
Amor ou Vingança?
Capítulo 2
- Mãe, Pai, cheguei.
- Minha doce filha! - O Sr. Alberto disse, passando a mão nos cabelos dela.
- Pai, para! Já não sou mais uma menininha - retrucou Shilla, com uma voz manhosa.
- Você será sempre a minha menininha. - Ele sorriu, um sorriso largo e sincero.
- Que bom que chegou, filha. A mamãe já estava ficando preocupada. - Linda deu-lhe um abraço caloroso.
O ambiente de amor familiar, aquele calor reconfortante, despertou um frio e forte aperto no peito de Esmeralda, que observava a cena da porta.
- Boa noite, tia e tio - saudou Esmeralda, forçando um pequeno sorriso.
- Boa noite, querida - responderam em uníssono.
- Como foi a aula hoje? - Linda perguntou, virando-se para a sobrinha.
- Foi muito boa, tia.
- Que ótimo, querida. Se precisar de alguma coisa, me avise. - Linda disse com carinho. Ela realmente gostava da sobrinha.
Está bem, tia. Agora vou para o meu quarto. - Esmeralda mal esperou a resposta e saiu apressadamente.
- Mãe, Pai, também vou para o meu quarto. Vou tomar um banho e já volto para o jantar - anunciou Shilla, levantando-se.
- Ok, vai lá. - O Sr. Alberto sorriu.
- Não demore muito no banho - alertou a Sra. Linda.
- Está bem, mãe.
Eles observaram a filha desaparecer da sala, sorrindo um para o outro.
Postada no quarto, Esmeralda estava cheia de raiva. Ela cerrou os punhos até que as unhas marcassem a pele. "Que droga," sibilou, os olhos azuis faiscando no reflexo do espelho. "Eu te odeio, Shilla. Um dia, tudo isso será meu, e você verá o que vou fazer contigo."
[....]
Já no seu quarto, Shilla terminou o banho e pegou no celular. Discou o número do namorado.
- Oi, querida. Você chegou bem em casa? - A voz do rapaz veio suavemente pela linha.
- Sim, querido, e você?
- Também cheguei bem. Já estou com saudades - Ele disse, com a voz dócil.
A conversa durou alguns minutos, até que a mãe a chamou para jantar, forçando-a a se despedir.
[......]
Alguns minutos depois, estavam todos em volta da mesa, jantando alegremente, a imagem viva de uma família perfeita.
Linda abaixou os talheres, olhando para a irmã com um vinco de preocupação na testa.
- Amanda, tens que abrandar. Trabalhas demais. Pareces esgotada. Devias pegar mais leve.
Amanda parou de mastigar. Ela pousou os talheres com um clique na porcelana, e só então levantou os olhos, um sorriso forçado a esticar-lhe os lábios.
- Está tudo bem, irmã. Não precisas te preocupar. Juro-te, pela próxima vou trabalhar menos. - A voz dela era excessivamente suave, e Linda apenas assentiu, ainda não totalmente convencida.
Logo que terminaram o jantar, as meninas foram para os seus quartos, e o casal foi tomar chá e pôr a conversa em dia. Linda ultimamente ficava cansada de repente e não entendia o porquê. Ela chegou a comentar com a irmã, mas nada disse ao marido. Não queria que ele ficasse preocupado. Mesmo assim, ela continuava a ir trabalhar.
[.....]
Depois de alguns minutos, Linda e Amanda ficaram sozinhas na sala conversando.
- Eu... eu tenho andado tão cansada ultimamente. De repente, sinto que a energia me foge. Comentei contigo, lembras-te? Mas não disse nada ao Alberto, não quero que ele fique preocupado.
- É apenas stress, querida. Má alimentação. - Amanda descartou o assunto com um aceno da mão e mudou de assunto imediatamente.
Linda também continuaria a ir trabalhar, lutando contra aquela fadiga estranha que a assombrava.
Passaram-se alguns meses, e Linda ficou doente de repente. Ela foi hospitalizada, e os médicos não conseguiam entender a origem da doença. Linda foi submetida a exames invasivos, mas os gráficos e análises voltavam sempre limpos. Os dias passavam, e ela definhava lentamente, sem qualquer melhora.
Shilla e Alberto estavam no quarto de Linda. Linda estava deitada, o rosto pálido e osso contra o travesseiro branco, e o cheiro agridoce de desinfetante hospitalar pairava no ar. Shilla segurava a mão da mãe, que estava fria e estranhamente leve, enquanto uma torrente de lágrimas silenciosas escorria pelo seu rosto. Ela suplicava a si mesma que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo e que logo acordaria.
- Não chore, meu amor. Vai ficar tudo bem. Prometa-me que você ficará bem. - Linda sussurrou, a voz mais fraca que um sopro. Shilla teve que se curvar para ouvir.
- Não, mãe! A senhora tem que ser forte! Temos que ir para casa! Para o nosso jardim! - Shilla negou com a cabeça desesperadamente, as lágrimas agora quentes e abundantes molhando a mão da mãe.
Linda virou a cabeça com esforço para o marido. - Meu bem... cuide bem da nossa filha... e do que é nosso. - Ela disse tossindo, um som seco e preocupante no seu peito.
De repente, o silêncio foi quebrado por um alarme estridente e agudo. Os aparelhos começaram a apitar loucamente, desenhando linhas retas e vermelhas no monitor. Alberto disparou para fora do quarto, o pânico estampado nos olhos, berrando pelos médicos.
- Mãe, por favor, acorde! Não me deixe! - Shilla caiu de joelhos ao lado da cama, agarrando-se ao lençol da mãe, o desespero transformado em grito mudo.
Os médicos e enfermeiros entraram a correr, empurrando Shilla e a máquina de desfibrilhação para o centro da ação. Os comandos urgentes, os ruídos da reanimação e o cheiro de eletricidade encheram o quarto. Fizeram tudo o que podiam, mas o coração de Linda, envenenado por meses, parou. Um tom contínuo, monótono e final no monitor selou o destino.
Do outro lado do vidro, separada por uma barreira fria e impessoal, Amanda observava. No meio do luto e do caos, ela deixou um sorriso lento e satisfeito desenhar-se em seus lábios, uma sombra de triunfo que a escuridão da noite mal conseguia esconder.
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