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Capa do romance Amor Traído, Guerra Declarada

Amor Traído, Guerra Declarada

Após três anos em Portugal, Maria Eduarda retorna ao Brasil, mas encontra um cenário de traição. Seu noivo, Pedro, afirma ser casado com Carolina, sua melhor amiga, enquanto um estranho chamado Marcelo surge como seu suposto pretendente. Vítima de memórias forjadas e humilhações, ela desperta subitamente no avião antes do pouso. Percebendo que o pesadelo foi uma premonição, Maria Eduarda agora se prepara para declarar guerra e garantir sua vingança.
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Capítulo 2

Três anos.

Três anos em Portugal, mergulhada nos estudos, sonhando com o dia em que voltaria para casa, para os braços do meu noivo, Pedro.

O avião pousou no aeroporto de Guarulhos e meu coração batia descontrolado. Eu mal podia esperar para sentir o cheiro dele, para beijá-lo, para recomeçar nossa vida juntos.

Desembarquei e meus olhos varreram a multidão ansiosa no saguão. Meus pais estavam lá, acenando com sorrisos um pouco tensos. E ao lado deles... não era o Pedro.

Um homem baixo, com uma barriga saliente que esticava uma camisa de time de futebol, veio em minha direção com um sorriso oleoso. Ele tinha o cabelo ralo e grudado na testa suada, e um cheiro azedo que chegou até mim antes mesmo dele se aproximar.

"Duda, meu amor! Que saudade!"

Ele abriu os braços para me abraçar. Eu recuei instintivamente, o corpo todo arrepiado de repulsa.

Quem era aquele homem?

"Quem é você?", perguntei, a voz tremendo.

O homem piscou, o sorriso vacilando. "Como assim, quem sou eu, Duda? Sou eu, o Marcelo! Seu noivo!"

Meu sangue gelou. Olhei para meus pais, buscando ajuda, uma explicação. Minha mãe forçou um sorriso.

"Filha, não brinca assim. O Marcelo estava morrendo de saudades."

"Marcelo? Meu noivo?", a confusão era um nó na minha garganta, "Não, meu noivo é o Pedro. Cadê o Pedro?"

Nesse momento, eu o vi. Do outro lado do saguão, perto de uma cafeteria. Meu Pedro. Lindo como sempre, alto, com aquele sorriso que sempre me desmontava. Mas ele não estava sozinho. Ao lado dele, de mãos dadas, estava Carolina, minha melhor amiga.

Ela ria de algo que ele disse, e então ele se inclinou e a beijou. Um beijo de verdade, um beijo de marido e mulher.

O mundo girou. Eu senti o chão sumir sob meus pés.

"Pedro!", gritei, empurrando o homem nojento para o lado e correndo na direção deles.

Eles se viraram, surpresos. O sorriso de Pedro desapareceu quando me viu. Carolina me olhou com uma expressão de pena.

"Duda? O que você está fazendo?", a voz dela era falsamente doce.

"O que vocês estão fazendo?", eu disse, apontando para as mãos dadas deles, "Pedro, o que significa isso? E você, Carolina, minha melhor amiga?"

Pedro franziu a testa, dando um passo para trás, colocando Carolina atrás dele como se a estivesse protegendo de mim. "Do que você está falando, Maria Eduarda? Eu sou casado com a Carol."

"Casado?", a palavra explodiu da minha boca, "Nós somos noivos! Nós íamos nos casar assim que eu voltasse!"

O homem grotesco, Marcelo, me alcançou, segurando meu braço. "Amor, para com isso. Você está fazendo uma cena. Vamos pra casa."

"Me solta!", gritei, me debatendo, "Eu não te conheço!"

Minha mãe se aproximou, o rosto pálido. "Filha, por favor. Você está cansada da viagem. Vamos conversar em casa."

"Conversar sobre o quê? Sobre como meu noivo está com a minha melhor amiga e vocês todos estão agindo como se fosse normal? E quem é esse... esse sapo?"

A palavra "sapo" escapou e o rosto de Marcelo se contorceu em fúria.

