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Capa do romance ANA

ANA

Eduardo tem 17 anos e uma maturidade incomum, priorizando os estudos e o plano de fundar sua própria empresa de tecnologia. Avesso a distrações sociais, ele vê festas como perda de tempo. No último verão antes da vida adulta, seus pais o enviam a um acampamento juvenil para que ele finalmente se divirta. O que parecia ser um retiro entediante sofre uma reviravolta completa quando ele conhece a doce Ana, mudando o rumo de suas férias e de seu coração.
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Capítulo 2

O resto do dia foi tranquilo. Depois de conhecer todo o acampamento e ouvir o tempo todo João resmungar sobre o quanto a Clara é perfeita e seus olhos são lindos, estamos no alojamento dos meninos. Juro que esse garoto não para de falar, está sempre sorrindo, falando e isso está começando a me irritar.

- João, você nunca cala a boca?

Pergunto sentando na cama que meu querido novo amigo guardou para mim ao seu lado.

- Me calo quando durmo.

Diz sorridente e reviro os olhos.

- Se quer ficar do meu lado e me deixar feliz, preciso que faça duas coisas.

- Pode mandar.

Se ajeita na cama, se cobre e fica me olhando.

- Cala a merda da boca e pare de sorrir.

João cai na gargalhada e vejo os meninos nos olharem.

- Desculpa! É que você parece aquele velho resmungão do desenho da casa que voa. Cara, ele nunca está feliz e vive reclamando.

- Eu não sou assim!

- É sim! Do tempo que estou do seu lado só fez cara feia e criticou.

Agora se senta e me encara firme.

- Você prefere viver ao lado de uma pessoa chata, reclamona ou feliz e espontânea?

- Feliz e espontânea.

- Então me aceita que dói menos e tente não ser chato, muito menos reclamão, que vamos nos entender.

Seguro a vontade de sorrir.

- Boa noite, velho!

Fala cobrindo a cabeça para dormir.

- Boa noite, sorriso!

Ri alto e me pego sorrindo também. Talvez ele não seja tão irritante assim. Respiro fundo e penso nas palavras da minha mãe: "TENTE SE DIVERTIR". Só espero que amanhã seja melhor.

****************************

Acordamos cedo e após a nossa higiene seguimos para o refeitório. Coloco minha bandeja no balcão e escolho algumas coisas para comer.

- Dormiu bem?

João pergunta atrás de mim.

- Sim.

- Eu não.

Olho para ele sem entender.

- Não ouviu nada de noite?

- Não.

- Dormiu com os fones?

Pergunta apontando para os fones no meu pescoço.

- Sim.

- Ontem uma galera fugiu das cabanas e se reuniu para tocar e cantar na beira do lago.

- Legal!

Digo saindo com a minha comida e ele vem atrás. Se não dormiu, se está reclamando é porque ficou no alojamento.

- Por que não foi?

- Eu não sei o que fazer, chego lá e fico perdido, não quero parecer um babaca. Você bem que poderia ir comigo essa noite.

Paro em frente a uma mesa encarando ele.

- Sabe que essa coisa de dupla não é o tempo todo, certo?

- Sei, só quero um amigo ao meu lado.

João parece um cachorrinho carente querendo um amigo.

- Vou pensar, mas tente controlar mais essa sua boca. Se me prometer falar menos durante o dia, irei com você a noite.

- Fechado!

Tomamos o café e seguimos para o ponto de encontro com todos do nosso grupo.

- Bom dia a todos! Hoje começaremos nossas atividades, vamos nos separar em quatro equipes. Amarela, azul, verde e vermelha, então se separem.

Começa aquela correria e seguro o João.

- Vamos ficar sem grupo.

Reclama me encarando.

- Para de ser afobado, o grupo que terminar com menos entramos.

Ele observa tudo e um enorme sorriso surge.

- O grupo da Clara!

Sussurra, vai andando até o grupo com menos pessoas e o sigo.

- Cara, você é um gênio!

Afirma feliz enquanto nos aproximamos.

- Pare e observe antes de correr.

Concorda com a cabeça, olho para o meu lado, vejo um lindo sorriso e olhos verdes me encarando.

- Oi!

A garota sussurra para mim.

- Oi!

Devolvo sorrindo e esse sorriso é novo pra mim em meus lábios.

- Sou a Ana!

- Eduardo!

E alguém do nada abraça a garota.

- Fique por perto cabeça, assim consigo te proteger das bexigas.

- Não preciso de proteção.

Responde o garoto bem grudento, revira os olhos e o menino ri. Puxa ela para longe e apenas observo. Sinto um toque no meu ombro.

- Vejo que conheceu a Ana e o Fabrício.

- Ele é o namorado dela?

- Não.

João responde animadinho.

- Irmão mais velho da Clara, todos acham que ele é caidão pela Ana, mas nunca vi nada.

Respiro fundo e não gosto dessa sensação deles juntos.

- Vocês serão a equipe azul.

Dora diz passando e nos entregando coletes azuis.

- Vamos fazer a guerra de bexiga, que claro estará com água.

