
Apenas Fique Comigo
Capítulo 3
" Tudo no seu tempo
Tão veloz por dentro
Em mim passa devagar
A me acertar”
Areia – Sandy, Lucas Lima
♥
Abri os olhos. O teto branco não era o do meu quarto, as cenas da noite anterior me tomaram a mente e eu virei rapidamente na cama a encontrando vazia. Assustada me sentei e não contive o grito ao ver o homem da noite anterior parado usando apenas uma calça preta de seda que caia baixa em seus quadris, ele fechou os olhos quando gritei.
— Jesus! Levei a mão ao peito.
O semblante de Diogo estava estranho, por algum motivo ele parecia furioso.
— Nós usamos camisinha ontem à noite? A voz saiu extremamente rude.
— Não. Respondi o encarando.
— Mas que porra! Foi a vez de ele alterar a voz. Levou as mãos à cabeça no momento seguinte. Com certeza ele estava morrendo de ressaca.
— Não usamos porque nós não transamos. — Bocejei me levantando da cama e comecei a passar as mãos no meu cabelo que deveria estar uma bagunça só. — Você não se lembra de nada?
— Não transamos? — Ele fixa o olhar na cama. — Eu estava pelado hoje de manhã...
— É, você decidiu se livrar da cueca quando eu te coloquei na cama depois do banho. E olhe só, eu estou de roupas. — Pisquei de um olho só. — Tudo que rolou foi que você roubou meu táxi ontem, como estava caindo de bêbado eu trouxe você para casa, aí você vomitou em tudo, inclusive no chão da sala... depois do chuveiro gelado não parava quieto e fiquei com medo que voltasse a vomitar e sufocasse, em algum momento você me puxou para a cama e me usou de travesseiro, como era bem tarde eu acabei pegando no sono.
— Nós não transamos então? Repetiu e eu sinceramente comecei a desconfiar se aquele homem tinha algum problema mental.
— Você tem alguma dificuldade de entendimento ou só escutou essa parte? Falei aborrecida.
— A minha cabeça está doendo muito. Reclamou me olhando e eu quase respondi: A minha também, sorte a sua ser apenas ressaca.
— Você tem banana aqui?
— O que? Falou me olhando como se agora eu fosse a doente mental.
— Vitamina de banana cura ressaca.
— Você é enfermeira?
— Não, mas minha melhor amiga que sempre passa mal de ressaca eu tive que aprender um remédio.
— Banana. — Ele falou e voltou a me encarar por longos segundos. — Pode usar o banheiro se quiser. Apontou para a porta.
— Ah, claro, obrigada. Respondi começando a andar rápido para o outro cômodo. Diogo me olhava estranho e eu ficava extremamente incomodada com aquele seu olhar de gato prestes a atacar.
Lavei o rosto e bochechei um pouco de pasta de dente, ninguém merecia sentir meu bafo matutino. Como já previa meu cabelo parecia um ninho de passarinho que havia pegado fogo, juntei tudo no topo da cabeça e improvisei um coque. Voltei para o quarto e encontrei o local vazio, agarrei a minha pequena bolsa que tinha caído ao lado da cama e desci as escadas.
O barulho de um liquidificador tomava a casa silenciosa. Estava prestes a me esgueirar para fora quando a voz agora menos brava chamou.
— Quer um copo?
— Estou bem, já estou indo. Olhei na sua direção.
— Fiz café também, tome uma xícara. Parecia manso, cavalheiro até. Sua rudeza tinha ficado para trás desde que confirmei que não havíamos transado na noite passada. Me aproximei do balcão aceitando a caneca que ele me ofereceu e meu organismo agradeceu o cheiro de café fumegante que me ofereceu enquanto encarava seu copo de vitamina como se avaliasse se aquilo seria uma boa ideia.
— Você disse que roubei seu táxi?
— Com certeza.
— Como é que eu fiz isso?
— Eu já estava dentro quando você invadiu falando nada com nada. Dou um sorriso sem mostrar os dentes.
— Desculpe. — Ele levou as mãos aos cabelos puxando os fios para trás. — Acho que sai do controle ontem.
— Tudo bem... você teve sorte sabe? O taxista se recusava a te trazer sozinho quando eu disse que desceria, por isso eu te acompanhei.