"Sapo? É assim que você me trata depois de três anos esperando por você?", ele gritou, atraindo a atenção de todos ao redor.

"Eu não sei quem você é!", eu insisti, a voz quebrando em desespero.

Meu pai tirou o celular do bolso. "Filha, olhe. Vocês dois. Sempre foram vocês dois."

Ele me mostrou a tela. Era uma foto minha, sorrindo, abraçada com aquele homem, Marcelo. Uma foto que eu nunca tirei. Minha mãe mostrou o celular dela. Outra foto. Eu e Marcelo em um jantar de família. Depois um vídeo. Nós dois na praia, ele me beijando na bochecha e eu sorrindo para a câmera.

Não. Não podia ser.

Eu peguei meu próprio celular, as mãos trêmulas. Abri minha galeria. As centenas de fotos que eu tinha com Pedro... sumiram. No lugar delas, fotos com Marcelo. Em viagens que fiz, em festas que fui. Ele estava inserido em todas as minhas memórias.

"Isso é mentira! É montagem!", eu gritei, sentindo a sanidade escorrer por entre meus dedos.

Carolina se aproximou, seus olhos cheios de lágrimas de crocodilo. "Duda, eu sei que é difícil aceitar, mas você e o Pedro terminaram antes de você viajar. Você não se lembra? Você ficou tão mal... e o Marcelo cuidou de você. Vocês se apaixonaram."

"Mentira!", eu cuspi, "Você é uma mentirosa! Uma traidora!"

Eu avancei para ela, mas Pedro me segurou pelos ombros, seu toque agora estranho e frio. "Já chega, Maria Eduarda. Deixa a minha esposa em paz. Vai cuidar do seu noivo e do seu problema."

A humilhação pública foi a pior parte. As pessoas ao redor cochichavam, filmavam com seus celulares. Eu era a louca, a desequilibrada que estava tentando roubar o marido da outra.

"Ela está surtando."

"Coitada da moça grávida."

"Que vergonha, atacando a melhor amiga."

Grávida? Olhei para Carolina e só então notei a pequena protuberância em sua barriga, sob o vestido solto. O golpe final.

Meu mundo desabou. Fui arrastada para fora do aeroporto pelos meus pais e por aquele estranho que todos diziam ser meu noivo. A vergonha era um fogo que me consumia. Fui jogada no banco de trás do carro. Marcelo sentou ao meu lado, tentando segurar minha mão. Eu a puxei com nojo.

A viagem para casa foi um borrão de acusações e súplicas dos meus pais para que eu "aceitasse a realidade". Em casa, a tortura continuou. Álbuns de fotos, presentes, tudo "provava" meu relacionamento com Marcelo.

Eu não aguentei. Corri para a rua, gritando, desesperada. Vizinhos saíram, alguns com pena, outros com desprezo. Pedro e Carolina, que moravam na mesma rua, apareceram. A multidão se formou.

"Larga o marido da sua amiga, sua louca!", alguém gritou.

"Ela precisa de um hospício!", outro berrou.

Eles começaram a me cercar. Mãos me empurraram. Alguém puxou meu cabelo. Eu caí no asfalto molhado pela garoa. Chutes. Gritos. O rosto de Carolina, chorando falsamente. O rosto de Pedro, frio e impassível. O rosto de Marcelo, uma mistura de raiva e triunfo.

Eu fechei os olhos, a dor física nada comparada à dor da traição. O som da multidão se tornou um zumbido distante. Tudo ficou escuro.

E então, uma luz forte.

Abri os olhos. O som era de uma turbina de avião. A comissária de bordo sorria para mim.

"Senhoras e senhores, iniciamos nosso procedimento de descida para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Por favor, afivelem seus cintos."

Eu estava de volta no avião. A mesma roupa. A mesma bolsa no meu colo.

Olhei pela janela. O céu de São Paulo se aproximava.

Não foi um pesadelo. Foi um aviso.

E desta vez, eu estava pronta. A confusão e o desespero deram lugar a um gelo cortante. A vingança seria minha.

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