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Capa do romance Apagado Nunca Mais: Minha Sinfonia

Apagado Nunca Mais: Minha Sinfonia

Sacrifiquei meus sonhos e vendi meu baixo raro para financiar a carreira de Jonas. Dez anos depois, descobri seu plano cruel para me arruinar e me substituir pela tutora de nossa filha. Ele me usou para ascender socialmente, mas reagi em silêncio. Após garantir meu patrimônio e o divórcio, um confronto perigoso num penhasco revelou sua verdadeira face. Jonas implorou perdão, mas o deixei sozinho no frio com seus arrependimentos, priorizando minha filha.
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Capítulo 2

O cheiro de perfume barato, enjoativo e doce, ainda impregnava o couro macio do carro de Jonas, uma presença fantasma que gritava verdades sem dizer uma palavra. Meu baixo Fender, meu velho amigo, jazia esquecido no banco de trás, acumulando uma nova camada de poeira. Parecia um símbolo de tudo o que foi negligenciado, tudo o que foi deixado para desaparecer.

Jonas dirigia com facilidade, as mãos — as mesmas mãos que realizavam cirurgias complexas — agora segurando o volante, nos guiando pela neve que engrossava. Eu o observava, um estranho ocupando um espaço familiar.

— Você se lembra — ele começou, a voz suave, quase uma súplica — do seu pai me dizendo que eu tinha mãos feitas para a cirurgia? Ele disse que eu tinha um dom.

Olhei para ele, depois voltei a olhar pela janela.

— Eu lembro. — Minha voz saiu sem vida.

— Ele ficou tão orgulhoso quando entrei na residência. Disse que eu estava destinado à grandeza. — Ele fez uma pausa, com um tom nostálgico. — Ele sempre viu algo em mim, algo que nem eu mesmo via.

Ele não precisava dizer mais nada. Eu conhecia a história de cor. Meu pai, o renomado Chefe de Cirurgia, acolheu o jovem e ambicioso Jonas, vindo de uma origem humilde. Ele viu potencial, talento bruto e uma fome quase desesperada de sucesso. Ele abriu portas para Jonas que teriam permanecido trancadas para qualquer outra pessoa.

O carro foi preenchido pelos acordes melancólicos de uma velha música indie, de uma banda que amávamos na faculdade. A mesma banda em que eu tocava. Minha garganta apertou.

— Camila — ele murmurou, os olhos encontrando os meus brevemente no retrovisor. — Parece que foi em outra vida, não é? Todos aqueles sonhos, todo aquele... futuro.

— Foi em outra vida — cortei, antes que ele pudesse se afundar mais em sua nostalgia fabricada. — E esse futuro incluía você e a Cris, não incluía? Bem na época em que você decidiu que a Gabi precisava de uma tutora.

A mão dele apertou o volante. Os nós dos dedos, já brancos, pressionaram com mais força contra o couro escuro.

Lembrei do boletim da Gabi, um mar de notas vermelhas, seus olhos geralmente brilhantes nublados de frustração. Ela era uma sonhadora, minha Gabi, mais interessada em desenhar criaturas fantásticas do que em álgebra.

— Precisamos fazer algo, Jonas — eu disse, segurando o papel amassado. — Ela está com dificuldades.

Ele acenou com a mão, dispensando o problema.

— Crianças passam por fases. Ela vai recuperar.

Mas eu insisti.

— Não, não desta vez. Ela precisa de ajuda. Uma tutora.

Ele concordou, quase rápido demais.

— Conheço a pessoa certa. Uma estudante de enfermagem brilhante. Cris Lee. Ela trabalhou na recepção do hospital por um tempo. Muito articulada, boa com crianças, precisa de dinheiro extra.

Ele a descreveu em termos elogiosos, praticamente uma santa. Jovem, ansiosa, respeitosa. Cris chegou, uma visão de inocência juvenil em suéteres pastéis e um sorriso tímido. Ela era deferente, quase medrosa, sempre me agradecendo profusamente pelos menores favores.

— Oh, Dona Camila, é muita gentileza sua — ela sussurrou quando comprei um casaco novo para ela no inverno. — A senhora é como um anjo.

Um anjo. Uma cobra em pele de cordeiro, isso sim. Uma víbora que eu acolhi na minha casa.

Eu vi tudo, eventualmente. Os olhares demorados, os toques "acidentais", as mensagens tarde da noite. E então, a filmagem da câmera da babá. Meu coração se estilhaçou em um milhão de pedaços, não apenas por mim, mas pela tola ingênua que eu fui. Ela estava ensinando a Gabi, claro. Ensinando o Jonas a trair a esposa, a desmontar uma família peça por peça, bem debaixo do meu nariz.

O carro virou levemente, entrando na entrada arborizada familiar. Nossa entrada. A casa estava lá, elegante e imponente, emoldurada pela neve caindo. Tudo parecia igual. O gramado bem cuidado, as decorações de Natal de bom gosto piscando na varanda. Mas nada era igual. A casa era apenas uma concha bonita, oca por dentro, corroída pela mentira.

A porta da frente se abriu antes mesmo de Jonas colocar o carro no parque. Dona Helena estava lá, uma figura frágil em um xale tricotado à mão, os olhos arregalados com uma mistura de confusão e alívio.

— Camila, minha querida! — ela gritou, a voz trêmula. Ela correu para frente, ignorando Jonas completamente, e me envolveu em um abraço apertado e desesperado. O cheiro dela, uma mistura reconfortante de lavanda e talco, preencheu meus sentidos. — Você voltou! Eu disse a eles que voltaria. Onde você esteve? Aquela garota estranha... ela está tentando pegar minhas coisas. Ela disse que eu não precisava mais disso. — Ela apertava um álbum de fotos gasto contra o peito.

Meus olhos encontraram os de Jonas por cima do ombro dela. O rosto dele era uma máscara de vergonha e arrependimento.

Então, de trás de Dona Helena, uma visão emergiu. Cris. Ela estava usando meu roupão de seda, aquele que Jonas comprou para o nosso aniversário no ano passado. Pendia frouxo em sua estrutura pequena, uma paródia cruel de elegância. O cabelo dela estava úmido, como se tivesse acabado de sair do banho. Um sorriso tímido, quase triunfante, brincava em seus lábios enquanto ela olhava para mim, depois para Jonas.

— Oh, Dona Helena — ronronou Cris, a voz pingando falsa preocupação —, a senhora não deveria estar no frio. Venha para dentro. E Camila — acrescentou ela, o olhar afiando —, bem-vinda ao lar. Faz tempo, hein?

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