Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance Amor Sacrificado, Coração Partido

Amor Sacrificado, Coração Partido

Após salvar Mariana de um sequestro e sustentar seus sonhos por nove anos com múltiplos empregos, João é descartado friamente. Ao celebrarem o novo apartamento, ela revela que ele foi apenas uma conveniência e que agora busca alguém com status, como seu amante Gabriel. Entre sacrifícios ignorados e uma traição cruel, João confronta a mulher que moldou, percebendo que sua dedicação foi trocada por ambição. O fim de um ciclo de dor e ingratidão se sela no vazio.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

Eu me lembro do dia em que a encontrei. Mari estava encolhida em um beco, com os olhos cheios de pavor, tremendo. Salvei-a de um sequestro e, a partir daquele momento, a vida dela se tornou a minha.

Por nove anos, eu me matei de trabalhar. Vendedor, garçom, entregador. Tudo para que ela pudesse ter a vida que eu nunca tive. Tudo para pagar a faculdade de administração que ela tanto sonhava.

Finalmente, aos vinte e quatro, o apartamento que compramos estava pronto. Preparei o jantar, o prato favorito dela, esperando para celebrar nosso novo começo.

Ela chegou tarde. Não sorriu. Seus olhos evitaram os meus.

"João, preciso conversar com você."

A voz dela era fria, distante.

"Eu quero terminar."

O mundo ao meu redor parou.

"Terminar? Como assim? Nós acabamos de nos mudar. Eu preparei o jantar…"

Minha voz falhou.

"João, seja realista. Nós não somos mais compatíveis."

"Diferentes como? Eu fiz tudo isso por nós!"

"Não. Você fez isso por mim. E eu sou grata. Foi... conveniente."

Conveniente. A palavra me atingiu como um soco no estômago.

Nove anos de sacrifício, reduzidos a uma conveniência.

"Você ainda é um vendedor. Eu preciso de alguém que possa me acompanhar, que entenda as minhas ambições."

Cada palavra era uma pá de terra jogada sobre o caixão do nosso amor. Olhei para as minhas mãos, para os calos, para o rosto dela e vi uma estranha. Uma mulher fria e calculista.

"Tudo bem."

Foi a única coisa que consegui dizer.

Ela se levantou.

"Vamos pelo menos jantar uma última vez", eu disse.

Ela concordou. "Mas preciso ser rápida. Tenho um compromisso."

Comemos em silêncio. A comida, que eu preparei com tanto cuidado, agora parecia cinza e sem gosto.

"Como vamos fazer com as coisas? Eu não quero nada. Já aluguei um lugar novo. Um lugar melhor."

Ela disse "melhor" com uma ênfase que me fez sentir pequeno.

"Eu te dei o meu melhor, Mariana."

"Eu sei, João. Mas o seu melhor não é mais o suficiente para mim. A vida é sobre buscar melhores oportunidades, não é?"

Ela pegou o porta-retrato da nossa foto, virou-o, tirou a fotografia e a empurrou para mim.

"Você pode jogar isso fora."

O símbolo da nossa história, descartado como lixo.

"Nós dois sabíamos que isso ia acontecer um dia. Pense nisso como uma formatura."

O toque dela queimava. Sua tentativa de consolo era um insulto.

O calor subiu pelo meu rosto, mas não era de vergonha. Era raiva. Uma raiva gelada e silenciosa.

"Tudo bem, Mariana. Você pode ir."

Ela pegou algumas roupas, e enquanto remexia nas gavetas, algo caiu com um baque metálico. Um par de abotoaduras de prata.

"O que é isso?"

Mariana se virou, os olhos arregalados de pânico. A mentira era tão óbvia.

"Ah, isso? É... é um presente da empresa."

"A empresa te deu abotoaduras masculinas?"

"Sim. É unissex. Sei lá. Foi só um brinde corporativo, não significa nada."

Mentirosa. Naquele momento, um milhão de pequenas coisas começaram a fazer sentido. As noites em que ela chegava tarde do "trabalho". As chamadas misteriosas.

A dor da traição era diferente da dor do abandono. Era mais suja.

"Você pode ficar com o carro", ela disse, mudando de assunto. "A empresa me ofereceu um carro."

Ela estava tentando me comprar.

"Eu não quero o carro, Mariana."

Ela se virou lentamente. "Então o que você quer?"

"Eu quero saber de quem são as abotoaduras."

O silêncio que se seguiu foi a confissão. A máscara de controle rachou.

"Você está me acusando de quê?", ela sibilou. "Depois de tudo, você acha que pode me acusar?"

"Eu fiz uma pergunta. De quem são as abotoaduras, Mariana?"

"Ok. São do Gabriel. Gabriel Souza. Meu colega de trabalho. Ele é um homem de verdade, João. Um homem com futuro, com ambição. Nós estamos juntos há alguns meses."

Alguns meses.

