
Antigo Amor
Capítulo 3
Na manhã seguinte, Paola não conseguia acordar. A campainha de seu quarto tocava insistentemente e seu telefone também.
Meio sonolenta, foi atender a porta e se deparou com Carlos. Estava com a aparência mais cansada que já vira.
- Entre.
- Desculpe se eu te acordei, mas precisava falar com você. Não dormi a noite toda.
- Eu também não consegui dormir, tive até que pedir um calmante. Mas fala, o que você quer?
- Paola, eu não estava beijando a Constancita na van. Eu juro que achei que fosse você, eu estava tão sonolento que nem abri os olhos eu simplesmente me deixei ser acariciado, ser beijado, ser amado. E ela não falou absolutamente nada.
- Tudo bem, você não precisa me explicar nada, não me deve explicação nenhuma, afinal, nós não temos nada um com o outro.
- Eu sei, mas eu gosto de você e não posso imaginar que você pense que eu só quero uma noite de sexo com você. Eu sei que o modo como tudo está acontecendo faz parecer que quero com você apenas uma noite de sexo, mas não, eu quero conhecê-la, quero ter um relacionamento sério com você.
- Só me explica como pretende fazer isso? Você já pensou quem vai ter que desistir dos sonhos? Eu ou você?
- Como assim?
- Carlos, você mora na Argentina e pelo que vi ama o que faz. Eu moro aqui no Rio Grande do Sul e também amo o que eu faço. Então, me explica como iremos ter um relacionamento assim? Você lá e eu aqui?
- Paola, meu amor, daremos um jeito.
- Não Carlos, não quero me iludir, não de novo. É melhor continuarmos assim, amigos. Agora vá para seu quarto e tente dormir um pouco.
Levou-o à suíte e colocou-o na cama.
- Você não deveria ficar aqui do meu lado, não no meu quarto.
- Carlos, tente dormir. Eu só vim aqui para trazê-lo, agora descanse você tem uma apresentação hoje à noite.
- Fique aqui até eu pegar no sono.
- Tudo bem, mas tem que me prometer que não vai tentar me agarrar.
- Eu juro.
- Tudo bem, eu fico aqui com você. Venha, deite aqui.
Colocou a cabeça dele em seu colo e ficou acariciando seu cabelo até a respiração dele ficar calma e pausada. Ficou imaginando como seria deitar ao lado dele e não resistiu, aconchegou-se a ele abraçando-o pela cintura e adormeceu.
Acordou já era quase meio-dia, estava dolorida, pois havia ficado muito tempo deitada do mesmo lado e, além disso, Carlos havia colocado o braço sobre sua cintura. Moveu-se de vagar para não acordá-lo, mas mesmo assim ele acordou espreguiçando-se.
- Eu estou sonhando? Ou você está mesmo deitada ao meu lado?
- Não se empolgue. Eu fiquei aqui porque você precisava de mim. Mas nada aconteceu e nada acontecerá. Entendeu?
- Eu vou ter paciência, eu sei que você virá pra mim, mais cedo ou mais tarde, só espero que seja mais cedo.
- Carlos, não vamos falar sobre isso, vamos combinar uma coisa: vamos deixar as coisas acontecerem naturalmente, não force as situações. Tudo bem?
- Eu vou esperá-la, vou fazer como você quer. Isso a deixa feliz?
- Muito. Agora vamos ou todos vão pensar que passamos a noite juntos.
- E não passamos?
- Não. Eu vim pra cá pela manhã. Esqueceu?
- Não, mas eles não precisam saber que não aconteceu nada entre nós dois.
- Claro que precisam, eles devem saber que nada aconteceu.
- Tudo bem, tudo bem, eu direi a verdade. Agora vamos almoçar?
- Eu almoço no quarto mesmo.
- Não, você almoça conosco.
- Tudo bem, aguarde pelo menos eu tomar um banho?
- O tempo que quiser, amor.
Saíram do quarto e encontraram todos na sala ensaiando.
- Achamos que não os veríamos tão cedo. A noite foi movimentada pra vocês dois.
- Não pense besteira, Pablo, Paola esteve aqui pela manhã bem cedo, eu fui até o quarto dela sem conseguir dormir e ela me trouxe até aqui, ficou do meu lado até eu pegar no sono e daí também adormeceu, nada além disso. Não julguem ela por isso, pois ela foi o anjo que me fez adormecer. Agora que todos sabem o que aconteceu, espero não ouvir mais falar nesse assunto. Paola, pode ir se arrumar para almoçar. Nos encontraremos aqui daqui a quarenta minutos. Está bem para você?