Manoel avisa passando e colocando nos nossos coletes oito bexigas.

- Se ao final alguém ainda estiver seco o grupo dessa pessoa ganha.

- O que ganhamos?

João pergunta.

- Festa no lago essa noite. Cada um tem cinco minutos para se esconder valendo agora.

Todo mundo começa a correr e João desaparece. Sigo caminhando pelo meio do mato, vejo algumas pedras e subo me sentando nelas.

- Sentado ai não vai nos ajudar a ganhar.

A voz dela soa ao meu lado, viro e assisto Ana sentando na pedra comigo.

- Ficando aqui me excluo e provavelmente ninguém me molha.

- Mas então não vai molhar ninguém.

Ela diz com um lindo sorriso.

- Ainda fico seco.

- Já entendi você, seus pais te forçaram a vir, está evitando se divertir.

- Exatamente!

- Já imaginou que talvez possa ser divertido?!

- Acho impossível!

Vem se aproximando de mim e sua respiração quase se mistura a minha. Encara minha boca assim como faço com a dela e sinto meu coração acelerar.

- Me desculpa!

Ana murmura estourando uma bexiga na minha cabeça, me molhando todo e começa a rir. Seguro a risada mordendo os lábios de olhos fechados.

- Sabe que sou da sua equipe, né?

- Sim!

Sua gargalhada tem um som muito agradável.

- Sabe que por sua culpa vamos perder, né?

- Ainda estou seca.

Abro meus olhos e encaro olhos verdes.

- Você não vai fazer isso!

Fala se afastando e rindo mais ainda.

- Isso o que?

Me faço de louco e vou me aproximando dela. Ana levanta, sai correndo e pulo para fora da pedra correndo atrás dela. Observo seus longos cabelos escuros ao vento e tenho quase certeza que nunca vi nada tão perfeito se movendo. Ela corre rindo e às vezes me olha de um jeito muito incrível mordendo os lábios. Posso correr mais rápido e pega-la facilmente, mas estou curtindo vê-la assim. Acho que sei como o leão se sente perseguindo sua presa. É excitante de um jeito surpreendente! Ela corre para uma arvore e se esconde.

- Sabe que estou te vendo, certo?

- Sei! Preciso de ar e a arvore é grande. Posso rodar ela por muito tempo fugindo de você.

Ando devagar e me aproximo.

- Eduardo...

Me chama e gosto do meu nome em seus lábios. Ando pela lateral da arvore.

- Ainda está ai?

Pergunta e vejo olhar para um lado. Pulo a sua frente e prendo-a na arvore.

- Merda!

Resmunga, suas mãos estão no meu peito e seu corpo colado no meu, preso a árvore.

- Você não me molharia...

Fala manhosa e levando a mão até o meu rosto. Seus dedos vão tocando minha bochecha, queixo e contorna meu rosto com delicadeza. Gosto do toque dela, de seus dedos delicados em mim. Aproximo meu rosto do dela que está ofegante, colo nossas testas encarando seus olhos.

- Molharia!

Digo estourando uma bexiga em sua cabeça que ri muito, sua risada se mistura a minha.

- Isso é divertido!

Afirmo empolgado, soltando o corpo dela da árvore.

- Eu sei!

Joga uma bexiga em mim me molhando mais. Estamos os dois atirando bexigas sem parar e ensopados. Assim que as bexigas acabam ela pega a minha mão e me puxa.

- Onde vamos?

- Voltar, precisamos de toalhas. Uma das regras dessa brincadeira é se secar rápido, assim evitamos uma doença.

Enlaça nossos dedos e sigo sorrindo feito um idiota para a cabana.

Assim que nos aproximamos observo muitos do nosso grupo molhados, mas não vejo João e nem Clara. Ana me passa uma toalha e fica com uma. Seco o meu corpo e ela o dela sem deixar de sorrir um minuto.

- Parece que não temos vencedor.

Manoel anuncia quando todos chegam, João está com um enorme sorriso ao lado da Clara.

- Vamos fazer essa festa coletiva então. Todos para um banho quente!

O supervisor grita e me separo da Ana. João se aproxima de mim suspirando.

- Beijou ela?

- Sim, melhor dia da minha vida.

*******************

O resto do dia foi de caminhada e comida. O tal do Fabrício não desgrudou da Ana, não que esteja com ciúmes, apenas gostei de ficar ao lado dela.

- Vamos nos arrumar para a festa.

João diz seguindo para o alojamento.

*************

Me arrumo com uma calça jeans escura e uma camiseta branca pólo. Ele está de jeans claro e camiseta preta pólo.

Seguimos para o grupo em volta da grande fogueira. Manoel toca violão e a galera canta com ele. Pego algo para beber e observo todo mundo, ela ainda não veio.

- Clara!

João sussurra e me viro para onde ele está olhando. Clara vem com um vestido quase curto azul. O que chama a minha atenção é a pessoa que vem ao seu lado. Respiro fundo vendo Ana com um vestido longo florido bem claro e com seus cabelos presos em um rabo de cavalo. Seu sorriso se amplia ao me ver e as duas estão vindo em nossa direção.

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