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Capa do romance Antes esquecida, agora inesquecível

Antes esquecida, agora inesquecível

Unida por um destino irônico, Allison cuidou de Derek em segredo durante três anos de coma. Embora fosse uma herdeira influente e médica brilhante, ela dedicou-se ao marido, apenas para ser descartada quando o antigo amor dele retornou. Após assinar o divórcio, Allison abandona as sombras e conquista o sucesso absoluto em diversas áreas. Agora poderosa e independente, ela vê o ex-marido implorar por perdão, arrependido de tê-la deixado partir.
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Capítulo 1

O quarto, embora decorado com simplicidade, exalava uma sofisticação sutil. A atmosfera era preenchida por sons abafados, os suspiros suaves de uma mulher entrelaçados aos gemidos roucos de um homem.

Deitada sobre os lençóis de cetim, Allison Evans cravava os dedos no tecido macio, seus movimentos acompanhando o ritmo constante e intenso do homem sobre ela.

Uma das mãos dele se mantinha firme em sua cintura, enquanto a outra segurava seus pulsos contra a cama, descarregando o estresse acumulado após uma longa jornada de trabalho.

Um gemido contido escapou dos lábios de Allison, provocando nele um impulso final, o ápice de uma paixão há muito reprimida.

Permanecendo no momento de ternura, eles se agarravam um ao outro, a sensação de prazer se esvaindo lentamente.

"Derek, seu avô insinuou outra vez que deveríamos ter um filho", sussurrou Allison na penumbra, entrelaçando os dedos aos dele com ternura, a voz suave e repleta de carinho íntimo.

Ela sentia o calor da respiração dele roçar seu ouvido, provocando arrepios ao longo de sua coluna a cada exalação.

"Um filho?", Derek Evans repetiu com um sorriso de ironia, acariciando os fios de cabelo dela.

Allison não conseguia enxergar claramente a expressão dele, mas o simples fato de ele não ter rejeitado a ideia de imediato acendeu uma esperança tênue dentro de seu coração. "Sim. Ainda sou jovem. A recuperação pós-parto seria mais tranquila agora. E, se algum dia quisermos ampliar mais a família, poderíamos ter mais filhos."

Os dedos que momentos antes acariciavam seu cabelo desceram subitamente até seu rosto e apertaram seu queixo com força, deixando uma marca vermelha visível em sua pele.

"Então a sua intenção é me prender com um filho? Que ridículo!"

O tom gélido da voz do homem cortou como uma lâmina, direto e cruel. Sem hesitar, ele se afastou, deixando Allison encolhida e tremendo sobre o colchão.

Uma onda de desespero subiu à garganta de Allison, que rapidamente tentou se justificar: "Não fui eu quem sugeriu... foi seu avô."

Um silêncio incômodo e prolongado pairou sobre o ambiente, até que Derek falou, em um tom baixo e cortante: "Nem apareça no jantar de amanhã."

"Por quê?"

Allison se virou para encará-lo, os olhos tomados pela confusão. Seria possível que ele estivesse tão irritado apenas por ela ter mencionado a possibilidade de terem um filho?

No dia seguinte, seria o terceiro aniversário de casamento, uma ocasião tradicionalmente marcada pela reunião de toda a família Evans na residência do avô dele.

Na penumbra densa do quarto, apenas o contorno sutil do rosto de Derek era visível.

"Kaylyn voltou."

Assim que ele pronunciou tais palavras, as luzes no quarto se acenderam, lançando um breve clarão agudo.

Allison puxou o lençol leve até o peito e se cobriu instintivamente, o encarando com uma expressão de atônita incredulidade.

Sem lhe dirigir um olhar, Derek se afastou da cama, completamente nu, e seguiu em direção ao banheiro. Poucos instantes depois, o som constante da água correndo começou a ecoar pelo ambiente, preenchendo o silêncio com um ruído quase reconfortante.

Um peso tomou conta do peito de Allison, espalhando uma dor lenta e sufocante.

Ainda envolta no lençol de maneira desleixada, ela permanecia imóvel, escutando o som da água que fluía, enquanto lembranças adormecidas retornavam à superfície.

Três anos antes, ela havia sofrido um ferimento grave. Foi Glenn Evans, avô de Derek, quem interveio e a salvou.