— Você me acompanhou tranquilamente sem nem me conhecer? E se eu fosse um maluco estuprador?
— Você estava visivelmente bêbado precisando de ajuda, o cara disse que se eu descesse também te faria descer, tinha duas opções, deixar você sozinho na rua correndo o risco de acontecer algo, ou trazer você para casa em segurança, fui educada para fazer a segunda. Respondi petulante e Diogo me encarou como se minha resposta tivesse o surpreendido. Podia ver bem seus olhos nessa manhã e, estava encantada, o tom não era tão azul quanto pensei, era mesmo cinza, como os olhos de um gato, pratas brilhantes.
— Desculpe, eu só achei perigoso, sou uma pessoa boa, mas poderia não ser. Enfim, devo agradecimentos, ontem à noite fui uma vergonha alheia de primeira. Bebericou a vitamina abaixando os olhos envergonhado.
— Todo mundo já passou por isso. Falei enquanto observava suas tatuagens sobre a pele levemente bronzeada de sol. Identifiquei um pé com asas meio aos girassóis que eram espalhados entre alguns outros desenhos rodeavam o interior do seu braço.
— Não estou mais na idade para estes acontecimentos. Abriu um sorriso encantador mostrando os dentes brancos e certos, era diferente dos sorrisos da noite passada. Nesse ele não demonstrava nada sexual, apenas simpatia.
— Lembre-se disso da próxima vez, senhor preservativos. Pisquei deixando a xícara sobre o balcão e me colocando de pé.
— Você me chamou de quê?
— Nada. — Dei-lhe um sorrisinho amarelo. — O papo está ótimo, mas eu preciso mesmo ir para casa.
— Eu pago o seu táxi.
— Não se preocupe, eu sei me virar. Tchau, Diogo. Acenei lhe dando as costas enquanto andava rumo à sua porta.
— Eu te falei o meu nome? Andou atrás de mim me observando pedir o elevador.
— Seu porteiro fez por você.
— Você me disse o seu? Se me disse eu não me lembro...
Por sorte ou azar o elevador se abriu naquele momento e eu entrei o encarando sorrindo enquanto apertava o botão para a portaria.
— É Camile. Camile Maier.
No caminho para casa eu respondi algumas mensagens incluindo as de Babi mentindo que havia me esquecido de avisar quando cheguei.
Assim que adentrei meu apartamento eu não pude evitar de compará-lo com a enorme cobertura de Diogo, mas como era eu quem limpava só agradeci o meu ser do tamanho suficiente.
Entrei embaixo do chuveiro e deixei que a água me relaxasse, a noite não tinha sido nada confortável apesar daquele colchão ser maravilhoso, decidi ignorar as aspirinas e me enrolar embaixo dos cobertores abaixando o ar condicionado para a temperatura mínima. Molhei uma toalha de rosto e a posicionei sobre os olhos. Agradeci imensamente por não ter que ir trabalhar as quartas e peguei no sono.
Acordei já se passavam de quatro da tarde, voltei a tomar um banho refrescante, fiquei feliz pela minha cabeça ter dado uma trégua desde a madrugada, coisa que não vinha acontecendo nas últimas semanas. Coloquei um vestido de verão e desci para ir à praia, atravessei a avenida já tirando os chinelos e colocando meus pés na areia macia aproveitando que já não estava tão quente devido ao fim de tarde, caminhei até bem perto do mar e analisei as ondas calmas se quebrando bem antes de chegar a margem. Sentei encarando o horizonte, o sol estava se pondo quase dando lugar a noite, respirei fundo tentando fazer com que aquela angustia que insistia em me tomar saísse, a pior notícia que eu já havia recebido na vida voltava claramente a martelar na minha cabeça.
“Infelizmente nós descobrimos um tumor, Camile, a nossa única alternativa é tentarmos uma cirurgia. ”
As lágrimas que estava segurando há meses desde que fui diagnosticada escorreram e me permiti chorar, porque o choro silencioso lavava minha alma triste e desesperada, estava com vinte e quatro anos, perto de terminar a faculdade de Direito que era um grande sonho, com planos para a vida toda e de repente tudo tinha desmoronado, estava sentenciada a morte.