- Sim, até daqui a pouco pessoal.
Em seu quarto Paola se sentia feliz. Tomou um longo banho e se arrumou com cuidado, queria estar linda para Carlos. Pontualmente, após os quarenta minutos ela batia na porta da suíte, onde era recebida por Pierre.
- Você está linda.
- Obrigada. Você também está muito bonito. E Carlos onde está?
- Terminando de se arrumar. Daqui a pouco ele estará aqui. Quer ir descendo para o restaurante comigo?
- Ela vai comigo, Pierre.
- É, eu já imaginava isso. Vou descendo. Você sempre está na minha frente.
- O que ele quis dizer com isso?
- Não sei, o Pierre às vezes fica estressado sem motivos. Vamos descer?
O almoço aconteceu num clima divertido, apenas Pierre os olhava com certa tristeza e irritação.
À tarde foram passear, Paola os levou ao zoológico, depois foram ao parque e ao shopping, já era hora do jantar quando voltaram para o hotel.
Paola estava com saudade da família porque havia passado o dia todo sem vê-los. Assim que entrou em seu quarto ligou para sua mãe.
- Como estão todos aí mãe?
- Bem filha e você, tem se alimentado direitinho?
- Sim mãe, agora inclusive vou tomar um banho e me arrumar para jantar.
- Estamos com saudade.
- Eu também mãe. Se der amanhã eu vou aí. Tenham uma boa noite.
Tomou seu banho e se arrumou para jantar, já escolhendo uma roupa que usaria também na apresentação de Carlos em Cacequi.
Jantaram e foram para o show. Como sempre, o show foi maravilhoso.
Paola ainda dormia profundamente quando ouviu a campainha de seu celular. De início não identificou o número de quem lhe ligava, mas mesmo assim atendeu.
- Paola, é você?
- Sim, quem fala?
- Sou eu, Carlos. Será que você poderia vir aqui no meu quarto um pouco?
- Claro que sim.
- Só não demore muito.
- Não demorarei.
Cinco minutos depois, ainda de pijama, Paola batia na porta da suíte de Carlos.
- Ah, já aqui?
- Você pediu para vir logo, o que é tão importante assim que não deixou nem tempo para eu trocar de roupa? Espero não tê-lo feito esperar muito.
- Não brinca, olhe para mim, nem fiz hora trocar de roupa, achei que fosse o serviço de quarto. Só esperava você daqui a no mínimo trinta minutos.
- Você me pediu urgência, então eu vim assim – mostrou o pijama – e espero que você não se importe com meus trajes nada formais.
- Até parece – riu – eu também não estou nada formal.
- Mas então, o que é tão importante assim?
- Eu queria que você viesse tomar café comigo. Só isso.
- E isso era tão urgente assim?
- Ficar a sós do seu lado um minuto apenas já é um assunto urgente. A gente nunca fica sozinhos, sempre tem alguém junto.
- Eu entendo o que quer dizer, também gostaria de ficar mais tempo a sós com você.
- Será que eu ouvi mesmo você falar que também quer passar mais tempo a sós comigo?
- Ouviu sim. O tem demais nisso?
- Nada/, apenas que eu não acreditei no que eu estava ouvindo. Logo você que nunca quis admitir que gostava de estar comigo confessando que quer ficar mais tempo a sós comigo! Isso parece um sonho. Tem certeza de que não estou sonhando?
- Tenho. Carlos eu preciso falar com você, é muito importante, por isso, não me interrompa até eu acabar de falar, do contrário, posso perder a coragem.
- Fale, eu prometo não interrompê-la.
- Desde o dia em que eu te vi pela primeira vez, no aeroporto, eu me imaginei nos teus braços, me imaginei sendo beijada por você, amada por você. Depois, aquele dia na sacada, quando eu te falei que você deveria ver as flores na primavera e você disse que não estaria aqui para ver, eu estava me imaginando dançando com você, queria muito estar em teus braços. Quando fomos interrompidos por Constancita, eu fiquei tão frustrada que você não faz ideia. Queria ter sido beijada por você naquele momento. Depois quando enfim nos beijamos e Pierre nos interrompeu eu estava no paraíso e você, com tudo o que me disse a seguir, me fez ir direto ao inferno. Te ver nos braços da Constancita naquela noite após o show onde você tinha me convidado para terminar nossa conversa do dia anterior me desestruturou. Eu passei a noite inteira em claro, e de manhã você veio me acordar para conversar. Então eu o levei para o quarto e dormimos abraçados, esse momento foi mágico para mim. Carlos, você deve estar se perguntando o que eu quero dizer com tudo isso, eu já lhe explico. O que eu quero dizer com tudo isso é que não adianta eu tentar esconder, não adianta eu tentar lutar contra, esse amor já está dentro de mim, já tomou conta de todo o meu ser, eu quero você, quero você agora, amanhã, depois, a vida toda. Desculpe, Carlos, mas estou apaixonada por você.
