
Ansiando pelo Meu Marido Tirano
Capítulo 2
Os olhos do porteiro se demoraram no chupão em seu pescoço.
Ela ajeitou a gola para cima e praticamente correu para o elevador.
Illa estava esperando na porta antes mesmo que as portas do elevador se abrissem.
Ela usava um quimono de seda que custava mais que o aluguel de Evie, seu rosto uma máscara de antecipação trágica.
"Para dentro", ordenou Illa, agarrando o braço de Evie e a puxando para o hall de entrada. "Tire os sapatos. Desembucha."
Ela arrancou o envelope da mão de Evie antes que ela pudesse sequer falar. Illa o rasgou, puxando o certificado com a precisão de uma cientista forense.
Seus olhos percorreram o papel. Então, se arregalaram. Continuaram se arregalando até Evie pensar que poderiam saltar do crânio de Illa.
"Everleigh Roman e... Williams?", sussurrou Illa, seu dedo traçando o sobrenome.
O primeiro nome era uma mancha escura e feia. "O que é isto, uma mancha de vinho? Não consigo ler o primeiro nome dele. Mas Williams?"
Evie desabou no sofá branco e macio de Illa. "Eu sei. Ele assinou o bilhete com um 'G'. Tenho o chamado de Gus na minha cabeça. Parece nome de avô. Ou de um negociante de antiguidades."
Illa olhou para Evie, com o rosto pálido. "Evie. Você sabe quem é Williams?"
"Existem mil Williamses em New York", disse Evie, esfregando as têmporas. "Ele provavelmente é gerente de um fundo de cobertura ou algo assim. Ele tinha um quarto legal."
Illa soltou um suspiro que soou como um pneu esvaziando. "Certo. Certo. Claro." Ela riu, um som nervoso e agudo. "Por um segundo, eu pensei... mas não. Isso é impossível."
"Pensou o quê?"
"Meu irmão mais velho tirânico", disse Illa, estremecendo. "O nome dele começa com A, não com G. E, além disso, não o chamamos pelo primeiro nome. Nós o chamamos de 'Senhor' ou 'Por Favor, Não Me Mate'. Ele é um tubarão. Se ele se casasse, estaria na primeira página do Wall Street Journal, e a noiva teria sido aprovada por um comitê de advogados."
"Viu?", disse Evie, sentindo uma onda de alívio. "Não é ele. Meu Gus me deixou um bilhete. Foi educado."
"Meu irmão não conhece o significado da palavra educado", confirmou Illa. Ela caminhou até a enorme janela que ia do chão ao teto e dava para o parque. "Ele mora bem ali. Prédio ao lado."
Ela apontou para o terraço da cobertura adjacente ao dela. Estava separado por um vão de talvez seis metros, perto o suficiente para jogar uma pedra, longe o suficiente para exigir uma ponte.
"Aquele é o covil dele", disse Illa. "Não olhe por muito tempo. Você pode virar pedra."
Evie tremeu, apertando mais o trench coat. "Bem, fico feliz por não ter me casado com ele."
"Você pode ficar aqui", disse Illa, virando-se de volta para Evie. "Seu ex-namorado Darrin provavelmente está de tocaia no seu apartamento. Você está sem-teto e casada. Precisa de uma base de operações."
"Mas... seu irmão está bem ali."
"Ele está ocupado", descartou Illa. "Ele está no meio de uma aquisição hostil de alguma empresa de tecnologia. Ele não pisa naquele terraço há meses. Você estará segura."
Ela levou Evie ao quarto de hóspedes. Era lindo, arejado e, infelizmente, o quarto mais próximo do terraço vizinho.
"Acomode-se", disse Illa. "Vou pegar um pouco de água com mel para essa ressaca."
Assim que ela saiu, o celular de Evie vibrou. Uma mensagem de um número desconhecido.
Acordada? Dor de cabeça?
Seu coração deu um pulo. Era ele. Gus.
Evie digitou de volta, furiosa. Quem é você? Precisamos conversar. Eu quero o divórcio.
A resposta veio instantaneamente. Três pontos dançando na tela.
O divórcio não está na agenda de hoje. Beba um pouco de água. Estou fora da cidade. Conversaremos quando eu voltar.
Evie encarou a tela. A audácia.
Eu não vou esperar, ela digitou. Isso é um erro.
Você não achou que foi um erro na noite passada, ele respondeu.
O rosto de Evie ardeu. Ela jogou o celular na cama bem no momento em que Illa entrou com uma caneca fumegante.
"Com quem você está brigando?", perguntou Illa, de olho no celular.
"Com ninguém", disse Evie rapidamente. "Só... com o Gus."
Illa revirou os olhos. "Gus. Parece nome de encanador. Ou de um golden retriever."
A noite caiu rapidamente na cidade. Depois de um jantar de sushi de delivery que Evie mal conseguiu manter no estômago, ela se retirou para o quarto de hóspedes. Precisava de ar.
Ela abriu a porta de vidro corrediça para a varanda. A cidade zumbia lá embaixo, um rio de luz e ruído. O ar estava frio, mordiscando suas pernas nuas sob a camisa grande que ela ainda usava.
Evie olhou para a esquerda. O terraço vizinho estava escuro, uma laje de concreto e sombra. Illa disse que ele era um tirano. Um monstro.
Então, uma faísca.
Um brilho minúsculo e alaranjado se acendeu na escuridão da outra varanda.
Evie congelou.
Uma figura se destacou das sombras.
Ele era alto. De ombros largos. Estava encostado no parapeito, virado para o parque, com um cigarro na mão.
A fumaça flutuou em sua direção, trazendo aquele cheiro. Cedro. Chuva.
Sua respiração falhou. A silhueta... o jeito como ele estava parado, com o peso em uma perna, os ombros tensos... parecia familiar. Visceralmente familiar.
Ele virou a cabeça.
Evie não conseguia ver seu rosto, apenas o ângulo agudo de uma mandíbula e o brilho dos olhos refletindo as luzes da cidade. Ele estava olhando diretamente para ela.
Pânico, frio e agudo, disparou em seu peito. Era o irmão de Illa? Ou era...
Não. Não podia ser.
Evie recuou, tropeçando no batente da porta, e puxou as cortinas para fechá-las. Seu coração martelava contra suas costelas como um pássaro preso.
"É só o irmão", disse a si mesma. "Só o vizinho assustador."
Seu celular vibrou na cama.
Durma bem, Evie. Os vizinhos podem ser barulhentos.
Ela encarou a mensagem, o sangue sumindo de seu rosto.
Ele sabia. Ele sabia onde ela estava.
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