O toque do meu celular chamou minha atenção fazendo com que as lágrimas aumentassem ao ver o nome do meu irmão escrito na tela. Forcei ao máximo para que minha voz não saísse embargada quando atendi.
— Oi.
— Cami? Ei, você sumiu, está ocupada? A voz grave de Matheus me deu ainda mais vontade de chorar apesar de ser confortante falar com ele.
— Para você nunca né Math, estou na praia.
— Que vida boa a de carioca em? Riu e me fez sorrir também. — Só liguei para saber se estava tudo bem, você não apareceu muito nos últimos dias.
— Esta semana foi corrida na faculdade e no trabalho, mas aqui está tudo certo e por aí?
— Aqui está tudo ótimo também, você vai mesmo vir nos visitar?
— Sim, ficarei duas semanas provavelmente.
— Que bom, nosso pai vai ficar muito feliz, estamos com saudades suas, pequena.
— Eu também estou morrendo de saudades.
— Eduardo virá com você?
Fechei os olhos por uns segundos antes de responder. Teria de contar a verdade, ao menos isso eu podia contar.
— Eduardo e eu não estamos mais juntos Matheus.
— Vocês terminaram? Aquele cara aprontou com você? Sua voz subiu vários tons acusatórios.
— Não! Ele não fez nada... nós só não estávamos mais concordando com nada, parece que o tempo nos mudou e nem percebemos, nossa convivência estava ruim. Decidimos que seria a melhor terminar.
— Jura? Você sabe que pode dizer, não é? Se ele fez alguma coisa eu pego o primeiro voo para quebrar a cara dele.
Ri da sua insinuação, meu irmão era o meu melhor amigo e sempre me protegeu, eu tinha certeza que ele não estava blefando em suas palavras.
— Fica tranquilo, terminamos bem, eu juro.
— Se Eduardo não vem, Bárbara virá então? Fingiu desinteresse e eu soltei uma gargalhada fazendo com que minhas ultimas lágrimas sumissem. Matheus me fazia bem, rir da sua cara de pau só me deixava com mais saudades. Babi e Matheus tinham um rolo e acreditavam que eu não sabia, em público se alfinetavam como gato e rato, mas todas as vezes que ela viajou comigo para casa ele cedia o quarto para que ela dormisse dizendo que dormiria na sala mesmo eu falando que poderíamos dormir juntas, quando ele veio me visitar eu tive a certeza já que ela sumia sempre quando ele saia para a balada sem mim.
— Talvez, ainda não conversei com ela sobre isso.
— Preciso desligar pirralha, estão me chamando aqui.
— Sinto sua falta.
— Eu também sinto, me ligue ok? Te amo.
— Também te amo. Me despeço sentindo meu coração mais leve.
— Era o seu namorado?
Dou um pulo assustada olhando em direção a voz e meu coração dispara ainda mais ao ver quem está sentado ao meu lado.
— Puta que pariu! Levo a mão ao peito e ele me dá uma risadinha.
— Assustei você?
— Óbvio, chegou sem fazer barulho. O que faz aqui garoto?
— Diogo.
— Eu sei o seu nome.
— Ah, é verdade. — Ele ri de novo. — Então, — Faz menção com a cabeça para o celular que continuava em minhas mãos. — Era o seu namorado no telefone?
— Não, não era ele... quero dizer, não tenho namorado, não mais, terminamos há algumas semanas. — Me calo percebendo que não precisava explicar nada para o estranho bêbado ladrão de táxi. — Era meu irmão... O que faz aqui?
— Estava com alguns amigos no quiosque. — Apontou para o barzinho a beira do calçadão atrás de nós e eu desconfiei ao ver o local vazio. — Eles já foram, eu também estava indo quando te vi. Justificou-se.
— Não tem quiosques bons no Leblon? Falei na defensiva.
— Au. — Franziu o cenho aparentemente chateado. — Estou incomodando?
— Não... desculpe, não quis ser rude, só achei estranho mesmo.
— Tenho uns amigos que moram aqui perto. Quando eu vi você, achei que seria legal vir dar um oi, afinal nós não conversamos muito nessa manhã, nem pude te agradecer como deveria.