Carlos não desviou os olhos dos dela nem um segundo sequer e quando ela terminou de falar abraçou-a com força e a beijou. No começo foi um beijo suave, tímido depois o beijo se tornou selvagem, exigente, Carlos parecia faminto, sua boca sugava a de Paola como se ela fosse a água que ele procurava no deserto, ele a apertava tão forte que o ar lhe faltava.
Tomada por um último sentimento de bom senso, Paola o empurrou.
- O que foi?
- Calma, esse não é o local para isso, poderemos ser surpreendidos por qualquer um a qualquer momento.
- Isso não é problema, vamos para o meu quarto.
- Não. Vamos para o meu quarto.
Agarrou a mão dele e o puxou em direção ao corredor.
Abriu a porta do quarto e empurrou-o para dentro, ele não parava de olhá-la. Já dentro do quarto o resto de timidez que ainda poderia existir foi embora. Ele a pegou no colo e levou-a até a cama, depositou-a com carinho e começou a beijar-lhe os lábios, enquanto uma das mãos abria o pijama.
Aos poucos carícias começaram a ser trocadas, carícias mais e mais ousadas, prenunciando o que viria a seguir.
Paola não conseguia raciocinar, sabia que o que iam fazer era uma loucura, mas a paixão era mais forte do que qualquer outro sentimento.
Ele a despiu por completo e ela o ajudou a se despir da cueca, ambos ficaram nus, se olhando, admirando, até que ele não resistindo mais puxou-a para si e depositou-lhe um beijo, enquanto seu corpo pressionava o dela em direção ao colchão. Carinhosamente, ele deitou-a na cama e um a um sugou seus seios com volúpia, enquanto a mão traçava caminhos nunca antes traçados naquele corpo quente e macio.
A boca abandonou os seios e foi em busca dos lábios, que se abriram como flor.
Não satisfeito, desceu até o seu ventre, e no seu mais louco desejo, sugou-lhe as partes mais obscuras de seu corpo levando-a ao delírio.
Paola gemia e contorcia-se ao toque louco da língua de Carlos.
- Possua-me agora amor, eu estou queimando.
- Quero que você se queime ainda mais com meu fogo amor.
Louca de desejo, Paola enlaçou-o pela cintura e puxou-o para si, fazendo-o deitar-se sobre ela. A partir desse momento nenhum dos dois controlava mais as emoções.
Ele a possuiu com força, desejo e carinho. Paola gemia em seu ouvido palavras de amor que o excitavam ainda mais. Durante mais de uma hora os corpos se procuraram e se saciaram, até que cansados adormeceram abraçados.
Quando acordou, Paola não acreditava no que haviam feito. Sabia que havia cometido uma insensatez, mas amava ele. Olhou-se no espelho e ainda podia ver as marcas do amor em seu corpo. Acordou Carlos com um beijo e foi puxada por ele para a cama onde novas carícias começaram a ser trocadas.
- Você me fez o homem mais feliz da terra, meu amor.
- E você me fez a mulher mais feliz.
- Desde o primeiro dia esperei por isso, sonhei com isso.
- Eu também amor, queria muito você.
- E agora ambos realizamos nossos desejos.
- É o que faremos agora?
- Eu não posso e não quero mais dormir naquele quarto sozinho. Temos duas alternativas, ou você se muda para meu quarto ou me mudo para cá. Você escolhe.
- Carlos, está tudo maravilhoso, será maravilhoso dividir o quarto com você, mas isso será até quando? Daqui a duas semanas será a inauguração e você irá embora. Nossa brincadeira de casinha irá acabar e eu sei que sofrerei sem você.
- Eu não vou deixá-la amor, nunca mais. Não será uma brincadeira de casinha será o início do nosso relacionamento, da nossa vida a dois. Você não quer?
- Ficar com você é o que mais quero na vida.
- Então amor, deixe de pôr obstáculos e venha cá, me dá mais um beijo.
- Carlos eu até quero ficar com você o dia todo aqui na cama, mas temos compromissos. Já perdemos o almoço, temos que ensaiar um pouco para seu show de hoje à noite.
- O show pode esperar nosso amor não...
Naquela mesma noite Carlos transferiu suas coisas para o quarto de Paola, o que deixou Pierre e Constancita muito irritados.
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