
Amor Proibido, Legado de Sangue
Capítulo 2
Meu nome é Sofia, e meu único objetivo sempre foi sobreviver.
Outras garotas da minha idade, na periferia onde cresci, sonhavam com um bom casamento, um emprego estável ou em sair daqui.
Eu não.
Eu sonhava em não ser notada, em passar pela vida como uma sombra.
Para mim, problemas eram como doenças contagiosas, eu via os outros se infectando e aprendi a manter distância.
Não por medo, mas por princípio.
A violência na minha rua era comum, brigas por dívidas, disputas por território, coisas que eu via pela janela.
Eu nunca me envolvia.
Meu pai, um homem que eu mal conhecia, garantia que o dinheiro nunca faltasse, a geladeira estivesse sempre cheia e as contas pagas.
Ele me dava proteção à distância, um anjo da guarda invisível e perigoso.
Isso bastava.
Um dia, um dos valentões do bairro, um cara chamado Jonas que se achava dono da área, decidiu que o silêncio da minha casa era um convite.
Ele e mais dois apareceram na minha porta, com sorrisos maliciosos e a certeza de que eu era uma presa fácil.
"E aí, princesinha? Sozinha em casa?", Jonas disse, tentando forçar a porta.
Eu não me movi.
Meu coração não acelerou.
Eu apenas o encarei, com a calma que a minha vida inteira me ensinou a ter.
"Não estou sozinha", eu disse, com a voz firme.
Ele riu, um som áspero e desagradável.
"Ah, não? E quem está aí com você? Um fantasma?"
Eu mantive o olhar fixo no dele.
"Algo pior."
Ele parou de rir.
A confiança em seu rosto vacilou por um segundo, substituída por uma ponta de dúvida.
Meus olhos não demonstravam medo, apenas um aviso frio.
Ele não sabia quem eu era, mas sentiu que havia algo errado.
"Vamos embora, Jonas. Deixa essa esquisita pra lá", um dos comparsas dele falou, claramente desconfortável.
Jonas hesitou, seu orgulho ferido.
Ele empurrou a porta mais uma vez, mas sem a mesma força.
Eu não recuei um centímetro.
"Saia da minha frente. Agora", eu falei, cada palavra pesando no ar.
Ele me olhou por mais um longo momento, procurando um sinal de fraqueza que não encontrou.
Então, ele cuspiu no chão ao lado do meu pé e se virou, indo embora com seus amigos.
Eu fechei a porta devagar.
Não senti alívio, nem raiva.
Apenas um cansaço familiar.
Eu não liguei para o meu pai.
Não precisava.
Naquela mesma noite, eu peguei meu celular, um aparelho simples que eu usava para emergências.
Eu não disquei o número do meu pai.
Disquei o número de um homem chamado Sílvio, um dos poucos contatos que meu pai insistiu que eu memorizasse. Sílvio era um "resolve-problemas".
A ligação foi curta.
"Sílvio."
"Sofia. Aconteceu alguma coisa?"
"Um problema na minha rua. Um cara chamado Jonas."
Eu não dei detalhes. Não precisei.
"Entendido", ele disse e desligou.
Na manhã seguinte, o bairro estava em silêncio.
Jonas e seus amigos desapareceram.
Ninguém nunca mais os viu.
Ninguém fez perguntas.
Eu nunca sujei minhas mãos.
Essa era a minha regra de ouro.
Força bruta era para os estúpidos, para aqueles que não sabiam usar as ferramentas certas.
Eu não era uma lutadora, eu era uma estrategista.
Desde pequena, eu entendi que o verdadeiro poder não estava em dar um soco, mas em fazer com que outra pessoa o desse por você.
Era mais limpo, mais eficiente e, acima de tudo, mais seguro.
Eu não sabia na época, mas essa filosofia estava prestes a ser testada no limite.
Eu usaria outras pessoas, suas ambições, seus medos e sua lealdade.
Elas seriam minhas armas e meus escudos.
E eu me tornaria a mestra de um jogo muito mais perigoso do que as ruas da periferia.
Um jogo de vida ou morte, onde sobreviver não seria mais o suficiente.
O objetivo seria dominar.
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