Encarei o homem que estava bem perto, era capaz de reparar cada detalhe do seu bonito rosto, a barba cerrada no queixo bem marcado, os olhos pratas brilhavam sob a luz alaranjada do fim de tarde.
Dou um sorriso dessa vez receptivo e ele retribui.
— Você estava chorando? É pelo fim do namoro?
— Eduardo é o menor dos meus problemas. — Encaro o mar suspirando. — Na verdade ele não é nem um problema, já que não faz mais parte da minha vida. Só fiquei emocionada por falar com meu irmão, somos muito próximos e como ele mora em outro estado fico com saudade. Minto ocultando o fato de que já estava chorando quando Matheus ligou, Diogo pareceu acreditar em parte já que analisava meu rosto minunciosamente.
— Você aceita sair para jantar? Sabe... como agradecimento pelo o que fez por mim.
Quis rir do seu jeito habilidoso, parecia jogar charme ao mesmo tempo que fingia desinteresse, achava graça devido ao fato de estar numa fase altamente reversa a homens, minha vontade de arranjar outro namorado era a mesma que eu sentia para pular de um prédio, mas nem por isso eu era cega, Diogo era um homem muito atraente que qualquer uma gostaria de experimentar, mas definitivamente ele não era para mim e nem se fosse, não podia o querer.
— Não precisa fazer isso.
— Faço questão! — Insistiu. — Posso pegar você hoje?
A noite toda se quiser, com muito prazer. Minha mente grita. — Se você insiste... eu moro ali naquele prédio.
— Eu sei.
— Sabe?
Vejo-o disfarçando tirando os olhos dos meus olhando para trás. — Eu sei que estou insistindo no jantar, mas eu faço mesmo questão. — Sorriu. — Então, qual deles é o seu? Apontou para o rumo dos condomínios.
— Posso fazer uma pergunta sincera?
— Sim.
— Você estava mesmo com amigos no quiosque?
— Sim. Responde aparentemente sincero e solto a respiração jogando para longe a paranoia de que ele me seguia. Diogo não era nenhum psicopata e, muito menos estava correndo atrás de mim, não seria lógico ele saber onde eu morava então apenas dei-lhe um voto de confiança, pois seria apenas um jantar.
— Eu só estava tendo a certeza que não é um perseguidor. Moro naquele azul, se chama Harper.
— As oito está bom? Me passe o seu número...
— Camile? A voz que eu conhecia bem interrompeu o que Diogo me dizia e eu virei o rosto para ver Edu se aproximando. Não era possível.
— Eduardo. Fiquei de pé e Diogo me acompanhou, cumprimentei o recém-chegado o mais friamente possível e percebi ele medir Diogo de cima abaixo, o que me surpreendeu foi o ver fazer o mesmo com Eduardo. Não podia mentir, estava felicíssima por ter encontrado o traste logo agora, com esse deus grego ao meu lado. Apontei para o moreno lindíssimo ao meu lado e Diogo apenas acenou com a cabeça quando o apresentei.
— Este é Diogo.
— Como você está? Eduardo me olhou com raiva ignorando o fato de que eu havia acabado de lhe apresentar alguém.
— Bem, obrigada. Não ousei perguntar como ele estava, até porque eu não queria saber.
— Pensei em te ligar, mas Babi me deu notícias suas.
— Com certeza ela deu. — Dou um sorriso falso. — Não me leve a mal, Edu. — Falei e mordi a língua ao perceber que o chamara pelo apelido. — Já estávamos indo, não é?
Diogo estava parado ao meu lado como um segurança de cara amarrada. — É, estávamos. Concordou.
Eduardo o olhou em desafio, pousou os olhos em mim e depois na minha companhia como se avaliasse nossa proximidade, por uns segundos longos eu observei os dois colírios em minha frente. Diogo era mais alto e tinha a pele mais clara que Eduardo que apesar dos centímetros a menos era mais grande, Diogo era malhado e com os músculos trincados, mas Edu passava horas na academia e tomava suplementos o suficiente para parecer um monstrinho, porém o rosto de Diogo não demonstrava nenhum medo se fosse necessário medir forças.
— Adeus. Me despeço já virando para não precisar escutar a resposta.
