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Capa do romance ANA

ANA

Eduardo tem 17 anos e uma maturidade incomum, priorizando os estudos e o plano de fundar sua própria empresa de tecnologia. Avesso a distrações sociais, ele vê festas como perda de tempo. No último verão antes da vida adulta, seus pais o enviam a um acampamento juvenil para que ele finalmente se divirta. O que parecia ser um retiro entediante sofre uma reviravolta completa quando ele conhece a doce Ana, mudando o rumo de suas férias e de seu coração.
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Capítulo 3

- Oi, para vocês!

Clara diz para o João que parece um babaca sorridente.

- Oi, princesa!

Ele diz beijando o rosto dela e reviro os olhos ao ouvir ele chamar ela de princesa. Isso é muito constrangedor e ridículo.

- Oi!

Ana sussurra para mim com um sorriso tímido.

- Oi!

Respondo olhando seus lindos olhos.

- Achei que não viria.

- Por que pensou isso?

Pergunto sem entender seu raciocínio.

- Porque está sendo forçado a passar por tudo isso e talvez quisesse ficar no quarto para fugir desse povo todo que te irrita.

Dou um sorriso torto e me aproximo de sua orelha.

- Nem todo mundo me irrita aqui.

Ela fecha os olhos e posso sentir sua respiração acelerada. O cheiro dela invade minha narina e seu doce perfume me inebria.

Um cheiro único que nunca havia sentido em toda a minha vida. Passo meu nariz em seu cabelo e ela solta um longo suspiro.

- Vamos para perto da fogueira?

Clara pergunta nos tirando desse transe maravilhoso e ao mesmo tempo perturbador. Eu nunca me senti tão perdido assim perto de alguém.

- Vamos!

Ana sussurra e se afasta de mim seguindo com Clara. Posso ver um leve rubor em suas bochechas e algo em mim diz que ela também sente essas coisas estranhas quando está comigo. João me olha e vejo um brilho em seu olhar.

- Ela mexeu com você.

Bufo para ele e sigo até a fogueira.

- Ela mexeu muito! O jeito que olha pra ela. Você nunca sorri e quando ela chega você não tira o sorriso da cara.

- Cala a boca, sorriso!

- Vamos lá seu idoso, seja um adolescente e beije na boca como se o mundo fosse acabar.

- É assim que um adolescente deve se comportar?

- Quase assim.

Ele começa a gargalhar.

- Minha mãe disse que são os hormônios.

Começo a rir e sento no tronco de uma árvore em frente a fogueira. Ergo meu olhar e a minha frente está ela. Os tons alaranjados da fogueira a deixam ainda mais linda. Está ao lado do tal Fabrício que abraça ela com carinho. Desvio meu olhar sentindo um gosto amargo na boca com essa cena.

- Está tudo bem?

- Sim!

Respondo ao João bebendo toda a minha bebida de uma vez.

- Vou pegar mais bebida.

- Ok!

Levanto e sigo para a mesa com as bebidas.

- Oi!

Uma menina de cabelos e olhos negros se aproxima toda sorridente.

- Oi!

Respondo enchendo meu copo com refrigerante.

- Sou a Lígia!

- Eduardo!

Sou curto na resposta, sem querer dar espaço para conversa.

- De Santos?

- Não, São Paulo.

- Eu sou de Santo André.

Fico calado, apenas observo de longe Ana e Fabrício.

- Não gosta muito de conversar, né?

- Não.

Ela suspira.

- Não estou dando em cima de você, juro. Apenas não conheço ninguém e você me pareceu legal para conversar.

Encaro seus olhos e vejo tristeza.

- Me desculpe, não queria parecer um idiota. É que realmente não sou bom em socializar.

- Eu percebi.

Ela diz com um lindo sorriso.

- Mas conheço alguém que pode ser interessante para você.

Digo pegando sua mão, puxando-a comigo. Me aproximo do João que fica meio tímido.

- João está é Lígia, é de Santo André e está meio perdida no meio de tanta gente.