Quando Allison enfim se recuperou, Glenn lhe pediu que se casasse com seu neto em coma, resultado de um grave acidente automobilístico.

Movida pela gratidão e pelo desejo de manter seu paradeiro oculto, ela aceitou sem objeções, assinando um contrato matrimonial que a uniria legalmente a Derek por um período de três anos.

Ao término do prazo acordado, caberia a ambos decidir se continuariam juntos ou seguiriam caminhos distintos.

Durante esse tempo, Allison assumia o papel de esposa com total dedicação, cuidando de Derek incansavelmente.

Foi graças à constância de seus cuidados que ele acabou despertando do coma.

Em algum momento ao longo dessa convivência, o coração de Allison, sem alarde, acabou se entregando.

Embora eles estivessem legalmente casados há três anos, o tempo de interação real entre eles não ultrapassava um ano e meio. E, durante todo esse período, Derek jamais escondera a verdade — seu coração já pertencia a outra mulher, seu primeiro amor, Kaylyn Stevens.

Foi através de Glenn que Allison soube que, assim que Derek fora hospitalizado, Kaylyn deixou o país.

Ela alegara estar buscando seu sonho de estudar moda, mas a realidade era outra: se envolveu com diversos homens, sem jamais olhar para trás.

Agora, por alguma ironia amarga do destino, o retorno de Kaylyn coincidia exatamente com o encerramento do contrato matrimonial entre Allison e Derek.

Três anos de dedicação, gestos silenciosos de carinho e palavras sussurradas ao pé do ouvido não haviam sido suficientes para ocupar o espaço que Kaylyn ainda mantinha no coração de Derek. Nenhuma demonstração de amor, por mais sincera, parecia capaz de romper o gelo que o envolvia.

Logo, o som da água cessou, mergulhando o ambiente em um silêncio incômodo. Poucos instantes depois, a porta do banheiro deslizou suavemente e Derek surgiu, com uma toalha frouxamente presa ao redor da cintura.

Cada traço de seu corpo parecia esculpido com precisão — músculos bem delineados, estrutura atlética e postura imponente, um físico que Allison conhecia nos mínimos detalhes.

O olhar de Derek se desviou brevemente na direção da cama e uma leve contração surgiu entre suas sobrancelhas ao perceber que ela ainda permanecia deitada ali, imóvel.

Caminhando até o armário, ele retirou uma camisa branca bem passada e uma calça sob medida. Com movimentos meticulosos, deixou a toalha cair e começou a se vestir, abotoando cada botão com calma e precisão.

"Diga ao meu avô que você não está se sentindo bem, portanto não irá ao jantar da família", declarou Derek, em um tom neutro e distante.

Apesar da simetria impecável de seu rosto e da elegância de seus traços, não havia vestígio de afeto em sua postura. Cada palavra ressoava no quarto como uma sentença fria, tornando o ambiente ainda mais gélido.

Após uma breve pausa, como se algo lhe ocorresse, ele se inclinou, revirou o bolso do paletó jogado sobre uma cadeira, retirou uma pequena caixa de pílulas e a lançou sem cuidado sobre a cama.

"Não se esqueça de tomar seu anticoncepcional."

O olhar de Allison recaiu sobre a caixa com peso. Quando ela finalmente respondeu, sua voz saiu baixa e desgastada. "Eu sei."

Independentemente de quantas vezes eles tivessem estado juntos, Derek sempre fazia questão de que ela tomasse a pílula logo depois, sem permitir margem para qualquer imprevisto.

A insistência de Glenn em vê-la grávida não era motivada apenas pelo desejo de aproximar o casal, mas também pela intenção de garantir sua permanência na família Evans.

Derek, em geral, mal se dava ao trabalho de disfarçar sua indiferença. Apenas duas pessoas pareciam atravessar essa barreira emocional — seu avô e Kaylyn.

"Já está na hora de acabarmos com este casamento." Depois de abotoar a camisa, Derek se dirigiu à mesa de cabeceira, abriu uma das gavetas, retirou um maço de documentos e o colocou sobre a cama, bem diante dela. "Assine. Depois disso, não haverá mais nada entre nós."

No alto das páginas, o título contundente "Acordo de Divórcio" parecia exercer um peso insuportável sobre o peito de Allison. Sua mão tremia ao estender os dedos na direção dos papéis, cujas extremidades afiadas pareciam querer cortar sua pele.

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