— Espera, Cami. — Sua mão rodeou meu pulso e eu percebi os pomos de adão de Diogo subindo e descendo como se estivesse irado. — Posso ligar para você?
— Não, não temos o que falar. Puxo minha mão.
— Tem certeza?
— Tenho. Conclui voltando a andar com Diogo ainda mudo ao meu lado com a cara emburrada até que saímos da faixa de areia e chegamos ao calçadão.
— Você ainda gosta dele?
— Não. Respondo prontamente. Não gostava mais de Eduardo, na verdade estava desconfiada que nunca havia o amado, parecia que depois que nos separamos eu tinha percebido que tudo que aconteceu entre nós não havia se passado de amizade e bom sexo, sentia falta de sexo, mas não dele.
— É bem recente o término, não é? Talvez você só esteja chateada.
— Sim eu estou chateada, Eduardo me abandonou mesmo sabendo que era a minha única família nos últimos anos, não hesitou em ir e quando foi eu percebi que foi a melhor coisa que ele poderia ter feito... prefiro rolar em brasa quente do que reatar, satisfeito?
Diogo me encara surpreso com minhas palavras.
— Eu não quis ser evasivo, desculpe.
— Você quer ou não anotar o número?
Ele o celular do bolso bermuda e me olha enquanto dito os números, assim que termino volta a guardar o aparelho.
— Vejo você a noite então. Estendo a mão, mas ele ignora me puxando para perto deixando um beijo em minha bochecha. Dei-lhe as costas e atravessei a avenida indo de volta para casa, dessa vez ainda irritada pela cara de pau do meu ex-namorado.
As horas passaram rápido. Estava deitada no meu sofá desde que tinha chegado da praia, meu celular tocou e eu estendi o braço para alcançá-lo.
— Oi, Babi.
— Ok, quem é gostoso da praia? Conta tudo!
— Como é que é? Me sentei perplexa.
— Eduardo, ele estava aqui em casa para sair com Bruno e estava me interrogando para saber sobre o cara que ele não conhecia que estava te acompanhando hoje na praia.
— Eduardo podia me esquecer. Bufo com raiva.
— Falei isso para ele... mas conta aí, quem é a carne nova?
Fechei os olhos, já prevendo a gritaria que Bárbara arranjaria no meu ouvido quando ouvisse a história. — Ajudei um cara bêbado a chegar em casa na noite passada, coincidentemente nos encontramos na praia e ele resolveu me chamar para jantar como forma de agradecer.
— Cara bêbado? Jantar? — Babi comemorou. — Sua vida toda movimentada e você escondendo o jogo, Camile?
— Não estou escondendo, só cheguei em casa agora pouco.
— Ele é bonito?
— Não é um encontro, Babi.
— Como não? Para com isso, estou radiante por você estar flertando, aposto que já jogou o número do garçom fora.
— Só estou falando a verdade, não é um encontro, o cara só está agradecido.
— Você é sempre chata, Cami. Só se vive uma vez.
— Ok, anotado, mas ainda não quero outro relacionamento tão cedo. Falei tentando encurtar a conversa.
— Vê se ao menos me ligar para contar como foi.
— Prometo que sim, te amo beijo.
Despedi-me e desliguei antes mesmo que ela respondesse e percebi que estava totalmente atrasada, a sorte era que eu não tinha a menor intenção de impressionar Diogo, ele tinha dito na noite passada que eu não era o tipo de garota com quem ele fodia e isso não me incomodou, já que apesar de me encantar por sua beleza não estava interessada nele. Um jeans e uma camiseta teriam de servir para um jantar de agradecimento.
Pontualmente as oito horas meu celular apitou com Diogo avisando que já estava lá embaixo me esperando, olhei no espelho uma última vez ajeitando meus fios ruivos que teimavam em desprender da trança lateral que caia sobre o ombro, usava um jeans de cintura alta escuro e uma blusa preta de mangas compridas que eram presentes de Babi. Nos pés eu calcava meu velho e querido tênis preto que combinava com qualquer roupa. Eu parecia uma colegial entediada, Diogo perceberia que eu estava “nem aí” para aquele jantar quando batesse os olhos em mim?
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