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Capa do romance APAIXONADA PELO MELHOR AMIGO DO MEU PAI - PARTE 1.

APAIXONADA PELO MELHOR AMIGO DO MEU PAI - PARTE 1.

Mally O'Brien sempre amou Haniel Galleghan em segredo, mas a paixão pelo melhor amigo de seu pai era proibida. Um beijo inesperado rompe o silêncio e desencadeia um escândalo devastador. Expulsa de casa e desprezada por todos, ela enfrenta a dor do isolamento, enquanto Haniel perde sua reputação e sua amizade mais preciosa. Entre famílias destruídas e consequências amargas, resta a dúvida: o desejo foi um erro fatal ou um vínculo impossível de apagar?
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Capítulo 3

Heyva O'Brian.

"Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção." - Antoine de Saint-Exupéry.

Um pequeno sorriso aparece em seus lábios, tímido a princípio, depois se espalhando até iluminar brevemente seus olhos, como um relâmpago em céu nublado.

- Como poderia esquecer? - ele responde, apertando levemente minha mão. - Você insistiu em construir aquele castelo de areia que parecia um palácio, com torres e pontes que desafiavam a física. Passou horas nele, mesmo quando eu disse que a maré subiria e levaria tudo embora. E Mally ficou tão animada que cavou um fosso ao redor dele, acreditando piamente que isso salvaria a construção das ondas.

Ele faz uma pausa, perdido na lembrança, e continua: - No final, nós três estávamos cobertos de areia dos pés à cabeça, você tinha pequenas conchinhas até dentro do biquíni, lembra? E Mally tinha areia até nas orelhas, mas você parecia tão feliz... tão viva.

A última palavra sai como um sussurro, quase inaudível, mas carregada de significado. Viva. Algo que não serei por muito mais tempo.

Eu rio, apesar da dor que o movimento causa em meu peito, como pequenas facas entre as costelas.

- E o caranguejo? Lembra como você tentou pegá-lo para mostrar à Mally e ele beliscou seu dedo? - Minha voz ganha um pouco mais de força com a lembrança divertida. - Você deu um pulo tão alto que parecia que tinha pisado em brasa quente. Mally riu tanto que mal conseguia respirar, e você fingiu estar bravo, mas logo estava rindo junto com ela.

Ele ri junto comigo, um som rouco e um pouco enferrujado, como se não fosse usado com frequência ultimamente. Mas há tristeza no som, uma melancolia subjacente que não pode ser disfarçada. É uma risada que carrega o peso de quem sabe que esses momentos nunca voltarão, que novos não serão criados, pelo menos não com os três juntos.

Depois de um momento, ele respira fundo, endireitando os ombros como faz quando precisa tomar uma decisão difícil.

- Acho que está na hora de irmos ao hospital. O Dr. Peterson ligou mais cedo para confirmar que está nos esperando. Não quero esperar mais.

A palavra "hospital" paira no ar como uma nuvem escura, transformando o ambiente em algo mais pesado, mais real. Concordo com um aceno lento. Não digo em voz alta, mas sei que ele tem razão. Os sintomas pioraram nos últimos dias, e minha intuição - aquela voz interior que raramente se engana – me diz que talvez eu não volte para casa desta vez. É um pensamento que me corta profundamente, como um vidro afiado contra a pele, mas tento não deixar isso transparecer. Por ele. Por Mally. Preciso ser forte, mesmo quando a minha fortaleza está desmoronando.

Antes de sair, peço-lhe que pegue o álbum de fotos grosso de capa vermelha na prateleira mais alta da estante. Ele hesita por um segundo, sabendo o que significa este pedido, mas obedece sem questionar. Ele o traz para mim, sentando-se novamente ao meu lado, e enquanto folheio as páginas plastificadas, vejo nossa vida passar diante dos meus olhos como um filme em câmera lenta, mas infinitamente mais precioso que qualquer produção de Hollywood.

Lá estamos nós, no dia em que Mally nasceu. A foto, um pouco desfocada, foi tirada às pressas por uma enfermeira. Seu rostinho enrugado, vermelho e inchado, seus olhos fechados como se o mundo fosse brilhante demais para ser visto de uma só vez. Meu cabelo desgrenhado grudado na testa pelo suor do parto, olheiras profundas, mas um sorriso tão radiante que parece iluminar a foto inteira. Meu marido ao meu lado, com lágrimas nos olhos que ele nem tentou esconder, segurando o pequeno pacote rosa com mãos trêmulas como se fosse feito de cristal.

Em outra página, seu primeiro dia de escola. Mally, com cinco anos, usando um vestido xadrez azul e branco - o uniforme da escola - segurando sua mochila das princesas, maior que ela própria, com um misto de medo e excitação no olhar. Eu ajoelhada ao seu lado, arrumando seu cabelo, e meu marido fazendo uma careta engraçada para tentar tirar a tensão do momento, enquanto tirava a fotografia. 

Mais à frente, nossa viagem ao Grand Canyon, Mally entre nós dois, segurando nossas mãos, a imensidão do desfiladeiro atrás de nós parecendo pequena comparada à imensidão do amor que sentíamos.

Cada imagem é uma prova tangível, irrefutável, do amor que construímos juntos, tijolo por tijolo, dia após dia, mesmo nos momentos difíceis, mesmo nas tempestades que enfrentamos. E a última foto nossa, Mally agora com dez anos, em seu lindo vestido de balé, nas pontas dos pés sorrindo. 

Sua apresentação foi incrível e fiz o impossível para estar ao seu lado neste dia. O sorriso em seu rosto é lindo e, mesmo com as dores e a falta de ar, valeu a pena. 

Passo a mão sobre a fotografia e sorrio, então, fecho o álbum com cuidado, como se fechasse um tesouro valioso, e o devolvo a ele. Nossas mãos se tocam no processo, e o contato é eletrizante, mesmo depois de todos esses anos.

Enquanto ele me ajuda a levantar, apoiando-me com gentileza, seguro sua mão com mais força do que pensei ser capaz e digo com uma urgência súbita: - Prometa que vai cuidar dela. Que vai lembrar a Mally todos os dias, O quanto eu a amo. Que vai contar a ela as histórias bobas da nossa vida, mesmo aquelas que eu sempre pedi para você não contar. Que vai ajudá-la com a primeira menstruação, com o primeiro amor, o primeiro encontro, com o primeiro coração partido. Prometa que ela nunca vai se sentir sozinha.

Minha voz falha na última palavra, e sinto as lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto sem permissão. Ele faz que sim com a cabeça, seus olhos também marejados, mas suas lágrimas dizem o que ele não consegue colocar em palavras - a promessa de continuar, de ser pai e mãe ao mesmo tempo, de carregar minha memória como uma luz guia.

- Ela sempre saberá, amor. Todos os dias, de todas as formas que eu puder mostrar. 

Sua voz é firme, apesar da emoção, e isso me dá uma paz que não sentia há semanas.

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