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Capa do romance APAIXONADA PELO MELHOR AMIGO DO MEU PAI - PARTE 1.

APAIXONADA PELO MELHOR AMIGO DO MEU PAI - PARTE 1.

Mally O'Brien sempre amou Haniel Galleghan em segredo, mas a paixão pelo melhor amigo de seu pai era proibida. Um beijo inesperado rompe o silêncio e desencadeia um escândalo devastador. Expulsa de casa e desprezada por todos, ela enfrenta a dor do isolamento, enquanto Haniel perde sua reputação e sua amizade mais preciosa. Entre famílias destruídas e consequências amargas, resta a dúvida: o desejo foi um erro fatal ou um vínculo impossível de apagar?
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Capítulo 2

Heyva O'Brian.

"Não existem despedidas para nós. Onde quer que estejas, estarás sempre em meu coração." - Mahatma Gandhi.

Meus dedos acariciam distraidamente a colcha de retalhos que minha avó fez, cada pedaço de tecido guardando histórias de outras épocas, de outras vidas. Tento me concentrar na textura sob meus dedos, mas também tento aceitar a verdade que não posso mais fugir, por mais que tenha tentado: talvez essa seja a última vez que vejo este quarto, essas paredes que testemunharam tanto da minha vida, tantos sorrisos, tantas lágrimas, tantos sonhos cochichados na escuridão da noite.

Fecho os olhos e as memórias me levam para outro lugar, como se minha mente entendesse que preciso de uma pausa da realidade, um mergulho em águas mais doces antes de encarar o oceano tempestuoso que me aguarda...

Flashback on...

Estamos no jardim dos fundos, em um dia ensolarado de primavera. O céu é de um azul tão intenso que parece pintado à mão, sem uma única nuvem para interromper sua perfeição. O perfume das flores recém-desabrochadas preenche o ar com uma fragrância doce e embriagante. Os canteiros que plantei no outono anterior explodem em cores - amarelos vibrantes, roxos profundos, rosas delicados, criando um arco-íris terrestre que contrasta com o verde exuberante da grama.

Mally corre pelo gramado, com o vestido azul-claro - seu favorito naquele verão - esvoaçando ao vento como as asas de uma pequena borboleta. Ela acabou de completar sete anos e está naquela idade mágica onde o mundo é simultaneamente familiar e cheio de maravilhas por descobrir. Meu marido está logo atrás dela, fingindo não conseguir alcançá-la, exagerando sua falta de fôlego, enquanto sua risada ressoa com força, profunda e genuína, o tipo de som que sempre fez meu coração acelerar desde o primeiro dia.

- Estou te alcançando, Mally! Cuidado, vou pegar seus pezinhos! - ele grita, enquanto ela acelera, os cachos dourados balançando ao ritmo de seus passos apressados, pequenos raios de sol em movimento.

Estou sentada na varanda, folheando um livro que não consigo realmente ler porque a cena diante de mim é muito mais cativante que qualquer história impressa. O vento ocasional vira as páginas por mim, como se também quisesse que eu prestasse atenção ao momento presente, ao invés de me perder em mundos fictícios.

Mally tropeça em uma raiz exposta, cai sobre a grama com um pequeno grito de surpresa, e por um momento meu coração dispara com aquele instinto materno, aquela preocupação que surge automática como respirar. Já estou meio levantada, pronta para correr até ela, quando percebo a reação de meu marido - ele para, observa, mas não interfere imediatamente, dando-lhe espaço para reagir por conta própria.

Mas, como sempre, ela se levanta com um sorriso determinado, pequenos pedaços de grama presos ao tecido do vestido e às palmas das mãos. Ela sacode o vestido com uma dignidade cômica, como uma miniatura de adulto, e grita com uma confiança inabalável: - Eu sou mais rápida que o papai! Nem caindo você me alcança! - E sai correndo novamente, seu riso cristalino ecoando pelo jardim como o tilintar de sinos.

Meu marido me olha por cima do ombro, piscando um olho em cumplicidade antes de retomar a perseguição, agora exagerando ainda mais sua "dificuldade" em alcançá-la, tropeçando de propósito e fazendo Mally gargalhar até ficar sem fôlego.

Flashback off.

Lembro-me de como ri naquele dia, uma risada tão genuína e profunda que ainda consigo senti-la reverberando dentro do meu peito, como um eco distante de felicidade. É disso que quero me lembrar quando o tempo acabar. Não dos corredores assépticos e frios do hospital, das idas e vindas em consultas que só traziam más notícias, dos enfermeiros me furando aqui e ali com agulhas que pareciam cada vez maiores, nem do cheiro de medicamentos que agora parece impregnado na minha pele como um perfume indesejado.

Quero lembrar dessas pequenas faíscas de felicidade que Mally sempre trouxe para nossas vidas desde o primeiro momento, daquele sorriso que apareceu em seu rosto ainda no berçário, horas depois de nascer, e que os médicos disseram ser apenas gases, mas que eu sabia, no meu coração de mãe, ser um verdadeiro sorriso - o primeiro de muitos que iluminam meus dias.

Uma tosse seca e dolorosa me faz abrir os olhos, me puxando de volta para o presente com a crueldade de um despertador em um sonho bom. O ar parece áspero ao passar pela minha garganta, como se pequenas lâminas invisíveis a arranhassem de dentro para fora. Meu peito queima com o esforço de expelir o que não deveria estar lá, o que não pertence ao meu corpo, mas que agora parece ter reclamado território permanente.

O presente me chama de volta com sua voz impiedosa, lembrando-me que, por mais doces que sejam as memórias, elas são apenas janelas para um tempo que não volta mais. Meu marido está no quarto agora, parado na porta, como se esperasse permissão para entrar em um espaço que sempre foi tanto dele quanto meu. Seus olhos, antes tão vivos e brilhantes, agora parecem opacos, cobertos por uma névoa de exaustão e preocupação. Ele tenta sorrir, mas vejo o peso nos olhos dele, as rugas recentes que se formaram ao redor de sua boca, as olheiras profundas que contam histórias de noites sem dormir.

Ele se aproxima lentamente, como se temesse que um movimento brusco pudesse me quebrar, e talvez pudesse mesmo. Senta-se ao meu lado na beira da cama, o colchão cedendo sob seu peso, criando um pequeno vale que me aproxima naturalmente dele. Suas mãos encontram-se com as minhas, calejadas pelo trabalho com a terra na loja de jardinagem, mas incrivelmente gentis ao envolver meus dedos, agora finos e pálidos. Ficamos assim, em silêncio, por alguns instantes, deixando que o som de nossas respirações sincronizadas preencha o espaço entre nós. Não precisamos de palavras. O que temos é uma comunicação que transcende a fala, construída ao longo de anos de alegrias compartilhadas, desafios superados, sonhos realizados e outros abandonados no caminho.

- Lembra-se das nossas idas à praia? 

Pergunto finalmente, quebrando o silêncio, minha voz mais fraca do que gostaria, mas ainda carregando o peso da nostalgia que sinto.

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