- Olá gatinha! Perdida e foi achar justo o idoso?

Olho para ele bravo e ela começa a rir.

- Agora se explica o mau humor.

- Que bom que se entenderam.

Digo irritado.

- Não fica assim irritadinho! Lígia, depois que conhece melhor o resmungão percebe que é até legal.

- Vai a merda João!

Os dois começam a rir e me pego rindo também. Sinto meu corpo queimar e me viro para ver o que é. Ana me encara e assim que me vê olhando para ela fica vermelha e vira o rosto. Estava me vendo com Lígia e aqueles olhos estavam me fitando de um jeito estranho. Será que sente ciúmes de mim? Acho impossível! Volto a conversar com Lígia e João que se entenderam super bem. Ela pelo menos curte esse bom humor dele e o fato de não parar de falar.

- Vou andar um pouco.

Digo me afastando dos dois, é muita gente falando pro meu gosto, preciso sair um pouco ou vou pirar. Ando até um canto escuro de frente para o lago. A lua ilumina a água e o torna ainda mais incrível. Sento na grama e fecho meus olhos curtindo essa paz.

- Fugindo?

A doce voz dela surge próxima do meu ouvido.

- Tentando.

Digo segurando o sorriso.

- Me desculpe, não queria te atrapalhar.

Abro meus olhos e a vejo indo embora.

- Ana!

Chamo por ela que para de andar.

- Fica!

Peço em um sussurro.

- Não precisa ser gentil Eduardo, vou deixar você sozinho.

Sua voz soa com tristeza e minha vontade é de me afogar nesse lago depois de ter sido um idiota.

- Eu realmente quero que fique, gosto de ficar perto de você.

Ela se vira me encarando.

- Tem certeza?

- Sim.

Vem andando até onde estou e senta ao meu lado. Abraça as próprias pernas e observa o lago.

- Eu não queria ser grosso, me desculpa.

Ela me olha e sorri.

- Você não curte mesmo tudo isso né?

- Nunca vivi tudo isso, sempre evitei por achar que não combina comigo.

- Ser adolescente e curtir as férias com adolescentes não combina com você, adolescente? Isso não te parece estranho?

- Eu meio que não sou um adolescente normal.

- Percebi.

Olho bravo para ela que ri de mim. Se deita ao meu lado e olho para ela.

- Deita ao meu lado.

Pede e me deito ao seu lado sentindo meu braço encostar no dela.

- Olha esse céu e essas estrelas.

Observo o céu estrelado.

- Já parou para observar como é lindo?

- Não.

- Mas você acha lindo?

- Sim.

- Aqui é a mesma coisa! Se parar para observar vai perceber que é legal. Se nunca parar para ver, vai continuar julgando como chato. Cada dia aqui é de um jeito diferente e isso é muito bom.

- Hoje eu me divertir e muito por sinal.

Sinto a mão dela na minha, seus dedos se enroscam nos meus.

- Então se permita ser um adolescente como todos da sua idade.

- Eu nem sei como fazer isso.

Ela se vira e fica de lado me olhando, faço o mesmo e encaro seus olhos.

- Eu te ensino, apenas se solte e o resto te guio.

O ar que sai da sua boca toca meu rosto. Nossos olhos estão conectados de um jeito mágico. Levo minha mão ao seu rosto e acaricio sua pele macia. Ela fecha os olhos e sinto sua outra mão em meu peito. Observo seus lábios carnudos e avermelhados. Percorro com meu dedo seu lábio inferior e ela geme com o meu toque. Aproximo minha boca quase os tocando e meu nariz toca o dela.

- Ana!!!!!!!!!!

O grito forte de um homem nos assusta e ela abre os olhos se afastando.

- Acho melhor eu ir.

Diz sentando e faço o mesmo.

- Ana... eu...

- Amanhã te mostrarei as maravilhas do acampamento.

Avisa se levantando, me levanto e fico a sua frente.

- Boa noite, Eduardo!

Fica nas pontas dos pés e beija meu rosto bem próximo a minha boca.

- Boa noite, Ana!

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