Enquanto eu fazia horas extras, ela estava com ele.

Uma dor aguda atravessou minhas costas. O mesmo lugar que doía quando eu carregava caixas pesadas para pagar a matrícula dela.

"Não se preocupe comigo", eu disse, esforçando-me para endireitar. "Aparentemente, você nunca se preocupou."

"Isso não é justo! Eu sempre…"

"Sempre o quê? Você sequer sabe por que minhas costas doem, Mariana? Você alguma vez perguntou qual dos meus três empregos me deixava mais exausto? Você sabe que eu vendi o relógio que ganhei do orfanato para comprar aquele seu livro caro de finanças?"

Ela ficou em silêncio, o rosto em branco.

Eu ri, um som que rasgou minha garganta.

"O provedor não importava, só a provisão."

"Eu preciso ir. O Gabriel está me esperando lá embaixo."

"Ah, claro. Não vamos deixar o Gabriel esperando. Ele deve estar ansioso para te levar para a sua 'vida melhor'."

Ela pegou a mala e se dirigiu para a porta.

"Aliás, Mariana", eu chamei. "Você esqueceu suas vitaminas na prateleira do banheiro."

"Minhas vitaminas? Eu não tomo vitaminas."

"Exato. As vitaminas que o médico receitou para a minha dor nas costas. As que você deveria ter me lembrado de tomar todas as manhãs. Mas você sempre esquecia, não é?"

Ela não respondeu. Apenas abriu a porta e saiu, fechando-a com um clique suave que soou como o fim de um mundo. Minha dor, negligenciada como meu amor, ecoava no apartamento vazio.

Você pode gostar

Capa do romance A Mulher Que Ele Subestimou
8.8
Após perder o filho sozinha no hospital, uma mulher enfrenta a frieza do marido, Miguel, que ignorou seus apelos para acudir a meia-irmã. Entre acusações de histeria e o desprezo da sogra, ela descobre, através do irmão, que Miguel mantinha uma relação íntima com a outra. Consumida por uma clareza gelada diante da traição e negligência sofridas, ela decide abandonar a passividade. Agora, seu foco é a vingança legal para tomar tudo o que lhe pertence por direito.
Capa do romance A Traição Dele, Meus Votos de Casamento Súbitos
9.1
Após sete anos como braço direito e amante de Damião Medeiros, o líder da máfia de São Paulo, fui traída. Ele me forçou a seduzir seu rival, Heitor Reis, apenas para me humilhar em público e conquistar outra mulher. Exposta diante da imprensa por quem eu mais amava, fui resgatada pelo próprio Heitor. Em vez de me destruir, o inimigo de Damião cobriu meu corpo e anunciou um casamento inesperado que mudará meu destino e minha vingança contra o passado.
Capa do romance Adeus, Meu Ricardo
8.8
Sentada no sofá que marcou o início do lar, Sofia encara o fim. Ricardo pede o divórcio para viver com Clara, oferecendo bens materiais em troca de dez anos de promessas. Diante da traição disfarçada de destino, ela reage com uma calma inesperada, assinando os papéis enquanto ele parte livre. Contudo, Ricardo subestima a mulher que o ajudou a construir tudo. Grávida e decidida, Sofia planeja desaparecer, levando consigo o filho que ele nunca saberá que existiu.
Capa do romance Amor interminável por você
7.8
Euralia vive um sonho de mimos e luxo, mas descobre que a devoção de seu amado esconde um desejo sombrio de posse absoluta. Sentindo-se sufocada e ferida em sua identidade, ela decide romper as correntes desse controle opressor. Inicia-se um intenso jogo de perseguição: enquanto ele usa todo seu poder para dominá-la, ela luta fervorosamente por liberdade. Entre rebeldia e obsessão, resta saber se esse conflito terminará em redenção ou destruição total.
Capa do romance Casada Com Seu Maior Rival
9.6
Após dez anos juntos, Lucas me traiu cruelmente. Ele me forçou a tomar um antídoto para esquecê-lo, alegando que precisava casar com minha meia-irmã para salvá-la. Durante um acidente, ele me feriu para proteger Serena, provando que eu era descartável. No dia do noivado deles, decidi me vingar. Aceitei a proposta do maior rival de Lucas, o líder do Grupo Rêgo. Ao saber do meu casamento com seu inimigo, vi o desespero consumir o homem que me destruiu.
Capa do romance Minha Esposa Me Odeia
8.2
Alina cresceu na Rússia sob rígida tutela, destinada a um casamento arranjado com Bernardo. O herdeiro, porém, vive como playboy e ama a ambiciosa Isabela. Sob ameaça de deserdação, ele aceita a união apenas para manter sua fortuna, planejando tornar a vida da noiva um inferno. Mas o jogo vira quando ele se vê genuinamente atraído por ela. Agora, Bernardo enfrenta o desafio de conquistar o coração de Alina, que nutre um profundo desprezo por ele.